TEX de Victor de la Fuente em grande destaque no Diário As Beiras: 5 de Abril de 1996

Texto do jornal Diário “As Beiras” de 11 de Março de 1995
João Miguel Lameiras

Nova imagem para um velho herói!

Nova imagem para um velho herói!Um dos mais populares personagens da BD italiana, o cowboy Tex Willer está de volta ao convívio dos leitores portugueses numa edição especial que dá a conhecer uma versão diferente deste herói clássico dos “fumetti”. Tex, o personagem mais emblemático das edições Bonelli, cujas aventuras têm sido distribuídas em Portugal nos últimos 15 anos, já foi objecto de referência nesta coluna há pouco mais de um ano (ver DIÁRIO AS BEIRAS de 11/3/1995), por ocasião do lançamento de uma edição semelhante a esta, desenhada pelo espanhol José Ortiz.

Criado por Giovanni Bonelli e Aurelio Galleppini, este herói foi publicado pela primeira vez em 1948, mantendo-se em publicação ininterrupta até à actualidade, com a dupla criadora a ter que assegurar uma média de 110 páginas mensais, um ritmo de produção industrial que, logicamente, se reflectiu na qualidade e originalidade das historias. Esse ritmo alucinante de produção condicionou igualmente o trabalho gráfico dos mais de 10 desenhadores que se ocuparam da série, condenados a um estilo funcional, sem quaisquer requintes estéticos. Daí que estes álbuns anuais (com um ritmo de produção muito mais lento do que as edições mensais) permitam outro tipo de voos, sendo muitas vezes usados para permitir que desenhadores consagrados transmitam o seu cunho pessoal ao herói do Oeste. Foi o que sucedeu com a edição comemorativa do 40º aniversário da série, desenhada pelo italiano Guido Buzzelli, com o número anual de 1993, com arte de José Ortiz, ou com o álbum que motiva este texto, com desenhos do espanhol Victor de la Fuente, que apesar de ser anterior em um ano ao especial desenhado por Ortiz, só agora sai em edição brasileira.

Arte de Victor de la FuenteEmbora seja esta a primeira vez que pega no personagem Tex, Victor de la Fuente é um veterano da banda desenhada de aventuras, conhecido principalmente pelas suas incursões na heroic fantasy, através de personagens como Haxtur, Haggart e Mathai-Dor, mas que se sente particularmente à vontade nos “westerns”. Basta recordar a série Sunday (quanto a mim o seu melhor trabalho) feita em colaboração com o seu compatriota Victor Mora, de que foram publicados em Portugal alguns episódios na revista Mundo de Aventuras, ou Los Gringos, um “western spaguetty” criado por Jean Michel Charlier e continuado de forma medíocre por Guy Vidal, após a morte do criador de Blueberry.

Aqui, mesmo sem deslumbrar, o desenhador espanhol dá mostra de toda a sua eficácia, profissionalismo e sentido narrativo, sendo evidente o prazer que teve ao desenhar esta história escrita por Claudio Nizzi de modo a integrar os seus ingredientes favoritos (apaches e mexicanos). Não deixa de ser curioso que, tal como sucede em “A Mina do alemão perdido” da série Tenente Blueberry, também de la Fuente, tal como Giraud, não resiste a utilizar o cenário fordiano do Monument Valley, apesar de a acção decorrer no Arizona.

Arizona em ChamasQuanto ao argumento de Claudio Nizzi, o actual escritor da série, apesar de pouco ter de original, é tão complexo e movimentado que faz lembrar as intrigas criadas pelo saudoso Jean Michel Charlier. Aliás, esta aventura em estado puro, género cada vez mais raro nos actuais “Westerns” europeus em banda desenhada, é suficientemente complexa e bem estruturada para aguentar 240 páginas, apresentando-se como um muito razoável substituto das aventuras do Tenente Blueberry, em clara perda de velocidade e interesse desde a morte de Charlier.

A edição da Globo segue um esquema habitual destes álbuns anuais. Para além do formato maior, conta ainda com um vasto dossier que inclui um texto de Sergio Bonelli,  uma entrevista com de la Fuente e um bem documentado artigo de Mauro Boselli sobre os Apaches, só peca é por estar impressa num papel demasiado poroso, que só não faz com que as páginas mais escuras saiam algo empasteladas, devido à extrema legibilidade do traço de Victor de la Fuente. Mesmo assim, face ao modesto preço desta edição (menos de 800 escudos para mais de 200 páginas de acção e aventura), o leitor vai muito bem servido.

Tex de Victor de la Fuente
(“Tex”: Arizona em chamas, de Claudio Nizzi e Victor de la Fuente, Editora Globo, 242 páginas, 790$00)

Copyright: © 1996 Diário “As Beiras“; João Miguel Lameiras
(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

3 Comentários

  1. Então é possível que, se encontro uma livraria de histórias em quadrinhos portuguesa que venda através da internet, eu possa ler estas ‘historietas’ de Víctor de la Fuente. Pois agora mesmo o procuro.
    Glenat espanhola publicou não faz muito tempo Sunday num só volume e está por facer o mesmo con Haxtur. Ainda que de Tex só li o publicado por Planeta comics (com Alfonso Font, Jordi Bernet e Joe Kubert) mais alguma velha história isolada, foi tão bom como para sentir que eu estava ante um grande personagem.

  2. Caro Ismael, se desejar edições de Tex desenhadas por Víctor de la Fuente, na língua portuguesa, pode contactar a editora Mythos, através do e-mail dvitor@mythoseditora.com.br já que a editora brasileira envia por correio revistas de Tex (sem dúvida um fantástico personagem) para Portugal, mas também para Espanha, onde há vários leitores comprando revistas de Tex!
    Um abraço e obrigado pelo comentário.

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