Por Hugo Pinto [*]
Tex – “A Chicotada“, de Pasquale Ruju e arte de Mario Milano
A aposta da editora A Seita nos lançamentos da editora italiana Bonelli sedimenta-se ainda mais em 2021, com o arranque de uma nova coleção. Depois da coleção Aleph que já reuniu um bom número de títulos de Dylan Dog e Dampyr, é a vez da personagem mais famosa da casa italiana, Tex, ter uma coleção inteiramente dedicada às suas aventuras.
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A história, que decorre no México, apresenta-se-nos rápida e sem espinhas, de forma linear e sem que se perca tempo com muitas nuances narrativas. O holofote da obra centra-se na personagem de Diego Portela, que foi marcado na cara (e na dignidade) por valentes chicoteadas que lhe deixaram mazelas emocionais para sempre. E o verdadeiro culpado desse martírio foi (?) Don Alvarado. E agora, Diego Portela sente que é a altura certa para a sua vingança. Por coincidência, Tex Willer e Kit Carson também se encontram no México no encalço de um bando de traficantes. E, eventualmente, acabam por se envolverem na disputa entre Diego Portela e o clã Alvarado. Sendo uma história clássica de vingança, diria que, pelo menos de forma aparente, não é muito imaginativa. No entanto, há alguns twists na narrativa que surpreendem o leitor e que tornam a história mais interessante de ler.
Em termos de arte, este é um álbum muito bonito e bastante bem executado, com um excelente trabalho do autor Mario Milano, cujo traço aparenta ter semelhanças com o de Jean Giraud na clássica série Blueberry. Os grandes planos que desenha das personagens – especialmente de Diego Portela – , bem como várias cenas de ação estão extremamente cinematográficos e impactantes.
O facto da planificação ser mais dinâmica, com ilustrações que saem dos limites das vinhetas ou com vinhetas que se sobrepõem umas às outras, permite a tal sensação de frescura e a tal modernidade que Tex, na sua forma mais clássica, (já) não consegue ter. Ou melhor, já não conseguia. Porque este novo Tex está mais atual que nunca.Embora o formato seja maior quando comparado com o formato a que Tex nos habituou, confesso que ainda gostava que fosse maior. Dentro do universo franco-belga ainda é um pouco “pequeno”. Mas, claro, há que reconhecer que já é um formato que permite muito mais, em termos de possibilidades narrativas e de planificação da história.
Quanto à edição da obra, o trabalho é muito bem conseguido por parte d’ A Seita. E é com alegria que vejo que as editoras portuguesas têm cada vez mais cuidado com o objeto-livro que põem cá fora. Aos leitores de bd isso também importa. Assim, para além de um bom trabalho de encadernação, com capa dura e bom papel, destacam-se as entrevistas com os autores, os estudos de capa e um desenho original de Tex, feito propositadamente por Mario Milano para a edição portuguesa. Assinale-se ainda o bom sentido de oportunidade da editora portuguesa que edita este livro para o mercado português passados apenas alguns meses do seu lançamento original em Itália.
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Em conclusão, este é o Tex certo para que todos aqueles que sempre olharam de soslaio para a série possam, finalmente, mergulhar nela. De forma simples, rápida, despretensiosa e agradável. Pode não ser um livro que marque uma vida mas é um livro bem conseguido de uma ponta à outra. Para os fãs de western? Recomenda-se! Para os fãs de Tex? Recomenda-se! Para os fãs do franco-belga? Recomenda-se também!
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