Vídeo: “O dia em que Dorival encarou a guarda“, com a participação especial de Tex

Por José Carlos Francisco

“O Dia em que Dorival Encarou a Guarda,” é o segundo curta-metragem dirigido pelo guionista e director brasileiro Jorge Furtado . O curta-metragem funciona como adaptação do oitavo episódio do livro “O Amor de Pedro por João“, de Tabajara Ruas e acompanha o encarcerado Dorival, que tenta convencer os guardas a permitir que ele tome um banho. Mas o preso esbarra na negativa dos guardas, embora estes não consigam justificar para Dorival a razão que o impede de tomar o banho.

Com 14 minutos de duração, este clássico do cinema brasileiro não envelhece. Denúncia alguns problemas ainda existentes em pleno século XXI, como racismo, burocracia e a repressão carcerária. Sem contar a linguagem usada e preservada pelo cinema brasileiro até hoje.

Mas o que leva o blogue português do Tex a falar deste filme brasileiro é a forma brilhante como Jorge furtado faz referencia da cultura pop da época, desde Tex Willer a Casablanca. O curta-metragem beira ao realismo e fantasia, com uma óptima edição, um elenco entrosado e uma trilha sonora marcante.

Quem ainda não assistiu, assista aqui no blogue do Tex ao filme, vale cada minuto e poderá ver então a participação especial de Tex Willer:

Direcção: Jorge Furtado e José Pedro Goulart
Guião: Giba Assis Brasil, José Pedro Goulart, Jorge Furtado e Ana Luiza Azevedo
Direcção de Fotografia: Christian Lesage
Direcção de Arte: Fiapo Barth
Música: Augusto Licks
Direcção de Produção: Gisele Hiltl e Henrique de Freitas Lima
Montagem: Giba Assis Brasil
Assistente de Direcção: Ana Luiza Azevedo
Elenco: João Acaiabe (Dorival), Pedro Santos (Soldado), Zé Adão Barbosa (Cabo), Sirmar Antunes (Sargento), Lui Strassburger (Tenente)

Prémios

  • 1º Prémio Iecine (Governo do Estado/RS), 1985-86:
    Apoio à produção.
  • 14º Festival do Cinema Brasileiro, Gramado, 1986:
    Melhor Curta Nacional (dividido no Júri Oficial, sozinho no Júri Popular e no Prémio da Crítica), Melhor Actor de Curta (João Acaiabe) e mais 4 prémios regionais (Melhor Filme, Melhor Direcção, Melhor Fotografia e Melhor Montagem).
  • Troféu Scalp 1986:
    Destaque do ano em cinema.
  • 21º Festival de Cinema Ibero americano, Huelva, Espanha, 1986:
    Melhor Curta metragem de Ficção.
  • 8º Festival Internacional do Novo Cinema Latino americano, Havana, Cuba, 1986:
    Melhor Curta de Ficção.
  • Exibido na mostra “Os 10 Melhores curtas brasileiros da década de 80”, no Cineclube Estação Botafogo, Rio de Janeiro, 1990.

Crítica

“Transgressão é a palavra que se aplica a O DIA EM QUE DORIVAL…, inspirado numa história do gaúcho Tabajara Ruas: o negrão Dorival (interpretação notável de João Acaiabe), em cana, resolve enfrentar os homens e conquistar um banho a qualquer preço. Humor e violência cruzam se em doses exactas, e o resultado são 14 minutos intensos de segurança e brilho.”
(Caio Fernando Abreu, O Estado de São Paulo, 08/08/86)

“Em O DIA EM QUE DORIVAL ENCAROU A GUARDA, embora a fotografia não avance para o lado fantasista, sente-se (…) uma marcação forte, e principalmente um certo preciosismo nos enquadramentos que produz uma imagem potente. (…) Também possui um universo ficcional realista, apesar do jogo inteligente com a citação textual, por onde passam King Kong, farwest e ‘Casablanca’.”
(Fernão Ramos, Folha de São Paulo, 15/08/86)

“Um clima de entusiasmo tomou conta do Núcleo Imaginário. Expressões como ‘genial’, ‘demais’, ‘fantástico’ pontuaram a discussão. E não era para menos. Tínhamos acabado de assistir O DIA EM QUE DORIVAL ENCAROU A GUARDA. Para quem já estava até se resignando com tão limitada dieta cinematográfica, o filme foi um prato farto e um verdadeiro banho de cinema. (…) A música, a fotografia, a iluminação e a direcção são excelentes. (…) O trabalho de João Acaiabe na construção do prisioneiro Dorival é primoroso. DORIVAL espelha, enfim, o trabalho colectivo de artistas e técnicos que cresceram sob o signo da repressão, foram influenciados pelo cinema americano e pela televisão e souberam assimilar e devolver tudo isso com um espírito crítico aguçado.”
(Rosa Lima, Cine Imaginário, Rio de Janeiro, agosto/86)

“Furtado, em O DIA EM QUE DORIVAL ENCAROU A GUARDA, consegue mesmo inserir King Kong e Tex Willer em um curta sobre prisão e racismo, sobre a estupidez burocrática e a repressão carcerária. É um Zemeckis jovem.”
(Roberto Silvestri, Il Manifesto, Milão, 07/03/91)

“É desconcertante notar que basta a autoridade para que se acate passivamente a uma ordem ou crie-se um direito. No filme, obedece-se a uma ordem sem se saber sua fonte e fundamentos. A ‘ideologia burocrática’ não consegue ir além de si mesma, esgotando-se e mostrando sua verdadeira natureza. (…) Triste ironia: o prisioneiro tem seu pedido tragicamente atendido! Vemos, quando encurralada, a “ideologia burocrática” mostrar seu autoritarismo e violência. A truculência, no filme, é escancarada.”
(Vinícius Magalhães Pinheiro, Revista Crítica do Direito, 27/06/2011)

Entrevista com o fã e coleccionador: Jackson Baranowski Brandolt

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Jackson Baranowski Brandolt: O meu nome é Jackson Baranowski Brandolt, tenho 21 anos e nasci em Tucuruí, no Estado do Pará, região norte do Brasil. Sou vendedor de uma loja aqui da cidade e curso administração.

Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
Jackson Baranowski Brandolt: Desde criança tive interesse por desenhos e histórias aos quadradinhos. Inicialmente lia mangás.

Quando descobriu Tex?
Jackson Baranowski Brandolt: Conheci o Tex há 3 anos por meio de um primo meu  que me apresentou o ranger. Eu estava na casa dele e disse que devia existir uma história de banda desenhada de faroeste e ele mostrou-me o Tex.

Porquê esta paixão por Tex?
Jackson Baranowski Brandolt: O Tex tem o mundo mágico do velho Oeste e animais que fizeram parte da minha infância como por exemplo os cavalos. Além das aventuras e dos valores morais.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Jackson Baranowski Brandolt: Os valores morais e o facto de o Tex não ter super-poderes, o que o torna muito mais realista.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Jackson Baranowski Brandolt: Tenho umas sessenta revistas no total e as mais importantes são: Tex Ouro 45, Tex Ouro 59 e Tex Anual 7.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Jackson Baranowski Brandolt: Colecciono apenas as revistas do ranger porque outros objectos ligados a Tex eu não encontrei.

Qual o objecto Tex que mais gostava de possuir?
Jackson Baranowski Brandolt: O que eu mais gostaria de possuir era um póster em preto e branco com as quatro personagens principais.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Jackson Baranowski Brandolt: A minha história preferida é “O Passado de Kit Carson” e o meu desenhador predilecto é o Alessandro Piccinelli. Quanto ao argumentista a minha preferência vai para o Claudio Nizzi.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Jackson Baranowski Brandolt: O que mais gosto no Tex é o seu carácter e coragem. E o que menos gosto são os cigarros e os palavrões.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Jackson Baranowski Brandolt: O que faz do Tex o ícone que é, é o seu carácter e a coragem com que o ranger defende os oprimidos. Além da magia do velho Oeste.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Jackson Baranowski Brandolt: Não costumo encontrar-me com muitos outros coleccionadores pois conheço apenas um.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Jackson Baranowski Brandolt: O futuro do ranger eu vejo como sendo a magia do faroeste crescendo cada vez mais e cativando cada vez mais leitores.

Prezado pard Jackson Baranowski Brandolt, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

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As Leituras do Pedro: J. Kendall – Aventuras de uma Criminóloga #95 – Dias ardentes

As Leituras do Pedro*

J. Kendall – Aventuras de uma criminóloga #95 – Dias ardentes
Giancarlo Berardi e Lorenzo Calza
(argumento)
Claudio Piccoli
(desenho)
Mythos Editora
(Brasil, Outubro de 2012)
135 x 178 mm, 132 p., pb, brochado, mensal
R$ 8,90 / 4,00 €

Eis mais uma edição de J. Kendall – Aventuras de uma criminóloga, publicação mensal acerca da qual em breve poderá haver boas notícias.

No enredo, um singular assaltante de bancos, um ataque químico à rede de água da cidade cujo desenvolvimento faz supor uma ameaça terrorista, a luta tenaz por uma possível herança. E, como nota distintiva – embora distintas sejam toadas as tramas que Berardi tem imaginado para esta sua criação que recorrentemente tenho trazido a As Leituras do Pedro – o clima opressivo, sufocante, incómodo e agressivo que o calor do Verão trouxe para assolar Garden City, que exacerba e traz à superfície da pele a violência latente e o que geralmente há de pior no ser humano: insensibilidade, desespero, falta de auto-confiança, ódio fácil, desprezo pelos outros e pelas suas vidas.

Como nota contrastante, surge o inesperado relacionamento próximo entre a criminóloga e o novo detective especialista na luta anti-terrorismo, perante o comportamento enciumado – não há outra forma de o descrever – do tenente Webb.

Nota romântica e de humor desnecessária, dirão alguns, adeptos do policial mais duro e violento. Terão alguma razão, não nego. A mim, soou-me como mais uma peça do multifacetado puzzle que a sociedade é e que cada ser humano ajuda a compor, no retrato do (nosso) mundo real que, mês após mês, Berardi e os seus colaboradores vão traçando de forma realista, por isso também cruel, mas não isenta de ternura.
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*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro.

Fernando Costa (Pallino) homenageia Stefano Andreucci

Fernando Costa, conhecido por Pallino nos fóruns italianos dedicados a Tex, é um fervoroso fã italiano de banda desenhada com jeito para o desenho, (conforme já podemos constatar AQUI mesmo no blogue do Tex) e a prová-lo uma vez mais está uma belíssima homenagem ao consagrado desenhador Stefano Andreucci, com um belo Tex realizado já em 2013, conforme se pode ver de seguida:

Fernando Costa (Pallino) homenageia Stefano Andreucci

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