Papa Francisco agradece, inclusive a CLAUDIO VILLA, felicitações por 1º ano de pontificado

Por José Carlos Francisco

O Papa Francisco agradeceu pelo Twitter no passado dia 17 deste mês todas mensagens de afecto que recebeu por ocasião de seu primeiro ano como pontífice da Igreja Católica, desde que foi eleito em conclave sucessor de Bento XVI em 13 de Março de 2013.

“Obrigado por todas as manifestações de carinho no aniversário de pontificado. Por favor, continuai a rezar por mim“, escreveu o Papa quatro dias depois do evento.

O Papa Francisco agradecendo pelo Twitter

No dia em que completou o primeiro aniversário de sua eleição, Bergoglio estava na cidade romana de Ariccia realizando exercícios espirituais em virtude da Semana Santa e dedicou o dia a rezar.

No dia 17, o pontífice publicou no Twitter um breve “Rezai por mim“, o mesmo pedido que fez há um ano ao aparecer na varanda da Basílica de São Pedro para se apresentar ao mundo.

Papa Francisco na arte de Claudio Villa

Entre os destinatários deste agradecimento, está também o prestigiado desenhador de Tex Claudio Villa, uma vez que o autor das capas de Tex, por ocasião deste primeiro aniversário do pontificado do Papa Francisco desenhou para o periódico L’Osservatore Romano um retrato do Papa Francisco, desenho esse que damos hoje a conhecer aos nossos leitores do blogue do Tex, na ilustração publicada aqui ao lado.

Claudio Villa é tão católico a ponto, diz a lenda, de ter rejeitado a realização, nos anos 90 do século passado, das capas de Dylan Dog, outra mítica personagem da editora localizada na Via Buonarroti. Não é uma lenda urbana, confirma Villa a Roberto Genovesi «não me sentia à vontade em participar num modo convicto devido ao rumo que estava a seguir Dylan Dog. Não me arrependo de nada, mesmo tendo essa escolha me custado imenso. Com o passar do tempo tudo se recompôs e hoje desenho as capas de Dylan Dog para uma série de histórias especiais».

Claudio Villa desenhando Tex

«De aprendiz cristão, que ainda me considero, sinto-me uma criança que tem um grande desejo de compartilhar a beleza que alguém colocou no meu caminho. O caminho está longe de ser fácil: mais escavo, mais dura se torna a rocha e mais me canso. E descobres as tuas misérias, junto com a misericórdia que as acolhe. Estás tão feliz que não podes deixar de dizer a todos… não posso fingir aquilo que não sou. Se a fé é uma parte de ti, põe-na em tudo o que fazes. Torna tudo natural: as escolhas que fazes, o modo como desenhas algo. É na vida que fazes que se vê aquilo em que crês. Estou convicto. E transmite-lo mesmo quando não te dás conta. Eu penso que nada acontece por acaso e que esta, e não outra, era a minha estrada. É claro que eu sempre considerei um grande dom aquela espécie de magia que faz sair, de um simples lápis, uma personagem que vive. E se se torna agradável ler Tex talvez seja também porque quem o lê admire os valores importantes da vida e mesmo que se encontre em casa,  é transportado para as pradarias do  Arizona».

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As Leituras do Pedro: Tex #521: Mestiço e Tex #522: A revanche

As Leituras do Pedro*

Tex #521: Mestiço
Tex #522: A revanche
Pascale Ruju
(argumento)
Alfonso Font (desenho)
Mythos Editora
Brasil, Abril/Maio de 2013
135 x 160 mm, 114 p., pb, capa fina, revista mensal
R$ 7,69 / 3,60 €

Concordo se me disserem que não é fácil ser surpreendido com a leitura de Tex – até porque os limites da série estão rigorosamente balizados pela editora – e surpresa está longe de ser o que eu procuro nas suas aventuras, mas a verdade é que por vezes ela surge. Como acontece neste díptico.
Pormenores já a seguir.

Antes de entrarmos na história em si, o primeiro destaque vai para o desenho. Sentindo já o olhar desaprovador dos admiradores de Galleppini, Venturi ou Letteri, e sendo apreciador do traço límpido e detalhado de Civitelli, acho que os desenhadores de eleição para o Tex frio, impiedoso e determinado, que mais aprecio, são os espanhóis José Ortiz e Alfonso Font, que partilham um traço fino, duro e agreste, assente num preto e branco muito bem contrastado e numa planificação diversificada. Neste caso, a arte – magnífica – é de Font, com as suas personagens esguias e de olhar determinado.

Mestiço / A revanche – e raramente nas histórias do Ranger o duplo título fez tanto sentido como neste caso – para lá dos habituais Tex e Kit Carson, centra-se no percurso do jovem Makua e das consequências – ou falta delas – de o seu caminho se ter cruzado por duas vezes com o de Tex.

Habituado, enquanto mestiço, a ser desprezado por índios, mexicanos e brancos, Makua decide tornar-se pistoleiro – a exemplo de Santos, outro dos intervenientes determinante nesta trama, com quem também se cruza – como forma de obter o reconhecimento e o respeito dos que lhe são mais próximos.

Curiosamente – e aqui surge a tal surpresa, que torna (algo) distinto este western na cronologia texiana – das duas vezes que se encontra com Tex, é igualmente desprezado por este. Da primeira, ainda jovem e ‘inocente’, salvo pelo Ranger do ódio de um mescalero, ouve dele apenas o conselho de se manter afastado de problemas.


Da segunda, tempos mais tarde – pois esta história, com uma estrutura bem delineada com o propósito de conduzir a novo confronto – decorre em dois momentos (relativamente) separados no tempo – enfrentando o Ranger – no seu papel de anjo vingador – acaba vencido, mais do que isso, humilhado. Mais ainda, acaba também estropiado, sem uso para sempre da mão que o tornara um pistoleiro célebre.


E, por isso, reduzido, de novo, à sua condição de (duplo) marginal – mestiço, mas agora também aleijado – num final bem diferente – mérito de Ruju – de (vários) outros de tom (estranhamente) delicodoce que, possivelmente, os habituais seguidores de Tex esperariam.

*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro.

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Do Sítio Internet Sergio Bonelli Editore para o Blogue Português do Tex: Entrevista a José Carlos Francisco (O Tesouro de Zeca)

[1] Entrevista publicada no sítio Internet Sergio Bonelli Editore em 17 de Março de 2014, por Luca Del Savio.

O português José Carlos Francisco, popularmente conhecido por Zeca, é um dos mais apaixonados fãs texianos do mundo. Entre os seus tesouros, uma galeria exclusiva de desenhos de Tex!

O tesouro de Zeca!

O português José Carlos Francisco, popularmente conhecido por Zeca, é um dos mais apaixonados fãs texianos do mundo. Entre os seus tesouros, uma galeria exclusiva de desenhos de Tex!
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A popularidade do Ranger bonelliano não conhece fronteiras: vocês sabiam que um dos fãs mais fervorosos de Tex vive em Portugal? E sabiam que na sua casa de Anadia – uma pequena cidade situada 25 km a Norte de  Coimbra –, para além de um riquíssimo acervo de edições de Tex, possui também uma invejável colecção de desenhos originais que retratam Águia da Noite? Uma galeria crescente que José Carlos Pereira Francisco, para os amigos Zeca, quis compartilhar connosco e com os nossos leitores. Mais de setenta desenhos inéditos dos quais apresentamos uma selecção “por episódios”, a partir desta semana. Para dar início à iniciativa, trocamos algumas palavras com o Zeca para nos contar como tudo começou…

► Quando você leu Tex pela primeira vez? Você se lembra qual foi a primeira história que leu?
José Carlos Francisco: Descobri Tex em 1980, quando os meus avós mudaram de residência e durante as limpezas do sótão da habitação principal, descobri uma caixa com muitas revistas de banda desenhada e entre elas somente um exemplar de Tex, mas era uma edição especial que muito me cativou de imediato: “Pacto de Sangue“, a aventura que narra o casamento do Ranger com Lilyth. Fiquei de tal forma impressionado que nesse mesmo dia fui à procura de edições anteriores e passei a comprar todas as edições que iam sendo distribuídas. Passaram-se mais de 30 anos e hoje eis-me aqui, feliz proprietário da inteira colecção, a falar desse momento inolvidável e desta paixão, que aumenta a cada nova história!

► Se tivesse que colocar num pódio as histórias e protagonistas (amigos e inimigos) da saga de Tex, qual aventura e quais personagens você premiaria?
José Carlos Francisco: Não é fácil fazer uma selecção das melhores histórias, pois são muitas as aventuras que me deixaram uma recordação inolvidável. Se eu tivesse que escolher, porém, poderia dizer que as mais marcantes são “El Muerto”, “O Passado de Kit Carson”, “Oklahoma!”, “A Cruz Trágica” e a mais recente “Patagónia”, que considero uma autêntica obra-prima da Nona Arte. E não se pode esquecer “O Vale do Terror”, sobretudo pelo brilhantismo gráfico alcançado por Magnus.

No que diz respeito aos protagonistas, admiro imenso Jack Tigre: apesar de ser o pard mais sério e um índio que pouco fala, nunca se recusa à acção (para além de ser muito inteligente), e a acção é o que privilegio nas aventuras. O amigo dos pards que mais aprecio é Jim Brandon, o “casaca-vermelha” da Polícia Montada, que inclusive é um dos primeiros grandes amigos de Tex e, sem dúvida alguma, um dos grandes protagonistas do mundo texiano; as histórias que contam com a sua participação são sublimes, sempre com muita acção e perigos insólitos. Uma personagem que gostaria de ver com mais assiduidade seria Cochise, o irmão de sangue de Águia da Noite e chefe de todas as tribos Apache.

Dos adversários, o maior inimigo é sem sombra de dúvidas Mefisto: a longa e interminável luta entre os dois assume os contornos de uma verdadeira luta entre titãs. Mas premiaria também El Muerto, um grande e digno adversário que, apesar de ter comparecido apenas em uma história, deixou uma marca indelével, e é justamente reconhecido por muitos como sendo um antagonista icónico e memorável.

► Como começou a sua colecção de desenhos texianos? Quais foram os autores que você conseguiu contactar e envolver primeiro? E hoje, quantos desenhos você já tem?
José Carlos Francisco: A minha colecção começou em Outubro de 2006, quando, durante uma das minhas visitas à redacção milanesa, Claudio Villa teve a grande gentileza de fazer um desenho exclusivo de Tex enriquecendo-o com uma dedicatória personalizada. Pouco tempo depois, um amigo enviou, por correio, para Portugal um desenho original realizado por Fabio Civitelli e também esse com a devida dedicatória. A partir desse momento comecei a ganhar um carinho especial pelos desenhos originais, sobretudo por serem peças únicas e realizadas propositadamente para mim, não somente por desenhadores de Tex mas também por muitos outros autores da Casa Bonelli (e não só!) que conhecia pessoalmente, e também dos mais renomados ilustradores, por ocasião das entrevistas publicadas no Blogue Português de Tex.

Com tudo isso, a minha casa transformou-se em uma verdadeira “galeria” texiana, com os desenhos expostos nas paredes. São mais de setenta, mas espero vivamente ver esse número crescer ainda mais! Todos estes desenhos, alguns dos quais vos mostro nesta entrevista, penso em publicá-los num livro a dedicar a este fantástico Ranger que me acompanha há 34 anos.

► Como nasceu a sua amizade à distância com Sergio Bonelli?
José Carlos Francisco: Falar de Sergio Bonelli é lembrar de uma pessoa especial a qual tive o grande prazer, mas sobretudo o grande privilégio, de conhecer pessoalmente. A minha primeira visita à Sergio Bonelli Editore é datada de Outubro de 2002, e nasceu de um convite do editor brasileiro Dorival Vitor Lopes (a quem estou eternamente grato) para o acompanhar a ele e ao tradutor/redactor Julio Schneider numa visita à redacção. Um convite irrecusável, pois conhecer Sergio Bonelli era o realizar de um sonho de infância assim como visitar a casa de Tex era uma ocasião que eu não poderia desperdiçar.

Chegado a Milão, fui apresentado a Sergio Bonelli (e logo aí nasceu uma empatia difícil de descrever por palavras) como “o maior coleccionador português de Tex”, possuidor de todas as séries publicadas no Brasil. Naquela ocasião nasceu uma amizade entre duas pessoas de gerações e origens diferentes, unidos pela mesma devoção a coisas simples e sem mácula como podem ser, afinal, os quadradinhos e os heróis que os povoam. Com o passar dos anos fomos trocando correspondência e telefonemas e a amizade foi crescendo, tendo retornado outras vezes a Milão para fortalecer os laços de amizade com Sergio, seu filho Davide e com os outros colaboradores da editora.

► Fale de Tex no seu País: que séries chegam a Portugal?
José Carlos Francisco: Assim como na Itália e no Brasil, também em Portugal a mais popular personagem da banda desenhada italiana é justamente Tex Willer. Ainda que pequeno em relação ao italiano, o mercado português de quadradinhos é constituído por leitores fiéis, entusiastas e pacientes, pois têm que esperar que os seus exemplares preferidos venham do outro lado do Oceano, do Brasil: desde 1971 que as edições brasileiras do Ranger são distribuídas em Portugal, dois países que partilham a mesma língua. Graças à Mythos Editora, actualmente estão presentes nove séries brasileiras (entre inéditas e reedições, almanaques e especiais) dedicadas a Águia da Noite.

► Como anda a aventura do blogue e do Clube Português de Tex?
José Carlos Francisco: Quanto ao Tex Willer Blog, o blogue português do Tex, ele nasceu em 2006 para mostrar ao mundo que mesmo não sendo Tex publicado em Portugal, havia muita paixão pelo Ranger neste pequeno, mas belo país à beira-mar plantado. Com o decorrer do tempo e com a ajuda e colaboração de muitos outros fãs e coleccionadores, o blogue tornou-se uma referência para os fãs e coleccionadores, destacando-se sobretudo pelas entrevistas aos autores da editora Bonelli, para além das inúmeras novidades e conteúdos exclusivos como por exemplo os desenhos de Tex.

O Clube Tex Portugal foi criado em 10 de Agosto de 2013, por ocasião do 18º Salão Internacional de Banda Desenhada de Viseu, na presença de Andrea Venturi. A ideia germinava há cerca de dois anos e foi, digamos assim, oficializada com a devida autorização da Sergio Bonelli Editore, na pessoa do seu director geral Davide Bonelli, que deu o seu apoio incondicional ao Clube desde o anúncio da sua criação. O Clube Tex Portugal é caso único em Portugal, de um Clube dedicado exclusivamente a um herói da BD, e – creio – é o primeiro Clube oficial de Tex no mundo. É uma iniciativa dedicada aos fãs e coleccionadores portugueses,que visa um maior convívio não somente entre os admiradores do Ranger, mas também, entre outras coisas, proporcionar a vinda a Portugal e consequente convívio com autores de Tex que se mostrem disponíveis para se deslocarem ao nosso país. Além disso,  queremos também publicar uma revista periódica destinada em exclusivo aos sócios do Clube. Apesar de neófito, o Clube que tenho a honra de presidir, conta já com quase sete dezenas de associados. No passado dia 15 de Fevereiro organizamos em Lisboa, a Capital portuguesa, o primeiro convívio anual do Clube, evento que contou com a presença de mais de trinta pessoas augurando uma longa vida ao Clube e, consequentemente, a Tex.



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[1] (Entrevista publicada originalmente no Sítio Internet Sergio Bonelli Editore, em 17 de Março de 2014) – Copyright: © 2014 Sergio Bonelli Editore & Luca Del Savio.

O tesouro de Zeca no Sítio Internet da Sergio Bonelli Editore

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Vídeo: Aurelio Galleppini e o Oeste de Tex em Trentino

Aurelio Galleppini

Por José Carlos Francisco

No vídeo mostrado hoje aqui no blogue do Tex, intitulado “Il West di Tex Willer è il Trentino” (cidade adoptiva de Tex Willer) podemos ver Aurelio Galleppini, o criador gráfico de Tex, na região de Trentino, mais precisamente em Levico Terme (Valsugana), a realizar esboços  de habitações, lagos, gargantas, montanhas e vales que em seguida transferia para as páginas do Ranger, pois era daquelas paisagens montanhosas que vinha a inspiração para a ambientação das histórias de Tex.

Aurelio Galleppini a desenhar na região de Trentino

Podemos também ver uma pequena entrevista realizada com Galep, em 1988, integrada numa reportagem vídeo realizada pelo programa TGR do canal italiano RAI,  a propósito do 15º aniversário da sua morte: