Jornal Região Bairradina, de 27/08/2014 Texto da secçãoBairrada
Anadia Inês Maia de Almeida
“Clube Tex Portugal organizou mostra em Anadia e já planeia exposição para 2015“
Jornal Região Bairradina de 27 de Agosto de 2014 noticia a 1ª Mostra do Clube Tex Portugal realizada no Museu do Vinho Bairrada
O Museu do Vinho Bairrada foi palco da 1ª mostra organizada pelo Clube Tex Portugal. Este clube é constituído por aficcionados da personagem Tex, herói western de banda desenhada. Por ocasião da exposição realizada, o Região Bairradina esteve à conversa com o presidente do Clube Tex Portugal, José Carlos Francisco, que falou da exposição deixando sempre transparecer a sua paixão por este herói dos “quadradinhos”.
Região Bairradina (RB)– Porque optaram por realizar a primeira mostra em Anadia? José Carlos (JC)– Tendo em conta o facto de eu ser o Presidente em exercício do Clube Tex Portugal e residindo eu no concelho de Anadia, para além do próprio Clube ter a sua sede em Anadia e depois de eu já ter ajudado a organizar, embora sem a existência oficial do Clube, exposições associadas à personagem Tex em Viseu (2005, 2011 e 2013), Moura (2007), Amadora (2008), Beja (2010 e 2011) e Porto (2012), achei que estava na hora de realizar um evento na “minha” cidade, ainda mais porque essa “promessa” já tinha ficada expressa numa resposta dada a uma entrevista realizada pelo jornal Região Bairradina em 4 de Outubro de 2006 onde à pergunta “Gostaria de um dia expor os seus livros em Anadia?” eu respondi “Seria com muito maior prazer que exporia na nossa cidade, desde que estivessem reunidas as condições de segurança apropriadas para o efeito. No meu entender o mundo texiano é um mundo maravilhoso, que não olha a fronteiras e que decerto seria apreciado pelas gentes do nosso concelho de Anadia.”. Passou-se quase uma década, mas a “promessa” não estava esquecida e assim sendo apresentei, em meu nome e em nome do Clube Tex Portugal, a ideia ao Executivo Camarário e pouco tempo depois, veio, na pessoa do Exmº Sr. Vice-Presidente Jorge Sampaio, a tão ansiada resposta positiva que permitiu inclusive que a mostra decorresse num dos mais nobres espaços da nossa cidade, o Museu do Vinho Bairrada.
RB– Como surgiu este clube dedicado ao herói de BD? JC– Embora não oficialmente, este “Clube” já existia há vários anos e era constituído pelos fãs e coleccionadores que sempre compareciam aos eventos associados à personagem, ajudando inclusive na realização de algumas das exposições realizadas nas diversas cidades portuguesas por onde Tex foi passando ao longo dos últimos anos, mas a ideia de tornar o Clube oficial já existia há cerca de 3 anos e aquando da presença do desenhador italiano Andrea Venturi no 18º Salão Internacional de Banda Desenhada de Viseu, mais precisamente durante a Tertúlia Texiana realizada ao final do dia 10 de Agosto de 2013, a ideia foi posta em prática e o Clube Tex Portugal tornou-se o único Clube no nosso país dedicado exclusivamente a um herói da BD, e o primeiro Clube Oficial de Tex no mundo, já que tivemos de imediato a oficialização reconhecida por parte da Sergio Bonelli Editore, editora italiana que publica Tex e detentora dos direitos da personagem.
RB – Com o que contou a exposição? JC– O grande destaque da exposição foram as duas dezenas de pranchas inéditas da história que Pasquale Del Vecchio está a desenhar e que será publicada, na Itália, em 2015, fazendo com que tivéssemos nesta 1ª Mostra do Clube Tex Portugal a antestreia mundial de uma história de Tex, um feito verdadeiramente notável para este neófito Clube. Destacou-se igualmente a presença de Pasquale Del Vecchio, consagrado desenhador de Tex ,que esteve também presente neste evento, participando em colóquios, workshops, tertúlias e sessões de autógrafos, durante três dias consecutivos.
Mas tivemos também em exposição verdadeiros itens de coleccionador, tais como páginas originais de guiões de histórias de Tex, livros temáticos, revistas de diversos países onde Tex é publicado, estatuetas, selos, puzzles, filmes, desenhos animados, postais, pins, azulejos, porta-chaves e tantos outros itens, como por exemplo um maço de cigarros “pirata” de Tex ou a caneta de nanquim com a qual Marcos Maldonado legendou, durante décadas, muitas edições brasileiras de Tex, para dar mais brilho e cor a esta 1ª Mostra do Clube Tex Portugal.
RB – Qual o significado da presença de um dos mais consagrados desenhadores do staff actual de Tex na 1ª mostra do clube? JC – A presença de Pasquale Del Vecchio veio enriquecer sobremaneira o evento bairradino, já que todos os presentes no evento tiveram a fantástica oportunidade de conviver durante 3 dias e conversar com um dos mais emblemáticos autores da banda desenhada italiana, para além de terem podido enriquecer a sua colecção com um desenho exclusivo feito na hora, realizado em sessões de desenho ao vivo no programa desta mostra.
Para o Clube a presença de Pasquale Del Vecchio será sempre um ponto alto no historial do Clube Tex Portugal, dado que para além de nunca antes este autor ter estado presente em qualquer festival em Portugal, ficará na História como tendo sido o primeiro autor a expor num evento organizado pelo Clube.
RB– Esta mostra poderá repetir-se noutro local do país? JC– Esta 1ª mostra do Clube Tex Portugal com a participação de Pasquale Del Vecchio foi exclusiva de Anadia. A intenção da Direcção do Clube Tex Portugal é a cada novo ano organizar uma nova mostra, num local diferente, e com a ambição de podermos ter sempre uma antestreia mundial de uma história de Tex que esteja a ser desenhada, inclusive para 2015 já estamos a trabalhar para podermos ter no nosso país a antestreia mundial da histórica história de Tex que está a ser desenhada por Laura Zuccheri, a primeira mulher a desenhar Tex em mais de 65 anos de vida editorial desta mítica personagem que ainda hoje continua a ser uma das mais vendidas no mundo.
Capa do Jornal Região Bairradina de 27 de Agosto de 2014
Jornal Gazeta das Caldas, de 22/08/2014 Texto da secção Gazeta da Banda Desenhada #30 Jorge Machado Dias
TEX WILLER – O western mais antigo em publicação, no Jornal gazeta das Caldas de 22 de Agosto de 2014
TEX WILLER – O RANGER DO TEXAS
O “western” mais antigo em publicação
. Tem estado à venda em Portugal desde o início do ano passado, o “Tex Gigante” (ou “Texone”, como lhe chamam em Itália) #27 – A Cavalgada do Morto, escrita por Mauro Boselli e desenhada por Fabio Civitelli. A distribuição das revistas de Tex por cá, e como os fãs bem sabem, é feita pela brasileira Mythos Editora. Acontece que as aventuras de Tex Willer – o cowboy que é um Ranger do Texas –, além de ser um dos westerns mais lidos em diversos países, é a série de aventuras deste género mais antiga em todo o mundo ainda em publicação, precisamente há 66 anos. Daí o interesse em contarmos aqui, em traços gerais, a história desta personagem da BD italiana (ou “fumetti”, no plural – “fumetto”, no singular, como em Itália se designa a BD) cuja primeira história foi publicada em 30 de Setembro de 1948, com texto de Giovanni (Gian) Luigi Bonelli e desenhos de Aurelio Galleppini.
Vejamos então um pouco da vida de Bonelli e como começou Tex: Com o fim do Estado Fascista e da II Grande Guerra Mundial em 1945, assistiu-se a uma frenética actividade nas editoras italianas de BD: um grupo de pequenas casas editoras, de características e estrutura artesanal, deu vida a uma grande produção de bandas desenhadas originais italianas, tornando quase irrelevante a importação dos comics americanos, que foi regra durante a guerra. A grande mudança dá-se com a adopção de um espírito filo-americano – em voga em Itália depois da libertação – pelos velhos heróis “italocentricos”. Em 1946 Bonelli, baseado no êxito de Mandrake, cria Ipnos e pouco depois, com a Serie d’oro Audace (1948), começa a sua colaboração com Aurelio Galleppini, produzindo Occio Cupo, um “fumetto” inspirado nos romances de Dumas, que não teve grande sucesso dada a fraca aceitação dos temas de capa e espada. Mas o ano de 1948 marcaria para sempre a vida de Gian Luigi Bonelli. Por ser um grande admirador das histórias do velho oeste americano, Bonelli cria, em parceria com o desenhador Aurelio Galleppini, a personagem Tex Willer – inicialmente Tex Killer. As histórias desta personagem eram editadas numa revistinha semanal de formato peculiar, designado por striscia – tira em italiano – com 17 x 8 cm (parecendo uma caderneta de cheques) fino e pequeno, com apenas 32 páginas e uma tira por página, que despertou um grande interesse dos leitores italianos, projectando G. L. Bonelli nacional e internacionalmente. A primeira história de Tex intitulava-se Il Totem Misterioso.
Quando Tea Bonelli, a mulher de Gian Luigi, tomou em mãos a direcção e administração da casa editorial (que mudaria de nome várias vezes) começaram a ser tentados outros formatos, agrupando as histórias publicadas em tiras, que foram sendo reeditadas, num formato mais parecido com o que são hoje as revistas mensais de Tex, com 13,5 x 17,5 cm (mais pequeno que um A5) e três tiras por página.
Mais tarde, quando o filho de Gian Luigi e Tea, Sergio, passou a dirigir a editora, dando-lhe mesmo seu nome actual (Sergio Bonelli Editore), os formatos foram sendo mantidos, embora novas revistas se tenham iniciado, como o Texone – ou Tex Gigante, que referimos no início, com um formato 18,5 x 27,5 cm (próximo do A4) e cerca de 242 páginas. Esta série tem a particularidade de ser anual e ter como convidados para o desenho das histórias, grandes nomes da banda desenhada mundial, como Guido Buzzelli, Victor De La Fuente, José Ortiz, Joe Kubert, Manfred Sommer, etc…
Voltando ao início deste texto – falemos um pouco de A Cavalgada do Morto, publicado em Itália em Junho de 2012, pela Sergio Bonelli Editore, no Brasil, em Outubro de 2012, pela Mythos Editora e distribuído em Portugal (obviamente a edição brasileira) em Janeiro de 2013. A revista tem 242 páginas, sendo que as primeiras 18 são preenchidas por textos de Graziano Frediani (O Pincel Fez Clic!) – sobre Fabio Civitelli –, outro de Gianmaria Contro (Fabio Civitelli: Um Fotógrafo no Oeste) – uma entrevista com o desenhador –, finalizando esta introdução um texto de Graziano Frediani (A Terra dos Pesadelos Adormecidos) – sobre a lenda que deu origem a esta história – e ainda as biografias condensadas de Giovanni Luigi Bonelli, Aurelio Galleppini, Mauro Boseli (o argumentista de A Cavalgada do Morto) e de Fabio Civitelli.
A tradução de todos os textos para a edição brasileira (incluindo o da história) são de Júlio Schneider, adaptados por Dorival Vitor Lopes e a letragem esteve a cargo de Marcos Valério.
Tendo como principal fonte de inspiração a lenda de “El Hombre Muerto”, em que o fantasma de um vaqueiro mexicano assassinado e decapitado, cavalgava de noite nas terras entre o sul do Texas e o norte do México, transportando a sua própria cabeça presa à sela do cavalo e aterrorizando quem se aventurava por aquelas paragens. Alguns pormenores desta história de Tex Willer, levam-nos a pensar que haja também alguma influência, no texto de Boselli, do conto clássico de Washington Irving, publicado em Portugal com o título A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça, embora a base seja, seguramente, a lenda mexicano-texana.
Nesta edição #27 do Tex Gigante, destacamos a excelência do desenho de Fabio Civitelli que, apesar do clacissismo do traço – especialmente nas figuras de Tex (que tem que ser sempre parecido com o protótipo desenhado inicialmente por Aurelio Galleppini em 1948) e dos seus parceiros – desenvolveu uma moderna versão do clássico “pontilhismo” da BD italiana, combinado com o “claro-escuro”, que dão a esta história um ambiente quase surreal. De referir que Civitelli já esteve por cinco vezes em Portugal, como convidado, nos Festivais de Beja, da Amadora e do Porto e nos Salões de Moura e de Viseu.
Por José Carlos Francisco (texto), Carlos Moreira e Orlando Santos Silva (fotos)
Pasquale Del Vecchio desenhando para os seus fãs em Anadia
No decurso da 1ª Mostra do Clube Tex Portugal, Pasquale Del Vecchio brindou dezenas de Texianos presentes com desenhos feitos no momento por si, para gáudio de todos os presentes no evento bairradino.
Mas os desenhos realizados por Pasquale Del Vecchio não se ficaram apenas pelos produzidos no decorrer do evento, isto porque Del Vecchio foi muito assediado pelos seus fãs na tentativa de conseguirem um desenho original de sua autoria feito na hora e com a respectiva dedicatória, levando a que o autor italiano tivesse por vezes que os realizar em condições inapropriadas, mas a todos Pasquale Del Vecchio sempre respondeu positivamente, apesar de em alguns casos o cansaço do autor ser bem visível no seu rosto, fazendo um belíssimo desenho a cada Texiano e sempre com um sorriso encantador no rosto dando uma verdadeira lição de profissionalismo e de humildade, confirmando porque Del Vecchio foi tão querido e admirado pelos seus fãs portugueses.
O blogue do Tex mostra, de seguida, a todos os interessados, alguns desses fantásticos desenhos que esperamos sejam do agrado de quem acessa o blogue.
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Ilustração de Pasquale Del Vecchio no Livro de Honra do Museu do Vinho Bairrada
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Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente? Inaldo Rodrigues: Olá!! Saudações a essa imensa nação Bonelliana!! Meu nome é Inaldo Rodrigues da Silva, nasci na cidade brasileira de Jaboatão dos Guararapes, Pernambuco, em 12 de Julho de 1964. Pratiquei actividades como DJ e animava bailes coma minha equipa em meados dos anos 80/90. Continuo morando na mesma cidade e trabalho actualmente na área da saúde com radiologia.Além dos quadradinhos sou apaixonado por músicas, seriados, filmes e livros. Sou um leitor ávido, fã de temas de terror, Western, e suspense policial com bastante mistério. Alguns dos autores que prestigio são: Agatha Christie, Arthur Conan Doyle, Edgar Allan Poe, Stephen King, Dean Koontz e actualmente sou muito viciado na Tess Gerritsen.
Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada? Inaldo Rodrigues: Desde muito cedo. Na realidade aprendi a ler com revistas de banda desenhada.Minha mãe sempre chegava com algumas e eu sempre devorava. Eram coisas da Disney, Hanna-Barbera, Turma da Mônica e tantas outras. Tinha uma que eu gostava muito, o Zorro com o índio Tonto (cujo título original era The Lone Ranger).
Para consolidar o hábito à leitura, herdei do meu tio uma imensa colecção de bolsilivros de diversos segmentos: guerra (Hora H), espionagem com a espia sexy (Brigitte Montfort ), ficção, FBI e faroeste. Desta safra li muita coisa do Silver Kane, Donald Curtis, Lou Carrigan, Peter Kapra, entre outros. Daí fui tomando gosto até começar a juntar (coleccionar) revistas. Nessa fase ainda não conhecia Tex.
Quando descobriu Tex? Inaldo Rodrigues: Era o ano de 1979, quem me apresentou o Ranger foi o meu amigo Washington Salles, que vivia insistindo para ler Tex. No começo fiquei com receio por ser em preto e branco estando eu mal acostumado com as cores. Até que decidi ler. Devo dizer que fiquei impressionado. Foi o nº 29 (Os 5 Fugitivos do Inferno). Tex é capturado e sofre o pão que o diabo amassou nas mãos dos bandidos fugitivos. A altivez e astúcia da personagem italiana conquistaram-me de imediato. Não tive dúvidas. Comecei a garimpar os sebos (alfarrabistas) e comprava tudo que encontrava. Uma paixão que perdura até hoje.
Porquê esta paixão por Tex? Inaldo Rodrigues:É uma coisa inexplicável, passei anos a fio lendo Tex e fiquei tão familiarizado com as personagens que parecia que as conhecia pessoalmente. A sintonia e o elo de amizade em torno dos 4 pards caracterizava com precisão uma simbiose que ia além dos laços de sangue. Tex, a figura imponente de um justiceiro, Ranger e líder chefe dos Navajos, também conhecido como Águia da Noite. Carson, resmungão e pessimista, mas um amigo-irmão para todas as horas. Jack Tigre, fiel parceiro índio, homem de poucas palavras, mas de muita acção. Kit Willer, seguindo os passos do pai foi se destacando, e se ajustando aos poucos ao clima aventuresco, fazendo jus ao sangue quente herdado. Engrossando a lista tem os coadjuvantes esporádicos: o atrapalhado e bom de briga, Pat, o irlandês, o canadense Gros-Jean, Jim Brandon, Montales, etc. Isso tudo culminou em paixão que se estendeu para outros heróis: Zagor, Mister No, Ken Parker, Blueberry, Diabolik, Dylan Dog, Nick Raider, Martin Mystère, Nathan Never, Dampyr, Lazarus Ledd, Judas, Magico Vento e Júlia. Hoje possuo um acervo imenso inclusive com algumas edições Italianas.
O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos? Inaldo Rodrigues: Das personagens que conheço, Tex é uma dos poucas que atravessaram várias décadas e continuam firmes mesmo em plena era digital, onde os valores de entretenimento mudaram com a chegada da internet e outros aparatos electrónicos. Basta ver os diferentes títulos em bancas actualmente, e vemos que o saldo é bastante positivo. Ademais, pela longevidade da personagem, há uma chama renovada, longe do tédio e da banalidade. Sempre aparece uma trama interessante.
Actualmente o Tito Faraci e Pasquale Ruju estão dando shows nos textos, e aproveitando o ensejo, muito feliz com a chegada do Cassidy e Demian; sua prole literária. Continuando o assunto em pauta, há também os elementos inusitados que fogem do tradicional, como vemos nas histórias com: Mefisto, Yama e El Morisco. As aventuras com eles são de tirar o fôlego. Esse nicho sobrenatural faz toda a diferença. Sei que tem leitores que não gostam, mas eu particularmente adoro. Ademais, Tex está mais próximo à nossa realidade, é como se fosse aquele policial vizinho e amigo pronto a proteger-nos e onde o poder reside na sua mestria com os colts aliados à sua inteligência e perspicácia. Um estrategista fora do comum.
Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção?E qual a mais importante para si? Inaldo Rodrigues: Actualmente totaliza 855 revistas englobando várias colecções. A mais importante sem dúvida é o álbum gigante de capa dura O Ídolo de Cristal, publicada em 1980 pela editora Vecchi. Na época tornou-se a mais sofisticada edição brasileira. Item raro para coleccionadores. Consegui depois de muitos anos de procura. Outra que considero importante é a edição comemorativa em formato Texone dos 50 anos de aventuras no Brasil, by Opera Graphica editada em 2002.
Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana? Inaldo Rodrigues:Por questão financeira não possuo tudo que anseio, gostaria de ter muito mais. Tenho o livro do Boselli (A História da Minha Vida), o filme em DVD e várias colecções diferentes completas e outras incompletas que abandonei devido a possuir amplo material publicado pelas editoras antecedentes. Facto que me deixou no dilema de priorizar. Eram muitas aventuras repetidas. O importante para mim é que já havia lido tudo editado por aqui, além do mais sou muito compulsivo, além de Tex acompanho toda a família Bonelli que aporta em nossas bancas e ainda hoje compro coisas da Disney e não só. De reedições no momento só colecciono a Edição Histórica Colorido, essa sim vale apenas, é a definitiva. E estou no aguardo das edições gigantes coloridas de capa dura (vale o investimento).
Qual o objecto Tex que mais gostava de possuir? Inaldo Rodrigues: Na década de 80 queria muito o álbum de figurinhas e a revista Junior da RGE dos anos 50 no formato que lembrava um talão de cheques, mas com o tempo esse desejo amainou. Outra coisa que me chama a atenção são as estatuetas do mundo do Tex, muito bonitas, ficava até imaginando elas nas minhas prateleiras. Mas, um sonho que ainda hoje acalento é visitar a Sergio Bonelli Editore, e conhecer de perto a fábrica dos sonhos de milhares de leitores. E como sonhar não custa nada, conseguir revistas e pósteres autografados pelos autores.
Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista? Inaldo Rodrigues: Falar numa única história é complicado. Tex tem centenas que poderia enumerar com o fervor que senti na época, mas vou citar a do Bruxo Mouro (El Morisco) que se estendeu em 3 edições, os no. 40, 41 e 42, pela Vecchi. Pode não ser a melhor história, mas causou-me um frisson incrível na ocasião. E tão interessante que foi adaptada para as telas do cinema com o saudoso Giuliano Gemma no papel do Ranger. Interessante que tem aventuras que ainda hoje relembro como se tivesse lido ontem, como no caso: O Filho de Mefisto, Chinatown, Kento não Perdoa, El Muerto, Flechas Pretas Assassinas, A Taberna do Porto, Os Estranguladores e etc. Argumentistas e desenhadores deixam-me na mesma saia justa. Gosto de tantos que fica difícil na hora de opinar. Portanto vamos lá, vou ser bem saudosista nesta escolha: o pai de Tex (Gianluigi Bonelli) no argumento e o pai gráfico (Aurelio Galleppini) nos desenhos. Foi através dessa dupla de pais criadores, que me envolvi de forma absoluta no universo dos quadradinhos.
O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos? Inaldo Rodrigues: O que me agrada no todo são as suas peculiaridades: Tex tem uma energia e uma vivacidade fora do comum, um senso de justiça inabalável, não abre mão dos seus princípios mesmo que tenha que enfrentar o general, o capitão ou o comandante da vez. Não se deixa intimidar, um homem destemido, obstinado e de uma valentia ímpar. Por certo moldou a personalidade de muito de seus leitores. Aprecio muito aqueles interrogatórios, quando o bandido fica na mira do soco infalível e acaba confessando tudo (rsrsrs). O que menos me agrada são cenas de tiroteios exagerados, onde Tex sempre sai ileso, onde mal leva um tiro de raspão.
Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é? Inaldo Rodrigues:Com 66 anos de vida editorial sedimentada e pautada com brilhante profissionalismo, é fácil entrever o segredo de tanto sucesso. De um lado a mente arguta de um homem de ideias proliferas (G.L.Bonelli) e do outro o pincel mágico que daria forma visual ao intrépido cowboy (Galep). Ambos passaram anos lapidando o que seria hoje um ícone dos quadradinhos de faroeste. Parte desse sucesso se deve também à figura emblemática do saudoso Sergio (Nolitta) Bonelli, um editor tenaz e amigo, nome representativo na cultura dos quadradinhos italiano, que fez mais do que escrever alguns episódios, tomou a dianteira de tudo e estendeu os horizontes ligado a editora. Homem de visão ampla que sondava mentalmente nomes que se agregariam futuramente à sua empresa. Soma-se a isso uma Galeria enriquecida por vários MONSTROS SAGRADOS e consagrados da banda desenhada como: José Ortiz, Civitelli, Ticci, Lettèri, Erio Nicolò, Font, Kubert, Fusco, Andrea Venturi, Claudio Villa, Nizzi, Boselli,etc. Uma verdadeira gama de argumentistas e desenhadores para ninguém botar defeito.
Costuma encontrar-se com outros coleccionadores? Inaldo Rodrigues: Muito recentemente participei de um evento em Timbaúba, onde tive a honra de conhecer a pessoa do G. G. Carsan, o nosso Tex Brazuca Paraibano. Ele que costumo dizer “veste mais que a camisa, se veste da personagem de corpo e alma, tal sua dedicação em divulgar nosso querido Ranger”. Assistir sua palestra que com desenvoltura falava tal qual um filho se orgulha do pai ou vice-versa. Na ocasião também adquiri seus dois livros que se revelaram um verdadeiro compêndio Texiano. E também honrado em conhecer o Erik Hilton e Bruno Felipe idealizadores do projecto que me receberam com um carinho imenso o que fez fortalecer uma tese que todos texianos denotam uma nobreza e valores atribuídos ao herói. Engraçado que não é comum no dia a dia encontrar alguém que partilhe esse hábito saudável da leitura, e em se tratando de gibis, vem aquela coisa preconceituosa de um adulto ler “essas besteiras” (como já me falaram) pejorativamente, no qual respondo “quadradinhos é cult” e enquanto viver nunca me envergonharei em apreciá-los. Hoje via internet encontramos pessoas que falam a nossa língua; tem um coleccionador do Recife, que, de virtual passei a conhecer pessoalmente, inclusive o mesmo já conferiu a minha gibiteca. É o pard Iranildo Silva e quero deixar um abração para ele. O bom é ver que essa interacção entre leitores proporcionada em sites tipo Portal TexBR,Facebook,e blogues informativos, vem fortalecendo cada vez mais essa cruzada de levar conhecimento sobre os nossos heróis de papel. Há bem pouco tempo foi criado o Fã Clube Tex Brasil encabeçado pelos pards Jesse Bicodepena e José Leonardus, no intuito de propagar cada vez mais e suscitar a curiosidade sobre a personagem italiana. E essa facilidade permite-nos inclusive falar abertamente sobre nossos gostos, elogiamos, criticamos e vamos fomentando interesse nos que estão de fora dessa linha de publicação; nosso mundo Bonelliano. Actualmente chegou a fase que Zagor vive aventuras passadas aqui no Brasil, coisa que nos remete ao piloto amazónico Mister No. Informações como essa tem que ser repassada para atrair novos leitores. E falando do Espírito com a Machadinha, oxalá a Mythos nos brinde o mais breve possível com a edição histórica colorida, que é o sonho de consumo de todos zagorianos.
G. G. Carsan e Inaldo Rodrigues
Para concluir, como vê o futuro do Ranger? Inaldo Rodrigues: Não vou ser pessimista como Carson, rrssrsr. Vejo boas perspectivas, um raio de esperança nas mãos dos novos leitores que estão chegando. Fico feliz de ver uma nova geração frequentando nossa pradaria. Vários deles têm prestigiado cada vez mais os fumetti. E também empenhados na divulgação. Posso citar alguns que conheço (virtualmente) como: Wilson Sacramento, Jário Costa, Jerfferson Silva de Almeida, Lucas Pimenta (do blogue Quadro a Quadro), além dos medalhões veteranos como: Júlio Schneider (tradutor e correspondente oficial da UBC), o grande Neimarkwood (zagoriano de carteirinha), Jim Halley (o homem das energias positivas), Banzé, Gervásio Santana/Nilson Farinha (Portal TexBR), Emerson Cruz entre tantos outros. Pards generosos que prestigiam e fazem acontecer.
E consequentemente a Mythos Editora, que entre tropeços e acertos, vem desempenhando um papel importante no legado de Tex e companhia no Brasil. Porém, pecam na falta de diálogos com os leitores, adoptam uma politica da lei do silêncio e ficamos falando, digamos, para as paredes.
Outro problema é sobre a divulgação dos seus produtos. Nos tempos da Record, em epistolas o editor Otacilio de Assunção Barros (o Ota), falava exaustivamente dos futuros lançamentos preparando o leitor para o que vinha por aí. Hoje se não fosse as informações postadas em redes sociais e no caso especifico aqui, no Blogue Português do Tex,daríamos de cara com a revista em bancas, ou numa propaganda feita às pressas em alguma edição do mês. Falo isso aqui para o bem da própria empresa, pois o interesse é de ambas as partes (mais deles que lucram com isso), eu faço a minha comprando religiosamente as revistas e dando meu apoio sempre. Alguns ajustes são salutares para o bem estar de todos. Concluindo (já que me alonguei demais), por essas razões enumeradas acima, fico optimista e confiante no futuro do nosso inoxidável Ranger. Que Manitu nos dê força e saúde para continuarmos juntos nessa cavalgada. E finalizo agradecendo a Deus por tudo que tem concedido na minha vida. Ao Anderson Santigo pelas fotos, e quero reiterar meus agradecimentos ao pard José Carlos Francisco pela oportunidade de estar aqui concedendo essa entrevista e poder externar esse amor à nona arte. Abraços a todos!!
Prezado pard Inaldo Rodrigues,agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
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O blogue português do Tex dá hoje a conhecer, aos seus leitores, a arte de Gabriel Baltazar Souza. Apreciador dos quadradinhos desde o berço, influenciado pelo pai que é coleccionador e que em bons tempos teve aproximadamente 3000 histórias aos quadradinhos Gabriel Baltazar Souza é um talentoso fã de banda desenhada com (muito) jeito para a nona arte.
Com dez anos de idade leu a sua primeira edição de Tex, mais precisamente a Edição Histórica nº 7 e desde então não parou mais, tendo inclusive concluído o curso de História em Quadrinhosda Gibitéca de Curitiba.
Actualmente faz fanzines tendo ilustrado recentemente também um livro, tendo ainda um blogue com desenhos seus mas também da sua esposa Angel, que também é ilustradora, blogue esse que pode (e deve) ser visitado clicando AQUI, mas antes veja as magníficas ilustrações de Tex, Carson e Tigre realizadas por Gabriel Baltazar Souza:
Tex Willer por Gabriel Baltazar Souza
Kit Carson por Gabriel Baltazar Souza
Jack Tigre por Gabriel Baltazar Souza
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