Devido ao facto das minhas duas filhas conviverem com o Tex desde que nasceram, a ponto de me acompanharem a eventos Texianos realizados por todo o Portugal e de me ajudarem a limpar e a manter em ordem a colecção do Ranger, posso dizer, sem medo de errar, que ambas gostam imenso de Tex Willer e são mesmo tão Texianas como eu.
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Inclusive a Andreia Sofia já leu diversas histórias de Tex (tal como a sua mãe) e a pequena Ana Beatriz, já sócia do Clube Tex Portugal, tinha como passatempo preferido, pintar desenhos de Tex que eu imprimia para ela, nunca tendo nenhuma delas estragado um único exemplar do Ranger, mesmo estando a minha colecção à mão de semear, como aqui dizemos, pois as minhas filhas sempre foram educadas para não estragarem as revistas do pai.
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Mas voltando à Ana Beatriz (que em diversas fotos neste post mostra bem a sua envolvência com Tex desde tenra idade), ela devido à aptidão para desenhar passou a desenvolver a sua paixão por Tex realizando desenhos vários de Tex Willer e seus pards, desenhos esses que ela gentilmente oferece a este pai babado e que muito me orgulham e que me permitem sonhar com a possibilidade de um dia ela vir a desenhar Tex ainda mais agora que temos a primeira mulher a desenhar oficialmente o Ranger, a Laura Zuccheri…
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Um momento recente da sua paixão e jeito por desenhar Tex, seus pards e outras personagens do mundo de Águia da Noite (nome indígena do Ranger, como todos sabem) aconteceu durante a presença de Pasquale Del Vecchio na 1ª Mostra do Clube Tex Portugal e da estadia em nossa casa no passado mês de Agosto, onde a Ana Beatriz, na altivez dos seus 9 anitos, ao ver Pasquale Del Vecchio desenhar alguns desenhos de Tex, resolveu também ela desenhar magníficos desenhos que acabaram por surpreender o próprio Del Vecchio que foi agraciado com um Águia da Noite desenhado pela Ana Beatriz, um gesto que muito o sensibilizou e o fez sentir-se na “obrigação” de desenhar um Jack Tigre para a minha filha com a devida dedicatória numa troca então de “galhardetes” texianos… que motivou a Ana Beatriz a ter a inusitada ideia de fazer um novo desenho para Del Vecchio, este sendo metade Tex e metade Águia da Noite.
Mas o ápice de mais esta aula com um dos grandes MESTRES de Tex para a Ana Beatriz foi juntar numa mesma folha de papel um seu Tex Willer ao Tex Willer desenhado por Pasquale Del Vecchio…
Os Tex de Pasquale Del Vecchio e de Ana Beatriz numa mesma folha de papel
A alegria estampada por juntar numa única folha de papel os Tex de Del Vecchio e Ana Beatriz
(Para aproveitar a extensão completa das fotos acima, clique nas mesmas)
Entrevista conduzida por José Carlos Francisco, com a colaboração de Giampiero Belardinelli na formulação das perguntas, de Júlio Schneider (tradutor de Tex para o Brasil) e de Gianni Petino na tradução e revisão e de Bira Dantas na caricatura.
Caro Marco Verni, bem-vindo ao blogue português de Tex. Para começar, falemos das suas paixões de leitor desde a infância. Marco Verni:Olá a todos e obrigado pela atenção que me dedicam e que não sei se mereço. Eu nasci em 1966 e comecei a ler quadradinhos aos 7 anos. Como todos os meninos da época, a primeira etapa obrigatória era a revista semanal Topolino (Mickey Mouse) na qual eu lia principalmente as histórias com os Patos, aquelas de Carl Barks em primeiro lugar. Em seguida, aficionado por filmes de faroeste, também como todos os meninos da época, o que eu via no cinema e na TV não era suficiente, e aí eu buscava nos quiosques o necessário para continuar a sonhar. A primeira BD que eu comprei (graças à minha avó) foi A História do Oeste, de Gino D’Antonio, um episódio desenhado por Sergio Tarquinio com o título O Grande Desafio. A capa da edição tinha uns índios belíssimos, o que facilitou a minha escolha. Hoje os meninos andam cheios de dinheiro e caprichos, mas na época, infelizmente, só era possível escolher UMA revista e a escolha era sempre difícil e sofrida. Na segunda vez que tive de escolher uma BD, de novo foram os índios na capa a motivar a minha decisão, e naquela ocasião o escolhido foi Zagor, com o volume As Montanhas Selvagens.
O Zagor de Nolitta & Ferri (mas também o ilustrado por Frank Donatelli), como para tantos meninos dos anos Setenta, foi marcante para você: que emoções ficaram gravadas na imaginação do pequeno Marco Verni? Marco Verni:A escolha da revista de Zagor foi bastante casual. Se, naquele mês, a capa de Tex tivesse índios, esse seria o escolhido, mas não foi assim. Quando mergulhei na leitura, fui capturado pela fluidez do roteiro e do desenho, simples mas poderoso e, para um menino de então, a personagem exercia um fascínio fora do comum. Dentre todas as coisas, a que mais me impressionou foi a machadinha de Zagor. Tão estranha, eu nunca havia visto em nenhum filme de faroeste, e tão difícil (aliás, impossível) de reproduzir. E o revólver que Zagor usava também era fascinante: um velho colt Navy e não o colt clássico que se via em todos os filmes de faroeste e em outras BDs. Essas coisas tornavam a BD diferente e fascinante, assim como todo o mundo que Nolitta havia construído para ela e que nos enfeitiçaria por toda a vida.
Quais são os ingredientes nolittianos que você, como leitor e depois como autor, considera que, ainda hoje, não podem ser deixados de lado? Marco Verni:Eu considero Nolitta um dos maiores narradores de quadrinhos de todos os tempos, mais até que o pai dele, G. L. Bonelli (perdoem-me pela heresia num blogue texiano!), pelo simples facto de que este último conseguiu roteirizar com sucesso somente Tex, e não chegou ao mesmo nível com todo o resto, inclusive com Zagor, enquanto Nolitta, além do sucesso com o Espírito da Machadinha, também chegou lá com Mister No, com Chico (o que não é fácil) e com o próprio Tex (El Muerto!). Para os roteiristas que vieram depois dele, infelizmente foi difícil manter o nível de Nolitta porque ele tinha um talento e uma facilidade para escrever inigualáveis, e era um conversador nato: quem tinha a oportunidade de ouvi-lo ao vivo em algum encontro ficava fascinado com os seus relatos da mesma forma que era com as suas BDs. Não são os ingredientes nolittianos que me fazem falta, mas a capacidade de saber como manuseá-los!
Como leitor nolittiano, você tem mais apego às histórias fantásticas ou aventurosas em geral, ou àquelas mais engajadas, como a inesquecível O Dia da Justiça? Marco Verni: Eu gosto de todas, sem preferência por um género em particular, mesmo porque o segredo do sucesso e da longevidade de Zagor também está em saber sempre variar géneros e jamais cansar.
Qual seria a sua lista de cinco títulos zagorianos do período nolittiano que, como Robinson Crusoe, você levaria a uma ilha deserta? Marco Verni:Zagor Contra o Vampiro, Zagor Contra Supermike, O Dia da Justiça, Ameaça do Espaço, Liberdade ou Morte. Mas essa lista é uma injustiça com todas as outras histórias nolittianas que eu aprecio do mesmo modo!
Em Julho de 1990 saiu na Itália A Corrida das Sete Flechas, o número trezentos da série mensal de Zagor. Na página de cartas havia uma, escrita pelo leitor Marco Verni, que pedia um Zagor mais durão e um Chico cómico e aventuroso no estilo do Pato Donald de Carl Barks. Naquela época, o que o desagradava como leitor? E hoje, tantos anos depois, qual é a sua opinião sobre o Zagor dos anos Oitenta? Marco Verni:Assim como muitos leitores zagorianos, no final dos anos Oitenta eu estava meio decepcionado com a gestão da personagem. Na minha opinião, havia um certo cansaço e uma certa resignação que transparecia também nas declarações de Sergio Bonelli, que considerava o nosso herói esgotado. Ainda bem que, nos anos que se seguiram, Boselli e Burattini mostraram que não era verdade e que só era preciso reencontrar entusiasmo e frescor. Infelizmente (e isso acontece ainda hoje) certos roteiristas que se envolvem com Zagor (e Chico) pensam que é suficiente escrever uma boa história com um herói que usa uma machadinha, que de vez em quando solta um grito e exclama “por mil escalpos“, e com um gorducho eternamente faminto. Mas isso não é suficiente porque, para fazer Zagor direito, é preciso ter em mente os ingredientes nolittianos, senão é como querer cozinhar esparguete e esquecer de colocar sal na água: você come do mesmo jeito, mas não tem sabor algum!
Você acha que, nos anos que se seguiram, as suas sugestões de leitor foram acolhidas? Marco Verni: Eu me recordo que, na época, houve uma reunião que levou a uma renovação da gestão da série, mas sem sair do traçado da tradição que permitiu a Zagor manter-se nos quiosques, ainda que com altos e baixos, até hoje. Como leitor, eu reencontrei em parte o entusiasmo que havia sido perdido (com algumas recaídas, sobretudo nos últimos anos, mas essa é uma opinião pessoal).
Alguns anos depois você estreou, como desenhador, no Almanaque da Aventura 2003 (Outubro de 2002). Como amadureceu essa sua paixão pelo desenho? E como você entrou em contacto com a Sergio Bonelli Editore? Marco Verni: Acho que contei tantas vezes essas passagens que receio entediar quem vai ler. A paixão pelo desenho amadureceu com a leitura de BD: eu não tenho um talento natural, como vários colegas meus (a quem invejo), e sim a paixão, não tanto pelo desenho, mas pelos quadradinhos, pelas emoções que transmitiram à minha vida. As minhas primeiras tentativas foram desastrosas, e aqueles que hoje são colegas na época descartavam tudo, sem apelação… e não estavam de todo errados! O único que decidiu ajudar-me – talvez por ter a alma boa que o diferencia – foi o caro Moreno Burattini, que não poupou conselhos e encorajamentos e deu-me algumas páginas de roteiro para me exercitar. O maior presente que me deu foi o roteiro inédito de uma mini-história de Zagor (La strega, ou seja, A Feiticeira) que, além de ajudar-me a progredir em meu trabalho, dava-me a satisfação de trabalhar com uma verdadeira história de Zagor escrita por um de seus autores de ponta. Eu senti uma certa responsabilidade e redobrei meus esforços para elaborá-la, apesar do pouco tempo que eu tinha para fazer isso, pois na época eu trabalhava numa confeitaria. Eu desenhava no tempo livre, aos domingos e nos dias de folga. Sem contar que eu devo ter refeito umas três vezes, no mínimo, cada uma das oito páginas que compõem a pequena história. Depois dessas páginas já era possível perceber alguma melhora, mas eu ainda era muito inexperiente. De todo modo, quando decidi apresentar-me à Editora, levei essa história junto a outras páginas de teste.
E como surgiu o seu primeiro trabalho como profissional? Marco Verni: Depois de alguns anos passados a desenhar páginas e a melhorar um pouco (bem pouco) a cada vez, conversei com Burattini e decidi apresentar os meus últimos trabalhos à Editora. Na época ele ainda não cumpria expediente na redacção, e o editor de Zagor era Mauro Boselli que, no dia 2 de Agosto de 2000, telefonou-me para dizer que as minhas páginas foram colocadas em votação: ele se absteve de votar (por gentileza para comigo) e todos os demais votaram pelo não, excepto por um único sim. Mas como esse voto positivo foi o de Sergio Bonelli, eu fui aceite. Porém, pouco depois a minha escassa capacidade técnica e artística me fez entrar em crise e me vi em um bloqueio criativo: para fazer páginas e mais páginas todos os meses, paixão e vontade não são suficientes, também é preciso saber desenhar e conhecer os fundamentos do desenho e da técnica. Mais uma vez fui socorrido pelo conforto e pela confiança de Sergio Bonelli (e também de Burattini), enquanto o meu amigo de sempre Davide Fabbri (desenhador de fama internacional) deu-me algumas lições e conselhos que permitiram acabar com o bloqueio e retomar o meu caminho, e desde então não parei mais!
Gallieno Ferri foi – e é – a sua referência artística: o que o impressionava nos traços desse artista? Marco Verni: Como leitor de Zagor eu sempre gostei (acho que como todos) dos traços de Gallieno Ferri, tão elegantes, suaves e evocativos. Quando decidi trabalhar com Zagor, a ideia de inspirar-me nele como modelo não foi minha, mas de Burattini, com o aval de Bonelli, que sabia muito bem que aquele era o Zagor preferido dos leitores.
No início, quais eram as características ferrianas que você considerava mais difíceis de representar nos seus trabalhos? Marco Verni: O que eu ainda não consigo reproduzir é a pincelada leve e espontânea do mestre. O meu traço é mais frio, alguns dizem que é mais espesso. Mas quando penso de onde parti, creio que cheguei a um bom resultado.
Como Sergio Bonelli recebeu a sua entrada na equipa zagoriana? Marco Verni: Sergio Bonelli sabia perfeitamente que eu não era um artista ou um grande desenhador como aqueles com quem ele estava acostumado a trabalhar, mas sempre apoiou-me e incentivou-me apesar da minha pouca capacidade técnica. Ele sempre dizia que “este é um trabalho que se aprende“, ele sabia que os aficionados como eu (e como Burattini), que acompanhavam o seu trabalho e que lhe escreviam desde crianças, eram os que mais amavam o seu Zagor e que dariam sequência ao trabalho nos trilhos criados por ele. E também sabia que era isso o que grande parte dos leitores desejava. Como eu disse, ele me escolheu, apoiou e protegeu apesar de (justamente) todos serem contra, eu inclusive, porque nem eu acreditava em mim: mas ele estava certo. Não era o maior editor de quadradinhos do mundo por acaso.
O seu trabalho é bastante ligado a Burattini e, da nova geração de desenhadores zagorianos, você é o único que trabalhou com um único roteirista. Como é o seu relacionamento profissional com Burattini? Marco Verni:O facto de eu ter desenhado somente histórias escritas por Burattini foi uma escolha minha à qual Moreno teve que sucumbir (espero que não muito contra a vontade)! Para os outros desenhadores é indiferente o que desenhar e com quem trabalhar… para mim, não! Por eu ser um zagoriano de nascimento e um leitor (nolittiano) desde sempre, dificilmente aceito roteiros não-convencionais e pouco ortodoxos. Moreno é o único que consegue recriar o espírito do Zagor de antigamente e que – o que não é pouca coisa – conhece os meus limites e defeitos, e sabe como fazer para que eu os supere, ao escrever roteiros sob medida para mim. Além disso tudo, eu partilho com o bom Moreno, além da paixão pela BD, aquela pela música italiana. No mundo arrogante em que vivemos, muitos torcem o nariz ao saber que ouvimos Umberto Tozzi em vez de música estrangeira.
Entre as suas histórias, merece destaque o ciclo de Mortimer: é de se supor que você gosta desse vilão, por isso perguntamos se você deu alguma sugestão ao roteirista sobre o desenvolvimento de algumas cenas? Marco Verni: Eu sou muito ligado a Mortimer que, goste-se ou não, é um dos poucos vilões pós-Nolitta dignos de nota, e tirei a sorte grande quando Moreno pensou em mim para a realização gráfica da sua personagem depois de Ferri. Eu não colaboro com Burattini nos roteiros, mas se tenho alguma ideia, eu conto e ele decide se pode ou não ser usada. Por outro lado, eu sou bastante crítico se há alguma passagem que não me convence ou um diálogo que destoa. Moreno me considera o leitor número um, o protótipo do zagoriano médio (na verdade, ele me define como talibã, ou seja, ortodoxo) e diz que se uma coisa não agrada a mim não agradará à maioria dos leitores. Praticamente ele me usa como cobaia :-). Brincadeiras à parte, o grande motivo porque é um prazer trabalhar com ele é que, apesar da sua carreira (foi quem roteirizou a maior quantidade absoluta de páginas de Zagor), ele é uma pessoa humilde, jamais é presunçoso, dá ouvidos a todos e aceita opiniões contrárias, e (caso mais único que raro) não se acha o maioral, ao contrário de tantos outros.
Sem fornecer antecipações, pode dar uma opinião sobre o novo e esperado retorno de Mortimer? Marco Verni:Moreno sabe que, quando escreve uma história para mim, deve fingir que está nos anos Setenta e fazer um Zagor como se fazia naquela época. Esse retorno de Zagor a Darkwood (n.t.: depois da viagem sul-americana do herói), onde a esperá-lo está Mortimer, sedento de vingança, lembra certas aventuras clássicas como Retorno a Darkwood ou Zagor Contra Supermike, e Zagor terá explosões de fúria como nos tempos de Nolitta (coisa que muitos roteiristas esquecem quando abordam o carácter da personagem), sem contar uma pitada de dramaticidade e comoção!
Uma história que pode ser considerada um clássico moderno – no sentido de que homenageia Nolitta & Ferri, tem um pouco do Sclavi de Pesadelos mas ao mesmo tempo uma forte personalidade burattiniana – é o segundo Zagor Gigante, O Homem que Derrotou a Morte. Dá para ver a sua constante evolução de estilo e também de personalidade: o que você pensa desse seu trabalho e do roteiro de Burattini? Marco Verni:Mesmo que não tivesse sido eu a desenhá-la, eu creio que é a mais bela história de Burattini, e que nada tem a invejar dos clássicos nolittianos. Moreno usou todos os ingredientes e soube cozinhá-los com maestria. Não há passagens desnecessárias, nenhum diálogo por demais tedioso (às vezes acontece, mas não aqui) e a história é lida num fôlego só. Eu acho que, antes de ir aos quiosques, Moreno não tinha a consciência de ter desenfornado uma obra-prima, talvez porque é muito modesto (e também inseguro) por natureza, mas eu estava eufórico por ter tido a sorte de ilustrá-la, e disse a ele “essa foi a melhor história que você fez. Se estivéssemos nos ‘Giochi senza frontiere’, eu jogaria o Joker“, e Moreno respondeu “confio em você e também jogo o Joker :-)” (n.t.: Marco Verni refere-se a um programa de entretenimento da TV, baseado no francês Intervilles, e que em Portugal se chamava “Jogos sem fronteiras” em que jogar o joker, é arriscar na confiança de dobrar a pontuação). Aí eu sugeri a Moreno dedicar essa bela história àquele que nos havia criado (como autores) e que era o responsável por termos tido a condição de fazê-la, Guido Nolitta. Os leitores apreciaram e, como nós, ficaram comovidos!
Quanto tempo você leva para desenhar uma página? Cumpre horários? Como é o seu dia padrão, entre trabalho, busca de informações, ócio, vida familiar? Marco Verni:O meu dia padrão é muito monótono: acordar às 7, arrumar as crianças para a escola, dar uma olhada no correio electrónico e em outras coisas, por volta das 9 horas começo a trabalhar e vou até às 13h ou 13h30, paro para o almoço, recomeço às 15h e vou até às 19h. Com os filhos, os momentos de distracção diminuem cada vez mais e, como único meio de evasão, eu me permito compras compulsivas no sítio eBay, de BD e páginas originais (mais ou menos como as mulheres, com sapatos e bolsas). Em média faço 3 ou 4 páginas por semana, e se tudo corre bem chego até a 15 por mês, mas entre um desenho extra, uma mostra de BD, um encontro ou um compromisso familiar, é mais comum eu parar em 13 ou 14 páginas.
Os quadradinhos da SBE sempre foram o seu objectivo, ou você gostaria de fazer a chamada BD de autor, como Pratt, Battaglia, Toppi, Manara? Marco Verni:A definição de BD de autor em contraposição a BD popular sempre me irritou. Eu adoro Hugo Pratt, um grande autor, mas que também é popular porque vendia e ainda hoje vende centenas de milhares de exemplares. De outro lado eu vejo artistas de nariz empinado que acham que fazem BD culta só porque ninguém acompanha e vende poucas centenas de exemplares. Eu não tenho capacidade de fazer uma BD de autor e tenho muitas dúvidas com relação a quem faz e acha que é melhor do que Zagor e Tex.
Você se sente um artesão dos quadradinhos ou um artista? Para você, desenhar é um estímulo, uma diversão ou um trabalho? Marco Verni:Eu detesto a palavra artista porque transborda presunção de maneira impressionante! Posso aceitar que alguém seja definido artista, mas quem se auto-define dessa forma irrita-me de forma notável. Sem contar que artista é quem cria por inspiração, sem pensar nos resultados financeiros, enquanto que, ao se fazer um trabalho por encomenda, cuja finalidade é vender, deve-se falar de artesanato. Eu sou um artesão, e o que eu espero, quando sai uma revista minha, é que venda muitos exemplares, não que ganhe um prémio da crítica.
Como é a sua técnica de trabalho? Marco Verni:Eu ainda desenho em tiras (como Ferri, mas não para imitá-lo, e sim porque é mais cómodo) que depois monto para formar a página completa. Eu começo com os traços a lápis, não muito definidos, depois concluo a tira com o nanquim, e passo para a seguinte. A maior parte dos meus colegas prefere desenhar várias páginas a lápis para depois fazer a arte-final em todas elas ou em blocos de 15 ou 20 por vez. Para os traços a lápis eu uso uma lapiseira HB e, para repassar, uso um pincel Windsor & Newton nº 0 ou nº 1 e, por fim, para limpar os traços excedentes, uso uma borracha B20 da Rotring, que apaga o lápis sem prejudicar o nanquim.
Há alguma série bonelliana com a qual você não trabalhou mas que gostaria de desenhar? Caso positivo, qual seria e porque? Marco Verni: Por ser muito tradicionalista, não gosto muito de ler BDs modernas e dificilmente conseguiria desenhá-las. Eu gostaria do Comandante Mark ou do Pequeno Ranger, mas não são mais publicados há décadas. O único que ainda faz parte do meu mundo é Tex, mesmo que ultimamente seja um pouco irreconhecível, ao menos do ponto de vista gráfico!
Das histórias zagorianas do último período (dos últimos vinte anos, digamos), dentre as desenhadas pelos seus colegas, quais você mais apreciou? Marco Verni: A Ponte do Arco-Íris, de Ferri, Vingança Vodu, de Laurenti, Kraken, de Andreucci.
Passemos agora ao Ranger que dá nome a este blogue. Agora que você é um desenhador bonelliano afirmado, gostaria de desenhar Tex? Já recebeu alguma proposta nesse sentido? Marco Verni:Nunca me foi proposto, e (diferente de outros) não acho que seja um problema, porque Zagor é a minha personagem preferida, não a considero uma BD de série B. Como eu disse antes, se Zagor não fosse mais publicado (bato na madeira), Tex é o único que combina comigo, mas não dá para dizer que eu conseguiria fazê-lo como querem os leitores (ou os responsáveis pela série).
Para você, o que significaria desenhar histórias de uma lenda da BD como Tex? Marco Verni:Para mim, Zagor também é uma lenda, e desenhar Tex certamente significa prestígio para qualquer desenhador. Pena que eu seja uma pessoa muito modesta e pouco ambiciosa!
Na sua visão, quem ou o que é Tex? O que mais lhe agrada e menos agrada no Ranger? Marco Verni:O que eu gosto em Tex é a sua prepotência e arrogância contra os poderosos e os desprezíveis: é o que gostaríamos que acontecesse na realidade e sentimos prazer todas as vezes que Tex age no nosso lugar.
Você acha que Tex mudou nos últimos anos? Sob quais aspectos? Marco Verni: Na última década de histórias escritas por Nizzi, Tex muitas vezes vivia situações no limite do ridículo, e eu achava que estava muito desnaturado. Hoje, com Boselli no timão, Tex readquiriu as suas peculiaridades, e as histórias voltaram a ser mais maduras (se bem que às vezes são complexas demais). O que hoje não me agrada mais é a falta de homogeneidade gráfica: existem autores excelentes, mas às vezes dá a impressão de que não estou a ler Tex, mas sim Dampyr, e em outras é Mágico Vento ou Ken Parker.
Para concluir o tema, como você vê o futuro do Ranger? Marco Verni:Espero que as novas evoluções gráficas não afastem os velhos leitores, aqueles ligados ao Tex de Ticci ou Lettèri, sem contar Galep, porque acho que está difícil substituí-los pelas novas gerações.
Quais são seus projectos futuros? Pode nos antecipar alguma coisa? Marco Verni:No meu futuro está Zagor: no final de Outubro eu devo concluir os desenhos do confronto final com Mortimer, depois, se não houver imprevistos, deverei voltar a fazer dupla com Sedioli para dois volumes que sairão na Itália no Verão/Outono de 2015.
Quais BDs você lê actualmente, com quais mais se identifica? Marco Verni:Quando criança eu me identificava com Zagor, aos vinte anos eu queria ser Mister No, hoje eu gostaria de ser Tex, mas não tenho capacidade e nem físico para isso. Actualmente leio certas BDs com dificuldade, porque as considero banais ou tediosas, e muitas vezes são cópias mal feitas de um filme ou de um videojogo. Desse jeito, não é de se admirar se os jovens de hoje preferem filmes e videojogos em vez de quadradinhos.
Além de BD, você lê livros? E quais são as suas preferências no cinema e na música? Marco Verni: Eu não leio muitos livros por questão de tempo, e à noite, quando teria tempo, as pálpebras se fecham pelo cansaço, e aí… Quanto a cinema, eu gosto de comédias, inclusive italianas, basta que não sejam muito estúpidas. Não gosto de ficção científica como género, mas não a descarto. Eu gosto de faroeste, mas ele já desapareceu há anos. Em razão do cansaço, não consigo ver filmes muito engajados como A Origem ou A Grande Beleza, porque infelizmente eu durmo! Música, ouço quase que exclusivamente italiana, paixão que partilho com o amigo Burattini. Os meus preferidos são Umberto Tozzi, Franco Battiato, Renato Zero e, sem qualquer vergonha, desde 1981 também assisto ao festival de Sanremo (imagino as caras de enjoo que vêm do mundo dos quadradinhos :-)).
E chegamos ao fim. Você gostaria de dizer alguma coisa mais, algo que não lhe foi perguntado e que você gostaria que os nossos leitores soubessem? Marco Verni:Não, creio que não. Mas se vocês tiverem mais alguma curiosidade, é só dizer! Um grande abraço a todos!
Caro Marco, em nome do blogue português de Tex, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)
Intervista condotta da José Carlos Francisco, con la collaborazione di Giampiero Belardinelli per la formulazione delle domande, di Júlio Schneider (traduttore di Tex per il Brasile) e di Gianni Petino per le traduzioni e le revisioni e di Bira Dantas per la caricatura.
Ciao carissimo Marco Verni, e benvenuto sul blog portoghese di Tex! Per cominciare, raccontaci delle tue passioni di lettore di fumetti fin dall’infanzia. Marco Verni: Ciao a tutti e grazie dell’attenzione che mi riservate e che non so se merito. Sono nato nel 1966 e ho cominciato a leggere fumetti a 7 anni. Come tutti i bambini dell’epoca, la prima tappa obbligata era il settimanale Topolino nel quale leggevo soprattutto le storie con i Paperi, quelle di Carl Barks in primis. In seguito, appassionato di film western come tutti i ragazzi dell’epoca, non sazio di quello che vedevo al cinema e in TV, trovavo in edicola quello che serviva per continuare a sognare. Il primo fumetto che comperai (grazie a mia nonna) fu La Storia del West di Gino D’Antonio, un episodio disegnato da Sergio Tarquinio dal titolo La grande sfida. La scelta cadde su quell’albo perché in copertina c’erano dei bellissimi indiani che facilitarono la mia scelta. Purtroppo, a differenza di oggi dove i bambini sono pieni di soldi e capricci, all’epoca potevamo scegliere UN solo fumetto e la scelta era sempre ardua e sofferta. La seconda volta che dovetti scegliere un fumetto, furono sempre dei bellissimi indiani in copertina a motivare la mia decisione e quella toccò proprio a Zagor con l’albo Le montagne selvagge.
Lo Zagor di Nolitta & Ferri (ma immaginiamo anche quello illustrato da Frank Donatelli), come tanti ragazzi degli anni Settanta, ti ha folgorato: quali emozioni hanno colpito l’immaginazione del Marco Verni ragazzino? Marco Verni:La scelta dell’albo di Zagor fu abbastanza casuale: se per caso quel mese ci fossero stati degli indiani sulla copertina di Tex avrei scelto quest’ultimo, ma così non fu. Quando mi immersi nella lettura fui rapito dalla fluidità della sceneggiatura e dal disegno, semplice ma potente, e il personaggio per un bambino di allora esercitava un fascino fuori dal comune. La cosa che mi colpì più di tutte fu la scure di Zagor, così strana, mai vista in nessun film western, e così difficile (anzi impossibile) da riprodurre. Anche la pistola che usava Zagor era affascinante: una vecchia colt Navy e non la classica colt che si vedeva in tutti i film western e anche negli altri fumetti. Queste cose rendevano diverso e affascinante questo fumetto, così come tutto il mondo che Nolitta ci aveva costruito attorno e che ci avrebbe stregato per tutta la vita!
Quali sono gli ingredienti nolittiani che, da lettore e poi da autore, ritieni ancora oggi irrinunciabili? Marco Verni: Io ritengo Nolitta uno dei più bravi narratori di fumetti di sempre, anche più del padre G. L. Bonelli (perdonatemi la bestemmia su un blog Texiano!) per il semplice fatto che quest’ultimo è riuscito a sceneggiare con successo solo Tex, risultando mediocre con tutto il resto, Zagor compreso, mentre Nolitta ha avuto successo, oltre che con Zagor, anche quando si è cimentato con Mister No, con Cico (cosa non facile) e pure con Tex (El Muerto!). Purtroppo, per gli sceneggiatori che gli sono succeduti è stato difficile reggere il confronto con Nolitta perché questi aveva una brillantezza e una facilità di scrittura irripetibili ed era un affabulatore nato: chi ha avuto modo di ascoltarlo dal vivo a qualche incontro veniva rapito dai suoi racconti come lo era dai suoi fumetti. Non sono gli ingredienti nolittiani a mancarmi, ma la capacità di saperli cucinare!
Come lettore nolittiano, ti ritieni legato alle storie fantastiche o avventurose più in generale o a quelle cosiddette impegnate, come l’indimenticabile Il giorno della giustizia? Marco Verni: Mi sono piaciute tutte in egual modo senza prediligere un genere in particolare, anche perché il segreto del successo e della longevità di Zagor sta anche nel saper sempre variare genere e non stancare mai.
Puoi elencare almeno cinque titoli zagoriani del periodo nolittiano che, come Robinson Crusoe, porteresti su un’isola disabitata? Marco Verni: Zagor contro il vampiro, Zagor contro Supermike, Il giorno della giustizia, Ora Zero, Libertà o Morte. Però facendo questa lista faccio un torto a tutte le altre storie nolittiane che amo allo stesso modo!
Nel luglio del 1990, in Italia, esce La corsa delle sette frecce, il trecentesimo numero della collana Zagor Gigante. Nella rubrica postale ricordiamo una lettera del lettore Marco Verni, che chiedeva uno Zagor più duro e un Cico comico e avventuroso sullo stile del Paperino di Carl Barks. In quel periodo, quali erano le tue insofferenze di lettore? E oggi, a distanza di anni, qual è la tua opinione sullo Zagor degli anni Ottanta? Marco Verni:Alla fine degli anni 80 ero, come un po’ tutti i lettori zagoriani, un po’ deluso dalla gestione del personaggio. A mio avviso c’era una certa stanchezza e una sorta di rassegnazione che traspariva anche dalle dichiarazioni di Sergio Bonelli che riteneva il nostro eroe ormai esaurito. Per fortuna, negli anni a venire Boselli e Burattini hanno dimostrato che non era vero e che bisognava solo ritrovare entusiasmo e freschezza. Purtroppo (e questo succede spesso anche oggi) gli sceneggiatori che si cimentano con Zagor (e Cico) pensano che basti scrivere una buona storia con un eroe con la scure che ogni tanto lancia un urlo e impreca “per mille scalpi” e di un pancione che ha perennemente fame… ma ciò non basta perché per fare bene Zagor bisogna ricordarsi gli ingredienti nolittiani… altrimenti è come voler cucinare gli spaghetti e dimenticare di mettere il sale nell’acqua di cottura: alla fine li mangi lo stesso, ma non hanno nessun sapore!
Ritieni che, negli anni successivi, siano stati accolti quei tuoi suggerimenti di lettore? Marco Verni:Ricordo che all’epoca si fece una riunione che portò un rinnovamento nella gestione della testata pur rimanendo nei binari della tradizione che ha permesso a Zagor di rimanere in edicola, pur con alti e bassi, fino a oggi. Sicuramente come lettore ho ritrovato in parte l’entusiasmo perduto, anche se ogni tanto qualche ricaduta, soprattutto negli ultimi anni, c’è stata, ma questo è un mio parere.
Alcuni anni dopo ti ritrovi a debuttare, come disegnatore, sull’Almanacco dell’Avventura 2003 (ottobre 2002): come e quando hai maturato la tua passione per il disegno? E come sei entrato in contatto con la Sergio Bonelli Editore? Marco Verni: Mi sembra di aver raccontato tante volte questi aneddoti che temo di annoiare chi li leggerà. La passione per il disegno mi è maturata leggendo i fumetti: non ho un talento naturale come certi miei colleghi (che invidio tantissimo), ma solo la passione non tanto per il disegno quanto per il fumetto, per le emozioni che ha saputo trasmettermi nella mia vita. Le mie prime prove furono disastrose e quelli che ora sono miei colleghi le stroncavano senza appello… e non avevano tutti i torti! L’unico che (forse per la bontà d’animo che lo contraddistingue) decise di aiutarmi in questi tentativi fu il caro Moreno Burattini, che fu prodigo di consigli e incoraggiamenti fornendomi anche alcune tavole di sceneggiatura su cui allenarmi. Il regalo più grande me lo fece regalandomi la sceneggiatura inedita di una mini storia di Zagor (La strega) che, oltre ad essermi servita per progredire nel mio lavoro, mi dava la soddisfazione di cimentarmi con una VERA storia di Zagor scritta da uno dei sui autori di punta. A questo punto sentii una certa responsabilità e raddoppiai i miei sforzi per realizzarla, nonostante il tempo per farlo non fosse tantissimo, visto che all’epoca lavoravo in una pasticceria. Ricordo che disegnavo nei ritagli di tempo, alla domenica, nei giorni di riposo, e ognuna delle 8 tavole che compongono questa breve storia l’avrò disegnata almeno 3 volte di media. Dopo queste 8 tavole qualche miglioramento si iniziava a intravedere, ma ero ancora molto acerbo, ma nonostante ciò, quando decisi di propormi alla Casa Editrice, ho portato questa storia unitamente ad altre tavole di prova.
Puoi raccontare la genesi di quel tuo primo lavoro da professionista? Marco Verni: Dopo qualche anno passato a disegnare tavole e migliorandomi poco (ma poco) alla volta, decisi d’accordo con Burattini di presentare le mie ultime prove al giudizio della Casa Editrice. Burattini all’epoca non lavorava ancora in redazione e Zagor era curato da Mauro Boselli che, il 2 agosto 2000, mi telefonò per dirmi che le mie tavole erano messe ai voti: lui si astenne dal voto (per gentilezza nei miei confronti) mentre tutti gli altri votarono NO… solo uno votò SI, ma essendo questi Sergio Bonelli, fui assunto ugualmente. Però da li a poco, le mie scarse doti tecniche e artistiche mi mandarono in crisi e da li a poco mi bloccai: per macinare tavole su tavole tutti i mesi non basta la passione e la voglia… bisogna anche saper disegnare e conoscere i fondamentali del disegno nonché la tecnica. A darmi conforto e fiducia ci fu ancora Sergio Bonelli (e anche Burattini) mentre il mio amico da una vita Davide Fabbri (disegnatore di fama internazionale) mi diede alcune lezioni e consigli che mi permisero di sbloccarmi e riprendere il mio cammino che da allora non si è più fermato!
Gallieno Ferri è stato ed è il tuo riferimento artistico: cosa ti colpiva del segno dell’artista ligure? Marco Verni: Da lettore di Zagor ho sempre amato (penso come tutti) il segno di Gallieno Ferri, così elegante, morbido ed evocativo. Quando ho deciso di cimentarmi con Zagor, l’idea di ispirarmi a lui come modello non fu mia ma di Burattini, con l’avallo successivamente di Bonelli che sapeva bene che quello era lo Zagor preferito dai lettori.
Quali erano, all’inizio, le caratteristiche ferriane cui trovavi difficile riproporre nei tuoi lavori? Marco Verni: La cosa che ancora adesso non riesco a riprodurre è la pennellata fresca e spontanea del maestro… io rimango comunque più freddo, qualcuno dice gommoso. Ma se penso da dove sono partito mi sembra di aver raggiunto comunque un buon risultato.
Come ha accolto Sergio Bonelli il tuo arrivo nello staff zagoriano? Marco Verni:Sergio Bonelli sapeva benissimo che non ero un artista o un grande disegnatore come quelli con cui era abituato a lavorare, ma mi ha sempre sostenuto e spronato nonostante le mie scarse capacità: mi ripeteva sempre che “questo è un lavoro che si impara“. Sapeva che gli appassionati come me (e come Burattini), che seguivano i suoi lavori e che lo contattavano fin da ragazzini, erano quelli che più amavano il suo Zagor e lo avrebbero continuato nel solco da lui tracciato… e sapeva anche che questo è quello che voleva gran parte dei lettori. Come ho già detto, mi ha scelto, sostenuto e protetto nonostante avessi (giustamente) tutti contro… me compreso, perché nemmeno io credevo in me stesso come ha fatto lui! Alla fine aveva ragione lui… ma non è un caso se è il più grande editore di fumetti del mondo.
Nei tuoi lavori hai stabilito una collaborazione inossidabile con Moreno Burattini, e della nuova generazione di disegnatori zagoriani, sei l’unico ad aver lavorato soltanto con un unico sceneggiatore: com’è il rapporto professionale tra te e Burattini? Marco Verni: Il fatto che io abbia sempre e solo disegnato storie sceneggiate da Burattini è una scelta mia alla quale Moreno è costretto (spero non troppo di malavoglia) a soccombere! Per gli altri disegnatori è abbastanza indifferente cosa disegnare e con chi collaborare… per me no! Essendo io zagoriano di nascita e un lettore (nolittiano) della primissima ora, difficilmente sopporto sceneggiature non convenzionali e poco ortodosse: Moreno è l’unico che riesce a ricreare lo spirito dello Zagor di un tempo e, cosa non da poco, conosce i miei limiti e i miei difetti e riesce a farmeli superare e a scrivere sceneggiature su misura per me. Inoltre condivido con il buon Moreno, oltre alla passione per i fumetti, anche quella per la musica italiana… nello spocchioso mondo in cui viviamo sono tanti che storcono il naso sapendo che ascoltiamo Umberto Tozzi anziché musica straniera.
Tra le tue storie un cenno particolare va al ciclo di Mortimer: immaginiamo che ti piaccia questo cattivo e quindi ti chiediamo se hai dato suggerimento allo sceneggiatore sullo svolgimento di alcune scene? Marco Verni:Sono affezionato a Mortimer che, piaccia o non piaccia, è uno dei pochi villain post Nolitta degni di nota, e sono stato veramente fortunato quando Moreno ha pensato a me per la realizzazione grafica del suo personaggio dopo Ferri. Non collaboro con Burattini nelle sceneggiature, ma quando mi viene un’idea gliela espongo, poi vedrà lui se è il caso di utilizzarla oppure no. Sono invece molto critico se c’è un passaggio che non mi convince o un dialogo stonato: Moreno mi considera il lettore n.1, il prototipo dello zagoriano medio (in realtà mi definisce talebano) e dice che se una cosa non piace a me non piacerà nemmeno alla maggioranza dei lettori… praticamente mi usa come test :-). Scherzi a parte, il motivo per cui è un piacere lavorare con lui è che, nonostante la sua carriera (è colui che ha sceneggiato più pagine in assoluto di Zagor), è una persona umile e mai presuntuosa, sa ascoltare anche l’ultimo arrivato e sa mettersi sempre in dubbio, e (cosa più unica che rara) non si da delle arie, al contrario di tanti altri.
Senza anticipare nulla, puoi dare una tua opinione sull’ennesimo e atteso ritorno di Mortimer? Marco Verni: Moreno sa che quando scrive una storia per me deve far finta di essere negli anni 70 e fare uno Zagor come si faceva allora. Questo ritorno di Zagor a Darkwood, dove ad attenderlo c’è Mortimer assetato di vendetta, ricorda certe avventure classiche come appunto Ritorno a darkwood o anche Zagor contro Supermike, e Zagor avrà scatti d’ira e collera come ai tempi di Nolitta (cosa che molti sceneggiatori dimenticano quando affrontano il carattere del personaggio), senza contare un pizzico di drammaticità e commozione!
Una storia che riteniamo un classico moderno – nel senso che omaggia Nolitta & Ferri, strizza l’occhio allo Sclavi di Incubi ma allo stesso tempo ha una forte personalità burattiniana – è il secondo Zagorone L’uomo che sconfisse la morte. Nelle tavole si nota il tuo costante miglioramento stilistico e anche di personalità: cosa pensi di questo tuo lavoro e della sceneggiatura di Burattini? Marco Verni: Se anche non l’avessi disegnata io questa è, a mio avviso, la più bella storia di Burattini e che non ha niente da invidiare ai classici nolittiani: qui Moreno ha usato tutti gli ingredienti e li ha saputi cucinare con maestria. Non trovo una sbavatura, un dialogo troppo noioso (a volte capita, ma non qui) e la storia si legge tutta d’un fiato. Prima che uscisse in edicola, secondo me Moreno non aveva la consapevolezza di aver sfornato un capolavoro, forse perché è molto modesto (e anche insicuro) di natura, mentre io ero euforico avendo avuto la fortuna di poterlo illustrare, e ricordo che gli dissi “questa è la storia migliore che hai fatto: se fossimo a Giochi senza frontiere giocherei il Jolly” e Moreno mi rispose “mi fido di te e gioco il Jolly anche io :-)”. Infine ho proposto a Moreno di dedicare questa bella storia a colui che ci aveva cresciuti (come autori) e permesso di essere in grado di realizzarla: Guido Nolitta. I lettori l’hanno apprezzato e come noi si sono commossi!
Quanto tempo impieghi per disegnare una tavola? Hai degli orari? Come si articola una tua giornata tipo fra lavoro, letture, tenerti informato, ozio, vita familiare? Marco Verni:La mia giornata tipo è molto monotona: sveglia alle 7, preparare i bambini per la scuola, poi dopo aver dato un’occhiata alle mail e altre cose, verso le 9 comincio a lavorare fino alle 13/13,30, stacco per pausa pranzo e alle 15 si ricomincia fino alle 19. Da quando ci sono i figli, gli svaghi sono sempre meno e come unico mezzo d’evasione mi concedo uno shopping compulsivo su eBay a base di fumetti e tavole originali (più o meno come fanno le donne con scarpe e borse). Di media faccio 3/4 tavole a settimana… se tutto fila liscio arrivo anche a 15 al mese, ma tra un disegno extra, una mostra, un incontro o qualche impegno familiare, è più facile che mi fermi a 13/14.
Il fumetto della SBE è sempre stato il tuo obiettivo oppure avresti preferito fare il cosiddetto fumetto d’autore come Pratt, Battaglia, Toppi, Manara? Marco Verni: Mi ha sempre irritato la definizione fumetto d’autore contrapposta a fumetto popolare. Io amo Hugo Pratt che è un grande autore… ma è anche popolare perché vendeva e vende tuttora centinaia di migliaia di copie. Vedo invece artisti con la puzza sotto il naso che sono convinti di fare fumetto colto solo perché non se li fila nessuno e vendono poche centinaia di copie. Io non ho le capacità per fare un fumetto d’autore e nutro molti dubbi riguardo a chi lo fa convinto che siano meglio di Zagor e Tex.
Ti senti un artigiano del fumetto oppure un artista? Disegnare è per te uno stimolo, un divertimento oppure un lavoro? Marco Verni: Io odio la parola artista, che trasuda presunzione in modo impressionante! Posso accettare che qualcuno venga definito artista, ma che uno si definisca tale da solo mi irrita notevolmente. A parte che l’artista è quello che crea, dietro ispirazione, senza pensare ai risvolti economici, mentre quando si fa un lavoro su commissione, sapendo bene che il fine ultimo è quello di vendere, si deve parlare di artigianato. Io sono un artigiano… la prima cosa che penso quando esce un mio albo è che venda un sacco di copie, non che vinca un premio della critica.
Puoi esporci la tua tecnica di lavoro? Marco Verni:Disegno ancora a strisce (proprio come fa Ferri, ma non per emulazione ma perché è comodissimo) che poi monto formando la tavola completa. Inizialmente faccio la matita, nemmeno molto definita, e poi ripasso subito a china per vedere la striscia finita e poi passo alla successiva. La gran parte dei miei colleghi invece preferisce disegnare un certo numero di pagine a matita, poi in seguito ripassarle a china tutte insieme o a blocchi di 15-20 alla volta. Per fare le matite, uso un portamine HB, e per ripassare uso un pennello Windsor & Newton n.0 oppure n.1, e infine per sgommare uso una gomma della Rotring, la B20 che toglie la matita senza sbiadire la china.
Esiste un’altra testata bonelliana, per la quale non hai mai lavorato, e che ti piacerebbe tantissimo disegnare? In caso positivo, puoi dirci quale sarebbe e perché? Marco Verni: Essendo molto tradizionalista, fatico molto a leggere i fumetti moderni e difficilmente riuscirei a disegnarli. Mi sarebbe piaciuto il Comandante Mark o il Piccolo Ranger ma non ci sono più da decenni… l’unico che fa parte ancora del mio mondo è Tex, anche se ultimamente faccio fatica a riconoscerlo, almeno graficamente!
Delle storie dell’ultimo periodo (diciamo degli ultimi venti anni), quali sono quelle disegnate dai tuoi colleghi che hai maggiormente gradito? Marco Verni:Il ponte dell’arcobaleno di Ferri, Vendetta Vudu di Laurenti, Kraken di Andreucci.
Passiamo adesso al Ranger che dà nome a questo blog: oggi che sei un affermato disegnatore bonelliano, ti piacerebbe disegnare per Tex, ti è mai stato proposto? Marco Verni: Non mi è mai stato proposto ma non me ne faccio un cruccio (a differenza di altri) perché Zagor è il mio personaggio preferito e non lo trovo un fumetto di serie B. Come ho già detto, se non uscisse più Zagor (facciamo gli scongiuri), Tex è l’unico che ha un mondo a me congeniale, ma non è detto che riuscirei a farlo come lo vorrebbero i lettori (o i curatori).
Cosa significherebbe per te disegnare storie di una leggenda dei fumetti come Tex? Marco Verni: Per me è una leggenda anche Zagor, e disegnare Tex darebbe sicuramente prestigio a qualsiasi disegnatore… peccato che io sia una persona molto modesta e poco ambiziosa!
Chi o cosa è Tex, secondo te? Cosa ti piace di più nel Ranger e cosa di meno? Marco Verni:La cosa che mi piace di Tex è la sua prepotenza e tracotanza a danno dei potenti e delle persone squallide: è quello che vorremmo accadesse nella realtà, e proviamo godimento e appagamento ogni volta che Tex lo fa al posto nostro.
Ritieni che Tex sia cambiato negli ultimi anni? Sotto quali aspetti? Marco Verni: Nell’ultimo decennio di storie scritte da Nizzi, Tex aveva avuto risvolti spesso al limite del ridicolo e lo trovavo molto snaturato… ora, con Boselli al timone, Tex ha riacquistato le sue peculiarità e le storie sono tornate ad essere più mature (anche se a volte un po’ troppo complesse). Quello che non mi piace più oggi è la disomogeneità grafica: ci sono grandissimi autori, ma a volte mi sembra di non leggere Tex ma a volte Dampyr, altre volte Magico Vento oppure Ken Parker.
Per concludere il tema, come vedi il futuro del Ranger? Marco Verni: Spero che le nuove evoluzioni grafiche non allontanino i vecchi lettori, quelli legati al Tex di Ticci, Lettèri, per tacere di Galep, perché la vedo dura rimpiazzarli con le nuove generazioni.
Che progetti ci sono nel tuo futuro? Puoi già anticiparci qualcosa? Marco Verni: Nel mio futuro c’è sempre Zagor: a fine ottobre dovrei finire di disegnare lo scontro finale con Mortimer, poi, salvo imprevisti, dovrei tornare in coppia con Sedioli per un paio d’albi che usciranno in Italia nell’estate/autunno 2015.
Quali fumetti leggi attualmente, ovvero con quali ti identifichi maggiormente? Marco Verni: Da bambino mi identificavo in Zagor, a 20 anni avrei voluto essere Mister No, oggi mi piacerebbe essere Tex, ma non ho le capacità ne il fisico per potermelo permettere. Oggi leggo qualche fumetto con molta fatica in quanto li trovo spesso banali o noiosi… spesso la brutta copia di un film o di un videogioco: a quel punto non bisogna meravigliarsi se i ragazzi oggi preferiscono film e videogiochi ai fumetti!
Oltre ai fumetti, quale tipo di libri leggi? E quali le tue preferenze nel campo del cinema e della musica? Marco Verni: Non leggo molti libri per problemi di tempo e alla sera, quando il tempo l’avrei, mi si chiudono le palpebre per la stanchezza e quindi…! Riguardo al cinema, mi piacciono le commedie, anche italiane, basta che non siano troppo stupide… non amo la fantascienza come genere, ma non la scarto mai a priori. Mi piace il Western, ma ormai è sparito da anni. Causa stanchezza non riesco a vedere film troppo impegnati come Inception o La grande bellezza… purtroppo finisce che mi addormento! Per la musica, ascolto quasi esclusivamente musica italiana, passione che condivido con l’amico Burattini. I miei preferiti: Umberto Tozzi, Franco Battiato, Renato Zero e, senza vergogna, guardo dal 1981 anche il festival di Sanremo (immagino i conati di vomito provenire dal mondo del fumetto :-)).
Bene, noi avremmo finito. C’è ancora qualcosa che vorresti dire? Qualcosa che non ti è stato chiesto e che avresti assolutamente voluto far sapere ai nostri lettori? Marco Verni:Non mi viene in mente altro… se viene a voi qualche altra curiosità fatemelo sapere! Un caro saluto a tutti!
Caro Marco, a nome del blog portoghese di Tex ti ringraziamo moltissimo per l’intervista che ci hai così gentilmente concesso.
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A “Collezione Storica a Colori” (Colecção Histórica a Cores) agregada ao quotidiano “La Repubblica” e ao semanário “L’espresso” na Itália, terminou a longa maratona com o ducentésimo trigésimo nono volume publicado a 25 de Agosto de 2011. Tratava-se de uma proposta semanal iniciada no longínquo mês de Fevereiro de 2007 e foi uma iniciativa que obteve um sucesso entusiasmante e que permitiu aos leitores italianos desfrutar, no espaço de apenas quatro anos e meio, de toda a carreira do Ranger mais famoso e mais duradouro do mundo da banda desenhada, pela primeira vez a cores.
Era suposto ser apenas um “experiência” limitada a 50 números e que, em vez disso, motivada por um sucesso tão extraordinário quanto imprevisível, tornou-se um “encontro semanal” mais ou menos obrigatório para dezenas de milhares de leitores…
A aventura de Tex a cores recomeça na Itália com a edição nº 240
A colecção que reeditou todas as histórias da série principal de Tex marcou a introdução triunfal da cor no universo do nosso Ranger, uma “entrada” que, em doses assim maciças, nunca se tinha visto antes. Não foi fácil, para muitos leitores conseguirem completar com sucesso a série inteira, fosse pelo compromisso financeiro que a empreitada requereu, fosse para a obrigação de encontrar na própria habitação, um espaço suficiente para acolher uma espécie de “montanha de papel”. Mas, a oportunidade era realmente imperdível – mesmo única – e, profissionalmente, a Sergio Bonelli Editore não podia deixá-la fugir tal como os números finais (e oficiais) o provaram.
A “Collezione Storica a Colori” ao longo dos seus 239 volumesvendeu um total astronómico de27 MILHÕES de exemplares, o que deu uma média incrível de pouco menos de113 MIL cópias vendidas a cada semana (a um custo unitário de 6,90€) e um facturamento incrível de 186 MILHÕES e 300 MIL EUROS.
Perante estes números elevados compreende-se hoje porque logo após o fim da “Collezione Storica a Colori” a Sergio Bonelli Editore e o grupo editorial Espresso-Repubblica lançaram a reedição, em “technicolor”, dos Tex Gigantes, colecção que trouxe, durante 25 semanas, prestigiosas assinaturas da banda desenhada italiana e até mesmo mundial…
Collezione Storica a colori de Tex
Depois de Tex, seguiram-se edições nos mesmos moldes para Zagor (que actualmente vai no número 134) e Dylan Dog (recentemente terminado após o número 50) mas a aventura em “technicolor” do nosso Ranger prosseguiu já este ano, mais precisamente no dia 6 de Março, com TEX GOLD, colecção, de 30 volumes semanais, sempre com o selo editorial Espresso-Repubblica, que republica (a cores) as aventuras publicadas nas séries Maxi Tex (Tex Anual no Brasil) e Almanacco del West (Almanaque Tex no Brasil), com a particularidade de ter capas inéditas da autoria de Giovanni Ticci e que actualmente está no número 27.
Mas mesmo sendo ainda cedo, o blogue português do Tex pode já dar conhecimento aos seus leitores (como já há muito tinha indiciado), a confirmação oficial, que após os 30 volumes de TEX GOLD, a “Collezione Storica a Colori” (Colecção Histórica a Cores) será retomadaprecisamente a partir do ponto em que foi interrompida (por falta de histórias já que todas tinham sido publicadas), ou seja, a partir de 2 de OUTUBRO teremos o lançamento da edição nº 240 (com a habitual capa inédita de Claudio Villa), desta colecção que nasceu fadada ao sucesso e que prosseguirá por mais 17 volumes, republicando a série regular de Tex até à publicação de Tex nº 644 lançada em Junho de 2014 e que traz a conclusão da aventura “L’indomabile” da dupla Mauro Boselli e José Ortiz.
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