A honra de receber em casa Pasquale Del Vecchio

Por José Carlos Francisco (texto) e Orlando Santos Silva (fotos e vídeo)

Pasquale Del Vecchio na Malaposta

Dia 15 de Agosto de 2014 foi mais um dia memorável na minha faceta de fã e coleccionador de Tex, porque tive o grande privilégio e a grande alegria de receber na minha modesta casa um dos mais consagrados e admirados autores de Tex: Pasquale Del Vecchio!

Tal aconteceu devido à presença de Pasquale Del Vecchio na 1ª Mostra do Clube Tex Portugal ocorrida na cidade bairradina de Anadia, não muito distante de minha casa e que proporcionou então o motivo para eu poder ter alcançado mais um momento inolvidável no que ao Tex diz respeito, já que Del Vecchio acedeu ao convite que lhe enderecei para conhecer ao vivo o meu “Museu do Tex” e a minha colecção do Ranger podendo eu desfrutar da sua maravilhosa companhia juntamente com a minha família.

Pasquale Del Vecchio que pernoitou inclusive durante quatro noites no QG de Tex em Portugal, como sempre diz o editor Dorival Vítor Lopes, localizado na pequena aldeia da Malaposta, centro de Portugal, cujo nome provém de “Antiga diligência do correio; Carruagem para transporte de pessoas e correio”,  um  meio  de transporte que Tex e seus  pards usaram  e continuam usando em algumas aventuras, ficou fascinado com a minha majestosa colecção de Tex, onde para além das colecções completas do Ranger oriundas do Brasil e da Itália existem muitas outras edições de mais de 20 países do mundo onde Tex foi editado, bonecos, estatuetas, pins e uma panóplia de outros objectos texianos.

Pasquale e José Carlos vendo exemplares de Tex desenhados por Del Vecchio

Mas sobretudo o que mais impressionou o consagrado autor italiano foi a fantástica galeria texiana onde estão expostos diversos desenhos originais do Tex, inclusive um do próprio Del Vecchio, numa espécie de mini-galeria da Sergio Bonelli Editore por também ela ter todas as suas paredes repletas de originais que ao longo dos anos foram presenteados a Sergio Bonelli, como também comprovaram os grandes pards e amigos Orlando Santos Silva, Álvaro Machado e Gianni Petino.

Vendo desenhos originais de Tex

E por falar em originais, tive também o privilégio de ver Pasquale Del Vecchio fazer em minha casa alguns fantásticos desenhos de Tex, em especial um para mim e outros dois para as minhas filhas, mas o maior prazer mesmo foi poder desfrutar da sua companhia e poder conversar sobre a nossa comum paixão por Tex, isto porque sendo um autor consagrado, Del Vecchio nunca deixou de ser também um grande fã de Tex, até porque o Ranger sempre foi leitura de Pasquale desde tenra idade.

Com Pasquale Del Vecchio na biblioTEX

José Carlos, Del Vecchio e o póster das 400 capas

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E assim se prova uma vez mais que só uma personagem fantástica como o mítico Tex Willer poderia proporcionar momentos maravilhosos e inesquecíveis nos quais algumas pessoas são capazes de vencer milhares de quilómetros somente pelo prazer de estarem juntas e conviverem umas com as outras espontaneamente, vivendo a alegria da confraternização proporcionada por um herói de papel, criado no distante mês de Setembro da década de Quarenta no século passado, mais precisamente em 1948, fruto da mente criativa de Gian Luigi Bonelli e da pena mágica do Mestre Aurelio Galleppini…

Apontando para o Tex original de Del Vecchio devidamente emoldurado

Pasquale Del Vecchio, Orlando Santos Silva e José Carlos na biblioTEX

Álvaro Machado, Del Vecchio e José Carlos

Pasquale Del Vecchio, José Carlos e Gianni Petino com o póster das 400 capas

Gianni Petino, Pasquale Del Vecchio e José Carlos à mesa

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As críticas do Marinho: Texone #29 – “L’Orda del Tramonto”

Por Mário João Marques

Podia ter sido uma aventura de Dylan Dog ou de Dampyr, mas afinal Tex e Carson são os protagonistas de uma história escrita por Pasquale Ruju, pela primeira vez num Tex Gigante, propositadamente para o traço gótico de Corrado Roi, artista muito apreciado em Itália e um dos pesos pesados da Bonelli Editore, onde já desenhou quase tudo e todas as personagens.

Conhecedor do talento de Roi (com quem já trabalhou em Dylan Dog) para determinados ambientes e atmosferas, Pasquale Ruju escreveu uma aventura fora dos cânones da série, assumindo um risco perfeitamente definido, já que podia ir contra as expectativas dos mais conservadores. Por isso, para quem aguardava por um western clássico com muitos cowboys, tiroteios, xerifes, saloons ou extensas pradarias desiluda-se, porque o leitor vai encontrar-se perante uma aventura gótica onde não falta um conde vindo de um país balcânico, um assassino que consegue ver na escuridão, um castelo, espaços lúgubres e uma história de promessas feitas por antepassados. Parece Dampyr, mas não é, é mesmo Tex Willer e verdadeiramente não estamos em presença de um western clássico.


Constantin Florian é um nobre europeu exilado nos Estados Unidos. Decidido a reconstruir um verdadeiro feudo no Arizona, Florian serve-se da ajuda de Vladar, inquietante e perturbadora personagem, que vai semeando a desordem e o caos, para conseguir apoderar-se das terras dos rancheiros locais.

Depois de excelentes trabalhos em séries que ele próprio idealizou como Demian ou Cassidy ou em Dylan Dog, onde se mantém como um dos argumentistas, Ruju tem vindo a assumir em Tex um papel cada vez mais importante e sobretudo apreciado pelos leitores. Desta vez, insere Tex e Carson numa aventura de horror, contrapondo os dois pards a um adversário bem definido e caracterizado. Alto, forte, rápido e certeiro no gatilho, com uma notável capacidade em ver na escuridão, Vladar é um antagonista interessante do ponto de vista da construção da personagem e dos motivos que movem a sua acção, o amor e paixão por uma mulher, afinal algo que o levará à derrota final. Desenvolvendo-se em apenas dois ou três cenários bem precisos e identificados, que até nisso difere algo do habitual na série, a aventura está estruturada de modo quase perfeita, não fosse o final algo repentino, vivendo muito da incerteza e do mistério que vai envolvendo o leitor, envolvido pelo manto do mistério que se vai adensando lentamente ao longo das páginas.


Na sua prolífica carreira, Corrado Roi já forneceu a sua versão de inúmeros heróis da Bonelli Editore, os já referidos Dylan Dog (onde também assina as capas da coleção Granderistampa) e Dampyr, mas também Mister No, Júlia, Nathan Never, Martin Mystère, Mágico Vento ou ainda Brendon, cujas capas também desenhou. Com Tex (curiosamente de quem já tinha realizado uma interpretação pessoal no portfolio I Volti Segreti di Tex, publicado em 1993) chega por assim dizer ao cume, ao topo da extensa lista e, por isso mesmo, esta aventura foi precedida de muita curiosidade e de muita discussão em torno de si.

Esta deambulação entre vários heróis, tão diferentes géneros e ambientes funciona para Roi como uma busca de novos caminhos, explorar ciclicamente outros universos narrativos, uma experiência que serve para o autor nunca cair na rotina. Roi assume esta sua vontade em permanentemente tentar surpreender do ponto de vista criativo, apesar de aqui, com Tex, estarmos em presença de um herói e de um universo imutável ao longo de décadas e fiel a princípios perfeitamente definidos desde o início, o que de certa forma acaba por ser um travão às ambições do autor.

Muito apreciado sobretudo pela notável capacidade em que consegue construir ambientes de uma grande riqueza crepuscular e por um estilo gráfico inconfundível, creio no entanto que semelhantes elogios serão sempre mais justificados no Corrado Roi ilustrador do que propriamente no desenhador. As capas feitas, sobretudo para Dylan Dog, revelam um autor dotado no tratamento das cores escuras e que consegue retratar a contento personagens e ambientes, talento que não sobressai da mesma forma quando chamado a compor cenas sucessivas, onde parece faltar um certo dinamismo e onde algumas personagens se assemelham muito entre si.

Mais à vontade nos ambientes escuros e lúgubres, nem sempre o trabalho do autor assume o mesmo nível e harmonia ao longo das páginas. Por isso, toda a cena final, quando Tex e Carson enfrentam Vladar no escuro, no seu ambiente de eleição, Roi acaba por exaltar mais as suas qualidades. Mas isso não basta para mudarmos a nossa opinião sobre o autor, por mais que isso contradiga muitos. Como afirma o velho Carson, a primeira impressão é sempre aquela que conta e para nós Roi permanecerá sempre mais como um dotado ilustrador do que um artífice de páginas inolvidáveis de pura banda desenhada.

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Workshop e Conferência abrilhantaram a passagem de Pasquale Del Vecchio pela 1ª Mostra do Clube Tex Portugal

Por José Carlos Francisco (texto) e Orlando Santos Silva (fotos e vídeos)

Pasquale Del Vecchio no uso da palavra no Auditório do Museu do Vinho Bairrada

Dois dos pontos mais altos da 1ª Mostra do Clube Tex Portugal foram o Workshop realizado com Pasquale Del Vecchio na tarde de sábado 16 de Agosto, em pleno Auditório do Museu do Vinho Bairrada e que teve a moderação do conceituado jornalista e crítico de banda desenhada João Miguel Lameiras tendo contado ainda com as colaborações de José Carlos Francisco e Gianni Petino, este último no papel de tradutor e a Conferência Tex em Portugal e na Itália ocorrida no domingo dia 17, igualmente no belíssimo e convidativo Auditório e com a magnífica participação de Pasquale Del Vecchio sob moderação de outro grande crítico e jornalista de banda desenhada, o Pedro Cleto e que contou ainda com as participações de Mário João Marques, Carlos Moreira, Hernâni Portovedo, Orlando Santos Silva e José Carlos Francisco auxiliados por Gianni Petino na tradução.

José Carlos Francisco, Pasquale Del Vecchio, João Miguel Lameiras e Gianni Petino no decurso do workshop na 1ª Mostra do Clube Tex Portugal

Foram duas acções muito positivas que engrandeceram esta 1ª Mostra, com diferenças entre si, mas ambas com qualidades e perspectivas muito produtivas sobretudo devido à capacidade e qualidade de Pasquale Del Vecchio, mas também devido à moderação de dois dos mais conceituados experts portugueses no que à nona arte diz respeito e que prestigiaram o evento texiano com a sua presença e participação.

Mário João Marques, Pasquale Del Vecchio, Pedro Cleto, Gianni Petino e Carlos Moreira na Conferência Tex

No conjunto das duas actuações Pasquale Del Vecchio abordou a sua trajectória profissional até chegar a Tex, desde os primórdios da sua meninice onde a banda desenhada já tinha muita importância passando pelos primeiros passos da sua carreira, falando inclusive da sua experiência francesa, realçando as diferenças entre trabalhar para os mercados francês e italiano. A realização da actual história de Tex que Del Vecchio está a desenhar para o Color Tex 2015 também foi, obviamente, muito abordada assim como algumas novidades e ideias para o futuro.

Público aguardando o início do Workshop com Pasquale Del Vecchio

Houve ainda oportunidade para momentos de convívio muito descontraídos entre todos os participantes e a imensa gente presente no auditório durante os dois dias, discussões vivas e o lançamento de várias ideias que podem vir a tomar forma num futuro próximo. A destacar entre o numeroso público, algumas caras conhecidas de anteriores eventos relacionados a Tex ocorridos no nosso país, mas também muitas pessoas novas, que se integraram nas discussões, na partilha de informação e na vontade de lançar novos desafios mútuos. O cômputo final foi muito interessante e estimulante para todos os envolvidos, como se constata através das diversas fotos e dois curtos vídeos que ilustram este texto.

Pasquale Del Vecchio, José Carlos Francisco e Pedro Cleto

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Tertúlias TEXianas na capital da Bairrada tiveram a participação de Pasquale Del Vecchio

Por José Carlos Francisco (texto), Joana Gonçalves e Orlando Santos Silva (fotos)

Mesa da Tertúlia Texiana na Nova Casa dos Leitões recheada de pards com a presença de Pasquale Del Vecchio

Nos três dias da 1ª Mostra do Clube Tex Portugal, mais precisamente nos dias 15, 16 e 17 de Agosto, realizaram-se, no que ao Tex diz respeito, várias Tertúlias Texianas que chegaram a juntar numa única mesa quase 40 pessoas em duas alongadas mesas no restaurante Nova Casa dos Leitões situado no Peneireiro, Mealhada e que se prolongou depois, e sempre com a presença de Pasquale Del Vecchio, madrugada fora em casa de Hernâni Portovedo e mais tarde no PM Bar em Mogofores.


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Mas para além dessa grandiosa tertúlia TEXiana ocorrida na noite de 16 de Agosto, várias outras também com bom número de participantes ocorreram, como foram aquando do jantar no dia 15 de Agosto no restaurante Dom Ferraz nas Vendas da Pedreira, no almoço de sábado 16 em minha casa e no almoço de domingo, 17, no restaurante Pompeu dos Frangos, na Malaposta, este também inserido na programação oficial, todas elas com a participação do consagrado Del Vecchio, Sócio Honorário do Clube Tex Portugal.

Tertúlia Texiana no Pompeu dos Frangos

Foi a primeira vez que um evento oficial português relacionado a Tex teve duas Tertúlias Texianas integrada na própria programação do evento e foi seguramente um motivo mais para atrair alguns fãs e coleccionadores de Tex até Anadia de modo a poderem desfrutar de um maior espaço temporal junto de muitos outros fãs e coleccionadores de Tex, mas sobretudo de Pasquale Del Vecchio, já que o autor italiano tinha confirmado há muito a sua presença em todas as Tertúlias integradas na 1ª Mostra do Clube Tex Portugal.


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Como o próprio nome diz, a Tertúlia é na sua essência uma reunião de amigos com pelo menos um gosto em comum, que se reúnem de forma mais ou menos regular, para discutir vários temas e assuntos, embora em Anadia e por motivos óbvios, tudo se concentrava em redor de Tex e de Pasquale Del Vecchio, daí ser denominada Tertúlia Texiana, já que no fundo todos os presentes eram (são) apaixonados pela personagem Tex Willer.

Tertúlia Texiana em casa de José Carlos Francisco

E foram verdadeiras Tertúlias Texianas na real acepção da palavra, porque no quesito “Tertúlia” para além dos fãs e coleccionadores de Tex, acompanharam-nos em muitos casos as respectivas famílias e no quesito “Texiana” porque todas as conversas iam parar a Tex e também porque nas faustas refeições  não faltaram sequer os famosos bifes de dois dedos de altura cobertos por uma montanha de batatas fritas… mesmo estando na Bairrada onde o leitão assado é rei e senhor à mesa!

Um brinde a Tex

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