Tex Gigante #28 –Os Pioneiros Mauro Boselli (argumento) Andrea Venturi (desenho) Mythos Editora
Brasil, Novembro de 2013
185 x 275 mm, 242 p., pb, brochado
R$ 19,00 / 11,00 €
Se Tex raramente consegue surpreender (verdadeiramente), também raras vezes desilude aqueles que procuram um western consistente e tradicional (no bom sentido). Os Pioneiros, confirma – pela positiva – o que atrás está escrito.
Evocando saudável e competentemente os grandes westerns cinematográficos, em termos de ‘interpretação’, história e, principalmente, grandiosidade de cenários e cenas, Os Pioneiros combina uma história de tráfico de armas com a dura marcha de uma caravana com colonos que seguem para o Oeste em busca de todos os sonhos, levando no seu seio (sem saber) os assaltantes de um banco e o respectivo saque.
Com um prólogo muito bem conseguido em termos de ambiente e de surpresa, a narrativa vai-se desenrolando sempre a bom ritmo, com um bom equilíbrio entre as cenas de acção e outras mais calmas que fazem avançar a trama. Tudo bem condimentado com a necessidade de descobrir um dos traidores que integra a caravana, enigma cuja resolução trará mais (de) um elemento de perturbação.
Bem equilibrada também em termos de distribuição pelas páginas da edição, sem o final abrupto tantas vezes presente em Tex, a história – apesar dos inevitáveis actos de heroísmo (e de invencibilidade?) dos protagonistas – empolga o leitor, o que contribui para lhe conferir um elevado ritmo de leitura.
O desenho de Venturi, realista, detalhado, à vontade no tratamento da figura humana e dos grandes espaços, brilha na composição das cenas, com sucessivas mudanças de ponto de vista – o que ajuda ao ‘tom’ cinematográfico que emana do livro – e complementa bem o argumento de Bosellli. Apenas se lamenta que não tenha tido mais fugas à planificação tradicional, pois mais páginas como as que ilustram este texto seriam uma mais-valia para elevar – mais – a qualidade de Os Pioneiros.
*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro.
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Mosaico de Sergio Bonelli em uma homenagem de G. G. Carsan
Todos os bonellianos do Planeta ainda sentem a falta de Sergio Bonelli, o grande magnata dos quadradinhos italianos de 1950 a 2010 – época de sua produção mais intensa.
Ora! Ele foi o criador de Zagor em 1961 e de Mister No em 1975. Como Guido Nolitta, assinou 60 álbuns de Tex (Caçada Humana, El Muerto, Retorno a Pilares…); assinou 159 álbuns de Zagor; assinou 5 Chico Especial; assinou 130 Mister No. São 38.940 páginas de aventuras.
Como editor, as personagens que ele conviveu foram muitas: Tex, Zagor, Mister No, Martin Mystère, Dylan Dog, Nathan Never, Brendon, Julia, Dampyr, Nick Raider, Jonathan Steele, Legs Weaver, Gea, Magico Vento, Comandante Mark, Gregory Hunter… movimentando uma leva de escritores e desenhadores e toda uma editora com suas 1001 complicações e actividades para levar todo santo dia marcado, as aventuras às bancas, chovesse, nevasse ou fizesse sol.
Missiva de G. G. Carsan a Sergio Bonelli em Setembro de 2006
Sergio conviveu com grandes artistas da pena e do pincel de todo o Mundo. Provou isso ao conseguir levar a cabo a edição de Tex Gigante (Texone), desenhada por grandes desenhadores renomados fora da SBE como Joe Kubert, Colin Wilson, Jordi Bernet, Magnus e Alfonso Font, entre outros.
Mister Guido Nolitta era um viajante e adorava a África e o Brasil. Realizou muitas viagens, conheceu lugares, fez amigos, em suma, divertiu-se enquanto observava atentamente e vivia na pele as aventuras que ia imaginando colocar no papel para os seus leitores, com o maior realismo possível.
Quero agradecer sempre pelos dois editoriais em Tex Nuova Ristampa 207 e 266, que repercutiram a 3ª. Expo-Tex de Jampa e o lançamento do livro Tex no Brasil – o grande herói do faroeste, respectivamente, dando olhos e ouvidos para o que produzi referente ao Tex.
Neste dia 26 de Setembro de 2014, exorto os pards bonellianos a um momento de homenagem ao nosso eterno Serjone, dedicando algum tempo para a leitura de alguma de suas muitas aventuras. Com certeza, ele ficará muito contente em espírito, lá da sua nova morada.
Ao ler e reler essas linhas acima, percebo que é muito pouco o que digo. Sergio era muito mais do que isso. O sorriso amigo, a cumplicidade que se verificava nas conversas (que me contaram), os autógrafos e as palavras amigas, o discernimento com os leitores, o senso de justiça com os colaboradores…
E para nós aqui em baixo, nada de descanso, ok? Vamos à luta! Revistas Bonelli na veia.
Que Sergio Bonelli continue firme ajudando ao Davide na condução da SBE, que tantas aventuras e sonhos nos permitem. Ave Sergio!
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. Não, você não está tendo uma alucinação, caro texmaníaco. Um novo sonho do editor Dorival Vitor Lopes, da Mythos Editora e de muitos fãs de Tex vai realizar-se, isto porque temos uma grande notícia para os fãs de Tex, mas também para os fãs de Super-Heróis, Mangás e BDs (HQs no Brasil) em geral.
Pasquale Del Vecchio e José Carlos Francisco vão reencontrar-se em São Paulo
Vem aí a Brasil Comic Con 2014, que acontecerá nos dias15 e 16 de Novembropróximo. Serão mais de 48.000 m² no espaço de eventos mais moderno de São Paulo, o Centro de Eventos Pro Magno – Rua Prof. Ida Kolb, 513 – Casa Verde – São Paulo – SP.
E é claro que a Mythos Editora não podia ficar de fora desse grandioso evento com um belo stand para receber os seus clientes e fãs, onde estará então presente o magnífico desenhador italiano de Tex PASQUALE DEL VECCHIO, junto com o tradutor Júlio Schneider, o blogueiro português José Carlos Francisco e o editor Dorival Vitor Lopes.
Júlio Schneider e Dorival Vitor Lopes também engrandecerão a Brasil Comic Con 2014 ao lado de Pasquale Del Vecchio
O blogue português do Tex espera a presença de todos os texianos e bonellianos em geral para momentos de verdadeiro êxtase pop cultural, até porque os prezados leitores brasileiros poderão reunir-se para se conhecerem, conversarem, comprar, vender e trocar revistas e – de quebra – conhecer um dos maiores autores do nosso ranger… Pasquale Del Vecchio em carne e osso, para dar autógrafos e tirar fotos com os seus fãs. Del Vecchio que estará então acompanhado nesta sua “cavalgada” ao Brasil, pelo português José Carlos Francisco, o “Zeca”, representante da Mythos Editora em Portugal e que se desloca também da Europa para prestigiar o evento.
A Mythos Editora conta com a presença do maior número possível de texianos e daremos aqui mesmo no blogue do Tex mais informações a respeito nas próximas semanas!
Pasquale Del Vecchio
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Por José Carlos Francisco (texto) e Orlando Santos Silva (fotos e vídeo)
Pasquale Del Vecchio na Malaposta
Dia 15 de Agosto de 2014 foi mais um dia memorável na minha faceta de fã e coleccionador de Tex, porque tive o grande privilégio e a grande alegria de receber na minha modesta casa um dos mais consagrados e admirados autores de Tex: Pasquale Del Vecchio!
Tal aconteceu devido à presença de Pasquale Del Vecchio na 1ª Mostra do Clube Tex Portugal ocorrida na cidade bairradina de Anadia, não muito distante de minha casa e que proporcionou então o motivo para eu poder ter alcançado mais um momento inolvidável no que ao Tex diz respeito, já que Del Vecchio acedeu ao convite que lhe enderecei para conhecer ao vivo o meu “Museu do Tex” e a minha colecção do Ranger podendo eu desfrutar da sua maravilhosa companhia juntamente com a minha família.
Pasquale Del Vecchio que pernoitou inclusive durante quatro noites no QG de Tex em Portugal, como sempre diz o editor Dorival Vítor Lopes, localizado na pequena aldeia da Malaposta, centro de Portugal, cujo nome provém de “Antiga diligência do correio; Carruagem para transporte de pessoas e correio”, um meio de transporte que Tex e seus pards usaram e continuam usando em algumas aventuras, ficou fascinado com a minha majestosa colecção de Tex, onde para além das colecções completas do Ranger oriundas do Brasil e da Itália existem muitas outras edições de mais de 20 países do mundo onde Tex foi editado, bonecos, estatuetas, pins e uma panóplia de outros objectos texianos.
Pasquale e José Carlos vendo exemplares de Tex desenhados por Del Vecchio
Mas sobretudo o que mais impressionou o consagrado autor italiano foi a fantástica galeria texiana onde estão expostos diversos desenhos originais do Tex, inclusive um do próprio Del Vecchio, numa espécie de mini-galeria da Sergio Bonelli Editore por também ela ter todas as suas paredes repletas de originais que ao longo dos anos foram presenteados a Sergio Bonelli, como também comprovaram os grandes pards e amigos Orlando Santos Silva, Álvaro Machado e Gianni Petino.
Vendo desenhos originais de Tex
E por falar em originais, tive também o privilégio de ver Pasquale Del Vecchio fazer em minha casa alguns fantásticos desenhos de Tex, em especial um para mim e outros dois para as minhas filhas, mas o maior prazer mesmo foi poder desfrutar da sua companhia e poder conversar sobre a nossa comum paixão por Tex, isto porque sendo um autor consagrado, Del Vecchio nunca deixou de ser também um grande fã de Tex, até porque o Ranger sempre foi leitura de Pasquale desde tenra idade.
Com Pasquale Del Vecchio na biblioTEX
José Carlos, Del Vecchio e o póster das 400 capas
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E assim se prova uma vez mais que só uma personagem fantástica como o mítico Tex Willer poderia proporcionar momentos maravilhosos e inesquecíveis nos quais algumas pessoas são capazes de vencer milhares de quilómetros somente pelo prazer de estarem juntas e conviverem umas com as outras espontaneamente, vivendo a alegria da confraternização proporcionada por um herói de papel, criado no distante mês de Setembro da década de Quarenta no século passado, mais precisamente em 1948, fruto da mente criativa de Gian Luigi Bonelli e da pena mágica do Mestre Aurelio Galleppini…
Apontando para o Tex original de Del Vecchio devidamente emoldurado
Pasquale Del Vecchio, Orlando Santos Silva e José Carlos na biblioTEX
Álvaro Machado, Del Vecchio e José Carlos
Pasquale Del Vecchio, José Carlos e Gianni Petino com o póster das 400 capas
Gianni Petino, Pasquale Del Vecchio e José Carlos à mesa
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Podia ter sido uma aventura de Dylan Dog ou de Dampyr, mas afinal Tex e Carson são os protagonistas de uma história escrita por Pasquale Ruju, pela primeira vez num Tex Gigante, propositadamente para o traço gótico de Corrado Roi, artista muito apreciado em Itália e um dos pesos pesados da Bonelli Editore, onde já desenhou quase tudo e todas as personagens.
Conhecedor do talento de Roi (com quem já trabalhou em Dylan Dog) para determinados ambientes e atmosferas, Pasquale Ruju escreveu uma aventura fora dos cânones da série, assumindo um risco perfeitamente definido, já que podia ir contra as expectativas dos mais conservadores. Por isso, para quem aguardava por um western clássico com muitos cowboys, tiroteios, xerifes, saloons ou extensas pradarias desiluda-se, porque o leitor vai encontrar-se perante uma aventura gótica onde não falta um conde vindo de um país balcânico, um assassino que consegue ver na escuridão, um castelo, espaços lúgubres e uma história de promessas feitas por antepassados. Parece Dampyr, mas não é, é mesmo Tex Willer e verdadeiramente não estamos em presença de um western clássico.
Constantin Florian é um nobre europeu exilado nos Estados Unidos. Decidido a reconstruir um verdadeiro feudo no Arizona, Florian serve-se da ajuda de Vladar, inquietante e perturbadora personagem, que vai semeando a desordem e o caos, para conseguir apoderar-se das terras dos rancheiros locais.
Depois de excelentes trabalhos em séries que ele próprio idealizou como Demian ou Cassidy ou em Dylan Dog, onde se mantém como um dos argumentistas, Ruju tem vindo a assumir em Tex um papel cada vez mais importante e sobretudo apreciado pelos leitores. Desta vez, insere Tex e Carson numa aventura de horror, contrapondo os dois pards a um adversário bem definido e caracterizado. Alto, forte, rápido e certeiro no gatilho, com uma notável capacidade em ver na escuridão, Vladar é um antagonista interessante do ponto de vista da construção da personagem e dos motivos que movem a sua acção, o amor e paixão por uma mulher, afinal algo que o levará à derrota final. Desenvolvendo-se em apenas dois ou três cenários bem precisos e identificados, que até nisso difere algo do habitual na série, a aventura está estruturada de modo quase perfeita, não fosse o final algo repentino, vivendo muito da incerteza e do mistério que vai envolvendo o leitor, envolvido pelo manto do mistério que se vai adensando lentamente ao longo das páginas.
Na sua prolífica carreira, Corrado Roi já forneceu a sua versão de inúmeros heróis da Bonelli Editore, os já referidos Dylan Dog (onde também assina as capas da coleção Granderistampa) e Dampyr, mas também Mister No, Júlia, Nathan Never, Martin Mystère, Mágico Vento ou ainda Brendon, cujas capas também desenhou. Com Tex (curiosamente de quem já tinha realizado uma interpretação pessoal no portfolio I Volti Segreti di Tex, publicado em 1993) chega por assim dizer ao cume, ao topo da extensa lista e, por isso mesmo, esta aventura foi precedida de muita curiosidade e de muita discussão em torno de si.
Esta deambulação entre vários heróis, tão diferentes géneros e ambientes funciona para Roi como uma busca de novos caminhos, explorar ciclicamente outros universos narrativos, uma experiência que serve para o autor nunca cair na rotina. Roi assume esta sua vontade em permanentemente tentar surpreender do ponto de vista criativo, apesar de aqui, com Tex, estarmos em presença de um herói e de um universo imutável ao longo de décadas e fiel a princípios perfeitamente definidos desde o início, o que de certa forma acaba por ser um travão às ambições do autor.
Muito apreciado sobretudo pela notável capacidade em que consegue construir ambientes de uma grande riqueza crepuscular e por um estilo gráfico inconfundível, creio no entanto que semelhantes elogios serão sempre mais justificados no Corrado Roi ilustrador do que propriamente no desenhador. As capas feitas, sobretudo para Dylan Dog, revelam um autor dotado no tratamento das cores escuras e que consegue retratar a contento personagens e ambientes, talento que não sobressai da mesma forma quando chamado a compor cenas sucessivas, onde parece faltar um certo dinamismo e onde algumas personagens se assemelham muito entre si.
Mais à vontade nos ambientes escuros e lúgubres, nem sempre o trabalho do autor assume o mesmo nível e harmonia ao longo das páginas. Por isso, toda a cena final, quando Tex e Carson enfrentam Vladar no escuro, no seu ambiente de eleição, Roi acaba por exaltar mais as suas qualidades. Mas isso não basta para mudarmos a nossa opinião sobre o autor, por mais que isso contradiga muitos. Como afirma o velho Carson, a primeira impressão é sempre aquela que conta e para nós Roi permanecerá sempre mais como um dotado ilustrador do que um artífice de páginas inolvidáveis de pura banda desenhada.
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