No próximo mês de Março, mais precisamente no dia 7, a Sergio Bonelli Editore irá publicar a edição número 653 de Tex, intitulada “Feticci di morte” que contém a última parte da história “Luna insanguinata“, escrita por Mauro Boselli e desenhada por Corrado Mastantuono.
A capa, tal como todas posteriores ao número 400, é da autoria do conceituado desenhador Claudio Villa, capa essa que divulgamos hoje aqui no blogue do Tex acompanhada da capa original pintada pelo próprio Claudio Villa, assim como mostramos também o respectivo esboço, tal como temos feito com alguma regularidade devido à gentil cortesia de Villa que nos tem dado a conhecer nos últimos tempos as suas cores originais das capas que vai produzindo para Tex.
Esboço da capa de Tex nº 653
Nestas capas e cores que temos dado a conhecer com alguma regularidade aos nossos leitores aqui mesmo no blogue português do Tex elas têm gerado um grande número de comentários e na esmagadora maioria dos casos é considerada pelos fãs e coleccionadores do Ranger como sendo infinitamente superior a colorização original do Maestro italiano em relação à colorização digital realizada na Sergio Bonelli Editore, mas com relação a esta capa divulgada hoje (Tex nº 653), qual a sua opinião, caro leitor?
A capa de Tex nº 653 com as cores originais
A capa de Tex nº 653
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Inicialmente de periodicidade anual, o Color Tex passou entretanto a semestral, alternando números com aventuras de 160 páginas, desenhadas geralmente por um autor do staff texiano, com outros números onde se publicam 4 pequenas histórias de 32 páginas cada, desenhadas por autores externos à equipa regular. Também o papel e a colorização são diferentes, já que as aventuras mais longas são publicadas no papel habitualmente utilizado pela Editora e com uma colorização mais uniforme, elementar e conservadora, alternando com números onde a colorização é mais viva e moderna e a impressão é feita em papel branco, brilhante e liso.
A verdade é que a Sergio Bonelli Editore parece ter aqui um desafio, a de não efectuar uma transição radical do preto e branco para a cor numa série com décadas, sem ferir os mais puristas e, em bom rigor, sem ir contra um dos fundamentos da série que, desde sempre, viu o preto e branco como uma das suas imagens de marca. A Editora já vinha publicando aventuras a cores em cada número centenário, mas foi com o estrondoso sucesso da publicação da colecção Tex Repubblica que algo começou a mudar. No fundo, há que atender aos novos tempos, a imperativos de mercado e aos novos desejos dos leitores. A editora tem vindo a fazer um esforço no sentido de se sintonizar com os novos tempos, pelo que esta alternância na colorização que tem vindo a ser feita entre os números do Color Tex parece ser uma boa estratégia, acabando por servir como um laboratório para a própria editora, permitindo-lhe assim colher a opinião dos leitores.
Feita esta breve introdução, foquemo-nos na aventura propriamente dita e que marca o regresso do grande Fabio Civitelli à série depois de “A Cavalgada do Morto”, aventura também escrita por Mauro Boselli. Resumidamente, Tex e os seus pards encontram-se a investigar o assassinato de um ranger o que os leva a embarcar no barco mais elegante e imponente de todo o Mississipi, o Delta Queen. Assim se inicia uma viagem fluvial onde quase todos parecem esconder as suas verdadeiras identidades e o perigo espreita por todo o lado. Realce para o facto do próprio Delta Queen realmente existir, um barco que navega nas águas do Mississipi desde 1927 e que parece ter servido de inspiração para a aventura de Boselli.
Ao contrário do que é habitual, desta vez Boselli opta por construir um argumento cuja acção se desenrola quase toda no mesmo cenário, o Delta Queen, assim como a lista de personagens intervenientes não é tão extensa como é apanágio no autor. Isso não invalida que Boselli consiga apresentar uma aventura perfeitamente gerida, mostrando mais uma vez a sua maturidade no domínio da planificação, o que lhe permite gerir com mestria os tempos da acção. Circunscrito a um ambiente perfeitamente definido, todos os elementos clássicos do género acabam por estar presentes, um bando de ladrões, mesas de jogo, saloon, tiroteios, mas sempre com o Delta Queen e as águas do Mississipi (elemento fluvial particularmente interessante) como pano de fundo e local privilegiado da acção.
Realce para o final, quando Tex promove, a bem dizer, Lucas (uma homenagem ao actor Paul Hogan e à sua personagem Crocodile Dundee) e Rick ao papel de proprietários do Delta Queen, renunciando entregá-los à justiça. Ambos tiveram episódios duvidosos no seu passado e de certa forma encontram-se em débito perante a lei. Com as suas acções presentes, Lucas e Rick acabam por ser resgatados desse passado, a que não é alheio o papel do Tex verdadeiramente bonelliano que Boselli aqui nos apresenta. Tex sempre teve uma interpretação muito própria da lei, o que, não raras vezes, o colocou contra juízes, tribunais e poderes instituídos, contra muitos homens que corruptamente não faziam cumprir a justiça, colocando-se sempre em defesa da honra e dos mais fracos. Depois da intervenção que Lucas e Rick tiveram e na ajuda prestada na investigação do homicídio, para Tex não haverá tribunal nem juiz que possa levar isso em linha de conta, pelo que mais do que a força das leis, importará mais a força da honra.
Civitelli regressa em força, o que não nos surpreende, uma vez que pelo seu profissionalismo, a sua permanente vontade em explorar novos caminhos e experimentar novas fronteiras gráficas, o resultado final será sempre de enormíssima qualidade. O desenhador aretino é desde há anos um dos valores seguros e firmes do desenho italiano e um verdadeiro embaixador da série. O seu desenho de elevada qualidade, o seu traço realista, elegante, o tratamento de ambientes tudo aqui é insuperável, mesmo levando em linha de conta o facto de Civitelli não ter utilizado com tanta frequência o seu célebre pontilhismo, adoptando fundos mais ligeiros e menos elaborados, devido à necessidade de posterior colorização.
Uma última palavra para a excelente capa de Villa, uma verdadeira pintura de um Tex em primeiro plano, actuante, perfeitamente enquadrado perante as águas do Mississipi iluminadas pelo luar e onde navega um luxuoso Delta Queen.
O Clube Tex de Portugal, criado em 10 de Agosto de 2013, por ocasião do 18º Salão Internacional de Banda Desenhada de Viseu, vai levar a efeito, como já foi divulgado aqui mesmo no blogue do Tex, nos dias 9 e 10 de Maio, no Museu do Vinho Bairrada, em Anadia, a sua 2ª Mostra, que contará com a presença dos consagrados desenhadores italianos Pasquale Frisenda e Stefano Biglia.
A Mostra fará a antestreia mundial da história de Tex que Stefano Biglia está a desenhar reunindo cerca de uma dezena de pranchas, seleccionadas pelo próprio autor, expondo também cerca de uma dúzia de pranchas de Pasquale Frisenda, com especial ênfase para “Patagónia“, uma das mais épicas histórias de Tex, que pretendem dar aos visitantes da segunda Mostra do Clube Tex Portugal, uma visão geral acerca da grande qualidade destes consagrados autores italianos.
2ª Mostra do Clube Tex Portugal noticiada n’As leituras do Pedro
Mas teremos também em exposição verdadeiros itens de coleccionador, tais como livros temáticos, revistas de diversos países onde Tex é e/ou foi publicado, estátuas, estatuetas, selos, pins, puzzles, filmes, desenhos animados, postais, porta-chaves e tantos outros itens, como por exemplo um maço de cigarros “pirata” de Tex ou o diário de Tex, para dar mais brilho e cor a esta 2ª Mostra do Clube Tex Portugal, mostra esta que inquestionavelmente está já a gerar repercussões nos sites e blogues portugueses como se comprova pelos destaques dados nos blogues “As leituras do Pedro” e “A calopsia”, tal como já o tinha feito o Universo da Banda Desenhada.
2ª Mostra do Clube Tex Portugal noticiada n’A calopsia
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