As DUAS ilustrações para a capa do Tex Gigante “Tempesta su Galveston”, da autoria de Massimo Rotundo

Por José Carlos Francisco

É já neste próximo sábado, dia 20 de Junho, que a Sergio Bonelli Editore publica, na Itália, o 30 º volume “Speciale Tex“, popularmente apelidado de “Texone” ou mais concretamente na nossa língua “Tex Gigante“, volume esse magistralmente desenhado pelo conceituado desenhador italiano Massimo Rotundo, baseado num roteiro de Pasquale Ruju!

Capa do Speciale Tex nº 30, da autoria de Massimo Rotundo

Como é tradição desta série italiana a capa de cada volume é da responsabilidade do próprio desenhador e não de Claudio Villa, o habitual capista da série Tex e mais uma vez a tradiçao manteve-se e “Tempesta su Galveston” (“Tempestade sobre Galveston“) tem uma capa realizada por Massimo Rotundo, desenhador da aventura contida no volume, capa essa que damos hoje a conhecer no blogue do Tex.

Arte da capa do Texone de Massimo Rotundo

E como é por vezes normal, o desenhador não fez apenas uma ilustração para a capa, mas fez antes duas para depois poder optar, juntamente com Mauro Boselli, o editor de Tex, qual a mais apropriada para ser a capa eleita e o blogue do Tex tem o privilégio de poder mostrar também hoje a arte “recusada” para que os nossos leitores possam aquilatar da justiça da decisão e quiçá dizer de sua justiça sobre esta “escolha”.

Arte descartada de Massimo Rotundo para a capa do seu iminente Tex Gigante

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Um dia inesquecível (em Lisboa) com Stefano Biglia e Valeria Lantermino

Por Mário João Marques

Há dias assim, agradáveis, inesquecíveis e que nos marcam. Tive a oportunidade de passar todo o dia 11 de Maio de 2015 com Stefano Biglia e Valeria Lantermino, depois do convite por mim endereçado para que pudessem visitar Lisboa e arredores, aproveitando a sua vinda à 2ª Mostra da Anadia, o que foi prontamente aceite pelo simpatiquíssimo casal.

Stefano Biglia e Valeria Lantermino no exterior do Café A Brasileira, sentados ao lado da estátua de Fernando Pessoa

De manhã o destino foi Cascais e Sintra, com passagem obrigatória pelo Cabo da Roca. Percorremos toda a Estrada Marginal, via rodoviária inaugurada no já longínquo ano de 1940, cuja rara beleza a mantém como uma das mais bonitas do país. Desde Lisboa até Cascais, observamos a beleza das praias, o rio Tejo a confluir para o Atlântico, os barcos, os corredores, os ciclistas, os surfistas ou ainda as inúmeras esplanadas onde muitos se sentam, quanto mais não seja para apreciar e desfrutar de todo este ambiente e dinâmica.

Mário João Marques e Stefano Biglia

Passamos por Cascais e paramos na zona da praia do Guincho, a qual, por ser muito ventosa, dispõe de condições privilegiadas para a prática do surf, kitesurf e windsurf, ao mesmo tempo que permanece como local de eleição para testemunhar a imensidão e a força do mar. Subindo pela serra em direcção a Sintra, um pequeno desvio para visitarmos o Cabo da Roca, o ponto mais ocidental de toda a Europa continental e que Luis Vaz de Camões tão bem descreveu nos Lusíadas como o local “onde a terra se acaba e o mar começa”.

Stefano Biglia e Valeria Lantermino no cabo da Roca

Antes do almoço, tempo ainda para dar uma saltada, mesmo que muita ligeira, à vila de Sintra, considerada Património da Humanidade pela Unesco e onde podemos encontrar testemunhos de quase todas as épocas da História Portuguesa: palácios, palacetes, parques, casas senhoriais, bosques, exuberante vegetação, troços amuralhados, conventos, igrejas, capelas, ermidas ou mesmo vestígios arqueológicos com origens muitas vezes milenárias. Não se estranha que a Vila de Sintra tenha cativado todos os que já tiveram a oportunidade de a visitar pelo seu charme e romantismo e seja um local de visita obrigatória.

Mário João Marques e Valeria Lantermino, com o estuário do Tejo por cenário

Antes de Lisboa e porque a fome apertava, encontro marcado no Cacém, onde o Carlos Moreira e a Teresa Moreira nos aguardavam para um belo repasto, decorrido em ambiente calmo e com conversa sempre muito agradável.

Stefano Biglia e Mário João Marques junto do Padrão dos Descobrimentos

Após o almoço e já em Lisboa, Stefano e Valeria tiveram oportunidade de visitar a zona de Belém, um dos locais mais turísticos e carismáticos da cidade, que reúne monumentos como a Torre de Belém, o Padrão dos Descobrimentos (que o casal teve oportunidade de subir), o Mosteiro dos Jerónimos ou o moderno Centro Cultural de Belém. Para além disso, Belém tem outra paragem obrigatória: a famosa casa dos Pastéis de Belém, local de eleição para saborear uma das mais conhecidas e apreciadas especialidades da doçaria portuguesa, o famoso pastel de nata. Embora se possa saborear e seja presença obrigatória em qualquer café ou pastelaria, a receita original é um segredo exclusivo da Fábrica dos Pastéis de Belém, o que aguça ainda mais o apetite.

Pastéis de Belém, paragem obrigatória para Stefano e Valeria

Refeitos da iguaria, rumámos em direcção à Baixa Pombalina, verdadeiro centro histórico da cidade de Lisboa e que foi edificado pelo Marquês de Pombal após o terrível terramoto de 1755. Aqui podem-se encontrar inúmeros testemunhos históricos, mas o tempo não permitiu mais do que rápidas passagens pelo Convento do Carmo, toda a zona do Chiado (um dos locais mais emblemáticos e tradicionais), a Rua Augusta e o seu arco (conhecido também como Arco do Triunfo da Rua Augusta), a Praça do Comércio, mais conhecida por Terreiro do Paço, uma das maiores praças da Europa, até chegarmos ao Cais das Colunas, outrora a entrada nobre da cidade e onde desembarcaram chefes de estado e outras figuras importantes.

Mário João Marques e Valeria Lantermino conversando com o rio Tejo ao fundo

O final deste maravilhoso dia decorreu na zona mais moderna da cidade de Lisboa, o Parque das Nações, na zona oriental da cidade e onde em 1998 foi organizada a Exposição Mundial. Desta vez já acompanhado pela minha família e com o cenário de fundo de uma magnífica ponte sobre o rio Tejo iluminada, oportunidade para degustar uns belos bifes com molho de ostras, regados com umas saborosas cervejas de malte, fabrico próprio de um conhecido restaurante da zona.

Stefano Biglia e Valeria Lantermino junto à costa portuguesa

Apesar do natural cansaço dos dois dias anteriores, intensos de actividade e convívio em Anadia, sobretudo o Stefano que nunca renegou os texianos com excelentes desenhos e dedicatórias, a verdade é que o prazer das horas vividas nesta segunda-feira estava estampado no rosto de cada um. E tudo porque existe uma personagem chamada Tex Willer, capaz de criar laços de amizade em cada um de nós.

Obrigado Stefano e Valeria!

Mário João Marques, Stefano Biglia e o rio Tejo!

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Pelo segundo ano CONSECUTIVO, TEX e Mythos Editora NOMEADOS para os prestigiados TROFÉUS CENTRAL COMICS na prestigiada categoria MELHOR EDIÇÃO PERIÓDICA em Portugal

Já está a decorrer a votação para os prestigiados TROFÉUS CENTRAL COMICS, evento de iniciativa privada, que tem sabido adaptar-se às mudanças ao longo dos anos e que entram na XIII edição e como sempre incidem sob as melhores obras, profissionais e amadoras, e autores publicados em Portugal no ano transacto, que, com a intervenção de um júri composto por personalidades de reconhecido mérito no mercado português de banda desenhada, apresenta aos leitores e profissionais do sector um leque de categorias onde as preferências e votos da maioria determinam os vencedores.

Promovido pelo portal Central Comics, este ano os jurados foram: Pedro Vieira Moura (crítico em LerBD, pedagogo, escritor e promotor de eventos), Nuno Pereira Sousa (crítico em BandaDesenhadas e promotor do programa Bandas), Carlos Cunha (jornalista, crítico e director e coordenador editorial da Juvebêdê), Paulo Monteiro (autor de BD, ilustrador, director da Bedeteca de Beja e Festival Internacional BD de Beja,  Nuno Neves (Blogger do Notas Bedéfilas), e João Machado (elemento do colectivo Clube do Inferno e escreve sobre BD nos sites Mashnotes e Clube de Leitura Gráfica), para além de Hugo Jesus, administrador do portal Central Comics.

Cartaz Troféus Central Comics 2015

Há a salientar a continuação de uma nova categoria iniciada o ano passado  dedicada às edições periódicas, sendo que desde 2013 tem sido notável um aumento da aposta neste formato, de novo tornando as edições em papelarias e bancas um meio de acesso do público à BD.

E é precisamente nesta categoria “Melhor Publicação Periódica” que podemos constatar que pelo segundo ano consecutivo em Portugal, TEX, com o selo da Mythos Editora, é um dos CINCO nomeados para vencer o prestigioso galardão, tendo o Ranger italiano uma forte concorrência, já que disputa o respectivo Troféu com as revistas Disney Big (Goody), Disney Especial (Goody), Simpsons Comics (Goody) e Mônica (Panini/MSP).

Esta categoria (“Melhor Publicação Periódica“) engloba obras com lançamentos periódicos (formato revista, jornal, prestige, álbum) editada em/para Portugal no ano transacto, em língua portuguesa (CPLP) e/ou bilíngue, por editor profissional ou amador, e distribuição nacional em bancas.

O blogue português do Tex e o Clube Tex Portugal, único Clube em Portugal dedicado exclusivamente a um herói da BD, e o primeiro Clube oficial de Tex no mundo, apelam a todos os fãs e coleccionadores portugueses do Tex que participem nesta nobre e importante iniciativa, votando no Ranger de Bonelli e Galep caso considerem ser merecedor do Troféu.

Este ano o período de votação decorre até 15 de Julho de 2015 e a cerimónia de entrega dos prémios está marcada para dia 1 de Agosto, durante o evento Central Comics Fest 2015, a ter lugar na Casa das Artes, Porto.

Para votar (só são aceites votos de leitores portugueses e/ou oriundos dos PALOP – Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa -, ou estrangeiros residentes em Portugal), NÃO É PRECISO QUALQUER REGISTO, só seguir as seguintes regras:
1) No Boletim de Voto, escolher apenas um (1) candidato por categoria;
2) Votar no mínimo em cinco (5) categorias das dez (10) existentes;
3) Votar só uma (1) vez no XIII TCC, sendo a sua participação anulada doutra forma;
4) Preencher os campos de identificação obrigatórios para validar a participação*.

LISTA GERAL DOS NOMEADOS:

1. Melhor Publicação Nacional (TCCN)
A Batalha: 14 de Agosto de 1385, de Pedro Massano (Gradiva)
O Andar de Cima, de Francisco Sousa Lobo (Chili com Carne)
O Livro dos Dias, de Diniz Conefrey (Pianola Editores/Quarto de Jade)
Pontas Soltas – Lisboa, de Ricardo Cabral (Asa)
Zombie, de Marco Mendes (Mundo Fantasma)

2. Melhor Publicação Estrangeira (TCCE)
As Serpentes de Água, de Tony Sandoval (Kingpin Books)
Cachalote, de Daniel Galera e Rafael Coutinho (Polvo)
Habibi, de Craig Thompson (Devir)
Logicomix: Uma Busca Épica da Verdade, de Apostolos Doxiadis, Christos Papadimitriou, Alecos Papadatos e Annie Di Donna (Gradiva)
Papá em África, de Anton Kannemeyer (MMMNNNRRRG)

3. Melhor Publicação Clássica (TCCC)
Maus, de Art Spiegelman (Bertrand)
Na Cozinha da Noite, de Maurice Sendak (Kalandraka)
Toda a Mafalda – Edição comemorativa dos 50 anos, de Quino (Verbo)
Universo Marvel: Marvels, de Kurt Busiek e Alex Ross (Levoir)
X-Men: Dias de um Futuro Esquecido, de Chris Claremont e John Byrne (Levoir)

4. Melhor Publicação Humor (TCCH)
Big Nate – Vamos a isso, de Lincoln Peirce (Arte Plural)
Há Piores 3 – Até ao Âmago!, de Geral e Derradé (Polvo)
Pizza Man, de Tomás & Vasco e Afonso Ferreira (El Pep)
Psicopatos – Entre loucos, que tem juízo é pato, de Miguel Montenegro (ISPA)

Tiras do Baralho, de André Oliveira e Pedro Carvalho (El Pep)

5. Melhor Publicação Periódica (TCCP)
Disney Big (Goody)
Disney Especial (Goody)
Simpsons Comics (Goody)
Tex (Mythos)
Mônica (Panini / MSP)

6. Melhor Publicação Independente (TCCI)
Efeméride #6 Herois de BD no Século XXI Parte 2, de Vários (ed: Geraldes Lino)
Living Will (2014), de André Oliveira e Joana Afonso (Ave Rara)
Preto no Branco 4, de Vários (Façam Fanzines e Cuspam Martelos)
Que luz estarias a ler?, de Ana Biscaia e João Pedro Mésseder (Xerife Edições)
The Abolition of Work 2, de Bruno Borges (Oficina Arara)

7. Melhor Argumento Nacional (TCCArg)
André Pereira (Safe Place)
David Soares (Sepulturas dos Pais)
Diniz Conefrey (O Livro dos Dias)
Francisco Sousa Lobo (O Andar de Cima)
Pedro Massano (A Batalha: 14 de Agosto de 1385)

8. Melhor Publicação Relacionada (TCCR)
25 Anos AmadoraBD
On Being Negative
Portuguese Small Press Yearbook 2014
Quadradinhos: Sguardi sul fumetto portoghese / Looks on Portuguese Comics
Splaft! #10

9. Melhor Arte (TCCArt)
André Coelho (Sepulturas dos Pais)
André Pereira (Safe Place)
Diniz Conefrey (O Livro dos Dias)
Marco Mendes (Zombie)
Ricardo Cabral (Pontas Soltas – Lisboa)

10. Melhor Obra Curta (TCCO)
“Eschaton 3000” (André Pereira, in QCDA #1000)
“Berlim” (Tiago Baptista, in Zona de Desconforto)
“The Green Pool” (Francisco Sousa Lobo, in Crumbs)
“The Boar-Man is Getting Married: or Leng Tch’e” (David Soares e Pedro Serpa, in Crumbs)
“No sto bene” (Rudolfo, in Quadradinhos: Sguardi sul fumetto portoghese / Looks on Portuguese Comics)

A cerimónia de entrega dos prémios está marcada para dia 1 de Agosto de 2015, durante o evento Central Comics Fest 2015, a ter lugar na Casa das Artes, Porto.

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Entrevista exclusiva: MICHELE RUBINI

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco, com a colaboração de Giampiero Belardinelli na formulação das perguntas, de Júlio Schneider (tradutor de Tex para o Brasil) e de Gianni Petino na tradução e revisão e de Bira Dantas na caricatura.

Caro Michele Rubini, bem-vindo ao blogue português de Tex! Para começar, fale um pouco de si, da sua infância e, se nesse período, você já gostava de desenhar.
Michele Rubini: Olá a todos e obrigado pela entrevista. Não penso muito na minha infância, mas posso dizer que foi muito tranquila. O desenho sempre foi um companheiro de folguedos presente e exigente: quase sempre eu ficava em casa com o nariz sobre a folha de papel, enquanto os meus amigos brincavam com bola. Eu gostava de desenhar, talvez porque desenhava bem. E porque desenhava melhor do que jogava futebol. Eu passava dias inteiros a reproduzir pinturas do Renascimento. Eu recordo-me que uma vez, no ensino médio, copiei inteiro o Juízo Universal de Michelangelo. Todas as figuras. Claro que a qualidade era aquela que se pode imaginar, e o tempo que demorou, assim como o modelo, foi bíblico, mas eu me diverti bastante.

Quais foram as suas experiências profissionais, antes de entrar para a Bonelli?
Michele Rubini: Eu fiz poucos trabalhos antes de Zagor. Fui aluno de Stefano Andreucci, que vocês conhecem bem, e, durante o último período do meu aprendizado, tive a oportunidade de colaborar em algumas fases de seu trabalho: eu fazia o layout das páginas a desenhar e ele às vezes usava alguns como estudo para os seus quadradinhos. Para mim foi uma experiência muito importante porque eu pude trabalhar com roteiros de autores como Boselli, Colombo e Mignacco, e aprendi muito como se conta uma história aos quadradinhos por meio dos conselhos e, com muita frequência, dos solenes e merecidos puxões de orelha de Stefano. Em seguida eu tive o meu primeiro e único trabalho publicado, antes da minha experiência com a Bonelli: Luigi Mignacco buscava um jovem desenhador para realizar uma história curta de Robinson Hart para o fanzine Cronaca di Topolinia; eu já havia mandado as páginas de teste para Zagor, ele viu e apresentou-me o convite para desenhar a história. Claro que eu aceitei e daí nasceu o meu primeiro trabalho. Os desenhos eram incertos mas o roteiro e a capa de Fabrizio Russo eram de altíssimo nível.


O que é para si a BD, como linguagem e como experiência profissional?
Michele Rubini:
Pergunta difícil porque tem muitas respostas. Se falamos de linguagem, a BD é um meio extremamente económico e versátil para contar uma história. A fazer um paralelo com o cinema, deve-se imaginar que, com uma equipa de uma ou duas pessoas, pode-se realizar uma série de histórias que vai de uma trama teatral em que poucas pessoas interagem em uma sala – como em Carnage de Polanski, por exemplo – até um kolossal com a presença de dezenas de personagens, milhares de figurantes e infinitos cenários. Além disso, pode-se escolher os actores, os veículos, os trajes que desejar, e posicionar câmaras e luzes sem limites físicos ou de orçamento. Em teoria, a liberdade criativa é infinita. Sempre a ter em conta que se deve ir ao encontro dos gostos do público, mas essa é uma situação que em que se veem todos os que trabalham com meios de expressão.
Do ponto de vista da minha experiência profissional, posso dizer que a BD não é só um trabalho. Confesso que em alguns momentos eu penso que é o que me mantém afastado da minha família praticamente o dia inteiro. Em outros momentos, eu penso que é o que me permite ver, a cada dia, outros lugares e outras épocas, mesmo sem sair do meu estúdio. Às vezes eu reflicto sobre o facto de que este trabalho faz-me ver as coisas de modo diferente das outras pessoas: quando falo com alguém, muitas vezes também estudo as expressões do interlocutor, o formato dos cabelos ou as dobras da camisa. Já é uma mania irreversível. Mas na maioria das vezes eu penso que a BD é o que me permite ir ao trabalho todos os dias com um sorriso, a pensar que passo todo o tempo a fazer o que me agrada.


Você é um desenhador ainda jovem, e quando criança pensava em ser um profissional do mundo dos quadradinhos?
Michele Rubini:
Quando criança, não. Eu comecei a pensar que a BD pudesse se tornar uma profissão quando tinha 17-18 anos. Na época eu frequentava o Liceu Científico e, como todos os meus colegas, pensava na faculdade que escolheria. O meu objectivo era conciliar os estudos universitários com a minha paixão pelo desenho, mas isso era quase impossível. Foi um programa de televisão que, ao mostrar a existência de muitas escolas de banda desenhada em Roma, fez-me pensar que aquele poderia ser um percurso justo para mim. Depois eu encontrei Stefano Andreucci, que ensinou-me a desenhar e depois a contar uma história em quadradinhos, e o programa de estudos transformou-se numa sólida e dedicada formação que levou-me a ser um desenhador profissional.


Como foi que você entrou em contacto com a Sergio Bonelli Editore?
Michele Rubini: Para responder a essa pergunta, mais uma vez eu devo falar do meu aprendizado com Stefano Andreucci: era 1996 e, durante um dos nossos primeiros encontros, ele disse-me que, quando eu estivesse pronto, me ajudaria a apresentar o meu trabalho na Sergio Bonelli Editore. Até hoje eu não entendi como ele poderia saber se um dia eu estaria pronto, mas em 2002, depois de anos de trabalho difícil, eu pus na cabeça que era hora de começar a trabalhar de forma autónoma e, depois de duas tentativas com editores menores, que não deram em nada, decidimos tentar com a Bonelli: sob a supervisão de Stefano, eu preparei algumas páginas de teste para Zagor, e ele ligou para Mauro Boselli, para perguntar se gostaria de ver o trabalho de um aluno seu. Mauro viu, gostou e, depois de um ano, quando surgiu a possibilidade de um trabalho, ele mandou-me as primeiras dez páginas de texto de Askenay, o Homem Sem Passado (Zagor Extra n° 7, Mythos Editora). Foi um teste duro mas os desenhos foram aprovados e eu recebi o restante do roteiro (escrito por Cuna, Colombo e Cajelli). A minha primeira história de Zagor…


E quantas vezes você encontrou Sergio Bonelli pessoalmente?
Michele Rubini:
Na verdade, eu só encontrei Sergio Bonelli três vezes, e em todas elas praticamente só houve um aperto de mãos. Eu lamento muito: é difícil pensar que se deve tanto a um homem sem jamais ter tido a oportunidade – por timidez ou pelas circunstâncias – de lhe dizer isso.

Stefano Andreucci foi, sem dúvida, uma referência importante para você. Quais conselhos ele lhe deu?
Michele Rubini: Como já deu para ver pelas respostas anteriores, Stefano não foi uma referência apenas importante, mas fundamental. Eu tenho plena convicção de que, sem os seus ensinamentos, eu jamais conseguiria fazer este trabalho. Ele pegou um garoto de 18 anos que lhe mostrou alguns desenhos feitos numa agenda escolar (foi o que eu lhe mostrei quando nos encontramos pela primeira vez) e o transformou em um profissional. Sem pedir nada em troca. O trabalho foi longo e duro para ambos, mas Stefano percebeu qual era o método certo para ensinar-me a desenhar e a contar histórias, quais autores eu deveria estudar, e até me apoiou quando, num momento de desconforto, eu havia decidido abandonar a ideia de tornar-me um desenhador. A verdade é que eu tenho para com Stefano uma dívida que jamais poderá ser paga.

Hoje o seu estilo está cada vez mais pessoal. Quais são os artistas, além de Andreucci, aos quais você olha com mais frequência e de quem tenta captar os truques do ofício?
Michele Rubini:
São muitos. Vou citar apenas os que, por vários motivos, influenciaram de forma significativa o meu modo de desenhar quadradinhos: Giampiero Casertano, Barry Windsor Smith, Domingo Mandrafina, Jordi Bernet, Hermann Huppen, Giovanni Ticci, Claudio Villa, Frank Quitely, P. Craig Russell, Dino Battaglia, Sergio Toppi, Hal Foster, Mike Mignola, Majo, Corrado Mastantuono, Stuart Immonen e Adam Hughes.


Ainda sobre a sua estreia com Zagor, quais foram as dificuldades ao trabalhar com a personagem?
Michele Rubini:
Como eu disse, a minha actividade profissional começou com Zagor, e essa foi a primeira dificuldade, porque ter pouca experiência de trabalho e começar directo com uma personagem tão amada e com uma vida editorial tão longa não é fácil. Além disso, para qualquer desenhador que actua com o Espírito da Machadinha, há a necessidade de se aproximar o mais possível do trabalho do mestre Ferri e, para mim, isso foi complicado.


Você teve alguma dificuldade com Chico, vistas as características da personagem (o modo de se mover, o físico peculiar, a máscara facial)?
Michele Rubini: Como aconteceu com Zagor, encontrei algumas dificuldades ao fazer um Chico o mais próximo possível daquele de Gallieno Ferri. A síntese gráfica do mestre é extraordinária mas difícil de integrar ao modo de desenhar que eu pensava em seguir, e os leitores – muito justamente ligados àquela imagem de Chico e de Zagor – apontam os erros.

Depois da sua estreia no Almanaque de Zagor, você recebeu de Moreno Burattini um roteiro longo e complexo (A Expedição Boswell, Zagor n° 127, Mythos Editora). Como foi o trabalho de preparação, e quanto tempo você levou para desenhar a aventura?
Michele Rubini:
Eu levei pouco mais de três anos para fazer aquela história. A preparação foi parecida com a que usei para o Almanaque: eu procurei material fotográfico sobre os cavalos e os carroções, para juntar ao que Moreno me havia fornecido, e também muito material sobre as montanhas. Depois eu fiz os estudos das personagens principais e, aprovados, comecei a desenhar.


Naquela história as montanhas tiveram um papel que não era somente acessório, e a presença delas foi tão importante quanto a das personagens de carne e osso. Você sentiu essa importância durante a realização?
Michele Rubini:
A montanha é a protagonista silenciosa da história. Com seus glaciares, suas fendas e abismos, além das dificuldades na escalada, ela contribuiu para intensificar e, em alguns casos, para determinar as controvérsias entre as personagens, de forma a condicionar os seus comportamentos. Quanto a mim, eu tentei fazer o leitor sentir as elevações como uma presença constante, forte e inexorável. Em várias passagens eu desenhei rochas e paisagens montanhosas mesmo quando não era necessário, e fiz isso para atingir esse objectivo, mas admito que nem sempre consegui. Ao menos não como eu pretendia.


Que tipo de documentação você recebeu de Burattini?
Michele Rubini:
Moreno forneceu-me uma boa quantidade de material impresso: fotos de época sobre os primórdios do alpinismo, equipamentos, veículos, montanhas e muitas outras coisas. E também me mandou um DVD com o filme A Escalada (Escalado para morrer – título no Brasil), que contém muitas cenas interessantes e úteis para a realização da história.

Depois dessa história, você se envolveu com uma aventura igualmente complexa, escrita por Mauro Boselli, em que a ambientação também era realística e documentada, mas a trama continha fortes conotações fantásticas. No enredo, como no de Burattini, você encontrou precipícios e alturas vertiginosas. Você gosta desse tipo de cenários?
Michele Rubini: O
Ceptro de Tin-Hinan é a história mais longa que eu já fiz, e constituiu uma espécie de guinada: eu recordo-me que, ao chegar ao final da segunda parte, comecei a perceber qual é a direcção que pretendo seguir do ponto de vista de estilo. Naquela história eu encontrei o meu caminho. Eu não sei exactamente como isso aconteceu. Talvez eu tenha juntado as peças de um quebra-cabeça que se havia formado no curso dos anos sem que eu percebesse. Certamente contribuiu muito o facto de Mauro Boselli (outro a quem eu devo muito, tanto pela minha chegada à Bonelli, quanto pela evolução da minha carreira) ter inserido de uma só vez quase tudo aquilo que eu gosto de desenhar, inclusive as cenas vertiginosas que aprecio de modo especial, mesmo porque Andreucci fez-me entender a sua força, durante o meu aprendizado. O curioso é que eu nem deveria ter feito essa história, tão importante para mim: ela era para Alessandro Piccinelli e, com a sua passagem para a equipa de Tex, eu a herdei.


Imaginamos que a busca da tridimensionalidade e os enquadramentos ousados e espectaculares tenham sido uma exigência de Boselli. A sua qualidade técnica tornou o resultado bem natural, mas como foi a elaboração?
Michele Rubini:
A busca da tridimensionalidade assumiu, para mim, um papel essencial justamente a partir dessa história. Quanto aos enquadramentos espectaculares, devo dizer que derivam da actuação com Mauro: às vezes as solicitações são específicas, em outras eu tenho liberdade, mas muitas vezes vêm da exigência de conciliar os vários elementos narrativos presentes na descrição, dentro do roteiro: se eu devo mostrar vários elementos em um único quadradinho, situação que acontece com frequência, eu devo criar alguma coisa que funcione sem parecer excessivo, e geralmente é nesses casos que saem as minhas coisas mais interessantes.


Outro aspecto importante foram a pesquisa e a documentação de Boselli sobre os sáurios presentes na história, fruto das últimas descobertas antropológicas. Aqui também o resultado foi surpreendente. Mover aqueles bichões foi divertido ou criou-lhe dificuldades?
Michele Rubini: O único problema sobre os dinossauros, se podemos definir assim, foi o de diferenciar o carnotauro do gigantossauro (os dois carnívoros enormes). O resto foi pura diversão.


Passemos agora ao Ranger que dá nome a este blogue: como aconteceu o seu ingresso na equipa dos desenhadores de Tex?
Michele Rubini:
Da maneira mais clássica: depois de O Mundo Perdido (Zagor Extra n° 120, Mythos Editora), Mauro Boselli comunicou-me que ele e Mauro Marcheselli estavam interessados em me submeter a um teste para Tex: eu desenhei o material, com toda a carga de ansiedade que sempre carrego (ansiedade justificada, nesse caso, afinal está-se a falar de Tex!), e eles gostaram. Boselli havia me alertado que, antes do Ranger, eu faria uma história de Dampyr, assim eu desenhei a primeira parte e depois passei à história curta para o Tex Especial em Cores (Color Tex).


Como se sente a trabalhar com o Ranger?
Michele Rubini:
Se eu pensasse na história da personagem, no seu significado para a BD italiana e para os seus leitores, em quantos e quais grandes desenhadores o interpretaram, eu ficaria receoso. Muito receoso. Por isso, eu simplesmente decidi trabalhar como faço sempre, no intento de realizar cada quadradinho com o máximo da minha capacidade, a pesquisar e estudar para ampliar e melhorar essa capacidade.

Ao desenhar Tex, você encontrou algum tipo de dificuldade?
Michele Rubini: O
roteiro apresentava algumas passagens complicadas de fazer, e, durante o primeiro teste de Tex, você se dá conta de que deve prestar atenção ao seu código narrativo, que é composto de várias leis não-escritas. O problema é que nem sempre se capta de imediato qual é o peso justo a atribuir a cada uma dessas leis, nas várias situações. Mas eu creio que essa é uma dificuldade que pode ser suprida com a prática. É necessário dar uma atenção especial ao rosto do Ranger e de seus pards (se bem que eu só fiz Tex e Tigre). Em suma, o caminho é estreito e, para percorrê-lo bem, precisa de muita atenção.


Você teve que modificar o seu estilo habitual, ou não?
Michele Rubini:
Não muito. O que eu fiz foi tentar adequar-me ao facto de que a minha história seria colorida, por isso eu usei menos meios-tons e às vezes deixei em branco espaços que, pela minha natureza, eu completaria com tons de preto ou com detalhes. Mas devo dizer que alguns quadradinhos tomaram exactamente a direcção na qual eu gostaria que o meu modo de desenhar evoluísse, e isso é um facto muito positivo para mim.

Como define graficamente o seu Tex?
Michele Rubini:
Posso dizer que o fiz com um estilo limpo, no qual pouca coisa é deixada ao instinto. Os traços são muito estudados, e a versão finalizada é bem próxima daquela a lápis. Eu busquei fazer um rosto duro para o Ranger, e dar a ele um físico que incutisse temor mas sem parecer fruto de exercícios em academia. Espero ter atingido um bom resultado, ao menos em parte.


Nos últimos tempos vários desenhadores fizeram um único trabalho com Tex e depois voltaram a outras personagens. A sua actuação com Tex é um compromisso duradouro, ao menos na sua intenção?
Michele Rubini:
Neste momento estou a trabalhar com Dampyr. Mas eu acho que um eventual compromisso duradouro com o Ranger também depende de como será recebida a história curta que eu fiz. Aguardemos a publicação.

Quem ou o que é Tex, para si? O que você gosta mais e o que gosta menos no Ranger?
Michele Rubini:
Tex é a Justiça. Aquela verdadeira, de antigamente. Aquela que não se refugia nas várias filigranas da Lei e que muitas vezes se aplica com uma saudável troca de socos ou com um tiroteio decisivo. É um herói que sempre sabe qual é a coisa justa a fazer. E faz. Ele sabe ler no coração dos homens e age com equidade com cada um deles. Às vezes ele planeja antes, para ser mais eficaz, mas depois age. Sem acordos suspeitos e sem deixar escapatória para os inimigos. Eu aprecio bastante essa linearidade da personagem, como também o facto de que substancialmente o leitor lê Tex não para saber se ele derrotará os vilões, mas como o fará. Quanto ao que eu gosto menos, posso dizer que, do ponto de vista profissional, eu acho difícil encarar situações que tantos excelentes desenhadores já enfrentaram e resolveram, e conseguir imprimir algo novo à série.


Para concluir o tema, como você vê o futuro do Ranger?
Michele Rubini:
Se eu leio as histórias dos últimos anos, vejo uma personagem que mantém a sua identidade mas cujas aventuras se enriquecem com novas ideias, novas ambientações e novas soluções narrativas. Ou seja, é sempre o mesmo Tex, mas ele também cavalga em direcção a novos territórios. Além disso, a equipa de desenhadores é extraordinária e sobe de nível a cada ano. Não sei dizer como será o futuro da personagem, mas os elementos para que o Ranger continue o seu caminho por muito tempo, esses estão todos aí.

Quanto tempo leva para desenhar uma página? Cumpre horários? Como é o seu dia típico, entre trabalho, leituras, busca de informações, ócio, vida familiar?
Michele Rubini:
Em geral eu levo dois dias, dois dias e meio para fazer uma página, mas muito depende do que eu devo desenhar. Eu sou muito metódico e busco respeitar horários bem rígidos: das 8h30 às 13h30, e das 15h30 às 20h, por seis dias da semana. Mas sempre há as exigências familiares que de vez em quando me levam a fazer alterações. Não trabalho à noite, que é sempre dedicada à família e a relaxar um pouco com cinema, futebol e com os amigos.


Como é a sua técnica de trabalho?
Michele Rubini:
Eu faço as cenas de cada quadradinho em tamanho pequeno (assim é mais fácil manter as proporções e estudar a perspectiva) e depois projecto na página original com um episcópio. Em seguida eu limpo tudo com uma borracha e redesenho com detalhes, quando ajusto os eventuais erros e imprecisões. Limpo de novo com a borracha e passo o nanquim com pincéis grossos e finos, hidrocores, canetas brush pen e outros instrumentos.

Quais são os seus projectos imediatos?
Michele Rubini:
Como eu disse antes, recentemente concluí uma história curta de Tex, escrita por Moreno Burattini, fiz o primeiro número de Morgan Lost (a nova série Bonelli, de Claudio Chiaverotti, que sairá no segundo semestre) e neste momento estou a fazer uma história em duas partes de Dampyr, com texto de Mauro Boselli. Depois, veremos.

Quais BDs você lê atualmente?
Michele Rubini:
De um modo geral, eu leio quase todas as publicações da Bonelli, e as primeiras que leio são Tex, Dampyr, Zagor, Dylan, Dragonero e Lukas. Aí vêm as coisas de Mark Millar e Leinil Francis Yu, alguns mangás, os trabalhos de Mathieu Lauffray e Stuart Immonen e aquele que é o meu preferido: Hellboy. Desde quando nasceu o meu filho, por motivo de tempo eu acumulo muitas revistas e depois leio todas juntas.

Além de BD, que tipo de livros você lê? E quais são as suas preferências no cinema e na música?
Michele Rubini:
Eu gostaria de fazer muitas coisas mas o meu tempo livre é o que é. Eu fiquei muito preguiçoso com a leitura de romances, mas em relação a cinema, vejo de tudo. Sempre vou ver os trabalhos de Nolan, Eastwood, Tarantino, mas nos últimos anos tenho apreciado muitos directores italianos (Virzì, Sorrentino, Garrone). Ultimamente têm-me fascinado as séries de TV: A Guerra dos Tronos, House of Cards, Vikings, Gomorra, Homeland, True Detective são algumas das que gosto mais. Com a música eu não tenho um relacionamento extraordinário. Gosto das trilhas sonoras de Morricone, Newton Howard, Shore, Zimmer, Djawadi e também boa parte do trabalho de Radiohead, Greenday e Queen. E gosto de De Andrè, Dalla, De Gregori mas também de Elisa e Gianna Nannini. A minha esposa arrasta-me com frequência às apresentações de Vasco Rossi. E eu me divirto muito.

Bem, nós chegamos ao fim. Há algo mais que você gostaria de dizer? Algo que não foi perguntado e que você gostaria que os nossos leitores soubessem?
Michele Rubini: Eu creio que me estendi até demais. Deixo um abraço a todos vocês, e espero que apreciem o meu Tex. Até breve.

Caro Michele, em nome do blogue português de Tex, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

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Intervista esclusiva: MICHELE RUBINI

Intervista condotta da José Carlos Francisco, con la collaborazione di Giampiero Belardinelli per la formulazione delle domande, di Júlio Schneider (traduttore di Tex per il Brasile) e di Gianni Petino per le traduzioni e le revisioni e di Bira Dantas per la caricatura.

Ciao carissimo Michele Rubini, e benvenuto sul blog portoghese di Tex! Per cominciare raccontaci un po’ di te, in particolare della tua infanzia e se, in quel periodo, ti cimentavi già con il disegno.
Michele Rubini:
Un caro saluto a voi e grazie per questa intervista. Riguardo alla mia infanzia, non ci penso molto spesso ma credo di poter dire che sia stata piuttosto tranquilla. Il disegno è sempre stato un compagno di giochi presente e esigente: spesso rimanevo in casa con il naso sul foglio mentre i miei amici giocavano a pallone. Disegnare mi piaceva; forse perché mi riusciva bene. Meglio del calcio comunque… Passavo intere giornate a riprodurre i dipinti rinascimentali. Ricordo che una volta, durante le scuole medie, copiai per intero il Giudizio Universale di Michelangelo. Figura per figura. Naturalmente la qualità era quella che era e i tempi di realizzazione furono, in accordo con il soggetto, biblici, ma mi divertivo così tanto.

Prima di entrare in Bonelli quali sono state le tue esperienze lavorative?
Michele Rubini:
Ho avuto pochissime esperienze lavorative prima di Zagor. Sono stato allievo di Stefano Andreucci, che voi conoscete bene, e, durante l’ultimo periodo del mio apprendistato, ho avuto modo di collaborare ad alcune fasi del suo lavoro: in particolare realizzavo i layout delle pagine da disegnare e lui, a volte, usava alcuni di questi come studi per le sue vignette. E’ stata un’esperienza molto importante per me perché ho potuto lavorare sulle sceneggiature di autori come Boselli, Colombo e Mignacco, imparando molto su come si racconta a fumetti attraverso i consigli e, molto spesso, le solenni e meritatissime stroncature da parte di Stefano. Successivamente ho realizzato la mia prima e unica pubblicazione antecedente alla mia esperienza in Bonelli: Luigi Mignacco stava cercando un giovane disegnatore per realizzare un albetto di Robinson Hart per la fanzine Cronaca di Topolinia; io avevo già inviato le pagine di prova per Zagor, lui le vide e mi chiamò per propormi di disegnare quella storia. Naturalmente accettai e ne venne fuori il mio primo lavoro. I disegni erano incerti ma la sceneggiatura e la copertina di Fabrizio Russo erano di altissimo livello.

Cosa è per te il fumetto? Sia come linguaggio che come esperienza professionale.
Michele Rubini:
Domanda difficile perché ha molte risposte. Se parliamo di linguaggio il fumetto è un mezzo estremamente economico e versatile per raccontare una storia. Facendo un parallelo con il cinema, bisogna immaginare che, con uno staff di una o due persone, si possono realizzare una gamma di storie che va dal racconto di tipo teatrale in cui pochi personaggi interagiscono tra di loro in una stanza, come in Carnage di Polanski per intenderci, fino a kolossal con la presenza di decine di personaggi, migliaia di comparse e ambientazioni infinite. Inoltre si possono scegliere gli attori, i veicoli, i costumi che si vogliono e piazzare telecamere e luci senza limiti fisici o di budget. Teoricamente la libertà creativa è infinita. Poi bisogna incontrare i gusti del pubblico, ma questa è una situazione che si trovano ad affrontare tutti coloro che si occupano di mezzi espressivi.
Dal punto di vista della mia esperienza professionale posso dire che il fumetto non è solo un lavoro. Confesso che alcuni giorni penso che sia ciò che mi tiene lontano dalla mia famiglia praticamente tutto il giorno. Altri giorni penso che sia ciò che mi permette di vedere ogni giorno altri luoghi e altre epoche, pur rimanendo fermo nel mio studio. A volte rifletto sul fatto che fare questo lavoro mi costringe a vedere le cose in maniera diversa dalle altre persone: quando parlo con qualcuno spesso studio anche le sue espressioni, l’andamento dei capelli o le pieghe della giacca; è una deformazione irreversibile ormai. Il più delle volte però penso che il fumetto sia ciò che mi permette di andare ogni giorno al lavoro con il sorriso, pensando che per vivere passo tutto il tempo a fare ciò che mi piace.

Da ragazzino – nonostante tu sia un disegnatore ancora giovane – immaginavi di fare il professionista nel mondo del fumetto?
Michele Rubini:
Da ragazzino no. Ho cominciato a pensare che il fumetto potesse diventare un lavoro quando avevo 17-18 anni. Allora frequentavo il liceo scientifico e, come tutti i miei compagni, pensavo a quale facoltà universitaria scegliere. Il mio obiettivo era conciliare un percorso di studi universitario con la mia passione per il disegno, ma l’impresa era quasi impossibile. Fu un programma televisivo che mostrò la presenza di molte scuole di fumetto a Roma, a farmi pensare che quello poteva essere il percorso giusto per me. Poi incontrai Stefano Andreucci che mi insegnò prima a disegnare, poi a raccontare a fumetti e il programmato percorso di studi si trasformò in una solida e mirata formazione che mi ha portato ad essere un disegnatore professionista.

In quali circostanze sei entrato in contatto con la Sergio Bonelli Editore?
Michele Rubini:
Per rispondere a questa domanda devo ancora parlare del mio apprendistato presso Stefano Andreucci: era il 1996 e, durante uno dei nostri primi incontri, lui mi disse che quando sarei stato pronto mi avrebbe aiutato a presentare il mio lavoro presso la Sergio Bonelli Editore. Ora, come facesse a sapere che un giorno sarei stato pronto ancora non l’ho capito, comunque nel 2002, dopo anni di duro lavoro, mi misi in testa che era ora di iniziare a lavorare autonomamente e, dopo un paio di tentativi presso editori minori andati decisamente a vuoto, decidemmo di provare direttamente in Bonelli: sotto la supervisione di Stefano, preparai delle tavole di prova per Zagor e lui chiamò Mauro Boselli per chiedergli se avesse voluto visionare il lavoro di un suo allievo. Mauro le guardò, gli piacquero e quando, dopo un anno, ci fu la possibilità di farmi lavorare, mi mandò le prime dieci tavole de “L’uomo venuto dalla pioggia”. Furono una prova molto dura ma, una volta inviate a Milano, furono approvate e ottenni il resto della sceneggiatura (elaborata da Cuna, Colombo e Cajelli). La mia prima sceneggiatura di Zagor…

Inoltre, ci piacerebbe sapere quali sono state le parole dell’indimenticabile Sergio Bonelli nei tuoi confronti? Quante volte vi siete incontrati?
Michele Rubini:
La verità è che ho incontrato Sergio Bonelli soltanto tre volte e in tutte e tre ci siamo praticamente soltanto stretti la mano. E’ un grande rammarico per me: è difficile pensare di dovere così tanto a un uomo senza avere avuto l’opportunità, vuoi per timidezza, vuoi per le circostanze, di comunicarglielo.

Stefano Andreucci è stato indubbiamente un tuo riferimento importante: quali sono stati i suoi consigli?
Michele Rubini: Come avrete già capito dalle precedenti risposte, Stefano non è stato solo un riferimento importante ma fondamentale. Sono fermamente convinto che senza i suoi insegnamenti non sarei mai riuscito a fare questo lavoro. Lui ha preso un ragazzo di 18 anni che gli ha portato a visionare dei disegni fatti su un diario scolastico (perché questo gli ho portato la prima volta che ci siamo visti), e l’ha trasformato in un professionista. Senza chiedere nulla in cambio. Il lavoro è stato lungo e pesante per entrambi, ve lo assicuro, ma Stefano ha capito quale era il metodo giusto per insegnarmi a disegnare e a raccontare, quali gli autori da farmi studiare e è pure riuscito a sopportarmi nel momento in cui, sconfortato, avevo deciso di abbandonare l’idea di diventare un disegnatore. La verità è che con Stefano ho un debito che non potrà mai essere ripagato.

Oggi il tuo stile si sta sempre più personalizzando; quali sono i tuoi artisti, oltre ad Andreucci, che guardi con più frequenza e a cui cerchi di carpire i trucchi del mestiere?
Michele Rubini:
Sono molti. Mi limiterò a citare quelli che hanno significativamente indirizzato, chi per un verso chi per un altro, il mio modo di disegnare fumetti: Giampiero Casertano, Barry Windsor Smith, Domingo Mandrafina, Jordi Bernet, Hermann Huppen, Giovanni Ticci, Claudio Villa, Frank Quitely, P. Craig Russell, Dino Battaglia, Sergio Toppi, Hal Foster, Mike Mignola, Majo, Corrado Mastantuono, Stuart Immonen e Adam Hughes.

Il tuo debutto su Zagor risale già ad alcuni anni fa: quali sono state le difficoltà nell’affrontare il personaggio?
Michele Rubini:
Come ho già detto, ho iniziato la mia attività professionale con Zagor e questa fu la prima difficoltà, perché avere poca esperienza lavorativa e cominciare direttamente con un personaggio così amato e con una così lunga vita editoriale alle spalle non è facile. Inoltre, per ogni disegnatore che si cimenta con lo Spirito con la Scure, c’è la necessità di essere il più vicino possibile al lavoro del maestro Ferri e per me è stato complicato.

Cico, con le sue movenze e rotondità, ti ha creato difficoltà? La maschera facciale del personaggio è uno dei suoi punti di forza: anche qui, ti chiediamo, hai avuto difficoltà particolari?
Michele Rubini:
Come per Zagor, ho incontrato qualche difficoltà nel realizzare un Cico il più vicino possibile a quello di Gallieno Ferri. La sintesi grafica del maestro è straordinaria ma difficile da integrare con il modo di disegnare verso il quale pensavo di andare, e i lettori, che sono giustamente molto legati a quel Cico e a quello Zagor, ti fanno notare gli errori.

Dopo il tuo esordio sull’Almanacco, ti è stata affidata una lunga e complessa sceneggiatura di Moreno Burattini. Com’è stato il lavoro di preparazione, e quanto tempo hai impiegato a disegnare l’avventura?
Michele Rubini:
Ho impiegato un po’ più di tre anni per realizzare quella storia. La preparazione è stata simile a quella adottata per realizzare l’Almanacco: ho cercato del materiale fotografico riguardante i cavalli e i carri Conestoga, anche se qualcosa me lo aveva fornito Moreno, e anche molto materiale riguardante le montagne. Successivamente ho realizzato gli studi dei personaggi principali e, una volta approvati, ho iniziato.

In quella storia le montagne hanno svolto un ruolo non accessorio, e la loro presenza è stata importante come quella dei personaggi in carne e ossa. Hai avvertito questa importanza mentre la realizzavi?
Michele Rubini: La montagna è il protagonista silenzioso della storia. Con i suoi ghiacciai, i suoi crepacci e le difficoltà dell’ascesa ha contribuito ad acuire e, in alcuni casi, a determinare i contrasti tra i personaggi, condizionando e indirizzando i loro comportamenti. Per quanto mi riguarda, ho cercato di far avvertire i monti come una presenza costante, forte e inesorabile. Spesso ho disegnato scorci di rocce e paesaggi montuosi anche in vignette in cui non erano richiesti proprio per raggiungere questo scopo, anche se ammetto di non esserci sempre riuscito. Almeno non come volevo io.

Quanta documentazione ti ha fornito Burattini?
Michele Rubini: Moreno mi ha fornito una bella dose di materiale cartaceo: foto d’epoca riguardanti gli albori dell’alpinismo, attrezzature, carri, montagne e molte altre cose. Inoltre mi ha inviato un dvd con il film “Assassinio sull’Eiger” in cui sono presenti molte scene interessanti e utili per la realizzazione della storia.

Dopo questa storia ti sei impegnato con un’altrettanta complessa avventura di Mauro Boselli; anche lì l’ambientazione era realistica e documentata ma la vicenda aveva forti connotazioni fantastiche. Nella vicenda, come nell’altra di Burattini, hai trovato dirupi e altezze vertiginose. Ami questo tipo di scenari?
Michele Rubini: “Lo Scettro di Tin-Hinan” è la storia più lunga che ho realizzato e ha costituito una vera e propria svolta per me: ricordo che verso la fine del secondo albo ho iniziato a intravedere qual è la direzione verso cui voglio andare dal punto di vista stilistico. Insomma, in quella storia ho trovato la mia strada. Non so esattamente come sia avvenuto. Forse ho improvvisamente messo insieme i pezzi di un puzzle che si era formato nel corso degli anni senza che me ne rendessi conto. Sicuramente ha contribuito molto il fatto che Mauro Boselli (un altro a cui devo molto, sia per quanto riguarda il mio approdo in Bonelli, sia per quanto riguarda l’evoluzione della mia carriera…) ha inserito in una volta sola quasi tutto quello che mi piace disegnare, comprese le scene vertiginose che amo particolarmente, anche perché Andreucci me ne ha fatto capire la forza nel corso del mio apprendistato. E’ curioso il fatto che una storia così importante per me non avrei dovuto nemmeno realizzarla io ma Alessandro Piccinelli, che poi, passando a Tex, me la lasciò in eredità.

Ricordiamo la ricerca tridimensionale e le inquadrature ardite e spettacolari, immaginiamo richieste da Boselli. La tua bravura tecnica ha reso il risultato molto naturale, ma in fase di realizzazione com’è andato il lavoro?
Michele Rubini: La ricerca della tridimensionalità ha assunto per me un ruolo essenziale proprio a partire da questa storia. Per quanto riguarda le inquadrature spettacolari, devo dire che derivano sempre da una collaborazione con Mauro: a volte le richieste sono specifiche, altre volte sono lasciato più libero, ma spesso derivano dall’esigenza di conciliare i vari elementi narrativi presenti nella descrizione in sceneggiatura: insomma, se devo raccontare varie scene presenti in una sola vignetta, situazione che mi capita spesso, devo inventarmi qualcosa per rendere bene il tutto senza sembrare didascalico: spesso in questi casi escono le mie cose più interessanti.

Altro aspetto importante sono state la ricerca e la documentazione di Boselli sui Sauri presenti nel racconto, frutto delle ultime scoperte antropologiche. Anche qui il risultato è stato sorprendente: far muovere quei bestioni quanto ti ha divertito e quanto ti ha creato problemi?
Michele Rubini: L’unico problema, se si può definire tale, riguardo i dinosauri, è stato quello di diversificare il Carnotaurus dal Giganotosaurus (i due carnivori grossi). Il resto è stato puro divertimento.

Passiamo adesso al Ranger che dà nome a questo blog: vuoi raccontarci com’è avvenuto il tuo arruolamento nello staff dei disegnatori di Tex?
Michele Rubini: Nella maniera più classica: dopo “Il Mondo Perduto”, Mauro Boselli mi ha comunicato che era interessato, insieme a Mauro Marcheselli, a farmi realizzare delle prove per Tex: io le ho disegnate, con tutto il carico di ansia che mi porto spesso dietro (in questo caso ansia giustificata, visto che si tratta di Tex!) e a loro sono andate bene. Boselli mi aveva avvertito che prima del Ranger avrei realizzato un racconto di Dampyr, così ne ho disegnato la prima parte e successivamente sono passato alla storia breve per il Color Tex.

Come ti senti a misurarti con il Ranger?
Michele Rubini: Se pensassi alla storia del personaggio, al suo significato per il fumetto italiano e per suoi lettori, a quanti e quali grandi disegnatori lo hanno interpretato, mi sentirei intimorito. Molto intimorito. Quindi ho deciso semplicemente di lavorare come faccio sempre: cercando di realizzare ogni vignetta al massimo delle mie capacità e ricercando e studiando per estendere e migliorare queste capacità.

Nel disegnare Tex, che tipo di difficoltà hai incontrato, se ne hai incontrate?
Michele Rubini: La sceneggiatura presentava alcuni passaggi complicati da realizzare, inoltre, durante la prima prova di Tex, ti accorgi di dover fare attenzione al suo codice narrativo che è composto da tante leggi non scritte: il problema è che non sempre si capisce immediatamente quale sia il giusto peso da attribuire ad ognuna di esse, nelle varie situazioni… ma credo che questa sia una mancanza a cui si sopperisce con la pratica. Bisogna porre poi una particolare attenzione al volto del Ranger e dei suoi pards (anche se io ho realizzato solo Tex e Tiger). Insomma, il sentiero è stretto e per percorrerlo bene c’è bisogno di molta attenzione.

Hai dovuto modificare il tuo solito stile, oppure no?
Michele Rubini: Non più di tanto. Più che altro ho cercato di adattarmi al fatto che la mia storia sarebbe stata colorata, quindi ho utilizzato meno mezzi toni e a volte ho lasciato bianchi alcuni spazi che, per mia natura, tenderei a riempire di nero o di particolari. Devo dire però, che alcune vignette vanno esattamente nella direzione in cui vorrei si evolvesse il mio modo di disegnare e questo è un fatto molto positivo per me.

Come definisci graficamente il tuo Tex?
Michele Rubini: Posso dire che l’ho realizzato con uno stile pulito in cui poco è lasciato all’istinto. I segni sono molto studiati e la versione inchiostrata è molto vicina a quella a matita. Ho cercato di rendere duro il volto del Ranger e di dargli una corporatura che incutesse timore ma senza che sembrasse il frutto di lavoro da palestra. Spero di esserci riuscito almeno in parte.

Negli ultimi tempi diversi disegnatori hanno fatto solo una veloce comparsata su Tex e poi sono tornati a lavorare su altri personaggi. Quello su Tex è per te un impegno duraturo, almeno nelle tue intenzioni?
Michele Rubini: In questo momento sono al lavoro su Dampyr. Credo però che un mio eventuale impegno duraturo con il Ranger dipenda anche da come verrà accolto il racconto breve che ho realizzato. Aspettiamo la pubblicazione.

Chi o cosa è Tex secondo te? Cosa ti piace di più nel Ranger e cosa di meno?
Michele Rubini: Tex è la Giustizia. Quella vera, quella di un tempo. Quella che non si rifugia solo nei tanti cavilli della Legge e che spesso si applica con una sana scazzottata o una risolutiva sparatoria. E’ un eroe che sa sempre qual è la cosa giusta da fare. E la fa. Sa leggere il cuore degli uomini e si comporta con equità con ciascuno di essi. A volte pianifica per essere più efficace, ma poi agisce. Senza compromessi e senza scampo per i suoi nemici. Mi piace molto questa linearità del personaggio e anche il fatto che sostanzialmente il lettore legge Tex non per sapere se sconfiggerà i cattivi, ma come lo farà. Per quanto riguarda ciò che mi piace di meno, posso dire che, dal punto di vista professionale, trovo difficile confrontarmi con situazioni che tanti eccellenti disegnatori hanno già affrontato e risolto, riuscendo a portare qualcosa di nuovo alla serie.

Per concludere il tema, come vedi il futuro del Ranger?
Michele Rubini: Se leggo i racconti degli ultimi anni, vedo un personaggio che mantiene la sua identità ma le cui avventure si arricchiscono di nuovi spunti, nuove ambientazioni e nuove soluzioni narrative. Insomma, Tex è sempre Tex, ma cavalca anche verso nuovi territori. Inoltre, lo staff dei disegnatori è straordinario e sale di livello di anno in anno. Non so dire come sarà il futuro del personaggio ma gli elementi perché il Ranger continui il suo cammino per molto tempo mi sembra ci siano tutti.

Quanto tempo impieghi per disegnare una tavola? Hai degli orari? Come si articola una tua giornata tipo fra lavoro, letture, tenerti informato, ozio, vita familiare?
Michele Rubini:
In genere impiego tra i due giorni e i due giorni e mezzo per realizzare una tavola, ma molto dipende da quello che devo disegnare. Sono molto metodico e cerco di rispettare degli orari piuttosto rigidi: dalle 8 e 30 alle 13 e 30, e dalle 15 e 30 alle 20 per 6 giorni la settimana. Tuttavia ci sono sempre le esigenze familiari che, di tanto in tanto, mi spingono a delle modifiche. Non lavoro mai la sera, che è dedicata alla mia famiglia e a rilassarmi con un po’ di cinema, calcio o uscite con gli amici.

Puoi esporci la tua tecnica di lavoro?
Michele Rubini: Realizzo prima le vignette abbozzate in piccolo (in questo modo è più facile mantenere le proporzioni e studiare la prospettiva) e in seguito le proietto sulla tavola originale con un episcopio. Successivamente schiarisco il tutto con una gomma pane e ridisegno bene, risolvendo gli eventuali errori e imprecisioni. Schiarisco nuovamente con la gomma pane e inchiostro utilizzando pennelli, pennarelli, pennini, brush pen e altri strumenti…

Quali sono i tuoi progetti immediati?
Michele Rubini: Come ho già detto, ho appena completato il racconto breve di Tex, scritto da Moreno Burattini, ho realizzato il primo numero di Morgan Lost (la nuova serie Bonelli di Claudio Chiaverotti in uscita in Autunno) e ora, su testi di Mauro Boselli, sto realizzando una storia in due episodi di Dampyr. Poi si vedrà.

Quali fumetti leggi attualmente?
Michele Rubini: In genere leggo quasi tutte le pubblicazioni dalla Bonelli: Tex, Dampyr, Zagor, Dylan, Dragonero, Lukas sono i primi che leggo. Poi ci sono le cose di Mark Millar e Leinil Francis Yu, qualche manga, i lavori di Mathieu Lauffray e Stuart Immonen e quello che è di gran lunga il mio preferito: Hellboy. Da quando è nato mio figlio, per motivi di tempo accumulo molti albi e poi leggo tutto insieme.

Oltre ai fumetti, quale tipo di libri leggi? E quali sono le tue preferenze nel campo del cinema e della musica?
Michele Rubini: Mi piacerebbe fare molte cose ma il mio tempo libero è quello che è… Sono diventato molto pigro con la lettura di romanzi mentre al cinema sono abbastanza onnivoro. Vado sempre a vedere i lavori di Nolan, Eastwood, Tarantino, ma negli ultimi anni mi piacciono anche molti registi italiani (Virzì, Sorrentino, Garrone). Ultimamente sono molto affascinato dalle serie tv: Il Trono di Spade, House of Cards, Vikings, Gomorra, Homeland, True Detective sono alcune di quelle che amo di più. Con la musica non ho un rapporto straordinario. Amo le colonne sonore di Morricone, Newton Howard, Shore, Zimmer, Djawadi e anche gran parte del lavoro di Radiohead, Greenday e Queen. Mi piacciono De Andrè, Dalla, De Gregori ma anche Elisa e Gianna Nannini. Mia moglie mi trascina spesso ai concerti di Vasco Rossi. E mi diverto molto.

Bene, noi avremmo finito. C’è ancora qualcosa che vorresti dire? Qualcosa che non ti è stato chiesto e che avresti assolutamente voluto far sapere ai nostri lettori?
Michele Rubini: Credo di essermi dilungato fin troppo. Un caro saluto a voi e ai vostri lettori, sperando che apprezziate il mio Tex. A presto.

Caro Michele, ti ringraziamo moltissimo per l’intervista che ci hai così gentilmente concesso.

(Cliccare sulle immagini per vederle a grandezza naturale)