Júlio Schneider, Paulo Guanaes e Tizziana Giorgini, míticos tradutores de Tex com a revista nº 2 do Clube Tex Portugal

Por José Carlos Francisco

A Revista do Clube Tex Portugal #2 continua a sua epopeia junto dos Sócios do Clube e desta vez os ecos chegam dos dois lados do Atlântico, nomeadamente por causa dos míticos tradutores brasileiros de Tex, país onde o Ranger é editado na língua portuguesa através da Mythos Editora, no presente.

As duas versões de capa da revista nº 2 do Clube Tex Portugal

E também do Brasil os elogios à Revista são imensos, elogios esses vindos do próprio staff do Ranger, staff actual de tradutores, os míticos Júlio Schneider e Paulo Guanaes, mas também do passado, como é o caso da mítica tradutora Tizziana Giorgini Crudeli. Tradutora oficial, por um período de cerca de 10 anos, de Tex (e Zagor) na década de 8o do século passado, nos velhos tempos das Editoras Vecchi e Globo, faz parte da história viva do Ranger no Brasil, tendo inclusive traduzido algumas das mais épicas histórias de Tex, como se pode constatar nas fichas técnicas das edições nº 111 e 112 de Tex, mais precisamente “Ao Sul de Nogales” e “El Muerto“, duas das mais memoráveis e apreciadas aventuras do Ranger.

Tizziana Giorgini e a leitura da revista nº 2 do Clube Tex Portugal, com a capa colorida

E a  propósito da Revista  do Clube Tex Portugal #2, Tizziana Giorgini afirma: “Este segundo número da revista faz DUPLAMENTE jus ao nome! Duas excelentes capas, com a maestria do papa Civitelli num brilhante preto e branco e num refulgente e cálido colorido. O ambiente nocturno da primeira arrepia; a luminosidade da segunda deslumbra! Tudo é energizante, não só a luz do sol incidindo sobre as peças metálicas.
Show, show, show!!!!
E isto só de entrada, para abrir o apetite, preparando os convidados ao banquete para um festim texiano de tirar o chapéu. Puro deleite.
BRAVO!!
“.

Tizziana Giorgini e a leitura da revista nº 2 do Clube Tex Portugal, com a capa na versão a preto e branco

Já Paulo Guanaes, o lendário tradutor de Tex que em 2014 comemorou o seu 40º aniversário a traduzir o Ranger (iniciou-se nestas lides em 1974, mas trabalha com Tex desde 1971, mais precisamente aquando do lançamento da histórica edição nº 1), posou com a Revista do Clube Tex Portugal #2 juntando, em homenagem, um desenho esplêndido dos quatro pards da autoria do falecido Fusco, prometendo “Na próxima, contem com a minha colaboração.“:

Tradutor Paulo Guanaes exibindo as duas versões da revista nº 2 do Clube Tex Portugal

Por sua vez Júlio Schneider, consultor, redactor e tradutor de Tex (e demais personagens publicadas no Brasil pela Mythos Editora) enviou-nos a seguinte fotografia:

Júlio Schneider e as duas versões da revista nº 2 do Clube Tex Portugal

Mas de Espanha e ainda relacionado ao tema “tradutores de Tex“, recebemos também uma bela fotografia do nosso prezado consócio Sebastián Pérez Retorta, marido da tradutora Tizziana Giorgini Crudeli que não quis também deixar de nos enviar também uma prova para a posteridade da prazerosa leitura que este segundo número da revista portuguesa lhe proporcionou:

Sebastián Pérez Retorta e a prazerosa leitura da revista nº 2 do Clube Tex Portugal

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Vídeo: Claudio Villa a desenhar Kit Willer

Claudio Villa a desenhar no evento Casale Comics 2015

No vídeo – produzido por Gianluca Gulmini (conhecido nos fóruns dedicados às personagens bonellianas na Internet por Lukas Luke) para a Zagor TV – que damos a conhecer hoje no blogue do Tex podemos ver, o cada vez mais admirado desenhador italiano de Tex, CLAUDIO VILLA no dia 22 de Março de 2015 a desenhar, no evento Casale Comics 2015, um estupendo desenho de Kit Willer, realizado em cerca de dez minutos mas com uma mestria e segurança verdadeiramente inigualáveis:

O Kit Willer de Claudio Villa

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Sergio Bonelli, uma vida para a banda desenhada

Por José Carlos Francisco

Faz hoje precisamente quatro anos, dia 26 de Setembro de 2011, Sergio Bonelli deixava-nos. Falar de Sergio Bonelli é lembrar de uma pessoa especial a qual tive o grande prazer, mas sobretudo o grande privilégio, de conhecer pessoalmente.

15 de Setembro de 2002, dia inesquecível em que conheci pessoalmente Sergio Bonelli

Um homem extremamente inteligente, educado, companheiro e acima de tudo, uma pessoa sempre preocupada com os outros, como várias vezes o provou comigo mesmo, escrevendo-me ou telefonando-me (ou até mesmo convidando-me a viajar até à sua bela Itália) “apenas” para conversarmos sobre as nossas amadas personagens de papel, mas também para saber se estava tudo bem comigo e com a minha família.

Um escritor e um editor que amava o que fazia e que tinha prazer em comparecer aos eventos relacionados com a banda desenhada para falar da editora e das suas personagens e onde passava para todos a importância da leitura quadrinhística. Sergio Bonelli era um ser iluminado que seguramente deixou saudades a todos que o cercavam e sempre será lembrado pelo ser humano que era e pelas suas obras.

José Carlos Francisco e Sergio Bonelli, Milão 2002

Do seu acervo, posso falar com certeza, que são histórias incríveis que nos fazem viajar pelos lugares que ele tão bem descreve, sobretudo as contadas em Mister No. Ele tinha uma maneira diferente, única mesmo, de contar histórias com muita criatividade, cheias de magia e diversão, de mostrar o mundo, de expressar os seus sentimentos.

Pessoalmente recordo com eterna saudade aquele longínquo domingo, dia 15 de Setembro de 2002, em que na companhia do editor Dorival Vitor Lopes e do tradutor Júlio Schneider, no hotel Berna em Milão fui apresentado a Sergio Bonelli e logo aí nasceu uma empatia difícil de explicar por palavras. Foi um momento inolvidável em que o tempo passou muito depressa (pois tantos foram os motivos de conversa, muitas as curiosidades a saber por mim) e que ficou registado para todo o sempre na minha memória, estar ali frente a frente com o grande editor italiano fazendo perguntas e ele dispondo-se a responder de forma muito simpática e prolongada, perguntas relacionadas com a sua história de argumentista e editor, com a razão de ser da sua editora, ou até com pormenores que poderiam ser insignificantes para muitos, mas que muito me honraram.

Davide Bonelli, José Carlos Francisco, Dorival Vitor Lopes, Sergio Bonelli e Júlio Schneider na Sergio Bonelli Editore em Setembro de 2002

E ele próprio fazendo-me perguntas… falando das edições Bonelli na Itália, no Brasil e em Portugal, dos seus roteiros, dos seus colaboradores na editora, onde se incluíam principalmente os argumentistas e os desenhadores, da obra de seu pai, enfim foi um domingo de sonho já que a conversa prosseguiu num épico jantar e em que após o mesmo fomos passear a pé pelas ruas do centro de Milão, num passeio nocturno muito agradável no qual Sergio Bonelli revelou inclusive a história daquela parte da cidade, onde estão concentradas as principais lojas e escritórios de moda. Conhecemos as ruas Sant’Andrea, Spiga, Borgospesso e Monte Napoleone que formam o Quadrilátero de Ouro, onde estão localizadas as mais famosas e caras lojas de griffes italianas, como Armani, Valentino, Versace, Fiorucci e outras.

José Carlos Francisco e Sergio Bonelli num passeio nocturno por Milão, 2009

Sergio Bonelli e José Carlos Francisco, Milão 2006

Sergio Bonelli e José Carlos Francisco, em Rapallo, 2009

Fabio Civitelli, José Carlos Francisco e Sergio Bonelli na Cartoomics de Milão, 2010

Sergio Bonelli, José Carlos Francisco e Dorival Vitor Lopes jantando em Milão, 2006

Aquela viagem de sonho era mais que um sonho, era real e, ainda por cima, eu estava a viver um momento ímpar e exclusivo: ter o mítico Sergio Bonelli como guia num passeio nocturno em Milão. E mal sabia eu que o melhor ainda estava por vir! É que no dia seguinte aquando da visita à editora, após Sergio Bonelli saber que sendo eu português, tinha toda a colecção brasileira de Tex, ofereceu-me integralmente uma colecção italiana do Ranger prometendo inclusive que a partir desse dia eu receberia tudo do Tex que fosse publicado, promessa essa que foi sempre cumprida nos anos que se seguiram, tal como foi crescendo a nossa amizade, uma amizade tão magnificente entre dois homens de gerações e origens diferentes, unidos pela mesma devoção a coisas simples e sem mácula como podem ser, afinal, os quadradinhos e os heróis que os povoam.

José Carlos Francisco e a homenagem póstuma à família Bonelli

Sergio Bonelli nunca será esquecido e as suas histórias de banda desenhada jamais deixarão de ser lidas… ele sempre estará presente em nossas vidas, quer sejamos crianças, adolescentes ou adultos. Sergio Bonelli teve o poder de escrever aventuras que nos envolvem da primeira até a última página, tornando-se um autor único e imortal, uma verdadeira LENDA, como se pode comprovar no vídeo abaixo onde os seus colegas e amigos da Sergio Bonelli Editore lhe dedicaram um vídeo-galeria que percorre sinteticamente as muitas emoções com as quais o mítico editor soube brindar os leitores durante a sua carreira.

Uma dedicatória especial de Sergio Bonelli para José Carlos Francisco

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Entrevista com o fã e coleccionador: Guido Claudino Succi

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Guido Claudino Succi: O meu nome é Guido Claudino Succi, hoje com 47anos, nasci em Arapongas, estado do Paraná, em 18 de Fevereiro de 1968. Sou empresário contábil e pai de duas lindas filhas: Karen e Karina.

Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
Guido Claudino Succi: Quando criança sempre admirei os desenhos animados e as histórias aos quadradinhos.

Quando descobriu Tex?
Guido Claudino Succi: Aos 11 anos um amigo na cidade de Japorã, no Mato Grosso do Sul, apresentou-me o Ranger Tex. Era a edição número 98, “São Francisco“.

Porquê esta paixão por Tex?
Guido Claudino Succi: Esta primeira aventura, do “Barba Negra”,  foi paixão à primeira vista. A história tem um realismo fantástico que me cativou pelo resto da vida.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Guido Claudino Succi: É difícil descrever. Tex tem o dom de cativar, com histórias incríveis e determinação, fazendo justiça com cenários incríveis, tanto do velho Oeste norte-americano como até do norte do Canadá.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Guido Claudino Succi: Hoje tenho aproximadamente 1.200 revistas. Em termo de raridade é o nº 1 da 1ª edição: “O Signo da Serpente” adquirida recentemente. Também tem o nº 262 da edição Italiana: “Le colline della paura” enviado por meu irmão, Célio Roberto Succi em Agosto de 1982.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Guido Claudino Succi: Gosto de tudo que diz respeito à personagem Tex. Porém tenho pouca coisa a respeito.

Qual o objecto Tex que mais gosta de possuir?
Guido Claudino Succi: São dois os objectos do mundo de Tex que eu mais gosto de possuir na minha colecção: o chaveiro (porta-chaves) do Tex e mais recentemente a estatueta de Tex.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Guido Claudino Succi: Tex nº 112 traz a minha história preferida: “El Muerto”. Os melhores desenhadores para mim são Fabio Civitelli e Alessandro Piccinelli e o argumentista que mais aprecio é o Mauro Boselli.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Guido Claudino Succi: Gosto da determinação e persistência em fazer Justiça. Não me agrada muito, quando resolve de maneira muito fácil, situações que na vida real seria bem mais difícil.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Guido Claudino Succi: A sua maneira de fazer justiça num cenário inigualável, com histórias cativantes e envolventes.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Guido Claudino Succi: Sim. Fui três vezes a encontro de coleccionadores em São Paulo e  pretendo ir em Tangará, no estado de Santa Catarina em Janeiro de 2016. Também faço parte do Clube do Tex e nos relacionamos constantemente pela Internet.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Guido Claudino Succi: Sempre será um futuro promissor. Temos muitos novos leitores e coleccionadores. As publicações actuais superam as do passado. Hoje temos diversas colecções, entre elas: Tex Edição Gigante em Cores, Tex Ouro, Tex Coleção, etc.
São colecções que fascinam e que existirão por muito tempo.

Prezado pard Guido Claudino Succi, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.


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Lançamento Mythos Editora: Tex Gigante #30 – “Tempestade em Galveston“

Por José Carlos Francisco e Mário João Marques

Tex Gigante #30 – “Tempestade em Galveston“

Hoje no blogue do Tex divulgamos a capa, da autoria de Massimo Rotundo, de Tex Gigante #30, com lançamento previsto para 15 de Outubro e um preço de venda ao público de 21,90 Reais (em Portugal terá um preço de 11 Euros) , cujo título é “Tempestade em Galveston” (no original: Albo speciale nº 30 – “Tempesta su Galveston”, de Junho de 2015) e que contém uma magnífica história escrita por Pasquale Ruju e magistralmente desenhada por Massimo Rotundo.

Tex Gigante #30 – “Tempestade em Galveston“, página 1

Galveston, Texas, junto à costa do Golfo do México, sul dos Estados Unidos. Apesar da escravatura ter sido abolida em 1863 pelo então presidente Abraham Lincoln e oficialmente proibida pelo Congresso em 1865, a verdade é que muitos estados sulistas mantêm a sua prática, ora através de restrições legais (Black Codes) ou por qualquer outro artifício que, no fundo, traduz-se no mesmo objectivo de humilhação da raça negra. Senhor de extensas plantações de algodão, o coronel Woodlord continua a usufruir e a utilizar a mão-de-obra negra gratuitamente, mercê de um expediente legal criado pelo juiz Trent e que visa permitir que condenados pela justiça possam ser colocados e sujeitos a trabalhos forçados nas plantações de ricos proprietários. Tex e Carson dirigem-se a Galveston para entregarem ao xerife local um dos membros de um bando de assaltantes que tinham perseguido e abatido nas imediações da cidade, acabando por se ver envolvidos numa história de um tesouro escondido.

Tex Gigante #30 – “Tempestade em Galveston“, página 2

Ao situar esta aventura no sul dos Estados Unidos, a alusão ao tema da escravatura acaba por ser muito natural, permitindo a Pasquale Ruju evidenciar algumas das principais características do Tex bonelliano, sobretudo o seu humanismo, a sua ética e o seu ideal de justiça. No desenho desta aventura encontramos Massimo Rotundo, mais um nome saído directamente da própria editora, autor já com uma vasta e larga experiência, fruto de uma carreira eclética iniciada no já longínquo ano de 1978. Nascido em Roma em 1955, é um dos fundadores e docentes da Scuola Romana dei Fumetti e trabalha também para o cinema e teatro, onde já colaborou com nomes como Martin Scorcese ou Paul Verhoeven. Na banda desenhada, para além de muitos outros trabalhos, destaque para a sua participação em revistas como L’Eternauta, Comic Art, Orient Express, Heavy Metal e L’Ècho des Savanes, assim como trabalhos para as editoras francesas Delcourt, Glénat e Albin Michel. Na Sergio Bonelli Editore vai desenhar para as séries Brendon, incluindo as capas a partir do nº 45, Volto Nascosto e Shanghai Devil, sendo também o autor de todas as capas destas duas mini-séries escritas por Manfredi. Já foi distinguido por várias vezes, com destaque para o prémio Yellow Kid de 1990 como melhor desenhador italiano e o Gran Guinigi em Lucca.

Arte de Massimo Rotundo em Tex Gigante #30 – “Tempestade em Galveston“

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