Tex Coleção #306: Aventura no Caríbe
Tex Coleção #307: O Navio do Horror
Guido Nolitta (argumento) Guglielmo Letteri (desenho) Mythos Editora
Brasil, Abril de 2012
135 x 177 mm, 114 p., pb, capa mole, quinzenal
R$ 6,90 / 3,40 €
O western puro e duro é o tema por excelência em Tex, mas ao longo dos seus quase 70 anos de existência, tem havido curiosas excepções. Mas talvez nenhuma tão estranha como a deste díptico.
Leitor regular de Tex, ao longo dos anos tenho trazido a este – e a outros espaços – algumas dessas ‘fugas à regra’, geralmente distintas pelo tom de sobrenatural ou fantástico que as caracterizam. No caso presente, a situação é bem diferente.
De regresso de uma viagem à Colômbia, Tex e Kit vêem o barco em que viajam desviado por piratas e, após um naufrágio, encontram-se numa ilha onde um parente de James Brooke, o rajá branco de Sarawak – esse mesmo, o grande inimigo de Sandokan… – planeia invadir e conquistar a ilha de Providence, para fazer dela o seu reino.
Os preparativos, nos quais Tex é obrigado a alinhar por Kit estar nas mãos dos seus adversários, são interrompidos pela aparição de um monstruoso animal que está a fazer vítimas entre os habitantes da ilha.
No final da revista #306 – ainda presente nas bancas portuguesas – o ranger irá descobrir que o animal em questão é nada mais, nada menos que um… dinossauro (!) como (será) mostrado na capa da revista #307, onde será explicada a sua origem e como os Willer vão solucionar o(s) problema(s).
Se já tinha visto Tex a defrontar uma tribo de vickings parada no tempo – in Tex Almanaque #16: A Ilha Misteriosa – e um cientista louco que conseguia fazer crescer seres humanos e animais – in Tex em Cores #22 – parece-me que esta aventura ‘pré-histórica’ do ranger – publicada originalmente no Tex italiano #253/#254, em 1981 – não sendo caso isolado (é verdade!!) – é a mais exótica que conheço e (até pela sua disponibilidade actual em Portugal) justifica, só por isso, esta nota de leitura.
*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro.
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A revista brasileira Bill The Kid & Outras Histórias atingiu neste mês mês de Novembro a edição nº 25, consolidando-se cada vez mais na história da produção brasileira por atingir tantos números, ainda por cima tendo o selo de uma editora alternativa, a Opção 2 do editor Arthur Filho, e por reunir tantos grandes nomes da banda desenhada brasileira, aliás a edição nº25 é um novo marco histórico, pois nunca uma revista independente de faroeste chegou tão longe no Brasil!
Billy The Kid & Outras Histórias nº 25 com póster de Tex da autoria de Alfonso Font
Esta edição nº 25 tem uma (magnífica) capa (colorida) de Fabio Chibilski e histórias de Zalla, Arthur Filho e Chibilski e ainda a rubrica Correio do Billy, mas o grande destaque é a publicação nas páginas centrais de um magnífico póster de TEX da autoria de Alfonso Font. Tudo isto numa nova impressão gráfica e nova diagramação e com apoio gráfico da Ink Blood de Fabio Chibilski.
Arthur Filho com duas edições da Billy The Kid
Recorde-se que esta colecção nasceu no ano de 2005, quando movido por uma antiga paixão pelos westerns, e vendo que nas bancas de jornais Tex Willer, o herói da Casa Bonelli, era o único título disponível para atender a uma legião de fãs de bang-bang, Arthur Filho decide publicar a revista Billy The Kid & Outras Histórias, mas para conhecer melhor este batalhador editor, leia a entrevista concedida recentemente ao nosso blogue, clicando AQUI!
Colecção Billy The Kid
Quem desejar adquirir este número (tem o formato A5, 30 páginas e miolo em papel reciclado e capa a cores em papel couchê 120g, com um custo de R$ 8,00) assim como números anteriores deve fazer os pedidos através do e-mail do próprio editor: arthur.goju@bol.com.br
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Tex no país do ouro negro, bem poderia ser o título desta história assinada por Manfredi e Leomacs, parafraseando uma célebre aventura de Tintin, na qual Hergé leva o seu célebre repórter até terras do Médio-Oriente. Tex no entanto não viaja até tão longínquas paragens, mas sim até à cidade de Hellsfire no Texas, disposto a lutar contra os irmãos Braddock, Bob que domina a cidade a seu belo prazer, e Jonas, dono de vários poços de petróleo e que tudo tem feito para impedir a afirmação de quem ali se queira instalar na sua exploração.
Esta é uma aventura historicamente documentada, porque na realidade o interesse pela comercialização do petróleo começa quando Samuel Kier, um empresário de Pittsburgh na Pensilvânia, patenteou um produto denominado azeite de rocha ou petróleo, inicialmente destinado a fins medicinais, mas que rapidamente teve sucesso. Este facto chamou a atenção de George Bissel, que reuniu um grupo de investidores com o objectivo de descobrir petróleo suficiente que pudesse ser explorado em larga escala, permitindo a sua utilização como combustível. Naquela altura, as lâmpadas de iluminação doméstica funcionavam devido à combustão do azeite de baleia, um componente caro e cada vez mais difícil de obter, porque conduzia à rápida diminuição dos mamíferos. O químico Benjamim Silliman confirmou a Bissel poder transformar o petróleo num combustível que pudesse substituir o azeite de baleia, mas para ser rentável a sua exploração tinha que se feita em grandes quantidades. Em vez dos métodos tradicionais da mineração, Bissell pensou em perfurar os terrenos para encontrar jazidas, o que veio a acontecer em 1859, quando Edwin Laurentine Drake (conhecido por coronel Drake) perfurou com êxito o primeiro poço de petróleo, inaugurando assim a era moderna do ouro negro, a busca incessante e generalizada de novos poços de petróleo e a criação de cidades em pleno deserto nos EUA.
O objectivo social de Kier foi assim rapidamente ultrapassado pelos intentos comerciais e mais lucrativos de Bissell, facto que Manfredi parece querer sublinhar nesta aventura, quando contrapõe um Tex mais interventivo do ponto de vista social aos intentos dos irmãos Braddock, sobretudo de Jonas, que pretende dominar a extracção do petróleo que parece abundar junto à cidade de Hellsfire. Manifestamente, aquilo que Manfredi faz é uma crítica social de um modelo fundamentado no lucro e é nesse sentido que deve ser compreendido todo o discurso que Tex faz, logo na cena inicial, preparando desta forma o leitor para uma interpretação atípica de uma aventura do ranger. Na realidade, perante toda uma plateia que o aplaude (onde se distinguem Aurelio Galleppini, Gianluigi Boneli e Guido Nolitta) durante a cerimónia de entrega da Rosa Amarela do Texas, um galardão de simbologia iminente maçónica (já que a rosa é um símbolo da maçonaria nos EUA), por parte do Governador do Texas, Tex não se coíbe de manifestar as suas preocupações sociais para com os colegas, levando o próprio Governador a questioná-lo ironicamente, no sentido de saber se o ranger tem intenções de se candidatar ao seu posto. Conhecendo os valores e a personalidade texiana, nada de mais errado, já que Tex, sendo um homem político no sentido em que defende muitas causas, mantém-se distante da política como de um ninho de cascavéis, segundo o próprio. Sabendo quanto Tex é avesso a estas manifestações públicas de reconhecimento, poderemos ser levados a concluir estarmos em presença de uma cena completamente falhada. No entanto, e sem discordar do facto de realmente toda a cena não corresponder à lógica texiana, a verdade é que, com esta introdução, Manfredi não só prepara o leitor para o que aí vem, como já referimos, mas também sublinha os valores e a ética texiana por uma maior justiça, em defesa dos mais desfavorecidos e de luta contra o poder corrupto, exaltando desta forma o herói bonelliano de natureza anti-conformista que se vai opor a dois irmãos, perfeitamente representativos de tudo o que Tex abomina. Dois irmãos que Manfredi caracteriza de forma sarcástica, porque se Bob nos é apresentado como um imbecil cruel, que se ri desalmadamente de quase tudo, mas que não hesita em matar de modo violento, escudado no poder do dinheiro e do irmão Jonas, este vai revelar-se sempre mais astuto e racional, vai exibindo uma aparente calma, muitas vezes irónica e fora de contexto, mas que se explica apenas pelo poder que sabe ter nas suas mãos e que lhe permitirá alcançar os seus intentos mais cedo ou mais tarde.
Tex e o petróleo na maravilhosa arte de Leomacs
Oro Nero não primará pela originalidade do seu argumento, mas distingue-se na forma como Manfredi o desenvolve. Há aqui algo que é pouco comum, há aqui qualquer coisa que nos parece inédito, uma ironia que funciona, porque Manfredi sabe sempre encontrar o toque e o tom certo, sabe construir uma galeria de personagens, qual feira de vaidades perfeitamente caracterizada e representativa da fina flor de uma cidade do velho oeste: os irmãos Braddock que dominam e que se encontram rodeados de perfeitos capangas e duros pistoleiros, o velho Randy Nelson, homem de um só braço, eterno bêbado e longe das capacidades para exercer o cargo de xerife para o qual fora eleito por Bob Braddock, o advogado Timothy Wilson, o juiz Felsen, o frade ou ainda Rachel, a prostituta, encontrando-se no meio desta galeria duas autênticas lendas, verdadeiros mitos como são Tex e Carson, que Manfredi objectivamente vai exaltando ao longo da aventura, quer na já referida cena inicial, mas também quando Jonas Braddock afirma saber muito bem quem são Tex e Carson, ou o caloroso cumprimento do juiz Felsen a ambos quando chega a Hellsfire.
Tex em acção na arte de Leomacs
Estamos em presença de uma aventura que traz algo de novo, porque mais do que um clássico conflito entre partes, Oro Nero é sobretudo uma visão do autor sobre modelos diferentes de sociedade, uma crítica aos senhores poderosos que ao longo da História e munidos dos instrumentos (leia-se investimentos) necessários souberam sempre lucrar com os seus negócios, não hesitando em ultrapassar tudo e todos, muitas vezes de formas pouco legítimas. Numa série de aventuras que sempre sublinhou o seu conservadorismo, encontraremos aqui um campo amplo de discussão, mas para já o que nos move é entender que há aqui uma nova abordagem, restando saber até que ponto ela nos poderá conduzir. Porque do petróleo, esse todos nós sabemos ao que historicamente nos conduziu, e Tex não andará muito longe da verdade quando, no final da aventura, refere a Carson que “O petróleo poderá ser o futuro do Texas, mas para mim é só imundice”, afinal de contas um expoente da porcaria que muitas vezes grassa, quando é o poder do dinheiro a mover as sociedades e o mundo.
Tex e a bela Rachel na arte de Leomacs
No desenho de Oro Nero encontramos Leomacs (Leonardo Massimiliano), cuja carreira começou em 1993, chegando à Sergio Bonelli Editore uma década depois, onde vai desenhar sucessivamente para Nick Raider, Magico Vento e Volto Nascosto, estas duas últimas de Gianfranco Manfredi, com quem agora volta a trabalhar. Com uma composição de Tex influenciada pelo modelo de Claudio Villa, Oro Nero é o seu terceiro trabalho na série, depois de ter substituído Manfred Sommer nas últimas vinte páginas da aventura Capitan Blanco de Claudio Nizzi e desenhado Mondego Killer de Mauro Boselli. A apreciação global é positiva, pelo facto de estarmos em presença de um desenhador muito dinâmico nos enquadramentos, no desenvolvimento imprimido à narração e no facto de querer ultrapassar graficamente os limites impostos pelos quadrados, sobretudo quando estamos em presença de uma série com os seus limites impostos editorialmente. Encontramos ainda um evidente cuidado na construção das personagens e dos cenários, mas o estilo realista de Leomacs não tende a ser polido, muito pelo facto de uma passagem a tinta assumidamente pouco incisiva.
Arte de Leomacs na série Tex
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Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente? Sebastião Roberti da Costa Júnior:Eu sou de Paconé, um município brasileiro do estado de Mato Grosso e que se situa a 100 km de Cuiabá, a capital do município, tendo nascido a 14 de Junho de 1988 e tenho a profissão de pedreiro.
Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada? Sebastião Roberti da Costa Júnior: O meu interesse pela banda desenhada vem desde pequeno, pois sempre gostei de histórias em quadrinhos de todo o tipo.
Quando descobriu Tex? Sebastião Roberti da Costa Júnior:Foi em 2000, quando encontrei pela primeira vez uma revista em uma lata de lixo. Foi paixão à primeira vista.
Porquê esta paixão por Tex? Sebastião Roberti da Costa Júnior:A paixão é incrível, você começa a ler e depois não quer parar mais. É aquela vontade que toma conta da gente.
O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos? Sebastião Roberti da Costa Júnior: Com certeza a lei da bala, sem falar das aventuras com os índios. O que outros personagens não costumam ter.
Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção?E qual a mais importante para si?
Sebastião Roberti da Costa Júnior:No total são umas 400. A mais importante sem dúvida é o Tex Coleção por ter várias histórias desenhadas pelo saudoso Galep.
Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana? Sebastião Roberti da Costa Júnior: Apenas livros. Digo isso por ser raro encontrar objectos do Tex na minha cidade.
Qual o objecto Tex que mais gosta de possuir? Sebastião Roberti da Costa Júnior:Infelizmente não possuo nem um objecto, só revistas que são mesmo a minha maior paixão.
Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista? Sebastião Roberti da Costa Júnior: A minha história favorita é O navio do deserto. O desenhador é o grande Claudio Villa e o argumentista é o Claudio Nizzi.
O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos? Sebastião Roberti da Costa Júnior: O que me agrada mais em Tex são as aventuras que acontecem nas pradarias do grande deserto do Arizona. O que me agrada menos são as histórias com pouca acção, aquelas que têm muitas falas e pouca emoção.
Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é? Sebastião Roberti da Costa Júnior: Com certeza o seu estilo incomparável e as suas revistas: umas mais maravilhosas que outras. Sem falar dos seus desenhadores geniais.
Costuma encontrar-se com outros coleccionadores? Sebastião Roberti da Costa Júnior:A vontade não falta, mas a falta de contactos com outros coleccionadores impedem-me de conhecer outros pards que eu gostaria muito de conhecer.
Para concluir, como vê o futuro do Ranger? Sebastião Roberti da Costa Júnior:Eu vejo um futuro longo para o nosso Ranger, digo isso pela Mythos Editora estar sempre lançando edições novas como por exemplo as Tex em cores. São maravilhosas, confesso que eu nunca cheguei a imaginar-me a ler uma edição toda em cores do nosso Tex. Para mim é umas das melhores colecções do Ranger.
Prezado pard Sebastião Roberti da Costa Júnior,agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
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Depois de LUCA VANNINI ter enviado propositadamenteDUAS magníficas ilustrações para duas belíssimas capas para a Revista nº 3 do Clube Tex Portugal (que em breve iremos divulgar) e de Stefano Bigliater também ele feito em rigoroso exclusivo para a mesma revista uma fantástica homenagem ao Mestre Fusco, temos também neste terceiro número da revista portuguesa devidamente autorizada pela Sergio Bonelli Editore, um pujante Tex desenhado magistralmente por Pasquale Del Vecchio igualmente em EXCLUSIVO para a revista do Clube português, desenho esse devidamente dedicado aos amigos do Clube, como vos damos a conhecer já de seguida:
Desenho de Pasquale Del Vecchio para a revista nº 3 do Clube Tex Portugal
Mas as colaborações dos autores do Ranger não se ficam por aqui, pois também o argumentista Moreno Burattini tem um texto nesta edição que também contará com apresentação MUNDIAL de uma página (ainda a lápis) da autoria de Maurizio Dotti, página essa da aventura que ele está a desenhar no presente para Tex e que somente quem adquirir a revista do Clube é que poderá apreciá-la já que não será divulgada ao público em geral.
E é assim também um enorme motivo de orgulho poder contar neste terceiro número com colaborações em exclusivo de autores texianos… e mais uma vez CINCOautores, que certamente tornam a Revista também imensamente cobiçada na Itália e no Brasil.
Revista do Clube Tex Portugal
Recordamos que a revista do Clube Tex Portugal é exclusiva para os sócios que têm direito a um exemplar gratuito podendo adquirir mais exemplares se o desejarem, pelo que se alguém que não seja sócio desejar um exemplar, deve contactar um sócio do Clube com quem tenha alguma familiariedade para que este adquira então o exemplar desejado, mas não demore muito a fazê-lo porque a tiragem é limitada e há o grande risco desta edição número 3 esgotar-se, tal como aconteceu com a já mítica revista nº 1 e está prestes a acontecer também com a revista nº 2.
Quem ainda não é sócio e queira fazer parte do Clube Tex Portugal – cujos estatutos podem ser vistos aqui – e ter então direito à revista gratuita é necessário pagar uma jóia de inscrição de 5,00 € e uma quota mensal de 2,00 € (2,50 € se não for residente em Portugal).
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