Aniversário, sempre com Tex presente

Por José Carlos Francisco

Mais um aniversário e mais uma vez Tex esteve presente, pois este ano para comemorar os meus 49 anos (feitos hoje, terça-feira, dia 13 de Dezembro) de existência recebi novamente muitas mensagens de felicitação, mensagens por sinal bem texianas como o belo “cartão postal” idealizado pelos meus grandes Amigos Jorge Magalhães e Catherine Labey que enviaram os seus calorosos parabéns por mais este meu aniversário, trabalhando uma bela ilustração do consagrado desenhador Giulio De Vita.

Feliz aniversário para José Carlos Francisco, por Catherine Labey e Jorge Magalhães

Também o pard Enos Moisés da Silva fez-me uma bela surpresa texiana criando belas palavras baseadas no meu nome, tendo como pano de fundo uma fantástica arte de Luca Vannini onde eu estou de Colt em punho ao lado do Ranger Tex:

Homenagem de Enos Moisés da Silva

Outro presenTEX bem especial neste meu dia de aniversário, foi o “confeccionado” pelo prestigiado desenhador Alexander Vachkov-Sash, um conceituado desenhador búlgaro que é um grande fã e coleccionador do Ranger Tex Willer e tem como um dos maiores sonhos desenhar o nosso intrépido herói para a Sergio Bonelli Editore. Nesta sua arte, Alexander Vachkov-Sash desenhou Tex a brindar ao meu aniversário e parabenizando-me num óptimo português:

O brinde de Tex por Alexander Vachkov-Sash

Mas também a texiana amiga Dilma Baldez resolveu homenagear o seu pard português, através de uma arte de Leomacs onde o Ranger saúda então o aniversariante:

A homenagem de Dilma Baldez

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Póster Tex Nuova Ristampa 273

Póster Tex Nuova Ristampa 273

Ilustração cheia de suspense, realizada por Claudio Villa, onde vemos Tex Willer em baixo de um embarcadouro em Boston, prestes a ser atacado à traição por Requin, um “tubarão” envolvido com tráfico de armas!

Desenho INÉDITO no Brasil e inspirado na história “Missione a Boston”, de Claudio Nizzi e Fabio Civitelli (Tex italiano #414 a #416).
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WELCOME TO SPRINGVILLE

Por Carlos Gonçalves

Ao olharmos para estes 11 episódios que Giancarlo Berardi e Renzo Calegari/Ivo Milazzo criaram, no intervalo do lançamento de algumas aventuras de “Ken Parker”, não duvidamos que esta é uma pequena série infelizmente, mas fabulosa na sua concepção. Digamos que os três autores, independentemente da ligação que já havia entre eles para a continuidade de escrever um, os textos e os outros dois artistas, desenhar, teremos que concluir que jamais três pessoas ligadas à banda desenhada se completaram tão bem entre si, como na produção desta série. O mesmo já tinha sido detectado no “Ken Parker”, pois Berardi é um portento nos argumentos, como Milazzo é nos desenhos daquele “herói” e como Calegari seria também nesta série. Em qualquer das duas séries as paisagens são fabulosas e nos detalhes de cada cena, não foram esquecidos os pormenores e os cenários adequados a um “western” bem documentado. Esta série seria inicialmente publicada em Itália na revista “Skorpio” em 1977/79.

Sete dos seus episódios foram desenhados por Calegari e quatro por Ivo Milazzo. O velho Oeste é muito bem retratado no viver quotidiano de uma pequena cidade, unicamente com um aglomerado de casas, tal como os antigos filmes de “cow-boys” em que um hotel, um bar, um bordel, o escritório do xerife, um armazém que vende tudo e poucos prédios mais, povoavam a pequena rua mais central da cidade. A série nem possui personagens fixas e aparece um ou outro assalto e muito poucos tiroteios. Não faltarão as mulheres do salão, os batoteiros, os párias, os pistoleiros com contas a ajustar e os caçadores de recompensas. Os índios aparecem unicamente em dois dos episódios…
As personagens vão rodando e aparece-nos uma jovem noiva chamada “Esther”, que tenta enganar o noivo, ao pensar roubar as suas economias, depois será um barbeiro chamado “John Eberhart”, que possui o “hobby” da fotografia e também o xerife “Bryan Walker”, um homem de grande integridade moral e que desempenha o seu papel de forma diplomática.


Outras personagens serão o ”Lenny”, empregado de balcão, cujo passado o persegue, depois é o médico “Elija Scot” que é aparentemente um homem tranquilo, mas que sabe usar a arma quando se torna necessário, um anarquista que tenta matar o presidente, viverá o seu momento de glória morrendo a seguir e temos ainda “Mike Donovan”, um “cow-boy” que tinha um passado turbulento. Temos igualmente “Hatfield”, um batoteiro cujo fim se avizinha ser breve e ainda nos restam mais as personagens, “Virgil” e “Quanah”, um caçador de peles e um índio…
Os episódios são pequenos, com doze páginas apenas cada um, com excepção do último com duas partes de doze páginas cada. As personagens desempenham o seu papel, como de um filme se tratasse, tal é postura de cada uma, no modo como é apresentada. Vamos ainda a ter acesso a um investigador ligado à Agência Pinkerton, célebre na sua época por perseguir e apanhar sempre o seu criminoso. Finalmente temos o último episódio, cujo enredo é dividido em duas partes e que marca o destino do tal “cow-boy”, os que o perseguem no início e o duelo final, num ajuste de contas sempre agradável de se assistir, ao mesmo tempo que a situação de uma criança refém dos opositores do nosso “cow-boy”, acaba por ter um final feliz, quando a esta é salva e se verifica a aceitação desta última personagem, no seio da sociedade da pequena cidade de Springville. Só temos pena de não termos o privilégio de ter acesso a novos episódios desta excepcional série, cuja qualidade ultrapassa o que de uma maneira geral tem sido criado por outros autores sobre este tema.

No Brasil a série “Welcome to Springville” seria publicada na revista “Histórias do Faroeste” a partir do seu nº. 12 (Novembro de 1980) e terminaria no nº. 22 (Setembro de 1981). Infelizmente as dimensões da publicação eram muito pequenas, pelo que a mesma não beneficiaria em nada o seu aspecto gráfico, antes pelo contrário.

IVO MILAZZO, UM DOS DESENHADORES DA SÉRIE


Ivo Milazzo nasceu em Tortona a 20 de Junho de 1947. Seria na década de 70 que juntamente com o argumentista Giancarlo Berardi criou a personagem “Ken Parker”, cujo sucesso passaria fronteiras. Outras séries seriam igualmente desenhadas por si, nomeadamente “L’Uomo delle Filippine”, “Welcome to Springville”, “Marvin, il Detective”, “Tom’s Bar”, “Giuli Bai & Co.” e “Magico Vento”. Mas o seu primeiro trabalho seria “Il Cieco” publicado na revista “Horror” italiana, cujo texto era de Berardi. Em 1974 os dois ofereceram a série “Ken Parker” à Sergio Bonelli Editore que seria aceite. Durante três anos recriaram a personagem baseada na figura do artista de Cinema Robert Redford e de uma forma em que a personagem tentaria ser autêntica, quase sem violência, apesar de na época em que a acção se passa, a vida ser rude no Oeste. E o nosso“herói” seria lançado. Em qualquer trabalho de banda desenhada sabemos que uma pesquisa terá que ser feita, para que o trabalho seja coerente e fidedigno. Quer este desenhador quer o autor dos argumentos, estudavam as situações antes de as criar. Ainda que autor de um traço mais simples, Ivo Milazzo tenta passar uma imagem visual directa para o leitor. Como prova de que o estilo do desenhador foi bem aceite, não há dúvida, já que o sucesso verificou-se e o “Ken Parker” foi editado na Turquia, Espanha, Grécia, Holanda, nos países eslavos, França e Brasil.

GIANCARLO BERARDI, UM ARGUMENTISTA DE PESO


Giancarlo Berardi nasceu a 15 de Novembro de 1949 em Génova, Itália e quando novo, possuía uma grande paixão pelo teatro e pela música. A sua estreia como argumentista dá-se no princípio dos anos setenta, quando escreve o texto de “El Cieco”, que Ivo Milazzo desenha. Segue-se “Il Palafita” também com Milazzo, “Tarzan”, “Gato Silvestro” e “Topolino” ainda nesse ano de 1970. No ano seguinte será a vez de escrever textos para a série “Diabolik”. Em 1974 é então que resolve oferecer o “Ken Parker” que Sergio Bonelli aceita e será publicado em 1977. Textos para “Wyatt Doyle” e “Terra Maledetta”, serão dois trabalhos seus que Gianni Forgiarini e Antonio Canale desenham respectivamente. Depois a série “Tiki” terá igualmente texto seus, o que acontece igualmente na série “Il Piccolo Ranger” com desenhos de Lina Buffolente. Em 1977 aparece então “Welcome to Springville”. A série retrata uma pequena cidade da fronteira, em finais dos anos 1800, com personagens quotidianas e felizes com as suas vidas simples. Em 1980 é a vez de criar a história ”L’Uomo delle Filippine”. Dois anos depois cria argumentos para“Marvin il Detective”.

Em 1985 é a vez de escrever argumentos para as séries “Ken Parker”, “Tom’s Bar”, “Giuli Bai & Co.”, “Tommy Stele” e “Sherlock Holmes”. Em 1989 e com a sua editora, ocupa-se a lançar de novo a sua série “Ken Parker”, o que o ocupará alguns anos. Em 1998 está de volta com a série “Nick Raider” e uma história de “Tex”. Será também neste ano que cria a sua nova série “Julia”, que irá igualmente atingir o sucesso merecido. Ao mesmo tempo o nosso autor é distinguido com vários prémios: Anafi, Oesterheld, Haxtur e Yellow Kid.

RENZO CALEGARI, O PRINCIPAL DESENHADOR DA SÉRIE


Renzo Calegari nasceu também em Génova a 5 de Setembro de 1933. Desde muito novo dedica-se ao estudo do desenho. Em 1955 dá os seus primeiros passos nas séries “El Kid” e “I Tre Bill”, seguindo-se a “Big Davy”. Mas uma das suas vastas produções irão estar ligadas à “Storia del West” em 1964, na criação de várias pranchas e de capas para essa série que seria publicada em Portugal e no Brasil. Em 1969 abandona temporariamente a banda desenhada, voltando unicamente em 1977 precisamente a desenhar a série “Welcome to Springville”. Segue a sua vida artística com algumas produções para as revistas italianas “Orient Express” e “Il Giornalino”. Ocupa-se a seguir de uma história de “Tex”, já em 1994. Trabalhos esporádicos acompanham-no ao longo de mais duas décadas.

Em 2014 e numa homenagem a este desenhador, a Mondadori Editore resolveu publicar um volume com a série completa, mas desta vez com as cores de Maurizio Mantero. Calegari é um excelente pintor e a prova disso está bem patente nos trabalhos paralelos que executa sobre o Oeste onde sobressaem as cores quentes em que é mestre.

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