Tex nº 241 – LE TERRE SELVAGGE
Entrevista com o fã e coleccionador: Djones Monteiro
Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.
Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Djones Monteiro: O meu nome é Wellinton Djones Monteiro, sou natural de Ortigueira, uma cidadezinha no interior do estado do Paraná, Brasil. Moro num sítio retirado 10 km da cidade. Nasci em 1988, sou estudante de Física numa instituição federal. Formo-me no ano que vem!
Quando nasceu o seu interesse pela banda desenhada?
Djones Monteiro: Eu posso dizer que aprendi a gostar de quadradinhos lendo Tex. Já li alguns outras personagens, porém Tex foi o precursor.
Quando descobriu Tex?
Djones Monteiro: O meu falecido tio Aristeu Siqueira lia Tex, um dia ele narrou uma aventura de Tex, já que eu ainda nem sabia ler. Fiquei impressionado, assim acabei aprendendo a ler nas revistinhas do Tex. Lembrando que aprendi a desenhar também, copiava os traços dos desenhadores, acabei aprendendo a desenhar.
Porquê esta paixão por Tex?
Djones Monteiro: Tex faz parte da minha história, aprendi a ler antes da idade “normal” (tinha quase 6 anos) só para ler as suas histórias, eu sentia-me dentro das aventuras, eu vestia-me de Jack Tigre e fabricava flechas para brincar! Rsrsrs…
O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Djones Monteiro: Na verdade não tenho muitos outros heróis que li. Posso compará-lo com Zagor e Mister No, talvez. Mas acredito que não existe nada igual ao nosso ranger, sua fidelidade à história com Lilyth, sua lealdade com seus amigos, sua coragem e inteligência. Tex é humano, é incomparável!
Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Djones Monteiro: Tenho aproximadamente 1000 revistas, porém não em sequência. Ainda faltam-me muitas, devido à faculdade eu diminuí o ritmo nas compras. Em breve volto a todo vapor. Não tenho uma revista mais importante, todas são de igual importância.
Colecciona apenas Tex ou também algumas outras personagens bonellianas?
Djones Monteiro: Somente Tex.
Qual o objecto Tex que mais gostaria de possuir?
Djones Monteiro: Com certeza o Colt… Hahahaha!
Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Djones Monteiro: Tenho várias histórias favoritas. Vou citar uma: “Um tigre na escuridão”. Essa trama marcou-me muito pois foi desenhada magistralmente pelo grande Claudio Villa que, por sinal, é o meu favorito. Assim, essa história foi um dos meus primeiros contactos com os desenhos de Villa, e logo me encantei. Quanto ao argumentista, sou fã do Nizzi.
O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Djones Monteiro: Agrada-me a coragem do nosso ranger, sua lealdade e carácter. Pensei muito aqui e não achei nada que me desagrada em Tex…
……………………………………………………………Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Djones Monteiro: Com certeza Tex é ícone pois manteve seu propósito desde o início, não desfez o seu juramento, sempre foi conservador.
Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Djones Monteiro: Dificilmente, somente com o meu pai que também é leitor de Tex. Porém, gostaria muito de passar momentos na companhia de mais pessoas amantes do nosso herói. Seria muito interessante.
Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Djones Monteiro: Olha, infelizmente a nossa realidade não é favorável ao nosso herói. Cada vez as crianças lêem menos, as redes sociais e aplicativos, assim como jogos electrónicos desviam a atenção das leituras. Mas, se depender de mim vou lutar para adquirir novos leitores: meus filhos e netos. Viva Tex!!!
Prezado pard Djones Monteiro agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
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SOLUÇÃO do passatempo sobre as 56 personagens do Mundo de Tex, numa fantástica arte de Stefano BIGLIA
Há alguns dias lançamos aqui, no blogue do Tex um passatempo baseado numa fantástica ARTE de Stefano Biglia, arte essa que demorou vários meses a ser realizada e que Biglia brindou-nos com um verdadeiro QUADRO onde exibia 56 (cinquenta e seis) personagens do mundo de Tex, numa deslumbrante arte intitulada “Tex e Amigos” e onde cada personagem estava numerado de modo a que você, caro leitor, pudesse associar o número com a personagem de modo a poder identificar cada personagem do Mundo de Tex representada por Stefano Biglia!
Hoje damos a conhecer a solução do passatempo, divulgando os nomes (em italiano) das personagens após cara respectivo número (Amplie as imagens de modo a poder ver pormenorizadamente cada número e respectiva personagem):
“O segredo do juiz Bean” (da Polvo Editora) na análise de Rui Cunha
Por Rui Cunha
São raras as vezes em que um livro de banda desenhada começa com a imagem de uns abutres a voarem sob um sol quente de meio do dia, logo seguida duma outra onde os mesmos abutres investem sobre um qualquer objecto que, no quadro seguinte, descobrimos ser o cadáver de um cowboy. Não deixa de ser um início digno do melhor (ou do pior) Western ou de um qualquer livro cuja acção decorra no velho Oeste. Mas tratando-se duma aventura de Tex Willer, o Ranger mais famoso do Oeste, este mesmo começo, forte e pouco habitual nas suas aventuras, adquire uma outra dimensão que nos obriga de imediato a voltar a página para ver o que acontece e aqui sim, definitivamente, estamos no universo de Tex Willer, personagem de banda desenhada criada por Gian Luigi Bonelli e Aurelio Galleppini, em 1948 e onde o caso muda de figura.
Percebemos então que Tex e Kit Carson, seu companheiro de aventuras, estão na pista de Lonnie Moon e do seu bando de assaltantes de bancos. A perseguição vai levá-los até Langtry, um povoado perto da fronteira com o México, onde os dois Rangers vão encontrar uma personagem com quem já se haviam cruzado anteriormente: Roy Bean, um Juiz que diz ser “A única Lei a Oeste do Pecos”. Depois de ouvirem a sua história e ele lhes revelar dois segredos que guardou consigo a vida inteira, Tex e Kit, apelando ao seu senso de honra e justiça, decidem ajudar a enfrentar e resolver um problema que o Juiz vai ter pela frente.
Está dado o mote para “O Segredo do Juiz Roy Bean”, uma história escrita por Mauro Boselli e desenhada por Pasquale Frisenda, a mesma dupla que já havia feito “Patagónia”, em 2009 e com o qual a Editora Polvo inaugurou, em 2015, a série “Tex Romance Gráfico”, da qual vem agora a lume o terceiro volume.
Já em “Patagónia” se percebia o fascínio que o universo do velho Oeste exercia sobre os autores, bem patente na arte com que ambos nos brindaram então. Se naquele o facto de Boselli deslocar a acção, habitualmente centrada nas pradarias do oeste para as pampas argentinas, se revelara um risco que poucos autores estão dispostos a correr e que Frisenda tão bem soube ilustrar, em “O Segredo do Juiz Roy Bean” os mesmos riscos voltam a estar presentes, apesar da acção se passar no universo habitual do género, mas a história, graças a um argumento inteligentemente escrito, evita os lugares-comuns e a narrativa fácil que poderia comprometer o seu desenvolvimento. Quando tudo parece quase resolvido, o argumento cresce evoluindo para algo tão singelo como a ganância e adquire uma outra dimensão, esta, já própria do Oeste.
Pasquale Frisenda, por seu lado, alimenta o argumento de Boselli com quadros dignos do melhor que alguma vez se produziu em banda desenhada (como o já citado quadro inicial ou as sequências de acção que acontecem em Langtry quando o bando de Pablo Morientes ataca). Talvez o melhor momento de toda a obra esteja no começo da pág. 59 com o pôr-do-sol (magnificamente captado pelo desenhador) e continua nas páginas seguintes (o avanço do bando com o sol pelas costas) e termina na investida dos cavaleiros no principio da página 69, pelo meio estão várias páginas que complementam a cena e que não deixam igualmente de ser dignas de referência. Frisenda afirma-se também pela forma como desenha as personagens que vão surgindo na história, algumas delas parece que ganham vida própria no seu traço (principalmente Lily Langtry, a eterna paixão de Roy Bean, quando surge na sequência do sonho). É um livro que se lê com um agrado entusiasmante e de um fôlego só.
Fica igualmente a ideia de que ambos os autores são fãs incondicionais do Oeste e do universo por ele criado. Se na obra anterior da dupla, essa mesma paixão já se notava e aparecia em muitas das páginas, em “O Segredo do Juiz Roy Bean”, ela é praticamente permanente em toda a obra, cada página é um exemplo vivo dessa mesma paixão e ainda existe espaço para algumas referências e/ou homenagens a obras da Sétima Arte como por exemplo, “High Noon – O Comboio Apitou Três Vezes” (Fred Zinnemann, 1952) em toda a sequência que se passa em Langtry quando o Juiz, os cowboys que ficaram e os Rangers aguardam a chegada de Shad Collins, irmão de um dos réus julgado e enforcado por Bean e do bandido mexicano Pablo Morientes e do seu bando ou alguns outros clássicos do Western que, de uma maneira ou de outra vão desfilando perante os nossos olhos em páginas carregadas de paixão pelo género e pela Nona Arte.
Quanto à edição em si, “O Segredo do Juiz Roy Bean”, é mais um triunfo com que a Polvo Editora de Rui Brito brinda o leitor. Um livro apresentado num papel suave e de fácil manuseio (apesar das suas mais de 220 páginas!), capaz de ombrear com o que se faz internacionalmente mas também de fazer envergonhar qualquer editora de renome.
Toda a edição, parece-me, foi pensada para tornar a sua leitura cativante: a começar na introdução/apresentação da personagem do Juiz Roy Bean, mais um excelente texto escrito pelo Mário Marques, que nos dá o mote para, mais que nunca, nos atirarmos à leitura de toda a história parabéns, Mário! (eu também gostava de escrever assim!); uma história, duas capas exclusivas para a edição portuguesa, feitas por Pasquale Frisenda (qual delas a melhor!?), a título particular, devo dizer que este leitor/comentador teve alguma dificuldade em escolher qual a melhor capa, por isso adquiriu duas edições do livro com ambas as capas e leu a obra a partir de uma e escreveu este comentário a partir da outra porque realmente é muito difícil escolher uma das capas! (apesar de nas badanas de ambas as edições, constar a outra capa além de outras informações), o que denota o apreço dedicado a esta obra por parte de todos os envolvidos, sem falar, claro, nos seus autores, desde Rui Brito, responsável pela edição, Mário Marques e sem esquecer o José Carlos Francisco, o culpado principal por esta obra chegar ás mãos dos fãs portugueses de Tex.
Finalmente chegamos ao cerne da questão e o único senão desta luxuosa edição: a sua tradução que como se sabe é da responsabilidade do José Carlos Francisco, neste e nos volumes anteriores e, espera-se, igualmente nos próximos. Não querendo menosprezar o titânico trabalho que uma tradução deste género implica (que já frisei nos comentários anteriores), apesar da revisão a que as obras são submetidas (na maior parte dos casos pelo editor, o que também acontece neste livro), tenho de reconhecer que, se de “Patagónia” para “Tempestade sobre Galveston”, houve melhorias e deste para “O Segredo do Juiz Roy Bean”, houve ainda mais, continuam a existir léxicos brasileiros (mas, reconheço, que nesta edição, existem muito menos), que continuam a manter estas edições da colecção Tex Romance Gráfico numa espécie de híbrido entre o brasileiro e o português, o que, numa edição que se diz exclusivamente portuguesa, não soa lá muito bem. Seja como for, quero dar os parabéns, uma vez mais, ao hercúleo trabalho que o Zé Carlos teve na tradução de mais esta história e, tal como disse no meu comentário ao volume anterior desta colecção, continuo à espera dum volume totalmente escrito em português! Rui e Zé, Keep up the good work!!
Para quem gosta deste género de aventuras passadas no velho Oeste, para quem gosta de Tex ou para o simples apreciador de Banda Desenhada, “O Segredo do Juiz Roy Bean” é o livro indicado e é mais um triunfo editorial português.

O livro “O segredo do juiz Bean“ encontra-se à venda nas Bertrand’s e FNAC’s espalhadas pelo país.
Há também sempre a possibilidade de poder enviar um e-mail ao editor Rui Brito para adquirir directamente o livro à Polvo Editora. O seu e-mail é ruibritobad@gmail.com
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Póster Tex Nuova Ristampa 275
Nesta dramática ilustração realizada por Claudio Villa vemos Tex Willer, numa noite de luar, entrando cuidadosamente no posto comercial de Água Clara, nos Montes Saguaro, perante a presença de Budy, um cão com um brilho fosforescente de morte nos olhos, devido a ter sido afectado pela radiação de um meteorito vindo do espaço e que caiu num poço.
Desenho INÉDITO no Brasil e inspirado na história “La luce dallo spazio”, de Mauro Boselli e Guglielmo Letteri (Tex italiano #420 a #422).
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