Exposição PERMANENTE dedicada a TEX no Museu do Vinho Bairrada: Anadia Capital Portuguesa do Tex

Por José Carlos Francisco (texto) & Cristina Amaral, Keiko Ichiguchi, Eng. Jorge Sampaio, Marco Guerra e Orlando Santos Silva (fotos)


No passado dia 29 de Abril, integrada na 4ª Mostra do Clube Tex Portugal, evento realizado em Anadia e na presença dos consagrados desenhadores Andrea Venturi e Leomacs (cujos recentes trabalhos estiveram expostos no Museu do Vinho Bairrada, durante o fim de semana em que decorreu este magnífico evento), decorreu a Inauguração de uma Exposição PERMANENTE dedicada a Tex, exposição essa que se encontra patente no Museu do Vinho Bairrada e tem a (enorme) particularidade de ser a ÚNICA Exposição PERMANENTE (exposta numa ala inaugurada precisamente nesta 4ª Mostra) neste magnífico Museu Bairradino que não está relacionada com o vinho e que mostra bem a importância e a aposta do Executivo Camarário assim como da Direcção do Museu do Vinho Bairrada.

Exposição permanente dedicada a Tex no Museu do Vinho Bairrada

Deste modo, todo e qualquer visitante ao Museu terá oportunidade de se deparar com as belíssimas ARTES de Pasquale Del Vecchio, Stefano Biglia, Massimo Rotundo, Maurizio Dotti, Leomacs e Andrea Venturi, todas elas relacionadas com a região Bairradina em geral e com Anadia em particular, artes essas que mostram o Ranger frente aos Paços do Município de Anadia (Pasquale Del Vecchio, 2014), com a bandeira do Município de Anadia (Stefano Biglia, 2015), colhendo uvas na Bairrada (Massimo Rotundo, 2016), frente ao Palácio do Marquês da Graciosa (Maurizio Dotti, 2016), em duelo numa rua de Anadia em pleno século XIX (Leomacs, 2017) e com Kit Carson junto ao Monumento aos Combatentes de Anadia mortos na Grande Guerra (Andrea Venturi, 2017), numa ala criada para o efeito e que será enriquecida a cada novo ano com novas artes que os autores convidados no futuro certamente realizarão como forma de homenagear novas passagens de Tex pela cidade de Anadia.

Tex frente aos Paços do Município de Anadia, arte de Pasquale Del Vecchio

Tex frente aos Paços do Município de Anadia, arte de Pasquale Del Vecchio

Artes de Stefano Biglia e Massimo Rotundo, respectivamente Tex com a bandeira do Município de Anadia e colhendo uvas na Bairrada

Tex frente ao Palácio do Marquês da Graciosa, arte de Maurizio Dotti

Artes de Leomacs e Andrea Venturi, respectivamente Tex em duelo numa rua de Anadia em pleno século XIX e Tex e Kit Carson, junto ao Monumento aos Combatentes de Anadia mortos na Grande Guerra

A cerimónia de inauguração para além dos desenhadores presentes, Andrea Venturi e Leomacs, contou com as ilustres presenças do Excelentíssimo Senhor Vice-Presidente da Câmara Municipal de Anadia, Engenheiro Jorge Sampaio e do Excelentíssimo Senhor Director do Museu do Vinho Bairrada, o Doutor Pedro Dias para além de toda a Direcção do Clube Tex Portugal e até dos editores Rui Brito (Portugal) e Dorival Vitor Lopes (Brasil) e ainda do PRÓPRIO TEX e ainda cerca de uma centena de fãs e coleccionadores de Tex, de Portugal, mas também do Brasil, que abrilhantaram a cerimónia onde também o Executivo Camarário atribuiu o nobre título de Anadia passar a ser a Capital Portuguesa do Tex, mostrando que a aposta da Câmara Municipal de Anadia em Tex é portanto cada vez maior, tendo então este ano adoptado oficialmente o estatuto de Capital Portuguesa do Tex, acto este que reconhece a importância que o município bairradino atribui à mais popular e carismática personagem dos fumetti, uma decisão, no mínimo inédita entre nós, em relação a um herói de Banda Desenhada e que atrairá decerto mais visitantes do meio bedéfilo a esta região afamada pelo seu vinho, pelos seus leitões e pelas suas belezas naturais.

Vice-Presidente da Câmara Municipal de Anadia prestes a inaugurar a exposição permanente dedicada a Tex pelo Museu do Vinho Bairrada

Vice-Presidente da Câmara Municipal de Anadia prestes a inaugurar a exposição permanente dedicada a Tex pelo Museu do Vinho Bairrada

Vice-Presidente da Câmara Municipal de Anadia inaugura a exposição permanente dedicada a Tex exposta no Museu do Vinho Bairrada

Tex (Mário João Marques), José Carlos Francisco, Vice-Presidente da Câmara Municipal de Anadia (Eng. Jorge Sampaio) e Dr. Pedro Dias (Director do Museu do Vinho Bairrada) e o estatuto de Anadia – Capital Portuguesa do Tex!

José Carlos Francisco na capital portuguesa do Tex

O Museu do Vinho Bairrada foi inaugurado a 27 de Setembro de 2003. Sob a tutela da Câmara Municipal de Anadia, está instalado num edifício construído de raiz para o efeito, dotado de mobiliário adequado aos espaços e funções, com equipamentos informáticos e audiovisuais, e sistema de segurança. A Exposição Permanente, designada por Percursos do Vinho, encontra-se no piso zero do museu e exposta ao longo de seis salas temáticas, com peças de valor arqueológico, etnográfico e técnico, reunidas com a colaboração de diversos vitivinicultores, entidades locais e nacionais.  E agora, então como prova da consideração e apreço do município, realce também para a exposição permanente dedicada ao Tex no Museu do Vinho Bairrada, tratando-se, como dissemos anteriormente e não nos cansamos de repetir, da única exposição permanente que não está relacionada com o vinho, mas que exibe as belíssimas Artes com que os desenhadores de Tex agraciaram Anadia e a sua região nestes últimos 4 anos!

José Carlos Francisco e a exposição dedicada à capital portuguesa do Tex no Museu do Vinho Bairrada

José Carlos Francisco com Andrea Venturi e a sua arte com Tex e Kit Carson em Anadia

Tex e Kit Carson em Anadia a admirar a arte realizada por Andrea Venturi

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COLECCIONÁVEIS TEX – MÍDIA IMPRESSA – Parte 3

Por Ezequiel Guimarães (texto) e Renato Alves da Silva (fotos e informações)

Continuação da Parte 1
Continuação da Parte 2

Desde a publicação de COLECCIONÁVEIS TEX: MÍDIA IMPRESSA TEMÁTICA e COLECCIONÁVEIS TEX – MÍDIA IMPRESSA TEMÁTICA – Parte 2 tenho recebido solicitações de actualização da lista relacionada na Parte 2, já que ao longo do tempo novos itens foram informados em outros posts aqui mesmo no blogue do Tex, e outros itens foram-me sugeridos por leitores do blogue.


Estou a trabalhar na actualização, que brevemente publicaremos aqui, incluindo também itens (fanzines, prozines, revistas, jornais, livros, etc), não necessariamente temáticos ao ambiente das BDs, mas agora de uma amplitude de segmentos maior, pois outros leitores do blogue assim solicitaram, quando inclusive me indicaram mais outros itens. Por isso a rubrica passa-se a chamar a partir de agora COLECIONÁVEIS TEX – MÍDIA IMPRESSA.

Então aproveitando a volta ao assunto, e para aqueles que não se lembram, ou não sabem do que estou a falar, o assunto que retomamos agora, é de itens impressos, que citam Tex, pois como já é de conhecimento dos texmaníacos, muitos gostam apenas de ler as histórias do ranger mais temido do Oeste, e trocam os seus exemplares por outras edições, de Tex  ou até de outras personagens.

Mas outros gostam de manter as suas revistas texianas, e há aqueles que por gostarem tanto de Tex, acabam  além de não se desfazerem das suas edições, dão início a uma colecção.

Entre esses, há aqueles que só as histórias não bastam mais, a “sede” pela personagem aumenta, então eles querem saber mais, ler sobre o ambiente das histórias, saber sobre os roteiristas e/ou desenhadores, ler sobre a história editorial da personagem, conhecer sobre as influências dos criadores, ler resenhas de histórias; ler comentários, matérias, sobre a personagem, sobre o género literário no qual ela está inserida, enfim, ler “tudo que puder” sobre a sua personagem favorita, ou seja, no nosso caso… TEX !

Esse grupo selecto de pessoas procura material texiano em jornais, revistas e livros que abordam sobre a personagem e o seu mundo, ou seja, a mídia impressa temática das BDs. E muitas vezes, acabam também por coleccionar esses itens, até se a mídia impressa, que citou Tex, não for voltada ao ambiente das histórias de banda desenhada, e sim a alguma outra temática.

Por isso, dando continuidade ao assunto, abaixo relacionamos novos itens, que abordam, de uma maneira ou de outra, algo sobre o granítico ranger (e que estarão inclusos na nova relação geral a sair):

– Revista HQ CD  – Ano 1 – nº 1

Datada de Maio de 1997, foi publicada pela Editora Nova Sampa Diretriz Editorial.

No texto ´Troféu HQ MIX 1996-1997´, Wagner Augusto, relata a conquista do troféu HQ MIX (1996) pelo ranger mais temido do Oeste em duas publicações:

PRÉMIO GRAPHIC NOVEL ESTRANGEIRA – Tex, O Vale do Terror – Out/1996 (Editora Globo/Sergio Bonelli Editore) e  PRÉMIO EDIÇÃO ESPECIAL – Tex, Almanaque do Faroeste – Ago/1996 (Editora Globo/Sergio Bonelli Editore), além de publicar uma biografia do desenhador Roberto Raviola, sob o título “O Magnífico Magnus“.

Ainda também de Wagner Augusto, há outro texto, onde ele comenta sobre a mais antiga mostra de Banda Desenhada da Itália que se realiza nos meses de Janeiro e Fevereiro na cidade de Rapallo, texto sob o título “Comendo Fumettis“. Título propositadamente escolhido pois há um tradicional jantar da entrega dos prémios, realizado no restaurante U Giancu.

Para se ter uma ideia da importância do evento, na época (1997), contou com a presença de convidados especiais, entre outros,  de Renzo Calegari (Storia del West), Ivo Milazzo (Ken Parker), G. Ferri (Zagor), Alfredo Castelli (Martin Mystère), Zanibone (Diabolik), além do saudoso editor Sergio Bonelli.

– KABOOM! – Edição Especial – Ano 1 – nº 1

Publicada pela Editora Eclipse, não consta informação da data de lançamento, mas provavelmente deve ser do final de 2004, pois há informações de lançamentos previstos para o ano de 2005. Há um texto com o título “Sergio Bonelli Editore – Quadrinhos Made in Italy”, mas sem mencionar o autor.

O texto aborda personagens bonellianas publicadas no Brasil, destacando como sendo a principal o ranger Tex Willer, criado por Giovanni Luigi Bonelli e Aurelio Galleppini, em 1948. Descreve a trajectória, características, e editoras de personagens como: Tex, Zagor, Ken Parker, Martin Mystère, Mister No, Dylan Dog, Nick Raider, Nathan Never, Julia, Mágico Vento e Dampyr, além dos títulos ainda inéditos no Brasil como:  Brendon, GEA, Jonathan Steele e Napoleone. O material todo se estende por quatro páginas.


– Revista Wizmania – 2ª edição

A Wizmania já é uma publicação bem mais conhecida do que a HQ CD, e a KABOOM. Na edição publicada pela Editora Panini Brasil Ltda, de Setembro de 2008, Levi Trindade, no belo texto ´Feliz Aniversário, Tex´, destaca os 60 anos da mítica personagem, um dos mais antigos caubóis ainda publicados nos quadradinhos, contando toda a trajectória do ranger mais temido do Oeste, em tópicos como: O Início, Sucesso Inegável, A censura, Tex e o Casamento, Escrevendo um Mito, Superequipe de Desenhistas, Em Outros Países, além de quadros como: Os Aliados, Os Vilões, As Várias Faces de Tex e Curiosidades sobre a personagem. Tudo bem distribuído em quatro páginas.

Brevemente continuaremos a inserção de novos itens.

E caso você saiba de algum fanzine, prozine, ou revista, jornal voltado ou não ao segmento de BD, ou livro (voltado para qualquer segmento) com matéria sobre TEX, ou que de alguma maneira cite Tex (quaisquer desses materiais em língua portuguesa), por favor mande a sua informação para nós, para que possamos adicioná-la em uma nova lista que está em actualização, agora mais completa e abrangente (não ficando restrita mais ao ambiente de publicações específicas ao segmento de BDs, conforme foi solicitado pelos leitores do blogue).

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PRANCHAS INÉDITAS de Stefano Andreucci a Mauro Boselli passando por Lucio Filippucci, Mario Rossi (Majo), Michele Rubini, Alessandro Piccinelli, Laura Zuccheri e Maurizio Dotti

Hoje no blogue do Tex vamos dar, uma vez mais, conhecimento aos nossos leitores de inúmeras páginas INÉDITAS de Tex que estão sendo desenhadas por alguns dos grandes nomes do staff de Tex, de Stefano Andreucci a Mauro Boselli passando por Lucio Filippucci, Mario Rossi (Majo), Michele Rubini, Alessandro Piccinelli, Laura Zuccheri e Maurizio Dotti.

Prancha do próximo Tex Gigante que estará disponível nos quiosques italianos na próxima semana com argumento de Mauro Boselli e desenhos de Stefano Andreucci

Prancha do próximo Tex Gigante que estará disponível nos quiosques italianos na próxima semana com argumento de Mauro Boselli e desenhos de Stefano Andreucci

Página do próximo cartonado, com argumento de Mauro Boselli e desenhos de Stefano Andreucci, a publicar em Setembro deste ano. Cores de Matteo Vattani

A primeira página, ainda a lápis, de uma história prevista para um futuro Color Tex de Lucio Filippucci

Prancha (a lápis) do Tex Gigante em produção com o título provisório Corpo Speciale desenhado por Mario Rossi (Majo) e com argumento de Mauro Boselli

Prancha desenhada por Michele Rubini para uma história que está a ser escrita por Mauro Boselli

Página desenhada por Alessandro Piccinelli para o Tex nº 682 a publicar em Agosto e que trará o regresso de Lupe num argumento de Mauro Boselli

Laura Zuccheri exibindo uma prancha da história de Tex que está a desenhar para a série Tex Gigante

Letrista Renata Tuis com uma prancha da história do retorno de Lupe, desenhada por Alessandro Piccinelli

Maurizio Dotti mostra-nos uma prancha original da história de Tex que está a desenhar sob roteiro de Mauro Boselli

Mauro Boselli, com Giorgio Giusfredi, fazendo a revisão de uma história de Tex

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Entrevista com o fã e coleccionador: José Ramiro Maurício da Silva

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
José Ramiro Maurício da Silva: Nasci em 15 de Março de 1970, na cidade de Viçosa, Estado de Alagoas, Nordeste do Brasil. Sou licenciado em História pela Universidade Federal de Alagoas – UFAL, mas exerço o cargo de Técnico Judiciário no Tribunal Regional do Trabalho em Alagoas. Tenho dois filhos, Nara Virginia e Samuel; ela com doze anos e ele com dez. Nas horas vagas, sou ávido leitor de banda desenhada e de História Colonial do Brasil, além de também me aventurar a escrever e desenhar histórias com personagens de minha lavra e de meu filho Samuel, que já começou a ler Tex.


Quando nasceu o seu interesse pela banda desenhada?
José Ramiro Maurício da Silva: Ocorreu na minha infância, quando fui morar com meus avós em Rio Largo, onde havia uma banca de revistas. Foi então que descobri as personagens da Disney, da Hanna Barbera, do Maurício de Sousa, os heróis da DC e da Marvel e tantos outros publicados pelas editoras EBAL, Abril e RGE, e Tex, Zagor, Chacal e Chet, publicados pela Vecchi, nos mágicos anos setenta, oitenta e noventa. Com eles aprendi a desenhar e meu interesse pela leitura foi crescendo.

Quando descobriu Tex?
José Ramiro Maurício da Silva: Descobri Tex com um colega de escola na década de oitenta, quando ainda era publicado pela Editora Vecchi, juntamente com Zagor, Ken Parker, Chacal e Chet.

Porquê esta paixão por Tex?
José Ramiro Maurício da Silva: O que me atraiu em Tex, na parte técnica, foi as histórias bem amarradas e os belos desenhos e, principalmente, a preocupação com a ambientação histórica do mítico oeste americano. Quanto à personagem em si, acho que o facto dela sempre ser a mesmo, sem retoques, sem segredos, sem rodeios e, acima de tudo, sempre disposta a cumprir a justiça, doa a quem doer.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
José Ramiro Maurício da Silva: Creio que o diferencial de Tex é o facto dele não mudar nesses seus quase de 70 anos. Enquanto as outras personagens do universo de super-heróis mudam as suas características físicas e morais, as suas origens, os seus companheiros etc., Tex continua fiel aos seus primórdios. Outro ponto importante é a preocupação dos autores com o rigor histórico. Com Tex e outras personagens Bonelli aprendi muito sobre a cultura dos nativos americanos e outros povos, informações que nenhuma personagem de super-herói poderia me ensinar.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
José Ramiro Maurício da Silva: Hoje tenho bem menos revistas do que antes. Por diversas razões desfiz-me das minhas primeiras colecções. Tentei várias vezes voltar a coleccionar e desisti. Actualmente, colecciono a Edição Gigante Colorida e especial cronológica também colorida, além da Tex Grafic Novel e a Semestral Colorida. Além de Tex, colecciono Zagor e Zagor Especial e tenho algumas edições de Face Oculta. Entre edições físicas e digitais tenho em torno de 100 edições de Tex. A mais importante de Tex que eu tenho é o Tex Gigante desenhado pelo lendário Joe Kubert, uma das minhas história preferidas.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
José Ramiro Maurício da Silva: Colecciono apenas revistas. Livros, tenho apenas A História da minha Vida, publicada pela Mythos Editora. Tenho também o DVD original do filme Tex e o Senhor do Abismo, que adquiri recentemente.

Qual o objecto Tex que mais gostaria de possuir?
José Ramiro Maurício da Silva: O objecto de Tex que mais gostaria de adquirir são os esboços (ou cópias) das histórias escritas por G.L. Bonelli. Da personagem, interesso-me pela faixa que ele usa na cabeça quando está usando a roupa de Águia da Noite, bem como o cinto cerimonial.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
José Ramiro Maurício da Silva: Histórias predilectas? São muitas. Das histórias clássicas escritas por G. L. Bonelli, gosto das que aparecem Mesfisto e Yama. Das escritas por G. Nolitta/Sergio Bonelli, sem dúvidas a minha favorita é El Muerto. Quanto às que foram escritas por Claudio Nizzi, além das história do Tigre Negro, uma que me agradou bastante, e que pretendo reler, é a Fuga de Anderville, sobre os bastidores da Guerra da Secessão. Já do Mauro Boselli, a minha predilecta é Os Sete Assassinos.
Meu argumentista predilecto de todos os tempos, sem dúvidas é o grande G.L. Bonelli, criador da personagem. Bonelli soube criar e dar consistência ao mito de Tex, fazendo-o interagir com as lendas do velho Oeste e mostrando os pormenores da história norte-americana do período e dando a direcção que os outros autores de Tex deveriam seguir para perpetuar o mito, principalmente ao Claudio Nizzi que revisitou o passado da personagem para criar novas histórias, introduzindo também novos vilões na saga. Actualmente, gosto muito das histórias criadas por Mauro Boselli.
Quantos aos desenhadores, meu predilecto é Claudio Villa, seguido por Ticci e Civitelli.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
José Ramiro Maurício da Silva: O que mais gosto em Tex é o facto de poder ler as histórias estanques, ou seja, sem precisar saber o que houve nas anteriores. Cada história é auto explicável. Posso passar anos sem ler que sempre vou entender a personagem. Tex não muda de origem, não muda de família, não muda de status, etc. É sempre TEX.
O que menos me agrada é o facto de a saga da personagem já estar fechada. Não tem mais nada para ele conquistar. Já casou, já tem filho, já é chefe dos navajos, já é ranger, etc. Seria interessante se os autores criassem uma nova saga para as personagens, com uma nova cronologia e novas histórias do passado delas. Se houvesse uma nova série só com histórias do jovem Tex, no tempo em que ele era um anti-herói, histórias curtas e seriadas, como as comics norte-americanas, mais dinâmicas e voltadas para o público mais jovem. Ou então com o jovem Kit. Acho que já está na hora de ele seguir o seu destino, saindo de baixo das asas do pai famoso.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
José Ramiro Maurício da Silva: Acima de tudo, Tex é o que é pela qualidade das histórias e dos belos desenhos, sempre com novos nomes a abrilhantar a saga da personagem. Através das aventuras de Tex, pude acompanhar a evolução da arte de grandes ícones da banda desenhada, como Aurelio Galleppini,e Giovani Ticci, além de muitos outros.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
José Ramiro Maurício da Silva: Não. Infelizmente no meu estado não costuma ter encontro de coleccionadores. As novidades e notícias da personagem eu procuro ler nos sítios da Internet.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
José Ramiro Maurício da Silva: Creio que o futuro de Tex esteja um pouco nebuloso em virtude da crise criativa que passam os quadradinhos como um todo. Mas Tex é um dos poucos que tem se saído muito bem, justamente por não precisar de tantos malabarismos editoriais como o segmento de super-heróis. As colecções de histórias curtas e de novela gráfica já apontam outras direcções da personagem, apostando em novas linguagens de roteiros e apresentação gráfica.

Prezado pard José Ramiro Maurício da Silva agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.


P.S. – Além das fotos da colecção física de José Ramiro Maurício da Silva que ilustram acima a entrevista, publicamos de seguida uma foto de alguns trabalhos de José Ramiro Maurício da Silva. Alguns bem antigos, da década de noventa, outros mais actuais, principalmente da personagem em que está a trabalhar actualmente, baseado em episódios da nossa (Portugal e Brasil) história colonial.

Basicamente o projecto de José Ramiro Maurício da Silva visa apresentar a personagem INAIÊ na forma de história em quadrinhos. A intenção inicial na elaboração da personagem é abordar, com a linguagem dinâmica dos quadradinhos, o processo histórico da formação da sociedade colonial brasileira, misturando factos e personagens reais com a fantasia, itens indispensáveis a uma boa história de acção, cujas aventuras serão ambientadas no Brasil do século XVII, a partir da então Capitania de Pernambuco. A ideia da personagem e da história em quadrinhos de INAIÊ surgiu pela sua paixão tanto pela arte sequencial como pela história do Brasil Colonial.

INAIÊ (que em tupi-guarani significa gavião solitário, faz referência ao gavião-carijó, ave de rapina típica da América Latina e do nordeste brasileiro) é o nome indígena do mameluco Diogo Antônio Dias de Miranda, senhor de engenho do vale do rio Mundaú, que participa da guerra inicial contra os holandeses em Pernambuco.

Junto com o seu filho Samuel, José Ramiro Maurício da Silva também está a trabalhar numa personagem criada pelo Samuel, baseada no universo de super-heróis, o Punho de Aço (nada a ver com o Punho de Ferro da Marvel), do qual o filho cria o argumento e o pai desenvolve o roteiro e os desenhos. Ambos divertem-se bastante, fazendo isso.

Para finalizar, damos a conhecer uma matéria sobre os seus desenhos, matéria essa publicada no sítio Internet do Tribunal onde José Ramiro Maurício da Silva trabalha:

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