A “História Portuguesa” de Tex – Um marco no País mais texiano além da Itália

Por Joana Rosa Russo (Advogada de profissão, gamer por paixão) [1]

É com grande orgulho e satisfação que anunciamos O FEITO HISTÓRICO QUE NOSSOS AMIGOS DO ALÉM MAR PROMOVERAM!

E não é para menos: Anadia, pequena e acolhedora cidade portuguesa, ganhou uma exposição PERMANENTE de TEX no luxuoso Museu do Vinho Bairrada e foi reconhecida pelas Autoridades locais como a “Capital Portuguesa do Tex”! O incrível trabalho operado pelos três representantes do Clube Tex Portugal (José Carlos Francisco, Mário João Marques e Carlos Moreira), rendeu destaque inclusive na Itália, pela própria Sergio Bonelli Editore, em sua fã page oficial no Facebook, publicado no  dia 19 de Junho de 2017:

E também no site:


Desta forma, reforçamos o imenso orgulho e satisfação de ver nosso amado ranger tão bem representado e divulgado fora de seu berço, e ainda mais por mãos tão competentes como a dos componentes do Clube Tex Portugal, incluindo, nesta oportunidade, o agradecimento aos desenhadores, que sempre presenteiam, tão delicadamente, a cidade que recebe a Mostra Anual desse Clube. É recompensador ver o carinho mútuo que participantes e desenhadores dedicam entre si.

Mas, muito mais que isso: o feito é histórico e marca um novo capítulo na vida editorial de Tex já que Anadia se mostrou firme no propósito de valorizar e reconhecer tão grandiosamente a importância do personagem, não só em termos culturais, mas turístico e, em decorrência, económico. O fomento e o suporte oferecido para que a exposição permanente pudesse ser posta em prática, demonstra a força e a determinação, típica de texianos de fibra, principalmente, dos envolvidos neste incrível e sensacional projecto.

Temos certeza que Sergio Bonelli está a festejar nas pradarias celestiais ao lado de Galep e G. L. Bonelli por este evento!

Parabéns, e que este seja só o início de uma história, ainda muito longa, entre Tex e Portugal!

[1] (Material publicado originalmente no Síte “4Fun Games“, em 19 de Junho de 2017)

As Leituras do Pedro: Tex Edição Histórica #100 – Forte Apache & O Ídolo de Cristal

As Leituras do Pedro*

Tex Edição Histórica #100 – Forte Apache & O Ídolo de Cristal
Giovanni Luigi Bonelli (argumento)
Aurelio Galleppini (desenho)
Mythos Editora
Brasil, Abril de 2017
135 x 175 mm, 226 p., cor, capa mole
R$ 27,90 / 10,00 €

Desajustado e até racista…

‘Provocação’ poderia ser outro título desta leitura crítica de uma edição muito ansiada pelos admiradores brasileiros de Tex, que conta com mais uma colecção centenária.

A edição

Como não podia deixar de ser, o número #100 – e que magia estes números continuam a ter para quem é leitor de revistas periódicas – da colecção Tex Edição Histórica – que publica histórias marcantes do herói criado por Gianluigi Bonelli e Aurelio Galleppini no já distante ano de 1948 – apresenta as suas páginas as cores.

Com o colorido mecânico Bonelli, como não podia deixar de ser, mas que curiosamente funciona de forma díspar nas duas histórias ‘curtas’ – para os padrões texianos – devido ao traço diferente que o mesmo artista – Galleppini – apresenta nos dois relatos – embora quase se pudesse pensar tratar-se de dois desenhadores diferentes. No primeiro, o traço é detalhado, pormenorizado, com muita atenção aos detalhes; no segundo, apresenta-se mais solto, mais livre, mesmo trabalhado…

Numa edição bem impressa – o que pontualmente não tem acontecido na Mythos – deveria ter havido mais cuidado com os textos de apoio – possivelmente recuperados de outras edições… – que mais de uma vez remetem para imagens que esta edição não apresenta…


O conteúdo

Número centenário, esta edição apresenta duas histórias muito significativas da cronologia de Tex, embora por razões diferentes.

A abrir, encontramos O Ídolo de Cristal, publicada em 1980 pela Editora Vecchi, a preto e branco, num álbum de grande formato, muito cobiçado pelos colecionadores.

A segunda, Forte Apache, apresenta duas curiosidades: foi a primeira história colorida do ranger e junta num mesmo relato, para além de Tex, Carson, Kit e Tigre, também Jim Brandon, Gros-Jean e Pat Mac Ryan.

As histórias

Comecemos por Forte Apache. Se o grande atractivo era juntar numa mesma aventura Tex e alguns dos seus coadjuvantes regulares, o resultado apresenta-se decepcionante. Chamados pelo ranger – porquê? – para o ajudar a destruir (literalmente) um bando de apaches sediados no México, responsável por diversos ataques e raptos, Gros-Jean, Ryan e Brandon pouco mais são do que meros figurantes. Este último, frisa bem estar ali a título pessoal e não oficialmente, mas não se coíbe de ostentar o uniforme da Polícia Montada do Canadá ao longo de toda a história.

História cujo desfecho a duas ou três páginas do final ainda estava completamente em aberto, até Bonelli se aperceber que o espaço disponível estava a acabar, terminando-a abruptamente. E cuja leitura revela que, com excepção de Tex e Carson, se substituíssemos os restantes protagonistas (?) por fiéis navajos ou facínoras regenerados – como tantas vezes ocorre nesta série – o resultado seria exactamente o mesmo, com a vantagem extra de se poder matar dois ou três deles – em nome da amizade e dedicação ou como redenção… – e aumentar assim a carga dramática da narrativa…


Quanto a O Ídolo de Cristal, se apresenta um enredo simples – Tex e os seus amigos perseguem um bando de índios hualpais que atacaram um feiticeiro navajo e roubaram um pequeno ídolo – está bem construída, em crescendo, com sucessivos picos de tensão dramática. Caso raro em Tex, permite a Galleppini desenhar diversas vezes belas e sensuais mulheres, pouco vestidas para a época (de publicação).

E apresenta um Tex diferente daquele que tantos estão habituados a quase endeusar. Se o sentido de justiça, a determinação e a dedicação aos seus amigos é o mesmo, a sua reacção face ao acontecido revela-se desajustada e o seu comportamento pode mesmo ser considerado racista e xenófobo. Na verdade, ao saberem do ataque ao feiticeiro navajo, os epítetos que surgem nas bocas de Tex e Carson são do género “Só cães como eles…”, “lobos Hualpais”, “que o diabo carregue todos os hualpais”, “aquales ladrões”, “aqueles macacos”, longe do que seria de esperar de um reconhecido amigo dos índios. Não coloca sequer a hipótese de se tratar de um pequeno bando, a acusação abrange logo toda a nação hualpai. Só falta mesmo dizer que “um hualpai bom, é um hualpai morto”…

Que, não o expressando, Tex, Carson, Kit e Tigre põem afincadamente em prática pois entre a recuperação do ídolo roubado, o salvamento de uma jovem hualpai que ia ser sacrificada aos deuses – e é levada para a aldeia navajo para um destino ainda pior, a julgar pelo racismo demonstrado? – e a fuga, pelo menos umas quatro dezenas de hualpais, números apurados numa contabilidade superficial por baixo, partem ‘para os territórios das grandes caçadas eternas’ – ou possivelmente só mesmo para o inferno, a julgar pela forma como foram tratados em todo o relato…

Se optei por uma análise pela óptica da provocação, esta abordagem da genial dupla Bonelli/Galep mais não é do que reflexo da época em que foi criada e publicada, quando o politicamente correcto ainda não tinha sido inventado e em que à aventura (neste caso aos quadradinhos) só se pedia um herói forte e afirmativo e muita acção.

*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro

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Sítio Internet da Sergio Bonelli Editore DESTACA a Mostra Permanente de Tex no Museu do Vinho Bairrada

Sítio Internet da Sergio Bonelli Editore DESTACA a Mostra Permanente de Tex no Museu do Vinho Bairrada

O Sitio Internet da Sergio Bonelli Editore, destacou nesta  segunda-feira, dia 19 de Junho, a Mostra Permanente de Tex no Museu do Vinho Bairrada cuja inauguração ocorreu no passado dia 29 de Abril durante a 4ª Mostra do Clube Tex Portugal, num texto da autoria de Luca Del Savio intitulado “Uma Mostra Permanente para Tex“, texto esse que damos a conhecer em seguida e que mostra assim que a editora italiana continua atenta a tudo que diga respeito a Tex em Portugal, dando a conhecer aos leitores italianos mais este inolvidável acontecimento do Ranger no nosso país.

[1] Artigo publicado no sítio Internet Sergio Bonelli Editore em 19 de Junho de 2017, por Luca Del Savio:

Uma Mostra Permanente para Tex [1]

Uma Mostra Permanente para Tex

Por ocasião da 4ª Mostra do Clube Tex Portugal, foi inaugurada a mostra permanente dedicada a Tex no interior do Museu que inclui ilustrações de diversos autores bonellianos.

No passado dia 29 de Abril, durante a 4ª edição da Mostra do Clube Tex Portugal, foi inaugurada uma exposição permanente dedicada ao nosso ranger do Texas no interior do Museu do Vinho Bairrada, confirmando assim cada vez mais a cidade de Anadia como a capital portuguesa do Tex.

Todos os visitantes do museu têm assim a oportunidade de ver as ilustrações realizadas especificamente por autores como Massimo Rotundo, Leomacs, Pasquale Del Vecchio, Maurizio Dotti e Andrea Venturi. A ala do museu dedicada à mostra será enriquecida no futuro pelas obras que os próximos autores convidados pelo Clube Tex Portugal queiram doar à cidade.

Para ulteriores informações, visite o blogue oficial do Clube Tex Portugal.

Uma Mostra Permanente para Tex

[1] (Artigo publicado originalmente no Sítio Internet Sergio Bonelli Editore, em 19 de Junho de 2017) – Copyright: © 2017 Sergio Bonelli Editore & Luca Del Savio.

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