Entrevista com o fã e coleccionador: Reinaldo Valdez

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Reinaldo Valdez: Sou gaúcho, nasci em Porto Alegre, Brasil. Actualmente moro em Santa Cruz do Sul, interior do Rio Grande do Sul. Tenho 33 anos, estudo Letras e trabalho numa escola.

Quando nasceu o seu interesse pela banda desenhada?
Reinaldo Valdez: Aprendi a ler muito cedo, antes mesmo de frequentar a escola. A minha primeira revista em quadrinhos foi a minha avó que me deu.

Quando descobriu Tex?
Reinaldo Valdez: Tex eu descobri com uns oito anos de idade. Foi o meu tio que me deu o meu primeiro Tex. Foi o número 65 do Tex Coleção “Kit contra Tex”. Fiquei fascinado pela história. Até hoje eu sei de cor a sequência dos quadros de tão impactante que essa história foi para mim.

Porquê esta paixão por Tex?
Reinaldo Valdez: O Velho Oeste sempre me fascinou. Eu acho que Tex é o que melhor representa esta ideia romântica do Velho Oeste que faz parte do nosso imaginário.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Reinaldo Valdez: É difícil determinar isso, não é? Talvez as histórias tenham a dose certa de verosimilhança, de heroísmo, dose certa de situações que poderiam ser reais, misturadas com um universo fantástico habitado por bruxos, fantasmas, mistérios. Talvez seja isso.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Reinaldo Valdez: Possuo quase 800 revistas do Tex. Tenho muitas revistas importantes, principalmente as desenhadas por Ticci, Marcello, Fusco e Giolitti. Acho que a mais importante, por ser uma revista rara, é a nº 8 da 1ª edição da editora Vecchi “Horda selvagem”. Outra que pela qual tenho um carinho especial, é o Tex Gigante “Terrra sem lei”, desenhada pelo génio, Giolitti, um dos meus desenhadores favoritos.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Reinaldo Valdez: Colecciono apenas as revistas.

Qual o objecto Tex que mais gostaria de possuir?
Reinaldo Valdez: A nº 1 da primeira edição brasileira “O signo da serpente”. Não pela história que, em minha opinião, é bem fraca, mas por ser uma revista rara.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Reinaldo Valdez: Posso citar mais de uma? Minhas histórias favoritas são: “O passado de Kit Carson”, “O bando dos irlandeses” e “Os sete assassinos”, todas desenhadas pelo mestre Marcello. Meu argumentista favorito é o Boselli.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Reinaldo Valdez: O que me agrada mais são histórias que deixam transparecer o lado humano das personagens, suas fraquezas, seus medos (como essas histórias que citei acima). O que me desagrada é a má qualidade dos enredos e dos desenhos de muitas histórias recentes. Além da má qualidade gráfica que algumas revistas apresentam.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Reinaldo Valdez: Acho que é uma série de factores. O carisma das personagens, cada uma com as suas características já sedimentadas durante todos estes anos de publicação.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Reinaldo Valdez: Raramente me encontro com outros coleccionadores.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Reinaldo Valdez: Tenho que ser optimista, não é? Apesar da crise editorial, a mudança de hábitos da população, apesar de viver no Brasil, um país onde as pessoas quase não lêem, eu acredito que a personagem Tex terá vida longa ainda. O ser humano gosta de boas histórias. Claro, acho que tem que haver uma preocupação por parte dos editores em manter a qualidade das revistas num certo padrão, com bons enredos, bons desenhadores, uma distribuição eficiente, uma boa divulgação.

Prezado pard Reinaldo Valdez agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

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Vídeo: Clube Tex Portugal – Unindo dois povos (Capítulo nº 27 do programa Quarto dos sonhos)

“Quarto dos sonhos” é um programa vídeo da autoria de Adriano Rodrigues Rainho, o detentor da maior colecção brasileira de Tex Willer (e um dos maiores coleccionadores e conhecedores brasileiros de todo o tipo de banda desenhada) e que em 2013 viu esse título ser reconhecido oficialmente pelo RankBrasil, o livro dos recordes. À data Adriano Rodrigues Rainho viu serem contabilizados 3.039 artigos relacionados à mítica personagem dos fumetti, entre pósteres, revistas, livros, estátuas, álbum de cromos, entre muita coisa mais. Número esse que passados 4 anos já foi largamente ultrapassado fazendo com que o seu próprio recorde seja a cada novo dia, maior.

Adriano Rainho apresenta as revistas do Clube Tex Portugal

E prova disso mesmo são as revistas do Clube Tex Portugal que também já fazem parte do espólio da sua colecção, revistas muito elogiadas pelo próprio Adriano Rainho, filho de pais portugueses e que desse modo homenageia também os seus pais, conforme se comprova no vídeo do Canal TheRainho e que damos a conhecer hoje (mais abaixo) aos nossos leitores e onde o pard Adriano tece os mais rasgados elogios às edições portuguesas, assim como ao Clube Tex Portugal, que segundo o próprio, inclusive é um Clube que une os dois povos de língua portuguesa separados pelo Oceano Atlântico, naquele que é o capitulo nº 27 do seu enriquecedor programa:

Claudio Nizzi regressa em força escrevendo VÁRIAS histórias de Tex

Por José Carlos Francisco

Claudio Nizzi volta a escrever Tex

Claudio Nizzi viu ser terminada a sua longa e importante colaboração na saga de Tex Willer nas edições italianas nº 631 e 632 de Tex, respectivamente publicadas em Maio e Junho de 2013 com a aventura “L’oro dei monti San Juan“ desenhada por Lucio Filippucci, que desse modo representava a última peça posta por Claudio Nizzi no mosaico das aventuras de Águia da Noite, depois de mais de 30 anos de carreira bonelliana e culminando precisamente o trigésimo aniversário a escrever aventuras do Ranger já que essa sua última aventura permitiu, casualmente, a Nizzi cobrir com as suas histórias um arco de precisas 360 edições (de Tex 273 a Tex 632) que equivalem a exactos 30 anos.

Claudio Nizzi aceitou o convite de Mauro Boselli para escrever novas histórias de Tex

A estreia na série principal de Tex aconteceu em Julho de 1983 e dois anos depois já era o escritor principal, tendo em conta que mais de 50% das páginas publicadas tinham a sua assinatura e inclusive em 1988, 1990 e 1992 cometeu a façanha de escrever todas as histórias publicadas nesses anos. Tal não acontecia desde 1975 quando pela última vez Gianluigi Bonelli tinha conseguido assinar todos os edições da série num só ano- e, sobretudo, não voltou mais acontecer até aos nossos dias.

Mas para grande surpresa do mundo texiano, a carreira de Claudio Nizzi em Tex afinal não tinha terminado há quatro anos como todos já tinham imaginado, porque recentemente Nizzi aceitou o convite, de Mauro Boselli, para voltar a escrever novas histórias de Tex.

A primeira história neste seu regresso será de 32 páginas e será publicada no próximo Color Tex como já tínhamos anunciado AQUI mesmo no blogue do Tex. Trata-se da história “Dal tramonto all’alba” desenhada por Roberto Zaghi. Mas numa recente visita à redacção da Sergio Bonelli Editore, conseguimos apurar que o regresso de Nizzi será em força e em grande estilo já que Claudio Nizzi já escreveu TRÊS novas histórias do Ranger, todas elas longas e para séries bem consolidadas, mais precisamente duas para a série principal e uma para a série Maxi Tex.

E segundo nos confidenciou Giorgio Giusfredi, vice-editor de Tex, as histórias são muito boas e vão certamente agradar aos fãs e coleccionadores de Tex já que Nizzi voltou em grande forma, tanto que Nizzi já escreveu as 714 páginas que comporão estas três histórias, tendo a particularidade de uma delas ainda nem sequer ter sido começada a ser desenhada, já que o desenhador eleito, Giovanni Ticci, está ainda a concluir a história comemorativa dos 70 anos de Tex e só depois então começará a desenhar a aventura escrita por Nizzi que terá assim uma velha dupla de muitos sucessos no passado: Ticci & Nizzi!

As três novas histórias de Claudio Nizzi já estão na redacção da Sergio Bonelli Editore e já foram aprovadas

Mas também as outras duas histórias de Claudio Nizzi, já estão destinadas a dois dos mais consagrados desenhadores da editora Bonelli: Lucio Filippucci e Giancarlo Alessandrini conforme se pode ver numa das fotografias que ilustra este texto. Inclusive podemos desse modo dar a conhecer os títulos provisórios destas suas três novas histórias de Tex:
– Fuga verso il confine – Tex – Claudio Nizzi e Giovanni Ticci; 220 páginas
– L’assedio di Mezcali – Tex – Claudio Nizzi e Lucio Filippucci; 220 páginas
– La grande congiura – Maxi Tex – Claudio Nizzi e Giancarlo Alessandrini; 274 páginas

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A colecção de Tex que tinha sido cancelada em 2016 e que retornou em 2017 em moldes TOTALMENTE DIFERENTES

Por José Carlos Francisco

Os seis volumes cartonados de Tex

Tex Stella d’Oro, a colecção, com periodicidade semestral, de Tex que nasceu em Fevereiro de 2005, na Itália, com o intuito de republicar as histórias do Ranger originalmente publicadas no Albo Speciale, volume popularmente conhecido como Texone na Itália e Tex Gigante no Brasil assim como em Portugal, edições em grande formato e destinada maioritariamente a desenhadores internacionais de grande prestígio embora também aberta a grandes nomes do staff de Tex, foi encerrada pela Sergio Bonelli Editore em Setembro de 2016 com o número 24 que continha a história “I ribelli di Cuba” (“Os Rebeldes de Cuba”), aventura escrita por Mauro Boselli, baseada num argumento de Guido Nolitta (Sergio Bonelli) e desenhada pelo cubano Orestes Suarez.

A Sergio Bonelli Editore não deu explicações públicas sobre o motivo do encerramento desta série, mas pressupõe-se que o motivo principal foram as vendas reduzidas, provavelmente motivadas por esta colecção estar a aproximar-se vertiginosamente, devido à menor periodicidade, da série original que actualmente está na edição nº 32, edição essa que trouxe a aventura “Il magnifico fuorilegge” (“O magnífico fora-da-lei“), aventura, de um jovem Tex Willer, escrita por Mauro Boselli e magnificamente ilustrada pelo consagrado desenhador Stefano Andreucci.

Mas o que muita gente, dizemos mesmo a grande maioria dos coleccionadores de Tex em todo o mundo, não sabe é que a colecção foi retomada este ano, 2017, embora em moldes totalmente diferentes e onde apenas uma particularidade foi mantida: a periodicidade, já que a colecção continua a ser semestral. Certamente muitos leitores que nos estejam a ler devem estar a perguntar “Mas nunca ouvi falar da edição Tex Stella d’Oro nº 25…“.

Tex Stella d’Oro nº 24, 25 e 26

Romanzi a fumetti nº 30 – Tex. Sfida nel Montana

Pois bem, ela existe e para espanto de todos podemos informar que ao contrário dos primeiros 24 números, deixou de ser a preto e branco para ser a cores, deixou de ter mais de 220 páginas para ter menos de 60, deixou de ter capa “mole” e badanas para ter capa “dura”, diminuiu muito ligeiramente de formato e passou a ter um acabamento verdadeiramente luxuoso.

Será que algum leitor já sabe de que série de Tex estamos a falar? Mas para o mistério ser ainda maior podemos dizer que o nº 25 de Tex Stella d’Oro na verdade deveria ser o nº 4 de uma outra colecção de Tex que nasceu em Fevereiro de 2015 e que com esta mudança, por motivos logísticos segundo conseguimos apurar, teve então somente quatro números.

Tex Stella d’Oro nº 25 – Gli Sterminatori

Falamos de “Romanzi a fumetti” nome oficial das quatro primeiras edições cartonadas de Tex, se bem que e para aumentar ainda mais a confusão, “Romanzi a fumetti” é uma colecção da Sergio Bonelli Editore que se iniciou com Dragonero, em Junho de 2007 e que em Novembro próximo publicará o número 36 com o título “Il Commissario Ricciardi a fumetti 1“.

Assim sendo as seis edições cartonadas de Tex, oficialmente fazem parte de duas colecções distintas. A saber:

Romanzi a fumetti nº 11: Tex. L’eroe e la leggenda, de 17 de Fevereiro de 2015, com argumento, guião e desenhos de Paolo Eleuteri Serpieri
Romanzi a fumetti nº 18: Tex. Frontera!, de 25 de Setembro de 2015, com argumento e guião de Mauro Boselli e desenhos de Mario Alberti
Romanzi a fumetti nº 23: Tex. Painted desert, de 24 de Fevereiro de 2016, com argumento e guião de Mauro Boselli e desenhos de Angelo Stano
Romanzi a fumetti nº 30: Tex. Sfida nel Montana, de 24 de Setembro de 2016, com argumento e guião de Gianfranco Manfredi e desenhos de Giulio De Vitta
Tex Stella d’oro nº 25: Gli Sterminatori, de 23 de Fevereiro de 2017, com argumento e guião de Gian Luigi Bonelli e desenhos de Aurelio Galleppini
Tex Stella d’oro nº 26: Il vendicatore, de 16 de Setembro de 2017, com argumento e guião de Mauro Boselli e desenhos de Stefano Andreucci

Os seis volumes cartonados de Tex

Os seis volumes cartonados de Tex e as diversas nomenclaturas

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O primeiro evento oficial da Confraria Bonelli, foi um sucesso que contou inclusive com as presenças de Kit Carson, Kit Willer, Yama, Zagor e… Capitão América!


Por José Carlos Francisco (texto) e Confraria Bonelli (fotos)

Decorreu no último fim de semana, dias 14 e 15 de Outubro, em Santa Maria, município brasileiro do estado do Rio Grande do Sul, com cerca de 300.000 habitantes, a primeira reunião oficial da Confraria Bonelli,  capitaneada por Joana Rosa Russo, Miguel Zinelli e Edemar Schnornberger. Trata-se de um grupo organizado de leitores totalmente apaixonados pelas publicações da Sergio Bonelli Editore que são hoje mantidas no Brasil graças aos esforços da Mythos Editora e, da recém criada, Editora Lorentz.


A organização deste primeiro encontro oficial esteve a cargo de Nadir Dutra e foi um evento bastante concorrido e com bastante qualidade como facilmente nos apercebemos pelos ecos que nos chegaram durante a semana e o sucesso foi tanto que contou inclusive com as presenças de Kit Willer (Ulisses Miranda) e Kit Carson (Edemar Schnornberger) em representação dos pards, de Yama (Edemar Schnornberger) que veio representar os inimigos de Tex, de Zagor (Pedro Bianchi) representando as demais personagens da Sergio Bonelli Editore e até do Capitão América (Junior Wentz) em representação dos comics, tudo altas personalidades da Nona Arte que engrandeceram ainda mais este primeiro, de seguramente muitos que irão ocorrer no futuro, convívio da Confraria Bonelli que registou então a adesão de dezenas de confrades, alguns inclusive que fizeram centenas de quilómetros “apenas” para prestigiarem esta primeira organização da Confraria Bonelli!


Como o espaço é tirano e porque a memória às vezes já me atraiçoa certamente não vou conseguir publicar o nome de todos os confrades presentes no passado fim de semana em Santa Maria, por isso deixo já aqui o meu pedido de desculpas antecipado, por alguma eventual omissão de algum ou alguma confrade que não mencionarei apenas por esquecimento: os já citados Nadir Dutra, Joana Rosa Santos, Miguel Zinelli, Edemar Schnornberger, Ulisses Miranda, Junior Wentz e ainda Everton Pelisson, Pedro Bianchi e família, Luciano Aflen, Adão Ávila e o seu prestigiado grupo Moto Tex, Ary Otávio, Neimar Nunes e família, Brenda Schnornberger, Valter Mauricio Lachman, Adriano RL, Valderí Neitzke e Dary Pereira…

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A cerimónia de abertura deste evento da Confraria Bonelli (cujo objectivo principal é reunir, tanto virtual quanto presencialmente, as pessoas que coleccionam séries bonellianas, ajudando a divulgação das personagens no Brasil, bem como, fomentar a aquisição das novas séries ou publicações em banca, tudo para que as editoras brasileiras sintam confiança no seu público) teve como acto solene, a entoação, por parte dos presentes, do hino nacional do Brasil, mostrando o grande fervor e até nacionalismo dos Confrades Bonellianos, mas deixemos as palavras para dar lugar às diversas fotografias (e uma vídeo-montagem com ainda mais fotografias) que ilustram este texto para mostrar um pouco do que foi este primeiro convívio da Confraria Bonelli a quem auguramos um futuro muito risonho tamanha é a paixão e fervor dos seus inscritos!


Em nome do blogue português do Tex, um enorme bem hajam todos por amarem de forma única e pura as prestigiadas personagens Bonelli que nos continuarão a deliciar por décadas e mais décadas devido a leitores e coleccionadores como todos vós que engrandecem cada vez mais o Universo Bonelliano!


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