DE VOLTA AO PASSADO

Por Zenaldo Nunes – Caruaru/Pernambuco/Brasil

Lembro que há 40 anos; em Janeiro de 1978, ganhei do meu querido e saudoso pai (in memoriam), a revista de Tex nº 82, com o título Pat, o Irlandês, (1ª edição). Aquela capa “encheu-me os olhos” pela beleza daquele tipo de desenho, onde naquela ocasião, me estava sendo apresentado aquele magnífico personagem de faroeste. Lamentável que posteriormente não teve a mesma qualidade na 2ª edição (Outubro de 1982) e pela mesma editora. Cito também a primeira revista de Tex que comprei, sendo a nº 21, Os Renegados de Virgínia City (2ª edição – Janeiro de 1979). Todos publicados pela extinta Editora VECCHI.


Há 40 anos que acompanho Tex e Ele me acompanha. Na minha vida, muitas das decisões tomadas foram espelhadas em Tex Willer e seus Pards, até mesmo o meu carácter foi “moldado”, baseado em tudo que Tex é e representa. Ele é o “espelho” de rectidão, lei e justiça, indo contra tudo e todos que simpatizem ou exerçam o preconceito, a escravidão, o racismo, a corrupção e toda e qualquer situação que promova a “injustiça”. Tenho prazer imenso de gostar da 9ª Arte (Banda Desenhada) e orgulho de coleccionar, divulgar e ser apaixonado pelo grande Águia da Noite.

Naquela ocasião, já conhecia os Seriados de BatMasterson, Bonanza, Daniel Boone, Durango Kid, Lone Ranger, O Homem do Rifle, Paladino do Oeste, RinTinTin e Zorro. Personagens estes já existentes em Histórias em Quadrinhos.Apesar de que não tinha condições financeiras para comprar as BD’s sobre as séries supracitadas e a acessibilidade de locais de compra era difícil onde eu morava.

A partir daquele momento nasceu a “minha paixão” pelo Ranger TexWiller e seus pards, durante todo este tempo e até os dias actuais.

No passado mês, Janeiro de 2018, pesquisando na Internet sobre o Universo de Tex, encontro este desenho supracitado; onde um garoto está lendo uma revista de Tex, cercado de tantos outros; incluindo póster e vestido caracterizado como o herói o qual estava lendo, sendo um verdadeiro Cosplay naquele instante.

Lembro que no tempo de minha infância, só havia para vender máscaras (Lone Ranger, Zorro), lenços pretos (Durango Kid), chapéu, capa e espada (Zorro); colt de plástico ou alumínio e que não havia ainda o devido conhecimento e nem divulgações através de qualquer tipo de mídia sobre o “UNIVERSO COSPLAY”.

Nota: Cosplay é um termo em inglês, formado pela junção das palavras costume (fantasia) e roleplay (brincadeira ou interpretação). É considerado um hobby onde os participantes se fantasiam de personagens fictícios da cultura pop japonesa. Pode estar relacionado com personagens de games, animes e mangás e também englobar qualquer outro tipo de caracterização que pertença à cultura pop ocidental. Normalmente, os cosplayers (pessoas que fazem cosplay) são fãs dos personagens que representam e das respectivas séries, filmes, games ou desenhos a que este personagem venha a pertencer. (Fonte: https://www.significados.com.br/cosplay/)


Chamou-me a atenção; o calendário datado do ano de 1978, aonde me vieram saudosas lembranças de minha juventude, acrescida de emoções. Senti-me como se tivesse “servido de modelo” para a realização do desenho (rs); onde eu era loiro e tinha 14 anos na época supracitada (talvez a idade do garoto do desenho).

O desenho supracitado é de autoria do grande desenhador Pasquale Frisenda, mas senti-me “homenageado” diante desta “grande coincidência” ou daquele velho paradoxo “estava escrito”. Neste ano em que se comemoram os 70 anos de criação do nosso amado Ranger, no dia 30de Setembro, registo os meus 40 anos de paixão, aprendizado e emoção com uma imensidão de momentos de felicidade. Hoje em dia, além de coleccionar e pesquisar; promovo e divulgo Tex, sempre que posso e dentro das minhas condições financeiras e temporais, com imenso prazer e realização pessoal.

Minha eterna gratidão para o seu criador Gian Luigi Bonelli e Aurelio Galleppini (criador gráfico); como também à Sergio Bonelli Editora – SBE, Tex Willer Blog (Zeca), Portal Texbr (Gervásio Santana), Confraria Bonelli (Joana Rosa), Tex Willer- Águia da Noite (G.G. Carsan), Quarto dos Sonhos (Adriano Rainho), Mythos Editora (Dorival Lopes) e a todos aqueles que ajudam a promover e divulgar no mundo este magnífico personagem do genuíno faroeste. E antes e acima de tudo a Deus por me permitir estar vivendo tudo isto actualmente e durante estes 40 anos. Vida longa a TexWiller.


TEX NÃO É APENAS UMA HISTÓRIA EM QUADRINHOS DE UM COWBOY. É UM ESTILO DE VIDA. (Zenaldo Nunes)

A arte FENOMENAL de GIOVANNI ROMANINI

Tex Willer, Kit Carson e Jack Tigre na fenomenal arte de Giovanni Romanini

Águia da Noite e a sua amada Lilyth na arte de Giovanni Romanini

Tex e Kit Carson em exploração, na arte de Giovanni Romanini

O rosto sorridente de Tex Willer, na arte de Giovanni Romanini

Um Colt fumegante nas mãos de um endiabrado Tex, na arte de Giovanni Romanini

Tex Willer em Castel Del Rio, na arte de Giovanni Romanini

O repouso dos quatro pards na arte de Giovanni Romanini

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Entrevista com o fã e coleccionador: Giovani de Jesus da Silva

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Giovani de Jesus da Silva:
Primeiramente, saudações ao blogue que tem sido a principal referência em informações e textos sobre Tex em língua portuguesa. Meu nome é Giovani, nasci em 1987, em Ijuí, Rio Grande do Sul, Brasil, actualmente sou bancário e estudo Letras Português/Inglês e respectivas literaturas. Sou grande admirador de Portugal e seu legado histórico e tenho orgulho de manter esse elo cultural que nos une. Infelizmente ainda não tive a oportunidade de conhecer a velha pátria de Camões.

Quando nasceu o seu interesse pela banda desenhada?
Giovani de Jesus da Silva: Minha mãe sempre leu para mim quando criança, o que me fez crescer com o hábito de ler literatura e os nossos queridos gibis. As memórias mais remotas que tenho é de ouvir as histórias do Coelho Quincas (Brer Rabbit) da Disney. Ela me levava junto no sebo quando ia comprar seus livros, o que me fez descobrir esse mundo fantástico dos quadrinhos.

Quando descobriu Tex?
Giovani de Jesus da Silva: Eu tinha uns 10 anos quando vi, na casa de um tio, o Tex nº 250, Liberdade para Skagway, a capa chamara a atenção, então comecei a folhear e percebi que aquilo era algo mais sério, uma sensação de aventura e perigo que eu não conhecia. Logo pedi para a minha mãe alguns Tex, e ela trouxe o nº 62, Os Apaches Atacam, e esta foi a primeira aventura de Tex que li efectivamente e comecei a ajuntar os exemplares.

Porquê esta paixão por Tex?
Giovani de Jesus da Silva: Tex é um herói. Ele é o arquétipo do herói ideal, algo inalcançável, mas cuja busca é necessária. O herói dá à criança o sentido de que pode ser alguém valoroso quando crescer; dá ao jovem a motivação de lutar pelo que quer conquistar; e dá ao adulto a inspiração para proteger a sua família e ser fiel a seus princípios. Um dos maiores males de nosso tempo é o abandono dos ideais com a justificativa de que não podem ser alcançados. Não acreditam em amor, porque poucos o tem, não acreditam em família porque as famílias são imperfeitas. Eu sou cristão e creio que a vida se resume em buscar ideais elevados num constante conflito com nossa natureza imperfeita.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Giovani de Jesus da Silva: Tex permanece fiel à sua essência, imune a décadas de tendências e oscilações mercadológicas. Não precisou de reboots, não precisa de cronologia explicada porque aceitamos facilmente esse eterno presente situado em algum lugar perto de 1880.Há aí um mérito de Gianluigi Bonelli como escritor, um grande mérito do filho Sergio por manter o personagem como o pai o criou. Não sou um conservador quanto ao estilo de traço, ou formato, mas arrisco dizer que não se pode mudar a essência de Tex, bondoso e linha dura sempre na medida certa (às vezes até contornando a lei que representa). Uma boa definição é dada por um figurante enquanto Tex cavalga para o encontro com El Muerto: “…  é daqueles que o Pai Eterno fez e jogou a receita fora“. Não digo que toda a banda desenhada deva seguir essa fórmula do herói ideal, mas importa que elas existam.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Giovani de Jesus da Silva: Chutando devo ter umas 1000 revistas. Tenho toda a colecção principal, os Gigantes, Anuais e Almanaques lançados no Brasil. Estou atrás de completar a Edição Histórica, tenho alguns Ouro, só não acompanho o Tex Coleção. Estou comprando as edições da Salvat também. As mais importantes para mim são as poucas que tenho da primeira edição da Vecchi, entre elas a saga da morte de Lilyth.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Giovani de Jesus da Silva: Tenho alguns pósteres também, mas não costumo procurar nada além do que é publicado por aqui, principalmente pelas limitações financeiras.

Qual o objecto Tex que mais gostaria de possuir?
Giovani de Jesus da Silva: Seria muito bom ter aquelas estatuetas que eu vejo na internet.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia?
Giovani de Jesus da Silva: Tenho grande afeição pelas aventuras da dupla Boseli/Marcello que são as melhores aventuras (Jack Thunder, Diabo Vermelho, A Grande Invasão, O Bando dos Irlandeses), mas o meu desenhador favorito é o saudoso Aldo Capitanio; Matador e Rio Selvagem são apoteóticas, dignas de emoldurar cada quadro, sem hipérboles.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Giovani de Jesus da Silva: Algo que percebo de muito bom é a média elevadíssima de boas histórias que o personagem tem. Há algumas histórias que se sobressaem, mas as medianas já são muito boas também, é diversão garantida. Não costumo me decepcionar com Tex, mas posso citar um caso: a recente aventura do retorno de Yama. A minha expectativa estava alta, a história desenhada por Civitelli no auge de sua forma, escrita pelo grande Boselli, mas algo não deu certo… ficou a impressão de que Boselli não tratou deste roteiro com esmero à altura dessa ocasião especial, ou simplesmente não estava inspirado o suficiente. Civitelli foi sensacional. Poderia citar também os problemas de impressão que a Mythos está tendo na série Ouro.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Giovani de Jesus da Silva: Se a resposta fosse fácil haveria mais publicações ininterruptas completando 70 anos (rs)! É uma fórmula que muitos buscam. É fácil reconhecer em Tex o bem e a justiça, sem cair em moralismos e condescendência, sem carolice ou crueldade. Reconhecemos prontamente, mas não é nada fácil criar um personagem nesse equilíbrio.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Giovani de Jesus da Silva: Nunca participei de encontros ou eventos, mas conheci pessoas pela Internet, fiz amizades, alguns já encontrei pessoalmente para conversar e trocar revistas.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Giovani de Jesus da Silva: Vejo um boom de Tex acontecendo no Brasil, muito graças à nova colecção da Salvat. Vejo pessoas ao meu redor dizendo que estão comprando, algumas procurando as edições da Mythos a partir disso, para estes recomendo a colecção Ouro e a mensal, que sempre será a principal publicação de Tex no Brasil. É o momento de investimentos e decisões acertadas, uma janela de oportunidades está se abrindo. Na Itália também está havendo mudanças de postura, experimentações como as graphic novels, e pelo pouco que sei sobre Davide Bonelli, podemos esperar outras novidades com a marca do Ranger além das HQs (BDs). Eu vejo um futuro promissor. Um forte abraço e obrigado pelo convite!

Prezado pard Giovani de Jesus da Silva agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

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Tex chega a Coimbra em Março (ARTE DE WALTER VENTURI)

Águia da Noite e Kit Carson de canoa no rio Mondego à chegada a Coimbra. Arte de Walter Venturi

Nesta fantástica arte realizada pelo consagrado desenhador italiano WALTER VENTURI, um dos mais recentes reforços do staff de Tex, vemos pela primeira vez em Portugal Tex Willer nas vestes de ÁGUIA DA NOITE. Trata-se da chegada de canoa, através do rio Mondego, a Coimbra do chefe branco dos índios Navajos que vem acompanhado pelo seu inseparável pard Kit Carson!

Coimbra dos estudantes, Coimbra do Mondego, Coimbra dos amores de Pedro e Inês. Esta cidade, situada no centro de Portugal, é por muitos considerada como a mais charmosa e carismática cidade de Portugal.

Coimbra

Coimbra é uma cidade portuguesa, capital do distrito de Coimbra, situada na província da Beira Litoral, região do Centro (Região das Beiras), sub-região estatística do Baixo Mondego, e comunidade intermunicipal da Região de Coimbra. É uma cidade historicamente universitária, por causa da Universidade de Coimbra, uma das mais antigas da Europa e das maiores de Portugal, fundada em 1290 como Estudo Geral Português por D. Dinis em Lisboa que depois várias instalações nas duas cidades, se fixou definitivamente na cidade do Mondego em 1537. As duas margens de Coimbra são banhadas pelo rio Mondego, proveniente da Serra da Estrela. É considerada uma das mais importantes cidades portuguesas, devido a infraestruturas, organizações e empresas nela instaladas para além da sua importância histórica e privilegiada posição geográfica no centro de Portugal continental, entre as cidades de Lisboa e do Porto.

Walter Venturi

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