Cartaz do 14º Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, da autoria de Susa Monteiro
Comemoram-se em 2018 os 70 anos de vida editorial de Tex Willer, a lendária personagem, dos fumetti, criada por G. L. Bonelli (texto) e Aurelio Galleppini (desenho) no distante ano de 1948 e o Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja que entra este ano na sua 14ª edição e realizar-se-á entre os dias 25 de Maio e 10 de Junho, não poderia ficar indiferente a estas 7 décadas de vida de uma das personagens de banda desenhada mais amadas em Portugal e que leva sempre atrás de si uma enorme legião de fãs e coleccionadores.
Rossano Rossi vem a Beja desenhar para os seus fãs
O primeiro fim-de-semana (25, 26 e 27 – sexta, sábado e domingo) como é tradicional, será o mais preenchido. A inauguração ocorrerá dia 25 de Maio, sexta-feira, às 21h00, na Casa da Cultura. E este ano a abrilhantar o evento alentejano teremos a presença de Rossano Rossi, o consagrado desenhador natural de Arezzo, terra que o viu nascer em 1964, que assim vem comemorar a efeméride (70 anos de Tex) a Portugal para deleite dos seus fãs e admiradores.
Rossano Rossi, desenhador de Tex convidado para o 14º Festival Internacional de BD de Beja
Como forma de agradecimento pelo convite efectuado por Paulo Monteiro, o director do Festival de Beja, Rossano Rossi desenhou Tex em Portugal, mais precisamente em Beja. O desenhador aretino elegeu a Torre de Menagem do Castelo de Beja, obra que se deve ao Rei D. Dinis, que a mandou edificar em 1310 e que é considerada como sendo um dos melhores exemplos de arquitectura medieval, tendo aproximadamente, 40 metros de altura e uma escadaria de acesso que possui 198 degraus e que para além de ser considerada a mais alta da Península Ibérica, tem ainda a particularidade de ter sido toda construída em mármore, como pano de fundo para esta nova presença de Tex na cidade de Beja, já que em 2010 Fabio Civitelli também trouxe o Ranger até à capital do Baixo Alentejo.
Tex Willer (na arte de Rossano Rossi) no Castelo de Beja
Desenho este que o blogue português do Tex divulga para o mundo, mas sobretudo para os apaixonados Texianos portugueses em mais um inédito e exclusivo mundial. Mostramos também para efeito de eventual comparação, uma fotografia da Torre de Menagem do Castelo de Beja…
Torre de Menagem do Castelo de Beja
(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)
Julia estreia-se em Portugal com arte de Sergio Toppi
A protagonista do quarto volume da colecção dedicada à editora Bonelli é Julia Kendall, uma criminóloga e professora universitária, que colabora com a polícia de Garden City – a cidade fictícia onde vive – utilizando os seus vastos conhecimentos para investigar os mais diversos casos de homicídio.
Criada em 1998 por Giancarlo Berardi — o criador do magnífico Western Ken Parker — com a colaboração de Luca Vannini na parte gráfica, a série tem um elemento que é comum a outros títulos da Bonelli: a utilização da imagem de actores de cinema famoso como ponto de partida para a criação gráfica dos heróis. Se no caso de Dylan Dog, o próprio Tiziano Sclavi indicou ao desenhador Claudio Villa o actor Rupert Everett como modelo, já Berardi vai bastante mais longe, com praticamente todas as personagens recorrentes da série a serem baseadas fisicamente em actores de Hollywood, começando logo pela própria Julia, cuja imagem é inspirada na actriz Audrey Hepburn, e por Emily, a sua empregada doméstica, que tem as feições de outra actriz famosa, Whoopi Goldberg.
Mas além da estreia de Julia, este livro assinala também o regresso de Sergio Toppi ao mercado nacional, depois do sublime Sharaz’De, publicado na primeira colecção dedicada à Novela Gráfica.
Bonelli e Toppi eram bons amigos e o desenhador colaborou por diversas vezes com o editor milanês. Uma colaboração que se iniciou em 1974, quando Bonelli contratou Toppi para este acabar de desenhar um Western que a morte de Rino Albertarelli deixara incompleta. Seguir-se-ia a participação na mítica colecção Un Uomo, un’Avventura, onde Bonelli conseguiu a proeza de juntar os mais prestigiados nomes dos fumetti italianos, de Hugo Pratt a Milo Manara,passando por Crepax, Buzzelli, Battaglia e, claro, Toppi, que entre 1976 e 1978 ilustrou os volumes L’Uomo del Nilo, L’Uomo del Messico e L’Uomo del Paludi.
E se os interesses de Toppi estavam algo afastados das grandes séries da Bonelli, a sua amizade com o editor milanês fez com que colaborasse ocasionalmente com a editora da Via Buonarrotti, desenhando histórias para a Ken Parker Magazine, para dois números de Nick Raider, em 1997 e 2001, uma história curta de Martin Mystère, que poderemos ler no volume 7 desta colecção, e esta história de Giancarlo Berardi para o n.º 11 da revista Julia. Uma história publicada originalmente em Agosto de 1999 e que chega finalmente aos leitores portugueses, numa cuidada edição, cujo formato e qualidade de impressão fazem justiça ao trabalho gráfico de Toppi, por oposição à edição brasileira da Mythos, em formato reduzido e papel de jornal, que passou de forma discreta pelos quiosques portugueses em 2006.
Dave McKean escreveu que Toppi era “capaz de desenhar qualquer coisa e dar-lhe uma solidez e um sentido de movimento que a tornam ideal para contar histórias no formato da banda desenhada” e esta história de Julia vem dar-lhe razão. Ilustrando uma história sobre um misterioso assassinato num lar da terceira idade, Toppi segue fielmente o argumento de Berardi e a planificação habitual das séries da Bonelli, sem abdicar do seu estilo próprio, algo que é bem evidente na fabulosa sequência do pesadelo de Julia, que ocupa as páginas 48 a 53 do livro.
Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente? Gabriel dos Santos Mendes: Chamo-me Gabriel dos Santos Mendes, tenho 21 anos, nasci e moro em Maceió, estado brasileiro de Alagoas e estou cursando Física.
Quando nasceu o seu interesse pela banda desenhada? Gabriel dos Santos Mendes: Antigamente eu não era muito de ler quadradinhos (apesar de eu ler alguma coisa ou outra de Turma da Mónica) achava que não era grande coisa. Mas tudo mudou quando um professor de português da 5ª série fazia provas baseado em livros e quadradinhos. Os alunos eram incentivados a ler para fazer as avaliações. E acabei apaixonando-me pelas BDs da Marvel e DC. Diferente da Turma da Mónica essas bandas desenhadas tinham roteiros mais criativos e desenhos bem realistas.
Quando descobriu Tex? Gabriel dos Santos Mendes: Após terminar o ensino fundamental eu tornei-me um grande fã dos filmes Western Spaguetti, principalmente os dirigidos pelo Sergio Leone. Achava as personagens com atitudes bem violentas, sérias e nada românticas. A época dos filmes passava-se nos EUA durante o século XIX. Por causa disso, eu fui pesquisar bons quadradinhos que tinham tramas dentro desse contexto. Acabei encontrando Jonah Hex e Tex e desses dois me identifiquei melhor com Tex.
Porquê esta paixão por Tex? Gabriel dos Santos Mendes: Os quadradinhos de Tex, são histórias com poucas amarras cronológicas. Geralmente são histórias completas com duas ou três edições (em alguns casos somente com uma edição). Os roteiros são extremamente amarrados, com muita acção, suspense desenfreado e com toques de mistério. São esses elementos que eu procuro numa boa história.
O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos? Gabriel dos Santos Mendes: Ele é muito diferente. Não tem nenhum poder em relação às outras personagens. Sendo somente um ser humano comum com uma intuição infalível e um excelente atirador.
Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si? Gabriel dos Santos Mendes: Tenho pouco mais de 70 edições. 0 Tex Mensal e o Tex Gigante são as melhores na minha opinião.
Colecciona apenas livros do Tex ou também de outras personagens e editoras? Gabriel dos Santos Mendes: Além de Tex, outras personagens da Sergio Bonelli Editore que eu gosto são Zagor, Dylan Dog e Mágico Vento. De BDs americanas eu adoro bastante as publicações do selo Vertigo.
Qual o objecto Tex que mais gostaria de possuir? Gabriel dos Santos Mendes: Eu gostaria de ler a história O Signo da Serpente, considerada uma das mais nostálgicas de todo fã de Tex. Mas infelizmente está esgotada e até gostaria que a Mythos futuramente a republicasse.
Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? Gabriel dos Santos Mendes: Como sou um leitor bem recente de Tex, nem cheguei a ler muita coisa, mas as histórias “O passado de Kit Carson” e “O caçador de fósseis” eu achei muito boas. Sobre os roteiristas eu acho Gian Luigi Bonelli, Guido Nolitta e Mauro Boselli os melhores. Quanto aos ilustradores eu adoro a arte do Galep, Claudio Villa e Fabio Civitelli.
O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos? Gabriel dos Santos Mendes: Sem dúvida o seu senso de justiça, sempre defendendo qualquer pessoa vulnerável seja branco, negro ou índio. Quanto ao que menos me agrada ainda não encontrei nada que me desagradasse.
Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é? Gabriel dos Santos Mendes: Ele é um personagem de western numa época de homens frios e violentos que sempre desrespeitam a lei. Ele sempre tenta representar a justiça onde para muitos não há nem sequer a esperança. Poucos personagens são assim.
Costuma encontrar-se com outros coleccionadores? Gabriel dos Santos Mendes: Infelizmente eu não encontro quase nenhuma pessoa que adora quadradinhos e não ser pela Internet.
Para concluir, como vê o futuro do Ranger? Gabriel dos Santos Mendes: Apesar de Tex ser um personagem com uma grande base de fãs, não é nada comparado a Marvel e DC que entretêm milhões de fãs por causa dos seus filmes multimilionários. O género western está praticamente quase morto neste século e Tex sendo desse género eu acho que está vulnerável nos próximos anos pois é taxado por muitos como ultrapassado. Outra coisa que merece atenção é que por conta da recessão política do nosso país os preços tendem a serem altos. Isso pode gerar um círculo vicioso, à medida que os preços aumentam as vendas tendem a cair causando uma possível descontinuação dos títulos. Eu espero que não aconteça.
Prezado pard Gabriel dos Santos Mendes agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)