Fim de semana com ROSSANO ROSSI na cidade de Beja

Por José Carlos Francisco (texto) e Orlando Santos Silva (fotos)


Realizou-se nesta última sexta-feira, dia 26 de Maio, a inauguração da XIV Edição do Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, evento organizado pela Câmara Municipal da cidade de Beja e comandado por Paulo Monteiro, o coordenador da equipa do Festival de Banda Desenhada Beja 2018, que tem atractivos que poderão fazer desta uma das melhores edições de sempre do certame que decorrerá até ao dia 10 de Junho e que neste último fim de semana comprovou uma vez mais que é o Festival nacional que possibilita um contacto mais próximo entre os autores e o público.


Com o escopo de juntar autores consagrados e alternativos no mesmo espaço, o director Paulo Monteiro esmerou-se para receber autores e público com a máxima gentileza e fidalguia, bem típica da gente portuguesa. Entre os autores consagrados, destaque para um dos mais apreciados e queridos desenhadores de Tex: Rossano Rossi.


O desenhador italiano, um dos grandes trunfos do Festival, foi um dos centros de atenção, distribuindo autógrafos e sorrisos, além de posar para fotos ao lado de seus inúmeros fãs presentes (muitos deles tiveram inclusive uma bela recordação desenhada pelo próprio autor) naquela bela e pacata cidade alentejana. Destaque para a belíssima Mostra pessoal dedicada a Rossano Rossi, a melhor e mais bela exposição que já lhe dedicaram, segundo nos confidenciou o desenhador de Tex.


Rossano Rossi cativou toda a gente com a sua simpatia e simplicidade, nunca negando um autógrafo, um sorriso, uma foto ou um desenho aos ávidos texianos (e não só) que o rodeavam durante as sessões de autógrafos (bem demoradas, devido ao constante assédio que sofreu por parte dos seus fãs). Uma verdadeira lição de profissionalismo e de humildade deste também embaixador de Tex!


O desenhador italiano tirou dezenas de fotos e fez muitíssimos desenhos de Tex com dedicatórias que sem dúvida passarão a ser um grande tesouro de todos os coleccionadores de Águia da Noite que os conseguiram. E o mais interessante é que realmente estava a divertir-se tanto quanto os seus admiradores, inclusive os coleccionadores italianos Francesco Micoli e Aldo Giancarlo Valdambrini que o acompanharam desde Itália para esta sua (de Rossano) primeira “aventura” em terras portuguesas.


Rossano não se cansava de agradecer a todos os portugueses pela acolhida que recebeu (inclusive foi dessa forma que iniciou a sua conversa no auditório da Bedeteca de Beja) sentindo-se sempre muito acarinhado e bem tratado tanto pela organização como pelo público.


Na tarde de domingo, tivemos uma verdadeira embaixada italiana dos fumetti (termos que significa na Itália banda desenhada) a desenhar em simultâneo: Rossano Rossio, Fabio Celoni e Marco Gervasio para gáudio do público, com a particularidade de tanto Fabio Celoni como Marco Gervasio terem desenhado o Ranger pela primeira vez na sua vida, tendo o primeiro desenhado logo um fantástico Tex perfeitamente reconhecível de imediato, e o segundo um belo e inusitado Tex na versão Donald, seguido logo depois por fantástico Carson/Patinhas… a que se seguiram depois muitas outras ilustrações realizadas para os fãs de Tex presentes.


Estas foram apenas as primeiras e rápidas impressões (e fotografias) deste primeiro fim de semana texiano do XIV Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, prometendo para breve várias outras incursões à presença de Rossano Rossi em Beja nos próximos dias, aqui no Blogue do Tex!


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Neste fim de semana em Beja, venha conhecer e conviver com Rossano Rossi

Rossano Rossi vem a Beja desenhar para os seus fãs

É já neste fim de semana, sábado 26 e domingo 27, que Rossano Rossi, desenhador de Tex, está presente no 14º Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, onde estará disponível para conhecer, conviver e também autografar e desenhar para os seus inúmeros fãs que se irão certamente deslocar àquela bela e histórica cidade alentejana, por isso caro leitor e coleccionador de Tex, não deixe de se deslocar a Beja para poder conhecer mais um desenhador do Ranger que nos prestigia vindo a Portugal e poder também conversar um pouco, tirar fotografias e até conseguir um autógrafo ou até mesmo um desenho feito na hora e que depois certamente tornar-se-á uma peça de colecção que poucos terão.

Venha a Beja neste fim de semana e ganhe um desenho de Tex feito por Rossano Rossi

Do programa oficial do Festival de Beja, constam para este sábado, as seguintes actividades que envolvem o consagrado desenhador Rossano Rossi:

DIA 26 DE MAIO, SÁBADO.

CASA DA CULTURA – ARCADAS EXTERIORES / MERCADO DO LIVRO
SESSÃO DE AUTÓGRAFOS –  Das 18h00 às 19h30
Com Alexandre Leoni e André Morgado / André Diniz / Cristina Matos / José Ruy / Luís Cruz Guerreiro / Luís Guerreiro / Manuele Fior / Max Andersson / Marco Gervasio / Marta Teives e Pedro Moura / Mosi / Pierre-Henry Gomont / Rossano Rossi / Sofia Neto / Tainan Rocha / Wagner Willian / Autores da exposição Pentângulo) / Autores do colectivo TLS

CASA DA CULTURA – BEDETECA DE BEJA (1º andar)
Das 22h15 às 22h45
Dois Dedos de Conversa – Rossano Rossi com José Carlos Francisco.

Tex Willer (na arte de Rossano Rossi) no Castelo de Beja

Mais informações (Autores presentes, exposições, programa oficial, mapa, horários, informações úteis, a cidade e o festival e contactos) referentes ao Festival Internacional de BD de Beja estão disponíveis no sítio Internet oficial do Festival.

O Tex de Rossano Rossi nos festejos dos 70 anos, em Beja

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As Leituras do Pedro – Martin Mystère: O destino da Atlântida

As Leituras do Pedro*

Colecção Bonelli #7 – Martin Mystére

O destino da Atlântida
Alfredo Castelli (argumento)
Cardinale e Orlandi (desenho)

Questões de família
Alfredo Castelli (argumento)
Toppi (desenho)

Levoir/Público
Portugal, 24 de Maio de 2018
190 x 260 mm, 184 p., pb, capa dura
10,90 €

Outra vez em Portugal

Nesta segunda incursão – literalmente – dos heróis Bonelli no nosso país, conhecemos – ou redescobrimos – Martin Mystère, o detective do impossível, nos Açores, às voltas com o fim da Atlântida.

Aquele que chegou a  ser um dos mais populares heróis da Bonelli, surge nesta colecção depois da dupla viagem de Dampyr a Portugal, numa história em grande parte ambientada no mar  dos Açores, baseada na lenda de que aquele arquipélago corresponde às zonas não submersas do mítico continente da Atlântida.

História construída com diversos flashbacks alusivos a uma anterior vinda do protagonista ao nosso país, que alternam com a acção no presente, apenas parcialmente protagonizada por Mystère, serve bem de cartão de visita a este americano, escritor, apresentador de televisão, arqueólogo e viajante incansável, que percorreu todo o planeta, o seu interior desconhecido e parte do espaço, em busca de respostas para os grandes mistérios da humanidade: da Atlântida às estátuas da Ilha da Páscoa, do Triângulo das Bermudas à presença de extraterrestres entre nós, entre muitos outros. Ao seu lado, quase sempre a bela Diana e Java, o neanderthal que encontrou numa das suas viagens; pontualmente também Orloff, antigo colega e amigo, agora quase sempre adversário embora por vezes com interesses comuns, como acontece em O destino da Atlântida. Como adversários recorrentes, surgem os poderosos Homens de Negro, uma sociedade secreta apostada em manter ocultas todas as descobertas que possam contrariar a História vigente.


O seu criador foi Alfredo Castelli, em 1982, que dotou as aventuras de Mystère de múltiplas referências, combinando habilmente factos conhecidos com lendas urbanas e hipóteses mais ou menos plausíveis, para criar um misto de veracidade e ficção que têm, pelo menos, o condão de aguçar a curiosidade do leitor. Histórias ricas em informação – o que por vezes significa excesso de texto – muitas vezes não dão respostas – que não seriam possíveis – mas apontam soluções alternativas ou explicações plausíveis.

O destino da Atlântida é um bom exemplo do que atrás fica escrito – e que está mais desenvolvido no prefácio, desta vez de Pedro Bouça, cuja leitura, mais uma vez aconselho. Partindo de dois factos aparentemente isolados – um pesadelo de Mystère e a queda de um satélite por acidente – a narrativa vai conduzir o investigador – e atrás dele, os leitores – após muitas peripécias – talvez demasiadas, reconheço que teria ganho com menos algumas páginas… -, alguns confrontos e diversas surpresas, para a explicação – uma explicação? – do cataclismo que destruiu a Atlântida – ou que a teria destruído se realmente tivesse existido…


Para além do regresso de um herói Bonelli a Portugal, este volume repete um outro aspecto da presente colecção, o regresso do mestre Sergio Toppi, depois da sua passagem por Julia: O Eterno Repouso, como desenhador da segunda narrativa deste volume.
Graças a mais essa colaboração de Toppi com a Bonelli, os leitores receberam duas dezenas de páginas ‘extra’ com Questões de Família, história curta desconcertante mas bem-humorada, que funciona no registo de quase anedota interna no seio do universo temático de Martin Mystère.


Curiosidade

A certa altura de O destino da Atlântida, Martin Mystère é transportado num táxi cuja matrícula é AZ59752. Não sendo de certeza matrícula portuguesa, poderá ser açoriana? Custa-me a crer que um argumentista como Castelli cometesse um erro destes, a não ser que este possa ser imputado aos desenhadores, no entanto, não consegui encontrar qualquer referência à existência deste tipo de matrícula automóvel no arquipélago português…

*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro

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