(Ainda) Limeira Tex 70 anos

Por Charles Oto Dickel

Quando recebi o convite para ir à exposição de quadrinhos em Limeira na qual o centro das atenções seria o 70º aniversário da primeira publicação de Tex na Itália logo descartei a possibilidade, devido à minha condição financeira, mas com o passar do tempo e com os factos que foram acontecendo isso foi mudando. Vamos a eles:

Em Março pensando no cordel escrito pelo pard Rouxinol do Rinaré pensei em escrever um poema sobre Tex, ao mesmo tempo comecei um projecto de leitura com meus alunos do 6º e 7º anos na escola em que trabalho. Comecei a levar as minhas revistas para a sala de aula durante um período da minha aula de matemática.

Nesse mesmo mês de Março aconteceu o primeiro Animetoque (um encontro de cosplays de heróis) no qual nasceu então O Tex Willer dos Pampas (assim baptizado e idealizado pelo meu irmão Edemar -Kit Carson dos Pampas). Quem dera eu saber que depois daquele dia a minha relação com o nosso querido Ranger fosse tomar essa proporção.

Em Abril conversando com a minha esposa surgiu a ideia de tentar divulgar o meu poema do Tex. Com a ajuda do Ulisses Miranda (Kit Willer mineiro) consegui o contacto do Dorival (director da Mythos) para o qual enviei um email contando um pouco sobre a minha adoração por Tex e sobre o poema, na resposta ele logo solicitou que eu enviasse o poema. Enviei-o. E durante um longa semana esperei o retorno, o qual não veio. Ai fiquei numa dúvida cruel, será que ele recebeu o email, será que caiu na caixa de spam, será que ele não gostou do que leu… bem, por via das dúvidas enviei novamente o poema, coloquei no final “aguardo retorno”, kkk que desilusão, nenhum retorno, então vida que segue.

O projecto de leitura estava dando super certo, recebi muitas revistas de amigos coleccionadores, então a orientadora da escola me pediu para fazer uma fala sobre a importância da leitura para os professores da escola. Escolhi o dia 10/09. Enquanto isso continuava participando de eventos juntos com o Ede, e neste eventos comecei a distribuir revistas para as crianças.

Então, não tem como esquecer, em 27 de Agosto, numa segunda feira à noite durante a reunião na escola vem a seguinte mensagem no celular “pessoal, o autor desse poema do Tex não é aqui do grupo” e a foto do meu poema publicado, dei um berro na sala, meus colegas me olharam espantados mas não contei o que era.

Lendo Tex desde os 11 anos quando o meu pai me deu dois Tex Coleção (32 e 34) e agora o meu poema publicado na revista, bem fico arrepiado ainda hoje quando lembro. E a publicação saiu justamente antes da minha fala para os colegas professores, do fechamento para a palestra.

Aí tudo mudou, tentamos até roubar um avião para ir a Limeira.

Ede Kit Carson dos Pampas quase se jogou de um penhasco para comemorar a ida ao encontro.

Com um certo jeitinho conseguimos (quando digo conseguimos me refiro ao meu inseparável irmão Edemar) a verba para a tão sonhada viagem, não foi fácil e os respingos dessa aventura ficaram presentes até poucos dias atrás, mas isso é outra história.

O encontro em Limeira, bem ai precisaria quase livro para descrever tudo que aconteceu e o que vivenciamos lá.

Primeiro o “Cabelos de Prata” não queria embarcar no avião, se reclama de trens e diligências imagina entrar num pássaro de ferro, tive que dar com a bota na cabeça para sossegar no avião.

O famoso rodízio de pizzas na sexta-feira a noite.

Conhecer pessoalmente os amigos, ouvir histórias, ensinamentos, ganhar presentes, autógrafos… quanta coisa.

O café da manhã no posto…

O tão esperado bife de três dedos de altura soterrado em uma montanha de batatas fritas acompanhado por um rio de cerveja e uma deliciosa torta de maçã.

A última noite no hotel e mais surpresas…

Galanteador como sempre e um eterno adorador da boémia.

Por último um merecido descanso pois foram dias inesquecíveis.

Ficou um pouco longo o meu relato pois foram muitos momentos marcantes e incríveis.

Grande abraço Texiano,

Charles Oto Dickel

Tex Willer dos Pampas

(Para aproveitar a extensão completa das imagens, clique nas mesmas)

TEX desenhado AO VIVO por TREZE dos maiores desenhadores do staff

* Na última edição do festival italiano Lucca Comics & Games decorreu uma interessante sessão de desenho ao vivo dedicada aos 70 anos de Tex Willer. Treze dos maiores artistas que  emprestam a sua arte a Tex desenharam para o numeroso público presente na sala.

Treze desenhadores do staff de Tex desenham ao vivo para um público numeroso

Durante a edição 2018 os responsáveis do festival Lucca Comics & Games organizaram na Sala do Vescovado uma bellíssima  e inusitada sessão de desenho ao vivo dedicada ao nosso Tex. Participaram treze entre os melhores artistas que comparecem regularmente com o Ranger Bonelliano, realizando algumas obras de arte verdadeiramente maravilhosas.

Claudio Villa em sessão de desenho ao vivo

Fabio Civitelli em sessão de desenho ao vivo

No final deste texto, propomo-vos um fantástico vídeo (de mais de 13 minutos) com um resumo do que aconteceu naquele dia, com a participação (em rigorosa ordem alfabética) de Mario Alberti, Fabio Civitelli, Roberto De Angelis, Pasquale Del Vecchio, Maurizio Dotti, Lucio Filippucci, Majo, Alessandro Piccinelli, Rossano Rossi, Michele Rubini, Giovanni Ticci, Andrea Venturi e Claudio Villa:

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

Do esboço inicial à capa final do Tex #701 (“La regina dei vampiri”), passando pelas cores originais de Claudio Villa

Por José Carlos Francisco

Claudio Villa

Na próxima semana, mais precisamente no dia 7, a Sergio Bonelli Editore vai publicar a edição número 701 da série principal de Tex, intitulada “La regina dei vampiri” (“A rainha dos vampiros“), edição essa que conterá 110 páginas escritas por Gianfranco Manfredi e desenhadas por Alessandro Bocci.

A capa, tal como todas as posteriores ao número 400 desta colecção, é da autoria do conceituado desenhador Claudio Villa, capa essa que divulgamos hoje aqui no blogue do Tex acompanhada do esboço inicial (a branco, preto e vermelho), uma imagem simbólica que recupera uma certa atmosfera dos anos 70 do século passado (a ideia final do título vertical ocorreu mais tarde), e da arte finalizada a tinta da china, onde o rosto de Tex está estranhamente “sujo”, mas também da capa original pintada pelo próprio Claudio Villa (deixar os olhos da bruxa completamente brancos foi algo surgido durante a realização das cores) tal como temos feito com alguma regularidade devido à gentil cortesia de Villa que nos tem dado a conhecer nos últimos tempos as suas cores originais das capas que vai produzindo para Tex:

Esboço inicial da capa de Tex #701, da autoria de Claudio Villa

Arte final a preto e branco da capa de Tex #701, da autoria de Claudio Villa

Capa de Tex #701, com as cores originais de Claudio Villa

Capa de Tex #701

(Para aproveitar a extensão completa das imagens, clique nas mesmas)

Tex no Zero Hora, jornal de Porto Alegre: O último gibi do Tex

Texto do jornal Zero Hora, de Porto Alegre, Brasil
1 de Março de 2019

Por Ticiano Osório

* Os pecados e as virtudes dos colecionadores de quadrinhos

.
Circula de vez em quando entre os fãs de quadrinhos uma foto que mostra um homem de boné, em um trem lotado, lendo uma revistinha do Tex. Dependendo de quem a compartilha, a imagem simboliza uma coisa. Uns a veem como prova da resistência da mídia física na era digital, em que os celulares prevalecem – e, de fato, na cena, pelo menos três passageiros estão lidando com seus telefones. Outros valorizam a portabilidade da arte: podemos ir a qualquer lugar com um gibi, e um gibi pode nos levar a qualquer lugar – por alguns instantes, nos afastamos do estresse urbano e adentramos um território mágico.

Há quem diga que ela atesta a popularidade do personagem, um herói de faroeste criado há mais de 70 anos pelos italianos Bonelli e Galleppini, e do formato (de uma simplicidade franciscana diante de um mercado cada vez mais de luxo). Para mim, é uma metáfora visual dos colecionadores de gibis: vivemos em uma espécie de mundo subterrâneo, rodeados por gente que não sabe nem nunca saberá quem são Felipe Parucci e Jéssica Groke.


Nosso contingente é menor do que o nosso fanatismo sugere. Achamos que somos muitos porque o cinema de super-herói arrasta multidões, mas é bom lembrar que, segundo pesquisa do Ibope de 2016, 44% dos brasileiros não leem. Como usuário de transporte público, raras vezes deparei com a cena da foto, mas gosto de imaginar que, por trás dos uniformes cotidianos, escondem-se outros leitores de gibi. Temos essa necessidade de encontrar semelhantes, para nos mostrarem que não estamos sós na loucura. Evidentemente, não saio por aí perguntando às pessoas se elas leram o último Batman ou o novo Demolidor. Recorro ao refúgio dos tímidos e paraíso dos exibicionistas: o Facebook.

Participo de dois grupos que congregam colecionadores, o dos Pampas (cujo nome é autoexplicativo) e o 2quadrinhos (nascido do canal homônimo de um youtuber gaúcho). Este último já reúne mais de 15 mil integrantes, espalhados pelo país. Trata-se de um microcosmo para quem deseja nos conhecer e entender.

Os pecados nos guiam. A vaidade move aqueles que regularmente fotografam suas coleções ou suas novas aquisições (não falamos “compras”, isso é para o supermercado: adquirimos gibis, incorporamos ao patrimônio). Isso desperta a inveja de outros, mesmo que tenham uma pilha de leituras atrasadas. A luxúria faz alguns gastarem fortunas em HQs lacradas que passarão o resto de suas vidas emolduradas, apenas para voyeurismo. Por gula, abrimos a carteira para qualquer edição luxuosa com capa dura e papel cuchê que aparecer. Por preguiça, fechamos os olhos àquele personagem ou autor do qual nunca ouvimos falar. A avareza nos impede de emprestar os quadrinhos e nos impele a protegê-los do sol, do pó e das mãos perigosas de sobrinhos. E a ira costuma reger as discussões: quem é melhor, DC ou Marvel? Alan Moore ou Grant Morrison?

Mas também praticamos a generosidade e exercemos a solidariedade. Eu mesmo já fui abençoado. Certa vez, um pernambucano me enviou mensagem. Sabendo do meu desejo de ter todos os gibis do Alan Moore e da minha dificuldade de encontrar os três volumes de Lost Girls por um preço que não fosse o de um Fusca, ele doou seus exemplares para mim: “Para pagar, faça algo semelhante, quando puder, por outro. Assim, espalhamos gestos de boa vontade, que é o melhor que podemos fazer. Estou bastante feliz por poder contribuir com seu objetivo”.


O gesto mais lindo foi o do paranaense Eder. Seu relato serve como resumo das vicissitudes, da paixão e da camaradagem do mundo dos colecionadores. Em um mercado pequeno – a cidade onde mora, Colorado, tem 23,9 mil habitantes –, chegam às bancas poucos gibis, mesmo no caso de campeões de popularidade. Apenas dois exemplares de Tex Gold eram distribuídos na livraria que frequenta. Tinham donos certos: ele e um rapaz que não conhecia. “Como a atendente sabe que só nós dois compramos, ela já deixa separados no balcão, nem vão para a prateleira”, contou Eder. Mas, em uma sexta-feira, havia um Tex Gold disponível na estante. O outro cliente morrera em um acidente de trânsito.

“A sensação de estar ali segurando em minhas mãos a revista que o cara viria buscar me fez refletir sobre a brevidade da vida, a fragilidade dos nossos projetos e o quanto as coisas que amamos e cuidamos podem, do dia para a noite, de um segundo para o outro, não ser mais nossas”, escreveu Eder, que resolveu homenagear o desconhecido amigo colecionador. No dia seguinte, retornou à livraria, adquiriu a revista que seria do rapaz e descobriu seu endereço. A mãe, o pai e uma irmã receberam-no. Eder contou a história, chorou junto à família e pediu que guardassem com carinho na coleção do filho morto aquele último gibi do Tex.

O último gibi do Tex – Jornal Zero Hora

Copyright: © 2019 Ticiano Osório & Jornal Zero Hora, de Porto Alegre, Brasil

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)