Resgatando o passado: Encontros Texianos Luso-Brasileiros (Dezembro 2003 / Janeiro 2004)

Por José Carlos Francisco (Janeiro de 2004)

Como quase todas as minha aventuras Texianas, também esta se iniciou no aeroporto de Lisboa. Estávamos quase no final do ano de 2003, mais precisamente no sábado, dia 20 de Dezembro e estava de partida rumo ao Brasil com a minha esposa Fátima e a minha filha Andreia, onde iríamos passar o Natal com o editor de Tex, Dorival Vítor Lopes e a passagem de ano com o editor do Portal TEXBR, Gervásio Santana de Freitas.

Na hora da partida, ainda em Lisboa, uma surpresa nos esperava, nada mais, nada menos que um dos maiores Texianos de Portugal nos aguardava para nos desejar uma boa viagem e uma boa estadia no Brasil, o José Manuel Pereira, que também me presenteou com uma edição gigante e colorida de Tex, editada na Holanda. José Manuel Pereira, também me incumbiu de entregar ao editor Doriva,l como uma sua lembrança, uma edição francesa muito especial de “Docteur Mystère”! Igualmente fomos portadores  de umas edições especiais de Ken Parker espanholas para o Gervásio utilizar numa futura matéria para o Portal TEXBR.

Depois das despedidas e de marcar novo encontro no aeroporto de Lisboa no dia de regresso, entrámos no avião da TAP “Fernão Mendes Pinto” para uma viagem de cerca de 10 horas que correu muito bem e sem sobressaltos, rumo a São Paulo.

As viagens de avião que tenho efectuado têm sido óptimas; apenas alguns minutos de uma turbulência muito ligeira mas, de resto, uma tranquilidade que dá para escrever, ler um TEX, dormir ou comer, sem dificuldade.

Antes de partir, estava ligeiramente apreensivo com a duração da viagem, mas, afinal, o voo passou sem grandes problemas e o tempo foi-se escoando com os aperitivos, a refeição, os filmes, as revistas do Tex e alguns passeios pelas coxias do avião.

À hora prevista, o editor de Tex já nos aguardava no aeroporto de Guarulhos, acompanhado de sua simpática esposa Helenice e do famoso Chopin, o mascote da Mythos, já tão bem conhecido de todos os Texianos  brasileiros e portugueses, depois de ter saído na matéria do TEX-401 com um exemplar do Tex junto dele.

No dia 22, começaram efectivamente os Encontros Texianos, já que na Mythos Editora, tive o grande prazer de conhecer um dos maiores nomes da história dos quadradinhos do Brasil, o editor e simultaneamente director Hélcio de Carvalho, uma autêntica lenda viva! Pessoa extremamente educada, simples, afável, com muita vitalidade, muita disposição, seriedade e dedicação naquilo que faz em prol dos quadradinhos.

Nesse mesmo dia, tive a oportunidade de conhecer e conviver com outros três editores da Mythos, todos eles, pessoas fantásticas, simpáticas e de trato muito fácil e simples nem parecendo ser quem são, falo em concreto de Fernando Bertacchini editor de Conan, Fernando Lopes editor Marvel e Fabiano Denardin (Oggh) editor DC, cada um deles também habituado a conviver com o Tex, já que partilham o mesmo espaço onde o nosso herói é produzido.

Mas para a tarde desse dia, estava marcado um dos momentos mais fortes e importantes desta minha viagem ao Brasil: ia ter a oportunidade e a grande honra de conhecer o Grande Marcos Maldonado,  o letrista de Tex desde os seus primórdios no Brasil, pessoa que sempre admirei devido à sua exímia e espectacular caligrafia e fiquei bastante emocionado no momento em que trocamos o primeiro abraço.

Marcos Maldonado abriu-nos as portas da sua fazenda em Sorocaba, a “Chácara Recanto da Amizade”, muito bela, bem cuidada e com uma deliciosa piscina, onde passamos uma tarde de sonho e diversão. Durante a tarde e no intervalo de uns banhos de piscina e sol, fomos conversando com mais esta lenda viva, que faz as letras da série Tex Normal há muitos anos, sendo inequivocamente um dos grandes baluartes e que está intimamente ligado à vida editorial do Tex no Brasil.

Apesar de ser um senhor de idade avançada, tem ainda uma letra firme e linda, digna dos melhores elogios, como pudemos contemplar todos os meses, até ao famoso número 400 da revista Tex.

Maldonado confidenciou-nos um segredo, é que a sua esposa Dolores também dona de uma magistral caligrafia, muitas vezes o substituía na tarefa de letreirar o Tex e a caligrafia da Dolores é tão semelhante com a do Marcos Maldonado, que ele hoje em dia ao pegar num Tex, escrito a quatro mãos, não é capaz de distinguir onde ele terminou de escrever e onde a Dolores começou e vice-versa.

Por aqui pode-se constatar o quão semelhantes são ambas as caligrafias. Um caso provavelmente único no mundo dos quadradinhos, marido e mulher que trabalharam juntos na mesma arte durante algumas décadas, mais precisamente desde 1969, quando Maldonado resolveu seguir os conselhos do irmão António e começou a letreirar quadradinhos.

Dolores vendo o marido com bastante serviço, interessou-se pela coisa e resolveu praticar e passado pouco tempo já não se conseguia saber quem era o mestre e quem era a aluna, dado que ambas as caligrafias eram bastante similares e de altíssima qualidade. Dolores Maldonado para além de letreirar, também foi montadora dos quadros nas páginas de Tex durante muitos anos, onde com a sua habilidade e paciência, nos deixava todos os meses dezenas de  páginas artesanais que transbordavam paixão e amor a Tex e seus parceiros.

Hoje em dia, Marcos Maldonado continua a letreirar  o Tex, mas o processo é completamente diferente. Teve que se adaptar aos novos tempos empregando técnicas modernas de edição de imagem via computador, o que resulta num processo muito mais rápido e fácil segundo ele, já que hoje em dia era muito cansativo para o Maldonado continuar a letreirar manualmente o Tex, devido principalmente aos problemas de saúde no seu pulso. Como pessoa sempre interessada em aprender e principalmente devido às suas inúmeras capacidades e algumas ajudas, até foi relativamente fácil a sua adaptação às novas tecnologias.

No final do dia, saímos da Chácara e fomos conhecer o irmão de Marcos Maldonado, e a pessoa que originou todo o percurso e sucesso deste ilustre letrista, o António Maldonado, ex-letrista também e um grande artista que hoje em dia faz da pintura e dos belíssimos quadros o seu modo de vida. Se conhecer o casal Maldonado já é motivo de alegria e orgulho, imaginem conhecer o irmão também…


De seguida fomos até à casa de Marcos Maldonado, também em Sorocaba, onde nos deu a conhecer o seu estúdio, onde tem todos os seus arquivos de Tex e onde hoje em dia continua a produzir as letras para a nossa revista predilecta. Apesar de Maldonado ser um verdadeiro profissional, ele tem muito amor e gratidão ao personagem Tex, já que foi ele que lhe alterou a vida e muito do que hoje é e tem, deve-o ao fabuloso personagem criado na década de 50 por G. L. Bonelli e A. Galleppini.

Para tornar este dia ainda mais inesquecível, na hora da despedida fui agraciado com um presente inolvidável:  uma caneta de nanquim com a qual Maldonado letreirou muitas edições de Tex e ainda por cima autografada e com uma belíssima dedicatória! Tornou-se obviamente uma das jóias da coroa da minha já de si grandiosa colecção de Tex e está em plano de destaque na minha BiblioTex!

O dia seguinte, foi outro dia de fortes emoções, que começaram bem cedo quando tivemos a oportunidade de conhecer pessoalmente o amigo de longa data e que hoje em dia trabalha na Mythos Editora, o Texiano Levi Trindade, amigo esse, que só tinha tido a oportunidade de contactar virtualmente. Pessoa extremamente culta no quesito Tex e principalmente em filmes de faroeste, também se revelou bastante cordial neste primeiro contacto, parecendo que já nos conhecíamos pessoalmente de longa data.

Um pouco mais tarde foi a vez de outro Texiano que tinha enfrentado algumas centenas de quilómetros, somente para me conhecer, se deslocar à Mythos Editora. Falo do texmaníaco Nei Souza  Teixeira de Macatuba – SP. Passamos bons momentos na editora falando principalmente dos nossos personagens preferidos, que pareciam estar ali connosco: Tex Willer, Zagor, Mágico Vento, Ken Parker, etc. Num determinado momento Levi  junta-se à conversa e passamos a ter um belo papo a três.

A hora do retorno de Nei a casa, aproximava-se e ele aproveitou para rever e fotografar na sua sala, o editor Dorival e aproveitou também para adquirir alguns exemplares que lhe faltavam nas suas colecções, além de comprar edições de Mister No, para conhecer melhor esta fabuloso personagem que vive no Brasil. No regresso a casa, Nei ia com a sacola às costas bem mais carregada, levando edições internacionais de Tex (Espanha e França), assim como alguns Tex’s gigantes. Em troca recebemos um belo livro com uma belíssima dedicatória: “História e Mistérios dos Templários”!

Como o dia ainda ia a meio, muitas emoções ainda estavam guardadas para a parte da tarde, onde tivemos o prazer de conhecer um dos mais recentes tradutores de Tex, o  Edu Tanacchia, pessoa extremamente culta, com uma capacidade intelectual notável, mas de uma grande simplicidade, sempre alegre e bem disposto e verdadeiro amante e uma boa cerveja!

Nessa tarde também convivemos com toda a equipa da Mythos, que produz as nossas amadas revistas, porque se realizou nesse dia a festa de Natal da editora, com a troca de presentes, derivada do jogo “Amigo Secreto”.

Depois de uma tarde cheia de longas e agradáveis conversas, aproximava-se a hora de outro encontro Texiano, desta vez com a Maria Eddy que nos aguardava na Livraria Italiana. Para esse encontro, Dorival, Edu Tanacchia e Levi Trindade resolveram acompanhar-me, para grande alegria da já desesperada Maria Eddy, que devido ao atraso causado pelo transito caótico das ruas de São Paulo em hora de ponta, já pensava que eu me tinha esquecido do encontro previamente agendado.

Tive oportunidade de conhecer pessoalmente uma grande fã “Bonelliana”, que tem a felicidade de trabalhar no meio daquilo que gosta, isto porque a Livraria Italiana tem inúmeras edições italianas dos personagens da Sergio Bonelli Editore à venda, para gáudio de todos aqueles que se deslocam até lá à procura de edições italianas. Maria Eddy, presenteou-me com uma belíssima edição italiana de altíssima qualidade de Dylan Dog, com uma dedicatória muito terna e bela, que está carinhosamente guardada junto de algumas edições autografadas por ilustres amigos meus.

A Maria Eddy, também ficou bastante feliz com mais esse momento, já que foi uma surpresa para ela, pois de uma assentada só, conheceu para além deste português, também o seu editor preferido, o Dorival, além do Edu Tanacchia, assim como reviu o Levi Trindade, que já conhecia pessoalmente de outras ocasiões.

Depois de registarmos o momento para a posteridade em duas fotos, fomos conversar os cinco para um bar situado bem perto, muito simpático e acolhedor, onde cada um bebeu a sua bebida preferida e comemos uns petiscos, onde nem demos pelo tempo a passar, já que a conversa estava bastante agradável, sempre com os nossos personagens Bonelli como pano de fundo, mas como já se fazia noite, mais uma despedida se aproximava…

No dia seguinte, véspera de Natal, chegava à Mythos, devidamente emoldurado, um Big Poster medindo 1,60 x 1,05 m, em papel fotográfico brilhante, com as 400 capas de Tex, tendo ao centro o logótipo do TEX conforme vem nas revistas e a inscrição “Tex e Eu, 32 anos de aventuras – 1971 – 2003”, uma obra magnífica e de grandes dimensões, como se pode ver pela foto, idealizada e produzida por um dos grandes fãs e coleccionadores de Tex no Brasil, o Geraldo Guilherme Carsan, fotógrafo de profissão e actualmente a residir em João Pessoa – PB.

Este póster segundo o Geraldo, nasceu da sua necessidade em fazer uma coisa grande para o nosso ídolo e entendeu que uma historia de Tex é algo quase impossível de ver publicada, isto porque ele já escreveu histórias de Tex, mas dificilmente as verá impressas, então resolveu fazer o póster, que dependeu exclusivamente da sua iniciativa, do seu grande amor pelo personagem que o acompanha há mais de 30 anos e da sua coragem para produzir tão meticuloso e gigantesco projecto.

Essa magnífica obra, está exposta na sala de recepção da Mythos, em local de destaque e arrancou inúmeros elogios de todas as pessoas que entraram na editora nos dias seguintes. Claro que depois de ver esta obra, me apressei a pedir ao Geraldo, também um póster igual para expor na minha BiblioTex.

Nessa manhã, fui convidado pelo Hélcio de Carvalho e pelo Dorival, para junto com a minha esposa e a minha filha, ir conhecer o depósito da Mythos, situado em  Itaim Paulista, cidade satélite de São Paulo.

Foi uma visita guiada pelos dois directores da Mythos, onde ficamos a saber muito do que acontece às revistas que vêm do encalhe e como se processa todo o mecanismo da distribuição, até à sua recepção no depósito. Através do responsável do depósito, o Oclair, também ficamos a saber como se processa a selecção e posterior envio das revistas da Mythos para Portugal. Depois de conhecer o depósito da Sergio Bonelli Editore em Turate, foi interessante conhecer também o depósito da Mythos Editora, mas o curioso, ou talvez não, é que em ambos os depósitos existem milhões de revistas que fariam a felicidade a muitos coleccionadores…

Depois de passarmos o Natal na companhia do editor de Tex e sua simpática família, rumamos ao sul, mais propriamente ao QG de Verão de Tex, Itapoá – Santa Catarina.

Nessa aprazível cidade praiana, que já tínhamos tido a oportunidade de conhecer há dois anos, realizou-se mais um auspicioso encontro, o nosso amigo e grande coleccionador de revistas Bonelli, Valdivino de Almeida e seu filho John, vieram-se encontrar comigo e com o Dorival para um dia inteiro de praia, sol,  bate-papo e troca de ideias sobre o nosso Ranger. Valdivino deslocou-se acompanhado de muitas das suas preciosidades da sua grandiosa colecção de Tex, desde a colecção quase completa da “Revista Júnior”, que trouxe as primeiras histórias do Ranger no Brasil, até diversas edições de Tex fora de série internacionais. Através do Valdivino fui agraciado com muitas edições brasileiras de “Judas”, de “Tenente Blueberry” e ainda uma maravilhosa camiseta da sua cidade: Curitiba. Foi mais um dia inesquecível desta viagem.

Como a passagem de ano estava marcada para Sapucaia do Sul, lá fomos nas vésperas apanhar o avião a Curitiba, rumo a Porto Alegre e mais uma surpresa nos aguardava no aeroporto. Para além do Gervásio Santana de Freitas, aguardava-nos também o amigo Oscar Kern, o editor do excelente Fanzine “Historieta”, e um dos maiores entendidos de quadradinhos do Rio Grande do Sul, uma autêntica enciclopédia, pois sabe muito da Nona Arte. Mora em Porto Alegre e já chegou a roteirizar inclusive aventuras Disney. Para ele os quadradinhos não têm segredos e hoje em dia para além de continuar a editar “Historieta”, colecciona as edições Bonellianas italianas.

Depois das despedidas, combinamos com o Oscar um novo encontro para dali a quatro dias, quando regressássemos a Itapoá. Do aeroporto partimos rumo a Sapucaia  do Sul e a ansiedade para conhecer os famosos gémeos do Gervásio e da Elis, o Filipe e o Vinícius era imensa, principalmente por parte da Andreia que já há muito contava os dias  desse encontro. Em Sapucaia do Sul, passamos quatro dias maravilhosos no QG Tex, sempre acompanhados pelo Gervásio, Elis, filhos e demais familiares de ambos que a todos nós nos receberam com extrema simpatia e cordialidade.

Ficamos impressionados com a enorme quantidade de revistas brasileiras e dos mais diversos países de todos os personagens Bonelli, que o Gervásio possui no seu QG Tex, sem dúvida uma das maiores colecções bonellianas do mundo! Claro que estando eu num local de sonho como este, só poderia dormir, ou melhor pernoitar, nesse mesmo cómodo da casa para aproveitar ao máximo toda a estadia em Sapucaia, já que o sono não vinha com tanta coisa deliciosa para ler.

Após uma feliz entrada em 2004, com um excelente e legítimo churrasco gaúcho, Gervásio, sua esposa Elis e os seus gémeos recém-nascidos Filipe e Vinícius, acompanhados dos pais e irmã do Gervásio, nos levaram a conhecer a belíssima serra gaúcha. Gramado, Canela, Farroupilha e Veranópolis foram algumas das cidades visitadas por esta nobre comitiva. Em Veranópolis, mais propriamente junto da Ponte das Antas, tivemos o prazer de conhecer o Texiano, Verlei Colao Merlo, que nos presenteou um farto almoço na sua Pousada Colao. Foi mais um momento mágico, que somente aconteceu por causa de um fabuloso personagem de papel, com mais de cinco décadas de vida.

Nesta viagem à serra gaúcha o passeio de Maria Fumaça entre Bento Gonçalves, Garibaldi e Carlos Barbosa no Rio Grande do Sul não podia deixar de ser efectuado por nós, já que segundo o Gervásio e família se trata de um cartão de visita obrigatório para todos os que se desloquem áquela região. Foi uma viagem maravilhosa e encantadora. Foram 23 Km de pura emoção! Embarcamos num clima de muita alegria e de muita nostalgia, com uma  banda de músicos e taças de vinho. O trem estava em perfeito estado de conservação remetendo-nos a um tempo onde a Maria Fumaça era um meio tradicional de transporte; tem-se a sensação de estar num filme da época das grandes fazendas e cafezais. No percurso nós fomos visitados na nossa carruagem por artistas que contavam piadas, tocavam sanfona e cantavam as típicas e  eternas canções italianas do começo do século!

O passeio foi muitíssimo agradável, com duas paradas clássicas: uma para a degustação de champanhe e outra para a degustação de vinhos. Na janela víamos muitas paisagens verdes e agradáveis, e quando passávamos pelos lugarejos, as pessoas acenavam ao ver a Maria Fumaça passar!! Parecia poesia!

De novo em Sapucaia do Sul, um novo dia e um novo momento nos aguardava, a escalada ao  Morro do Chapéu e das Cabras. Escalada essa feita por mim, pela Fátima e pela Andreia, guiados pelo escalador mor, o Gervásio. Foi o nosso primeiro contacto com o mundo vertical e deu para perceber que o mundo das escaladas é simplesmente fascinante. É uma integração total do homem com a natureza, tanto com a mãe natureza quanto com a natureza física de cada indivíduo. A escalada é como uma filosofia, é uma busca de paz espiritual e auto-conhecimento e foi tão gostoso que iremos repetir mais vezes no futuro.

Ainda em Sapucaia do Sul, tivemos o prazer de conhecer mais um Texiano, o Paulo Kuhn, a pessoa responsável pelo que o Gervásio é hoje em dia no quesito Tex, já que foi o Paulo, a pessoa que emprestou ao Gervásio, o primeiro Tex que ele leu na vida, foi quem o encaminhou. O Paulo apesar de hoje em dia não coleccionar o Tex, ainda tem religiosamente guardadas em casa todas as edições que adquiriu no passado e com esta visita e com a promessa de um Tex Gigante que seria oferecido pelo Gervásio, estamos em crer que em breve o Paulo Kuhn, retornará ao contacto regular com Tex.

Depois de quatro dias maravilhosos, chegava a hora da partida e depois das despedidas à Elis, Filipe e Vinícius lá fomos acompanhados pelo Gervásio até ao aeroporto de Porto Alegre e como prometido, lá nos aguardava o amigo Oscar Kern, munido de várias edições do seu Fanzine Historieta para me oferecer, edições que fazem parte da história dos fanzines no Brasil e que trouxemos com muito carinho para ler.

De novo em Itapoá, foi a vez de passarmos uns dias maravilhosos com Nilson Pires Farinha, igualmente editor do Portal TEXBR, sua esposa Elaine e sua simpática e belíssima filha, a Bia.
Eu, Nilson e Dorival, passamos uns dias muito agradáveis, com muita praia, muito sol e muito papo, onde ficamos a par de muita coisa importante relacionada com a Mythos Editora e com os nossos personagens preferidos, igualmente trocamos algumas idéias e aí nasceu inclusive a sugestão da mini-série em duas edições que trará em breve, o regresso tão ambicionado do terrível Mefisto. O Nilson presenteou a mim e ao Dorival, com duas  edições raríssimas e em excelente estado de conservação, da “Revista Júnior”.

No último dia de Itapoá, reuniu-se a nós o consultor, tradutor, curador Júlio Schneider e foi uma grande honra para mim estar no meio destes três “montros” daquele calibre, nada mais nada menos do que o Dorival, o Júlio Schneider e o Nilson, só faltou o Gervásio para estarem ali os expoentes máximos de Tex no que ao Brasil diz respeito.

Ainda passamos umas horas bem agradáveis com o Júlio, onde nos pôs também a par das últimas novidades que rolavam na Itália, na Sergio Bonelli Editore e na Mondadori cuja edição gigante deste ano, que trará a história que saiu no Brasil no Tex Ouro 10, terá um dedinho, ou algo mais, do nosso Júlio! Igualmente vimos em primeira mão, a sua tradução para o Almanaque Tex 21 “A Pirâmide Misteriosa”, uma das edições que lhe deu maior trabalho, nos quesitos tradução e pesquisa devido à enorme quantidade de texto desta aventura escrita pelo G. L. Bonelli. Conversamos também bastante sobre a edição fabulosa “Zagor – 25 anos”, que saiu juntamente com o Zagor Especial 2, oportunidade que eu não poderia desperdiçar, já que estavam a meu lado os seus dois autores. É uma obra valiosíssima e que tem sido alvo de destaque também na Itália e em Portugal, países em que essa edição histórica foi bem recebida.

De regresso a São Paulo, o último encontro Texiano no Brasil, aliás um duplo encontro, já que se deslocaram propositadamente à Mythos para se encontrarem comigo, o Sidney Gusman e o Marcelo Naranjo, ambos do site Universo HQ. Sidney Gusman, jornalista especializado em quadrinhos é actualmente o Editor da Wizard Brasil, produzida pela Mythos para a Panini.

Foram horas bastante agradáveis, aprendendo e ouvindo histórias fascinantes de ambos, como por exemplo, as incríveis aventuras passadas pelo Sidney Gusman na Itália ao lado do Sergio Bonelli ou então as aventuras e o “faro” do Naranjo nos sebos de São Paulo, onde consegue verdadeiras preciosidades dos quadrinhos brasileiros. Muito me honraram estas duas personalidades com a sua visita à Mythos para que nos conhecêssemos pessoalmente e claro que imortalizei o momento com fotos, mas também com duas valiosas dedicatórias que pedi-lhes que me escrevessem!

Também não posso deixar passar em claro, que durante a minha estadia no Brasil tive o prazer de falar ao telefone com os seguintes Texianos: Joe Fábio, Jesus Nabor, Afrânio Braga, Geraldo Carsan, Fábio Misquiatti, e a Fernanda Martins da Holanda que ligou expressamente nas primeiras horas de 2004, para desejar um bom ano.

Como tudo o que é bom, passa depressa, também o dia 10 de Janeiro de 2004, dia de regresso a Portugal chegou depressa e lá fomos nós de novo para Guarulhos para um novo embarque, prometendo um novo regresso ao Brasil para uma nova oportunidade assim que possível, pois é um país verdadeiramente encantador, onde eu, a minha esposa e a minha filha fizemos grandes e eternas amizades.

No aeroporto os minutos passaram rápido. Já era hora de embarcar. As lágrimas rolaram pela face abaixo, só havia tempo para um último abraço, um até breve e os últimos agradecimentos, ao editor de Tex e sua esposa por tudo os que nos proporcionaram nestas três maravilhosas semanas que jamais esqueceremos.

Depois de mais 10 horas de vôo rumo a Portugal, vôo que decorreu igualmente sem sobressaltos, lá aterramos no aeroporto da Portela e na hora de desembarque, bem cedo, ainda de madrugada, lá tínhamos à  nossa espera vários texianos portugueses, ávidos por nos reverem e alguns deles esperando ansiosamente pelas inúmeras revistas que trouxemos para eles.

Estavam a aguardar-nos o José Manuel Pereira, que conforme prometido, retornou ao aeroporto, acompanhado pelos texianos José Manuel Vilela, Mário João Marques, Pedro Fernandes Pereira e Paulo Madeira que veio acompanhado pela sua simpática esposa, a Sandra e a sua encantadora filha, a Cris! Foi o último momento e um dos mais grandiosos desta viagem, onde tive o prazer de conhecer pessoalmente inúmeros texianos brasileiros e portugueses, pois também conheci o  Pedro Fernandes Pereira, nesse dia 11 de Janeiro de 2004.

E assim Tex e seus parceiros continuam unindo pessoas e fazendo amigos por todos os lugares do mundo.

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Maurizio Dotti e o póster Tex Nuova Ristampa 450

* Depois de 428 ilustrações realizadas no espaço de mais de 20 anos (1996-2017), Claudio Villa passou o bastão de autor dos mini-pósteres de Tex publicados na colecção Tex Nuova Ristampa, a Maurizio Dotti.
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Janeiro de 2018 marcou a estreia de Maurizio Dotti na realização dos mini-pósteres de brinde publicados na série italiana de Tex Nuova Ristampa, substituindo o mítico Claudio Villa. Tratou-se de um verdadeiro acontecimento já que foram mais de 20 anos e mais de 420 ilustrações realizadas pelo actual responsável pelas capas de Tex.

Maurizio Dotti e a ilustração original do póster Tex Nuova Ristampa #450 onde comparece Mefisto

Maurizio Dotti é no presente um dos mais admirados e aclamados desenhadores do actual staff de desenhadores de Tex Willer e fez para a revista portuguesa do Clube Tex Portugal a sua primeira capa de Tex, capa essa que foi muito elogiada não somente pelos leitores da revista do Clube Português, mas também um pouco por todo o mundo após ser dada a conhecer na Internet, elogios que choveram inclusive na Sergio Bonelli Editore, sobretudo do actual responsável máximo de Tex, o editor Mauro Boselli.

Boselli que é um confesso admirador das qualidades artísticas de Maurizio Dotti ficou tão agradado com a capa portuguesa que assim que houve uma oportunidade convidou o desenhador milanês (que foi uma das estrelas presentes na 3ª Mostra do Clube Tex Portugal, evento realizado em Abril de 2016) para fazer uma capa oficial de Tex, capa essa para o Color Tex nº 12 que foi publicado em Novembro de 2017.

A partir daí, no quesito capas, houve uma ascensão meteórica de Maurízio Dotti, que substituiu Claudio Villa na realização dos mini-pósteres de Tex publicados em Tex Nuova Ristampa (e que serão futuras capas no Brasil) e foi convidado para ser o capista oficial de Tex Willer, a nova série dedicada ao jovem Tex… e, recorde-se, tudo isto começou então com um convite português…

Parte do processo de criação da ilustração para o póster Tex Nuova Ristampa #450

Hoje no Blogue do Tex vamos dar a conhecer a todos os nossos leitores todo o processo de criação um  dos mais recentes mini-pósteres, mais precisamente o número 450, desenhado por Dotti, desde o esboço inicial até à ilustração pintada nas cores do próprio Maurizio Dotti, passando pela arte a preto e branco:

Esboço inicial de Maurizio Dotti para o Póster de Tex Nuova Ristampa de Tex n° 450

Ilustração finalizada a tinta da china por Maurizio Dotti para o Póster de Tex Nuova Ristampa de Tex n° 450

Ilustração finalizada com as cores de Maurizio Dotti para o Póster de Tex Nuova Ristampa de Tex n° 450

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Póster Tex Nuova Ristampa 308

Póster Tex Nuova Ristampa 308

Nesta ilustração nocturna da autoria de Claudio Villa, vemos Tex Willer, defronte da arma de Kurt Weiser (um dos dois alemães que conseguiram descobrir uma rica mina de ouro perdida algures nos montes da superstição, a lendária montanha sagrada dos Apaches), que apesar de rico, vive atormentado com o seu próprio passado. Weiser acordou sobressaltado durante a noite, devido a uma crise motivada por remorsos, o que obrigou Tex a deslocar-se ao seu quarto no preciso momento em que o alemão disparava contra o “fantasma” de Jacob Stolz…

Desenho INÉDITO no Brasil e inspirado na história “La miniera del fantasma” de Mauro Boselli e José Ortiz (Tex italiano #478 e #479).
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Texto de José Carlos Francisco

Dampyr (e Fernando Pessoa) de Boselli & Cropera com grande destaque no Jornal de Notícias de 12 de Novembro


Texto da secção Cultura de 12/11/2019
Banda Desenhada
F. Cleto e Pina

“Pessoa volta a ser herói de BD”

* Mauro Boselli e Michele Cropera guiam-nos numa história cheia de mistério, esoterismo e aventura passada em Portugal .

O que pode haver em comum entre o poeta português Fernando Pessoa, um caçador de vampiros, Cthulhu, e o mestre do ocultismo britânico Aleister Crowley?

A resposta encontra-se em “Dampyr: O suicídio de Aleister Crowley”, álbum de banda desenhada acabado de lançar em Portugal pela nova editora A Seita, que conta com argumento de Mauro Boselli e desenho de Michele Cropera, que esteve recentemente no Amadora BD.

O Dampyr do título é um termo do folclore eslavo, que designa o filho de um vampiro e de uma humana, tornando o seu sangue mortal para aquelas criaturas e fazendo dele o seu mais perigoso predador.

Nesta história, que abre ao som do fado, os autores captaram muito bem o espírito saudosista e nostálgico da Lisboa do início do século, mas o habitual protagonista, Harlan Draka, mantém-se na sombra, para que sejam os dois amigos com quem se desloca a Portugal a investigarem o desaparecimento seguido de um aparente suicídio de Crowley, ocorrido décadas antes, em 1930, na Boca do Inferno, perto de Cascais.

Pessoa tem grande destaque numa narrativa densa e consistente, de contornos fantásticos, em que uma forte base histórica se combina com ficção e fantasia, ao bom modo da série Dampyr . Nela, acompanhamos no passado o poeta português cujo interesse pelo ocultismo o aproximara do mago britânico, e no presente vamos descobrir como aquele acontecimento, o Cthulhu dos contos de Lovercraft, o terramoto de 1755, e a relação de Pessoa com a amada Ofélia Queiroz têm inusitada ligação.

Portugal protagonista

O dampyr Harlan Draka é um dos heróis da Sergio Bonelli Editore, mais conhecida por editar as aventuras de Tex ou Dylan Dog, e esta não é a primeira vez que vem a Portugal, pois em “O esposo da vampira” e “Tributo de Sangue”, compiladas no volume “Aventuras em Portugal” (ed. Levoir), já passara pelo Porto, Gaia e Régua, para investigar acontecimentos paranormais.

Pessoa habitué na BD

Neste encontro diferido entre Fernando Pessoa e Dampyr, não é a primeira vez que o poeta surge como personagem de BD. Em “A vida oculta de Fernando Pessoa”, André Morgado e Alexandre Leoni fizeram dele agente de uma sociedade secreta encarregada de limpar o mundo de zombies, o que explicaria os seus heterónimos, usando muitas citações do poeta. O mesmo tinha feito o cartoonista Laerte em 1987, quando se deu o improvável encontro entre Pessoa e os Piratas do Tietê, num divertido episódio carregado de nonsense em que no final vence a… poesia!

Mais convencional é “As Aventuras de Fernando Pessoa, Escritor Universal…”, de Miguel Moreira e Catarina Verdier, uma extensa biografia aos quadradinhos.

Já “Pessoa & Cia”, da ilustradora espanhola Laura Pérez Vernetti, junta uma curta biografia a preto e branco com a ilustração colorida de um punhado de poemas do escritor português.

Copyright: © 2019 Jornal de Notícias;
F. Cleto e Pina

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Edibar e Tex na arte de Lucio Oliveira

José Carlos Francisco com Lucio Oliveira, Edibar e Tex

Lucio Oliveira, popularmente conhecido por Lúcio Cartunista é um famoso autor brasileiro e uma das suas maiores criações é o personagem Edibar da Silva, o bêbado mais escroto da web, que esteve exposto recentemente no Amadora BD, exposição essa que contou inclusive com a participação do próprio Lucio!

Lucio Oliveira e a exposição dedicada a Edibar no Amadora BD 2019

Lucio Oliveira nasceu em Apucarana, norte do Paraná, em 1973. Cresceu debruçado sobre papéis e lápis de cor. Trabalhando como desenhador desde 1986, já passou por várias etapas como cartunista, ilustrador e chargista, além de ter ministrado aulas de desenho técnico no Sesi e Senac. Viveu por dois anos em Inglaterra onde cursou Arquitectura e mergulhou fundo no mundo das artes plásticas. Hoje o Lucio dedica-se exclusivamente à produção das tiras e ilustrações do Edibar e companhia para vários jornais e revistas espalhados por todo o Brasil, tendo agora também visto a Editora Polvo publicar em Portugal dois livros dedicados ao seu Edibar.

Ana Gisele França, esposa de Lucio Oliveira exibe orgulhosamente os dois livros de Edibar com o selo da Polvo Editora

“Edibar & C.ª” é um caso sério de popularidade no Brasil, onde a série é publicada em diversos jornais, revistas e sites, e também nas redes sociais (só no Facebook, a página de Edibar ultrapassa o meio milhão de seguidores!).
Criado, em 2001, pelo cartunista Lucio Oliveira, Edibar é um tipo machista, que gosta de bar, cerveja gelada e mulheres (não necessariamente por esta ordem e não a mulher dele, claro, como diz o texto de apresentação do personagem na sua página do Facebook).
Edibar é camionista de profissão e vive com a esposa, Edimunda. De vez em quando recebe a visita da sogra, Ana Conda, com quem tem uma relação no mínimo… turbulenta.
Estes e outros personagens fazem de Edibar & C.ª uma série de absoluto sucesso, com um humor que atinge todos os públicos.

Lucio Oliveira a desenhar o Edibar e o Tex ao balcão

Mas o que muitos não sabem é que tanto o Lucio Oliveira, como a sua criação Edibar da Silva são grandes fãs de Tex Willer e volta e meia vemos o Edibar a ler a prestigiosa revista do Ranger e inclusive a contracenar com o Ranger criado em 1948 por G. L. Bonelli, como é o caso do desenho mostrado de seguida, onde vemos Edibar e o Tex no balcão de um bar, desenho esse realizado por Lucio Oliveira para José Carlos Francisco, no decorrer de uma sessão de autógrafos no Amadora BD!

Edibar e Tex na arte de Lucio Oliveira

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