A primeira visita de José Carlos Francisco à colecção de Mário João Marques
Esta terça-feira dia 10 de Agosto, fui até Lisboa com a minha esposa Fátima e a minha filha Andreia, onde almocei no idílico Parque das Nações (local da EXPO-98) com o Mário João Marques, sua esposa Lurdes e seus filhos encantadores, João e Sofia.
A ementa como não podia deixar de ser foram uns suculentos bifes, sepultados por enormes montanhas de batatas fritas… quanto à sobremesa, cada um optou pela sua, em virtude da famosa tarte de maçã estar esgotada.
Após o almoço, onde o tema de conversa foram as BD’s, mais concretamente os “fumetti” e as “Bande Dessiné“, pois o Mário além de ser um dos maiores Texianos de Portugal, é decerto um dos maiores coleccionadores de Portugal da Banda Desenhada franco-belga, como constatei depois na casa dele.
É verdadeiramente impressionante os milhares de álbuns sobretudo franceses que o Mário possui… praticamente de todos os géneros e dos mais variados autores, muito deles fantásticos e que somente agora tomei conhecimento… Posso até dizer que entrei em muitas poucas livrarias ou talvez até nenhuma com a quantidade de álbuns que o Mário tem… fiquei mesmo deveras impressionado. Poderão constatar isso mesmo nestas fotos… e somente mostro uma das estantes…
A inúmera Bande Dessiné de Mário João Marques
Bande Dessiné e Fumetti da colecção de Mário João Marques
Mário João Marques e a sua Banda Desenhada
Depois de algumas horas falando sobretudo de Banda Desenhada, a hora da partida aproximava-se, pois estávamos a 250 km de casa… fomos até uma esplanada (patrocinada pela Coca-Cola, obviamente) retemperar forças e antes da despedida, tiramos mais duas fotos para recordar este dia que duas famílias passaram juntas, devido ao nosso grande herói de papel, o mítico Ranger Tex Willer!
Clãs Marques e Francisco unidos pela paixão pelo Tex
Lurdes, Mário Marques, José Carlos e Fátima com Tex presente
A esposa do Mário, a Lurdes, é hospedeira de voo da TAP e viaja pelo mundo inteiro e quando vai a Paris, Milão, Roma, etc.. sempre vai propositadamente às principais livrarias dessas cidades comprando álbuns para o seu marido… inclusive ela incentiva-o nesta paixão pela Banda Desenhada, já que o Mário não tem outros vícios segundo ela… Como sempre digo, ao lado de um Grande Homem, há sempre uma Grande Mulher… e a Lurdes prova-o! Parabéns Mário, pela esposa que tu tens!
Depois de tudo isto, só me resta agradecer ao Mário, à Lurdes e aos seus herdeiros pelo magnífico e inesquecível dia que nos proporcionaram! Ficamos agora nós à espera que rumem um dia destes até Anadia!
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Por: Ricardo Elesbão Alves (Confraria Bonelli) e Renato Frigo (Colecionadores de HQs)
Em 1970 vivíamos anos de chumbo no Brasil da Ditadura Militar. As bancas de revistas eram repletas de gibis de cowboys pasteurizados, desenhados com traços limpos e atitudes pudicas, derivados de “Faroestes B” dos cinemas e das séries pueris da TV, aqui difundidas desde a década de 1950.
Então, de repente, surgiu um menino,Pedro Mauro, com seus faroestes estampando aventuras e cenários realistas, rudes e poeirentos, com personagens sujos e sarcásticos, mocinhas lindas com jeito de hippie. E mexicanos, muitos mexicanos. Tal qual nos filmes Spaghetti Western que tomava as salas de cinema naqueles anos, formando uma nova legião de público. Pancho foi o herói apresentado porPedro Mauro. Na verdade, um anti-herói, porque não se importava em ser bom nem justo. Mas apreciava uma vingança e não tolerava hipocrisia. Filosofia dos protagonistas dos demais bangue-bangues do artista.
Assim, graças a Pedro Mauro despontaram nas bancas, pendurados nos cordéis, presos com prendedores de roupa, um novo tipo de gibi. Com desenhos inovadores, visual pop e narrativa que mesclava a cadência do cinema italiano com a dinâmica dos storyboards dos comerciais de TV. Uma técnica de desenho que, depois de sair do ramo dos quadrinhos, Pedro Mauro passou a dominar.
O livro reproduz em fac-símile todas as sete aventuras de faroeste quePedro Maurorealizou naquele período. Historietas aqui devidamente pontuadas com datas e local de publicação. Obras que a Editora Taika, que as publicou originalmente, reprisou muitas vezes durante a década de 1970.
No total foram compiladas sete histórias desenhadas por Pedro mauro e publicadas pela Editora Taika em diferentes séries:
1) Ouro de Salt River, novembro de 1970, 12 páginas, Far-West Nº 1;
2) Pancho: Carga Pesada!, janeiro de 1971, 24 páginas, Pancho N° 1;
3) Pancho: Passagem para o Inferno, março de 1971, 26 páginas, Almanaque Far-West Nº 4;
4) Pancho: Duelo na Cidade Fantasma, maio de 1971, 28 páginas, Pancho N° 3
5) Pancho: Um Homem Chamado Ramirez, junho de 1971, 20 páginas, Far-West Edição Especial Nº 2
6) Um colt… E a Fama!, julho de 1971, 10 páginas, Almanaque Far-West nº 4;
7) Olho por Olho, setembro de 09/1971, 10 páginas, Almanaque Far-West nº 4.
Com exceção do “Duelo na Cidade Fantasma“, que tem roteiro deIvan Saidenberg, todas as outras histórias são de autoria dePedro Mauro. Vale ressaltar também, a valorosa participação da família Maldonado (Marcos, Dolores e Maria das Graças) no letreiramento destes clássicos, que jamais foram publicados com tanto capricho.
O projeto conta também com apoio e a parceria daConfraria Bonelli, a irmandade mais italiana do Brasil, um grupo criado por leitores brasileiros para discutir e divulgar os personagens da Sergio Bonelli Editore.
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Pedro Mauro
Pedro Mauro Moreno Dias, nossoPEDRO MAURO, nasceu em Nova Europa, SP, em 19 de fevereiro de 1953. Iniciou a carreira aos 16 anos, como assistente de Ignácio Justo em histórias de guerra na Editora Taika. Na mesma editora, entre 1970 e 1971, desenhou capas e/ou histórias de faroeste para as revistas Pancho, Almanaque de Far-West, Far-West Edição Especial e Cowboy, que tiveram republicações até 1976. Parte dessas histórias deram origem a este projeto noCatarse.
Mais tarde passou a ser muito procurado pela área de publicidade, onde fez muito sucesso como ilustrador. O trabalho se concentrava no desenvolvimento de composições e storyboards para grandes agências internacionais e na finalização de artes para editoras de revistas e livros em São Paulo. Finalmente, na década de 90 foi convidado a trabalhar e morar em Nova York, onde permaneceu por 12 anos, produzindo trabalhos de alto nível e sendo representado pelo Paul Santa-Donato Studios.
Em 2013, finalmente volta aos quadrinhos com uma série sobre uma famosa pirata, Back From the Dead Red, de autoria deCarlos Estefan, ainda não publicada.
Em 2014, foi descoberto no Facebook pelo roteirista italiano Gianfranco Manfredi, responsável pelos roteiros de Mágico Vento da Sergio Bonelli Editore(SBE), quando então foi convidado para desenharAdam Wild, uma minissérie escrita pelo roteirista italiano.
Gianfranco Manfredi e Pedro Mauro
Em 2015, publicou o seu primeiro Sketchbook em parceria com o desenhista brasileiroAugusto Minighittie ilustrou a coletânea 321 – Fast Comics, de Felipe Cagno. Em 2016 publicou o segundo Sketchbook.
Em 2017, ilustrou Os poucos & amaldiçoados, outro álbum de Felipe Cagno, e fez seu segundo trabalho para aBonelli, ilustrando Mugikopara a coleção Le Storie, uma história de espionagem, também roteirizada por Gianfranco Manfredie que vai ser publicada no Brasil pela Editora Trem Fantasma.
Mas recentemente, uma vez mais a convite deManfredi, Pedro Mauro desenhou paraSBEquatro números da nova minissérie intituladaCani Sciolti. São eles: E la chamiano estate (N° 3, 01/2019); Segreti inconfessabili (N° 4, 02/2019); Cartoline dalle vacanze (N° 9, 07/2019); e Riti pagani (N° 10, 01/2019).
Atualmente, Pedro reside e tem seu estúdio na cidade de Itu, no interior de SP, onde entre outras coisas, continua se dedicando aos quadrinhos. Nos últimos três anos, em parceria com Carlos Estefan, voltou a desenhar faroeste e publicou uma trilogia chamadaGatilho. As publicações, durante os seus lançamentos naComic Con Experience – CCXP, hoje o maior evento nerd do mundo, esgotaram pelos três anos seguidos.
Este grande sucesso fez com que muitos pudessem especular, e em especial leitores e fãs, que Pedro Mauro pode ser o primeiro brasileiro a desenharTex, o personagem mais famoso daSBEe com uma história editorial que supera os 70 anos.
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Ennio Morricone (Roma, 10 de Novembro de 1928 – Roma, 6 de Julho de 2020)
* O compositor italiano foi autor das bandas sonoras de filmes como “O Bom, o Mau e o Vilão”, “Por um Punhado de Dólares”, “Era uma Vez na América”, “Era uma Vez no Oeste” e “Cinema Paraíso”
Por Hélder Gomes[*]
Ennio Morricone homenageado com uma estrela na Calçada da Fama em Hollywood, na presença de Tarantino…
O compositor e maestro italiano Ennio Morricone morreu esta segunda-feira na sequência de uma queda numa clínica de Roma, onde se encontrava hospitalizado após uma fratura de fémur. O músico, autor das bandas sonoras de filmes como “O Bom, o Mau e o Vilão”, “Por um Punhado de Dólares”, “Era uma Vez na América”, “Era uma Vez no Oeste” e “Cinema Paraíso”, tinha 91 anos.
Segundo o jornal “La Repubblica”, que cita a família através do amigo e advogado Giorgio Assuma, o funeral do compositor será realizado de forma privada “em respeito ao sentimento de humildade que sempre inspirou a sua existência”. De acordo com uma nota divulgada, Morricone morreu “ao amanhecer de 6 de Julho em Roma, com o conforto da fé”. O compositor “manteve até ao último momento a lucidez e uma grande dignidade”, acrescenta o comunicado.
Em 2007, Morricone recebeu um Óscar Honorário da Academia de Hollywood “pelos seus contributos magníficos e multifacetados para a arte da música no cinema”, tendo sido posteriormente nomeado para mais seis Óscares. Em 2016, recebeu a estatueta dourada pela banda sonora de “Os Oito Odiados” de Quentin Tarantino, tendo-se tornado na altura a pessoa mais velha a vencer um Óscar competitivo.
Do seu currículo fazem parte mais de 450 bandas sonoras para cinema e televisão, além de mais de uma centena de composições clássicas.
Voltamos hoje a ocupar-nos das “origens secretas” das capas da colecção Tex Classic. O segundo número, lançado a 17 de Março, traz na capa um ilustração bem conhecida dos fãs de Tex, ou seja a mesma que aparece no segundo número da actual série principal de Tex mensal: Uno conto venti.
Vamos por ordem. De seguida encontrarão a primeira encarnação desta lendária capa assinada por Galep. Graças ao incomparável trabalho do site www.collezionismofumetti.com, podemo-la admirar na sua versão original datada de Julho de 1952. Trata-se do terceiro Albo d’Oro de Tex, a primeiríssima colecção que propôs as aventuras de Águia da Noite com as páginas compostas por três tiras.
Albo D’oro Tex #3
Esta imagem é um reinterpretação da usada na capa da striscia El Diablo, a oitava striscia de Tex, republicada neste terceiro Albo d’Oro. Inclusive na capa que verão de seguida Tex é obrigado a defender-se de pelo menos três inimigos, disparando da diligência. A versão do Albo d’Oro é decididamente mais impactante.
Collana del Tex nº 8 – “El Diablo”
A capa do terceiro Albo d’Oro foi utilizada, como mencionado acima, no decorrer de 1958 para o segundo número de Tex Gigante segunda série, o nome oficial da série que ainda hoje encontramos mensalmente nos quiosques, com histórias inéditas; na realidade aquele volume reproduz as aventuras publicadas nos Tex Albo d’Oro 6/10, mas como iremos descobrir nos próximos artigos, as primeiras capas da série actual foram recompostas de capas anteriores sem uma rigorosa lógica cronológica. Em verdadeiro rigor, não é bem a mesma ilustração, mas quase. Com efeito, para além das cores alteradas e planas, o fundo e um dos perseguidores da diligência desapareceram.
Tex #2 – Uno contro venti
Em todas as reimpressões subsequentes as cores continuaram a variar, até ao actual Tex Classic 2, que não consegue recriar o fascínio da capa original: o terceiro cavaleiro perdeu-se para sempre, enquanto aquele que é morto (ou simplesmente caiu da sela?) deverá renunciar eternamente às suas calças vermelhas e à camisa amarela de 1952. O mesmo se aplica ao cocheiro que, devido à mudança repentina das cores no período decorrido entre as duas primeiras publicações, vê invertidas as cores do chapéu e das calças; de verde a vermelho o chapéu e de vermelho para verde as calças. O chapéu com o decorrer dos anos desbotou para um quase amarelo em 2017. Divirtam-se a encontrar outras variações nas cores entre todas as versões desta ilustração.
Tutto Tex #2 – Uno contro venti
Tex Nuova Ristampa #2 – Uno contro venti
Tex Classic #2 – La mano fantasma
Curiosidade: Após 65 anos, a esta capa vem novamente associado o título La mano fantasma. Marcamos encontro para o próximo “episódio” de Secret Origins com a terceira capa de Tex Classic e não só.