Sétimo encontro com as “origens secretas” das capas de Tex Classic. Não há muitos antecedentes para descobrir desta vez. O sétimo volume, cuja capa pode ser vista abaixo, republica, a cores, as histórias publicadas nos Albi d’oro 13 e 14 que por sua vez reproduzem as aventuras apresentadas originariamente nos números 37 a 42 da primeira série de tiras de 1949.
Tex Classic #7 – Una trama infernale
A capa escolhida nesta ocasião vem de um dos dois Albi d’oro reimpressos; de realce, um par de modificações: ao contrário dos anteriores Classic na redacção optaram por vestir Tex com a clássica camisa amarela, seguramente para destacá-lo da parede do fundo, enquanto o tipo “elevado” perde os quadrados da camisa (evidentemente hoje, a 65 anos de distância, já não estão na moda); além disso, a imagem foi descentralizada para a esquerda em relação ao original, provavelmente para reduzir o espaço vazio que se formava naquele lado sem os sub-títulos do álbum original, consequentemente, à direita tiveram de “adicionar” desenho. Como amiúde acontece, entre as duas, o concurso do fascínio é ganho pela capa original, pela qual agradecemos, como sempre, o site www.collezionismofumetti.com. .
Albo d’oro Tex #14
Se quiserem saber como prossegue a cena, vejam, abaixo, a capa de Tex, l’uono ciclone, álbum de tiras nº 41, uma das histórias republicadas neste Tex Classic nº 7.
Durante o confinamento a consagrada desenhadora Patrizia Mandanici parou circunstancialmente a sua produção profissional, já que tentou aproveitar o tempo para desenhar ilustrações no papel, tendo em conta que vinha de um longo período a desenhar digitalmente e tinha intenções de voltar a desenhar banda desenhada de forma “analógica”.
Isto porque há poucos meses Patrizia Mandanici voltou a trabalhar numa história de Tex, mas contrariamente à sua primeira experiência (una história breve para o Color Tex desenhada e depois colorida integralmente em digital) desta vez está a desenhar em papel, ilustrando uma aventura mais longa (deverá vir a ser publicada num futuro Almanacco), uma história desafiadora que a fez regressar ao preto e branco, aos lápis e aos pincéis.
Attenti al lupo, arte de Patrizia Mandanici publicada em Color Tex
Entre os primeiros desenhos de Patrizia Mandanici estava o western (não foram feitos em 1965, a agenda era antiga, a desenhadora devia ter uns 9 anos)
A desenhadora está a esforçar-se ao máximo, não é suficiente saber ver bem os mestres que desenharam o Tex ou as fotos de documentação, desenhar o personagem Tex e os cavalos são coisas bem mais difíceis do que parecem; basta apenas uma pequena marca fora do lugar e já nada funciona bem, ou pelo menos não muito bem. A solução é desenhar muito, mas muito mesmo, e redesenhar; voltar a observar após uma semana e corrigir – e assim por diante.
Tex de espingarda nas mãos, desenhado por Patrizia Mandanici
Enquanto a história não for publicada a desenhadora não poderá mostrar nada deste seu regresso a Tex, excepto ocasionalmente as ilustrações que fizer nos seus tempos livres, como é o caso deste magnífico Tex mostrado aqui ao lado.
Patrizia Mandanici está a desenhar em folhas que são praticamente no formato A3, da marca Fabiano4 lisos (a desenhadora confidenciou que preferiria papel semi-áspero, mas para os detalhes mais minuciosos temia não conseguir controlar bem o seu estilo). Usa principalmente pincéis descartáveis da marca Pentel, os mais finos que conseguiu encontrar (Brush Sign Pen Artist), e marcadores da Koh-I-Noor Fiber Professional.
Além da inúmeroa documentação fornecida por Antonio Serra (é o roteirista da história, cujo argumento foi escrito por Fabio Civitelli) utiliza há já algum tempo as fotografias que encontra na Internet, sobretudo via Pinterest, já que são muito úteis porque estão cheias de cavalos, cowboys, cidades antigas, paisagens rochosas, etc.
Uma MISSIVA urgente de Tex para José Carlos Francisco na ARTE de Patrizia Mandanici, desenhadora de Tex
Mandanici não abandonou de todo o desenho digital: os esboços realiza-os sempre com Clip Studio Paint, imprimindo-os depois em folhas A3 e através de uma mesa de luz copia-os para as pranchas, definindo o lápis.
Tex e Kit Willer no magnífico lápis de Patrizia Mandanici
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A 26 de Setembro de 2011 deixava-nos Sergio Bonelli, envolvido desde muito jovem na vida da editora dos seus pais. Recordamo-lo com duas fotografias que o retratam quando criança e a história daquele período contada por Gianni Bono no seu livro “Os Bonelli”.
6 de Dezembro de 1941 é véspera do ataque japonês a Pearl Harbor, que marca a entrada dos Estados Unidos na guerra, ao lado dos britânicos e dos soviéticos, contra o eixo Roma-Berlim-Tóquio. Vinte e quatro horas mais tarde, o quadro geopolítico do mundo assumia um aspecto muito diferente.
No que diz respeito à banda desenhada e, neste caso, ao clima que reina na Redazione Audace, os pedidos do Ministério da Cultura Popular são muito mais prementes. Eles podem ser encontrados através da longa correspondência estabelecida entre Gianluigi Bonelli e o professor Vito Perroni do MinCulPop, da qual se evidencia que o governante concede a autorização à editora Audace com a condição que “todos os tipos fisionómicos sejam transformados em senso italiano e seja suprimida a banda desenhada do seu catálogo”.
Neste clima de forte controlo político e com uma guerra em andamento, Milão deixa de ser uma cidade segura para trabalhar e viver. Assim, no final do ano a Redacção Audace, composta por Tea Bertasi, Franco Donatelli e Mario Faustinelli, transfere-se da via Rubens para a mais tranquila Lavagna, no litoral da Ligúria, e Gianluigi Bonelli duas vezes por mês visita-os vindo de Milão.
O primeiro ano de actividade da editora encerra com um balanço mais do que positivo. O jornal conquistou uma base sólida de exemplares vendidos que garantiam a continuidade e a segurança económica. A confiança dos leitores e o desejo em apoiá-lo crescia, de número em número.
No Verão de 1943, os eventos precipitam-se e a Redazione Audace de Lavagna encerra. Tea Bertasi e o filho encontram abrigo em Fontanabuona, pequeno centro no interior da Ligúria, enquanto Gianluigi Bonelli, que não quer ir para a guerra, pensa em fugir e vai para a Suíça.
Duas fotos tiradas do álbum de memórias da família Bonelli: a primeira tirada em Lavagna em 1943; a segunda em 1944, durante a estada da Sra. Tea e de Sergio em Fontanabuona, uma pequena localidade do interior da Ligúria.
A proposta: dedicar uma rua ao autor que desenhou cerca de 1.500 páginas do Ranger criado por Giovanni Luigi Bonelli.
O jornalista italiano de Casale, Francesco Dionigi (na foto abaixo, à direita) propôs recentemente à Administração Camarária de Codogno (uma comuna italiana da região da Lombardia, província de Lodi, com cerca de 13.950 habitantes) dedicar uma rua ao conterrâneo Virgilio Muzzi “está entre os pais da banda desenhada Tex”.
É de Lodi um dos pais de Tex Willer, uma das mais populares bandas desenhadas italianas, escrito e criado por Giovanni Luigi Bonelli e pelo desenhador Aurelio Galeppini (Galep) em 1948 e publicado actualmente pela Sergio Bonelli Editore.
Jornalista Francesco Dionigi, o autor da proposta
Entre os autores, portanto, também está Muzzi (que desenhou também o número 5 de Diabolik datado de Maio de 1963 e três números de Mister No). No final dos anos cinquenta do século passado (em 1957 começou a se envolver com Tex, ora fazendo alguns desenhos a lápis, ora a arte-final em desenhos de Galep, ora trabalhando a quatro mãos com Francesco Gamba como nas últimas 54 páginas de A Quadrilha do Ás de Espadas) o artista juntou-se a Galep na realização das histórias do célebre Ranger. Os Tex de Muzzi caracterizam-se por um traço muito particular: as suas camisas às riscas e em xadrez e os seus personagens bigoduços.
A primeira história que Muzzi desenhou integralmente (considerada a sua estreia oficial com o Ranger) faz parte da série denominada “Città d’Oro“ e intitulava-se “Contrabbando“. Ele baseou-se nos textos do criador da série e no actual formato está incluída no álbum “Un’audace rapina“. Nos anos seguintes foram-lhe confiados outros episódios de Tex até ao número 183 “Caccia all’uomo“, publicado em Janeiro de 1976, do qual desenhou somente 18 páginas e com o qual terminou o seu empenho na série.
O Tex de Virgilio Muzzi
É preciso dizer também que trabalhou em Tex principalmente em parceria com Galleppini, que tinha a tarefa de realizar apenas o rosto do Ranger. A colaboração durou dezasseis anos. Ao todo o desenhador italiano desenhou cerca de 1.500 páginas, num total aproximado de doze mil vinhetas.
Os quatro pards na Arte de Virgilio Muzzi
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