As Leituras do Pedro: Tex Bis 657/22 – No rastro de Kit Carson
As Leituras do Pedro*
Tex 657/22 BIS – No rastro de Kit Carson
História originalmente publicada em Tex 753 BIS (SBE, Itália, 2023)
Antonio Zamberletti (argumento)
Sandro Scascitelli (desenho)
Mythos Editora
Brasil, 2024
160 x 210 mm, 112 p., cor, capa cartão
R$ 32,90
O subsídio dos texianos
Grande apreciador do western – como sabem aqueles que me acompanham neste espaço – tenho em Tex uma das minhas leituras recorrentes. Para o melhor e para o pior.
Isto porque, numa série com uma qualidade média muito regular, a par de algumas obras mais inspiradas, surgem outras que reflecem o que de mais básico há no género. É o caso de No rastro de Kit Carson, que exemplifica à saciedade este último parâmetro e, atrevo-me a escrever, constitui mesmo uma das leituras mais fracas que já tive oportunidade de fazer na série.
Incluída num número Bis – uma inteligente exploração do sucesso do ranger que a Sergio Bonelli Editore criou há cerca de 2 anos, passando a publicar anualmente 13 números de uma revista mensal, com um número extra em Julho – quase tipo subsídio de férias para os texianos – tem um argumento perfeitamente banal e linear. Chegado por acaso a uma pequena localidade, devido à perda de uma ferradura do seu cavalo, Kit Carson – nesta história mais protagonista do que Tex, intervém quando alguns vaqueiros se divertiam a partir garrafas na taberna local, preparando-se, para provavelmente, de seguida acertarem em alguém. A sua intervenção acaba com a morte dos desordeiros. Acontece que um deles é irmão do manda-chuva local, desenrolando-se a partir daí uma perseguição deste a Carson e a alguns habitantes locais (um índio, uma mexicana…) que o socorreram por estar ferido. Tex acabará por intervir apenas em meados da narrativa – por isso se pergunta o porquê de protagonizar a solo a capa – e em boa parte também por coincidência.
Com a intriga assim estabelecida (?), com tudo às claras, sem espaço para surpresas nem inflexões, o relato assenta por completo numa série de cavalgadas e trocas de socos e tiros, com a invencibilidade e superioridade moral e física dos Rangers a impor-se a tudo e a todos.
E desta vez, ao contrário do habitual nas edições Bonelli, nem sequer o desenho serve de atenuante ou atractivo especial, uma vez que, apesar do bom tratamento genérico – embora com uma ou outra derrapagem… – de cenários, cavalos e corpos humanos, as cabeças, rígidas e até repetitivas, muitas vezes parecem ter sido desenhadas à parte e (mal) apostas nos corpos.
* Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro
(capa brasileira disponibilizada pela Mythos Editora; restantes imagens disponibilizadas pela Sergio Bonelli Editore; clicar nas imagens para as apreciar em toda a sua extensão)
EDIÇÕES ESPECIAIS DE TEX
Por João Marin*
Na década de 70, a Editora Vecchi, que publicava Tex no Brasil, inovou em relação à Bonelli, ao inserir, dentro da coleção normal, edições “Especiais” ou “de Natal”, que eram lançadas geralmente nos meses de junho e de dezembro, e que traziam histórias completas da personagem, em revistas com maior número de páginas, chegando a ter até 240. Era um momento mágico para os fãs do intrépido ranger quando encontravam essas edições nas bancas.
A primeira edição “Especial” a chegar às bancas foi a de nº 22, em dezembro de 1972, com 210 páginas e que publicava a história “O Corcel Sagrado”. A seguir vieram a nº 34 “Navajos em Pé de Guerra”, de dezembro de 1973; nº 46 “O Grande Rei”, de dezembro de 1974; nº 58 “A Noite dos Assassinos”, de dezembro de 1975; nº 70 “Os Caçadores de Escalpos”, de dezembro de 1976; nº 82 “Pat, o Irlandês”, de dezembro de 1977; nº 88 “A Marca do Dragão”, de junho de 1978; nº 94 “Pacto de Sangue”, de dezembro de 1978; nº 100 “Aventura em Utah”, de junho de 1979; nº 106 “Os prisioneiros do Deserto”, de dezembro de 1979; nº 112 “El Muerto”, de junho de 1980; nº 118 “O Tirano da Ilha”, de dezembro de 1980; nº 124 “Mesa dos Esqueletos”, de junho de 1981; nº 135 “A Mão Vermelha”, de dezembro de 1981; nº 150 “O Sindicato do Ópio”, de julho de 1982; nº 160 “O Vale da Morte”, de janeiro de 1983.
Com a edição nº 160 encerrou-se um ciclo de publicação de “edições Especiais” e, logo a seguir, a própria Editora Vecchi fecharia as portas e a personagem passaria para outra editora, a Rio Gráfica, que já havia publicado Tex anteriormente na revista Júnior nos anos 50. A Rio Gráfica manteve a sequência de numeração das edições da Vecchi, continuando a partir do nº 165, mas a tradição de lançar periodicamente os “Especiais” seria abandonada. A partir do nº 200 a coleção normal de Tex passou a adotar o padrão que já era utilizado na coleção normal italiana, o de publicar “especiais” ou “comemorativos” apenas nas edições múltiplo de 100, o que se mantém até os dias de hoje.
* Texto de João Marim publicado originalmente na Revista nº 14 do Clube Tex Portugal, de Junho de 2021.
(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima clique nas mesmas)










