Dos fantásticos (e inusitados) esboços iniciais às páginas impressas, passando pelas artes originais de Bruno Brindisi em Tex Willer

Bruno Brindisi

Na edição italiana número 24 de Tex Willer, lançada em Outubro de 2020 com o título “I razziatori del Nueces“, uma longa aventura escrita por Mauro Boselli e desenhada por Bruno Brindisi, que se estendeu até Fevereiro de 2021 já que durou cinco números, tivemos oportunidade de ver Tex Willer como nunca antes foi visto, já que Bruno Brindisi retratou a  maior alegria da família Willer: o nascimento do futuro Ranger, onde vemos os pais de Tex, Ken Willer e Mae Willer, com o pequeno rebento ao colo da mãe logo após o seu nascimento, mas hoje vamos abordar os incríveis e verdadeiramente inusitados primeiros esboços das primeiras páginas da história desenhada por Bruno Brindisi, mostrando também os esboços finais de cada uma das páginas assim como a página já arte-finalizada e até a página impressa para se poder mostrar como procede a criação de cada página de Tex Willer realizada por Brindisi nesta história onde durante uma pausa na sua vida errante, o jovem Tex Willer relembra o passado recente, quando, da noite para o dia, ele teve de abandonar o rancho paterno no Vale de Nueces e a sua vida mudou para sempre…
Pessoas amadas caem ao seu redor, mas o jovem pioneiro não pára para chorar. Com lágrimas nos olhos, não se atinge o alvo … e cada bala que sai dos seus Colts é chamada de vingança!

Destaque-se que as páginas originais de Bruno Brindisi medem 33×48 cm, enquanto os peculiares esboços são realizados numa única folha (frente e verso com tinta-da-china, lápis e lápis de cor azul)  com 29,5×42 cm.

Página número 1 de Tex Willer #24

Esboço inicial de Bruno Brindisi da página número 1 de Tex Willer #24

Página original (nº 1) realizada por Bruno Brindisi para Tex Willer #24

Página número 1 de Tex Willer #24 impressa na revista

Página número 2 de Tex Willer #24

Esboço inicial de Bruno Brindisi da página número 2 de Tex Willer #24

Página original (nº 2) realizada por Bruno Brindisi para Tex Willer #24

A página número 2 impressa na revista e a página original realizada por Bruno Brindisi

Página número 3 de Tex Willer #24

Esboço inicial de Bruno Brindisi da página número 3 de Tex Willer #24

Página original (nº 3) realizada por Bruno Brindisi para Tex Willer #24

Página original número 3 e esboço inicial de Bruno Brindisi da mesma página de Tex Willer #24

Página número 6 de Tex Willer #24

Esboço inicial de Bruno Brindisi da página número 6 de Tex Willer #24

Esboço final de Bruno Brindisi da página número 6 de Tex Willer #24

Página original (nº 6) realizada por Bruno Brindisi para Tex Willer #24

A página número 6 impressa na revista e a página original realizada por Bruno Brindisi

Página número 11 de Tex Willer #24

Esboço inicial de Bruno Brindisi da página número 11 de Tex Willer #24

Esboço final de Bruno Brindisi da página número 11 de Tex Willer #24

Página original (nº 11) realizada por Bruno Brindisi para Tex Willer #24

A página número 11 impressa na revista e a página original realizada por Bruno Brindisi

Página número 12 de Tex Willer #24

Esboço inicial de Bruno Brindisi da página número 12 de Tex Willer #24

Esboço final de Bruno Brindisi da página número 12 de Tex Willer #24

Página original (nº 12) realizada por Bruno Brindisi para Tex Willer #24

A página número 12 impressa na revista e a página original realizada por Bruno Brindisi

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Blueberry e Tex por Peter Nuyten

Por Afrânio Braga, criador do blogue Blueberry, Uma Lenda do Oeste: https://blueberrybr.blogspot.com

Blueberry e Tex por Peter Nuyten

Peter Nuyten

Peter Nuyten, ilustrador, banda desenhista e autor:

No início dos anos 80 do século passado, eu comecei como assistente administrativo na Philips. Após dois anos, comecei a estudar, à noite, na Academia de Arte Arnhem, então o HKA – Hogeschool voor de Kunsten Arnhem, hoje em dia Artez. Depois disso, iniciei independentemente como desenhador gráfico, mas logo eu mudei para a direcção de ilustrador, inicialmente para a área de publicidade, mas com o tempo passei a fazer cada vez mais ilustrações informativas e educacionais.

Na década seguinte, trabalhei por quase seis anos no Iris, um estúdio formador de desenhadores, em Nijmegen. Naqueles anos, diversos membros do estúdio também fizeram a revista de banda desenhada independente “Iris”, na qual também fiz alguns trabalhos junto com vários outros banda desenhistas holandeses que nesse meio-tempo são artistas holandeses conhecidos.

Em meados dos anos 90, eu tive a oportunidade de fazer interessantes contribuições ilustrativas para várias editoras educacionais de renome. Um pouco mais tarde, especializei-me cada vez mais em assuntos relacionados à história militar. Isso deveu-se, principalmente, ao facto de que quando eu era criança, tinha muito interesse em história. Uma das minhas mais importantes ambições de infância era tornar-se um arqueólogo.

Em 1995, produzi a minha maior atribuição de ilustração histórica. Estas eram ilustrações informativas para o livro “Tipi’s, Totems and Tomahawks” de Theo Vijgen; um livro sobre a história dos nativos da América do Norte. Este livro foi indicado pelo júri infantil holandês e recebeu o prémio Zilveren Griffel e eu recebi uma menção especial pelos meus esforços e abordagem. O livro recebeu uma grande quantidade de publicidade. Eu fui abordado por uma editora sueca que me procurou para publicar o livro em grande formato e a cores em países escandinavos. Muito desastrosamente, a editora holandesa, na época, acabou não sendo incentivadora em tudo, o que eu ainda acho incompreensível.

Em 1998, a Amsterdam University Press lançou algo pretensioso: o colorido “Historical Tableau” editado pelo renomado Dutch Frits Oostrom. Van Oostrom é professor universitário em Utrecht; ele é especializado em literatura holandesa da Idade Média. Em 1995, ele foi outorgado com o Prémio Spinoza pelo seu trabalho científico. O seu livro “Maerlants wereld” recebeu o prémio de literatura AKO em 1996. Portanto, foi uma honra eu ter sido convidado por ele para contribuir com este livro.

O livro trata da história do póster escolar histórico holandês e intentava ser um novo trampolim e defesa para uma reintrodução do póster escolar de outrora, mas com um toque moderno. Autores e ilustradores renomados foram reunidos, tanto quanto possível, como equipas de duas pessoas e foram convidados a contribuir para o livro. Na solicitação de Adriaan van Dis, um renomado autor holandês de romances, para trabalhar com ele a fim de entregar um projecto para esse livro, eu fiz uma ilustração colorida para o seu texto sobre escravidão. Infelizmente, a intenção de van Oostrom de dar nova vida ao póster escolar por meio deste livro não se materializou posteriormente.

De qualquer modo, comissionado pelo então Museu do Exército em Delft, eu tenho sido capaz de trabalhar com o coração e a alma, desde 2005, na série de pósteres escolares da história militar, os quais foram apresentados às escolas e ao público com grande sucesso. Infelizmente, o museu decidiu cancelar o bem sucedido projecto, após diversos anos, devido a medidas económicas austeras do governo. Eu também trabalhei para várias editoras educacionais em séries educacionais temáticas históricas tais como “The Indigo” e “Brandaan”, ensinando métodos que são continuamente populares nos Países Baixos.

De 1999 ao início de 2008, eu trabalhei no Studio Jan Kruis van Libelle, aonde trabalhei na história de banda desenhada Libelle popular “Jan, Jans em de kinderen” no princípio apenas com o director Daan Jippes e em seguida, por 18 anos, com o velho aluno Gerben Valkema. Daan Jippes é um artista holandês mundialmente famoso, mais conhecido por suas actividades nos Estados Unidos da América por sua longa duração na Disney e Warner Brothers. Hoje, ele está aposentado e, no que diz respeito às ilustrações da Disney, só faz alguns trabalhos para uma editora escandinava. O objectivo do Libelle era dar à história aos quadradinhos um novo visual total. A partir da metade do álbum 26, a história feita pelo estúdio é do ponto de vista gráfica e estilística, mas também em termos de improviso uma rigorosa adaptação da história de banda desenhada original, em parte para poder garantir um moderno visual, todavia também por razões práticas; a história tinha que ser fácil de editar para comercialização, etc. Mais tarde, outros artistas ingressaram e saíram.

Em 2007, o estúdio fechou devido a drásticas interrupções. De 2008 a 2013, trabalhei, sob contrato, em “Jan, Jans e as crianças”, mas de casa; actualmente, eu não faço mais nada para essa história de banda desenhada. Hoje, a série de BD ainda é desenhada por bastantes holandeses e alguns artistas do Comicup Espanha; todos eles desenham conforme o traço criado por nós em 1999. 

Actualmente, ainda produzo ilustrações para Bíblias infantis, livros infantis e tenho feito também alguns trabalhos de ilustração para a revista histórica “Quest history”. Entrementes, duas Bíblias infantis coloridas são traduzidas e licenciadas em russo.

Peter Nuyten e a sua neta num momento de boa disposição

Desde 2009, trabalho nas minhas próprias histórias de banda desenhada, as trilogias “Auguria” e “Apache Junction”. Ambos os títulos estão, correntemente, sendo lançados na Alemanha, Áustria e Suíça (Splitter Verlag), Bélgica e França, em língua francesa, (BD Must), Espanha e cinco países da América Latina incluindo México e Argentina (Ponent Mon), além do mais, em holandês, lançados pela editora Arboris. Não obstante o facto de que eles são trilogias fechadas, eles oferecem mais do que o suficiente para uma emocionante sequência, embora estejam estacionados, pois eu necessito de prazo para a minha adaptação do empolgante romance pós-apocalíptico “Metro 2033”.

“Metro 2033” (“Метро 2033” em russo) é um romance de ficção pós-apocalíptico, do autor russo Dmitry Glukhovsky, mais vendido em 2002, que toma lugar no metropolitano de Moscovo, onde os últimos sobreviventes estão escondidos após um holocausto nuclear global. O romance era seguido por duas sequências, “Metro 2034” e “Metro 2035”, gerando a franquia de mídia Metro. A edição em inglês do livro foi publicada em 2010 e igualmente um link com a adaptação para o videojogo. A editora alemã Splitter Verlag comprou os direitos autorais e perguntou-me se eu poderia estar interessado em fazer uma adaptação em forma de história de banda desenhada. O terceiro volume será publicado agora em Maio e o quarto volume no fim deste ano. A intenção é que a história aos quadradrinhos esteja disponível em outras línguas assim como o romance original; no momento, somente em alemão e em holandês.

Em 2022, um “Metro 2033” será lançado mundialmente como um filme de acção ao vivo. Inicialmente, a MGM pretendia pegar toda a produção, mas Glukhovsky estava completamente insatisfeito com a adaptação que, nessas circunstâncias, exigia muitas discussões por mais de 6 anos. Glukhovsky então cancelou o projecto e foi em busca de um novo produtor e empresa; agora, o filme está a ser produzido pelos estúdios de filmes de TNT-Premier, TV-3 e Central Partnership.

Uma prancha de “Metro 2033” nº 3 “Augen der Finsternis”
(“Eyes of Darkness”, “Olhos da Escuridão”).

Blueberry e Tex Willer

Jean Giraud é um dos meus grandes exemplos. Giovanni Luigi Bonelli estava, mas já não está no meu âmbito de grandes exemplos no que diz respeito ao seu Tex Willer, talvez também porque não correspondeu à minha visão pessoal do western; apesar do facto de que Tex Willer está a provar ser muito popular e, além disso, vários artistas tornaram-no mais realista. Em minha opinião, os álbuns de “Blueberry” a partir de “O Cavalo de Ferro” e “Chihuahua Pearl” e o ciclo de “Nariz Partido” até ao de “A Última Cartada” são aqueles que eu gosto mais; os desenhos são sublimes e igualmente os roteiros. Tudo o que veio depois é inferior, embora eu goste dos álbuns de François Corteggiani, Colin Wilson e Michel Blanc-Dumont.

Fonte: © 2021 Peter Nuyten

A série “Blueberry” foi criada por Jean-Michel Charlier e Jean Giraud
Blueberry © Jean-Michel Charlier / Jean Giraud – Dargaud Éditeur

A personagem Tex foi criada por Giovanni Luigi Bonelli e realizada graficamente por Aurelio Galleppini
Tex © Sergio Bonelli Editore

“Blueberry, o irmão francês de Tex.” – Sergio Bonelli, editor e argumentista

Agradecimentos a Peter Nuyten pelo desenho de Blueberry e Tex, lendas do Oeste, para o blogue.
Afrânio Braga

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José Ricardo nas vestes de Zagor… na arte única de Sílvio Raimundo

Sílvio Raimundo e José Ricardo

Zagor é um personagem com o qual Sílvio Raimundo, um fã confesso dos fumetti da Sergio Bonelli Editore, nunca conseguiu ter uma real aproximação, mas foi este incrível personagem, criado em 1961 por Guido Nolitta (Sergio Bonelli), que o Sílvio desenhou para homenagear o ZR (José Ricardo), um dos maiores fãs e coleccionadores brasileiros do Espírito da Machadinha.

Para além de ser seu Amigo, o Sílvio é o seu padrinho da casamento, convite esse por conta dos Fumetti e, no fantástico desenho que damos hoje a conhecer (acompanhado do making off) em rigoroso exclusivo, o Sílvio Raimundo coloca o personagem favorito do José Ricardo, na sua cidade (Rio de Janeiro), falando que os fumetti chegaram finalmente! Provavelmente todos os apreciadores de Zagor saberão, mas a inspiração para esta homenagem foi a capa da edição #1 da Vecchi, de Agosto de 1978.

José Ricardo nas vestes de Zagor… na arte única de Sílvio Raimundo

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Dylan Dog/Dampyr pela editora A Seita – O Detective e o Caçador vol. 1: A Noite do Dampyr & O Detective e o Caçador vol. 2: O Detective do Pesadelo

A Noite do Dampyr e O Detective do Pesadelo – Dylan Dog e Dampyr; A Seita

Já está disponível em livrarias a saga “O Detective e o Caçador“, em dois volumes, que junta duas das personagens mais famosas dos fumetti da Bonelli, o detective do pesadelo e o caçador de vampiros. A história completa-se nestes dois volumes, que chegarão aos quiosques portugueses no próximo dia 5 de Maio.
Este é um lançamento da colecção Aleph, que já conta para além destes dois volumes, com uma história de Dampyr (“O Suicídio de Aleister Crowley”, que mete também em campo como herói o poeta Fernando Pessoa, e que foi um dos grandes best-sellers d’ A Seita, já quase esgotada) e cinco volumes de Dylan Dog.
Visitem o Facebook da editora para verem as promoções que têm neste momento activas, incluindo uma promoção especial para quem comprar os dois volumes do crossover Dylan Dog/Dampyr, com oferta do vol. 1 ou 2 de Dylan Dog à escolha!

DYLAN DOG/DAMPYR

O DETECTIVE E O CAÇADOR vol. 1: A NOITE DO DAMPYR
Argumento de ROBERTO RECCHIONI e GIULIO ANTONIO GUALTIERI, desenho de DANIELE BIGLIARDO

O DETECTIVE E O CAÇADOR vol. 2: O DETECTIVE DO PESADELO
Argumento de MAURO BOSELLI e desenho de BRUNO BRINDISI

Um vive em Londres e é um detective do pesadelo, investigador do paranormal, melancólico, introspectivo e sonhador. O outro é filho de uma humana e de um vampiro, e viaja pelo mundo para combater o mal, utilizando o seu sangue letal, capaz de queimar e matar os vampiros. Nunca se tinham cruzado, porque o mundo é demasiado grande e os seus mistérios infindáveis. Até ao Verão de 2017, quando a Sergio Bonelli Editore publicou o seu primeiro crossover, uma aventura que junta Dylan Dog e Dampyr numa luta lado a lado contra as criaturas do Mestre da Noite Lodbrok!

Harlan Draka, o Dampyr, e Dylan Dog, cruzam-se finalmente a tempo da chegada de um conjunto de visitantes estranhos – e perigosos! –  a Craven Road, que irão mergulhar Londres no terror. E qual o papel do temível Lodbrok, um dos arqui-vampiros que Draka persegue incansavelmente? Dylan Dog acaba por fazer uma promessa que não pode quebrar à morta-viva Lagertha, inimiga jurada de Harlan Draka, o caçador de vampiros. Nas remotas ilhas Hébridas, para onde viajaram em busca de resolver o mistério de Lodbrok, o Senhor da Noite, os nossos dois heróis terão de sobreviver a uma multidão de personagens horrendas, dragões, vikings mortos-vivos, e outras criaturas sobrenaturais.

Esta história, que junta Dylan Dog e Dampyr, duas das mais emblemáticas personagens da Sergio Bonelli Editore, foi o primeiro crossover jamais criado pela editora (já tinham existido alguns team-ups, em que personagens diferentes tinham aparecido nas revistas umas das outras). Assim, esta aventura que junta o detective do pesadelo ao caçador de vampiros acabou por ser uma grande estreia, e o evento dos fumetti do Verão de 2017 em Itália, uma vez que a história foi dividida por duas revistas diferentes, iniciada em Dylan Dog #371 e concluída emDampyr #209.

Dylan Dog e Dampyr são, no entanto, bem diferentes enquanto personagens e séries. Numa entrevista concedida há uns anos, Mauro Boselli sublinhou que no caçador de vampiros sobressai um lado algo realista, uma vez que as suas aventuras devem dar a ilusão de que acontecem no nosso mundo, na nossa realidade. Ao contrário do que acontece com Dylan Dog, onde o fantástico pode ser apresentado repetidas vezes com contornos menos realistas e onde tudo é possível. Por seu lado, Roberto Recchioni acrescenta que a maneira como os dois heróis lidam com o horror também é diferente: de um lado a dureza e intransigência de um Dampyr pragmático frente aos monstros, qual herói clássico, em contraponto com a visão mais irónica, romântica e empática de Dylan Dog, anti-herói por excelência ou herói por acaso, que diz que os verdadeiros monstros somos nós, os seres humanos.

Duas personagens com pouco em comum, mas com um importante ponto de ligação entre ambas: o horror dos ambientes em que se movem. Como tal, não é de estranhar que, mais tarde ou mais cedo, acabariam por aliar forças, o que só não tinha acontecido antes porque, a acreditar nas palavras de Dylan, “o mundo é demasiado grande”.

O Detective e o Caçador vol. 1: A Noite do Dampyr
104 páginas, preto e branco, capa dura, formato 17 x 23 cm
ISBN 978-989-54880-4-9
PVP: 13€

O Detective e o Caçador vol. 2: O Detective do Pesadelo
104 páginas, preto e branco, capa dura, formato 17 x 23 cm
ISBN 978-989-54880-5-6
PVP: 13€

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Entrevista com o fã e coleccionador: Mariano Bícego

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Mariano Bícego: Meu nome é Mariano Bícego, nasci no interior de Minas Gerais, na cidade de São Sebastião do Paraíso, em 1 de Setembro de 1962, onde resido até hoje. Sou historiador por formação, hoje atuo como agente de turismo, organizo grupos de brasileiros para conhecerem o mundo, em especial Europa e Estados Unidos, particularmente Portugal. Me especializei em turismo bélico, meus roteiros incluem campos de batalha, memoriais e museus relacionados à História Militar. Tenho também um canal no YouTube (youtube.com/viagemnahistoria) onde falo de Historia Militar e assuntos relacionados.

Quando nasceu o seu interesse pela banda desenhada?
Mariano Bícego: Desde pequeno me interessei pelas revistas de banda desenhada, minha leitura se desenvolveu a partir daí. Meu primeiro herói foi o Lone Ranger (Zorro no Brasil), daí não parei mais de ler e colecionar.

Quando descobriu Tex?
Mariano Bícego: Quando foi lançado no Brasil pela Editora Vecchi em meados dos anos 1971.

Porquê esta paixão por Tex?
Mariano Bícego: Gostei do personagem desde o início, os roteiros se aproximavam das histórias dos filmes de faroeste que assistia, o Tex era valente, corajoso, íntegro e por vezes divertido, me cativou desde sempre. Os desenhos eram realistas e capturavam a paisagem do velho Oeste.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Mariano Bícego: Suas histórias são mais profundas, sempre relacionadas a fatos históricos, nota-se a pesquisa do escritor e a impressão visual é bem realista, os desenhistas nos colocam dentro do ambiente das histórias, enfim, algo raro de se encontrar.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Mariano Bícego: Tenho umas duas mil revistas do Tex, especificamente, tanto brasileiras quanto importadas, inclusive portuguesas. As minhas preferidas são “Ao Sul de Nogales”, “Flechas Pretas Assassinas”, “A Noite dos Assassinos”, “Patagônia”, “Nas Trilhas do Oeste” e a minha número 1 é “O Cavaleiro Solitário”, sou muito fã do Joe Kubert! Estou gostando também da série Tex Willer.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Mariano Bícego: Tudo relacionado ao Tex, tento adquirir.

Qual o objecto Tex que mais gostaria de possuir?
Mariano Bícego: Uma estatueta em tamanho maior.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Mariano Bícego: Como disse acima a minha favorita é “O Cavaleiro Solitário”, única história desenhada pelo Joe Kubert. Dos desenhistas mais regulares gosto do José Ortiz e do Giovanni Ticci, e dos mais novos, Corrado Mastantuono. Já os argumentos gosto do Mauro Boselli e do Claudio Nizzi.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Mariano Bícego: A ambientação das histórias e o caráter do personagem me agradam muito. Não gosto de histórias muito sobrenaturais…

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Mariano Bícego: A qualidade do produto é o que faz ele durar no mercado, então Tex veio evoluindo e se adaptando, alcançando novos leitores, sem perder sua identidade, algo difícil em tempos pós-modernos e mediáticos. Virou lenda!

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Mariano Bícego: Só virtualmente, a internet é benéfica para nós, colecionadores.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Mariano Bícego: Apesar das previsões negativas, o mercado para revistas impressas ainda é grande para o Tex, no Brasil. Penso que ainda vai longe. Cabe até produtos derivados, como um filme ou série. Tex nunca foi tão grande!

Prezado pard Mariano Bícego, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

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