As Leituras do Pedro: Nathan Never – Estación Espacial Internacional

As Leituras do Pedro*

Nathan Never: Estación Espacial Internacional
Bepi Vigna (argumento)
Sergio Giardo (desenho)
Panini Comics
Espanha, 1 de Outubro de 2020
195 x 259 mm, 144 p., cor, capa dura
ISBN: 9788413345451
18,00 €

Credibilizar o incrível

Entre os heróis ‘tradicionais’ – vou escrever assim… – da Sergio Bonelli Editore, onde incluo Tex, Zagor, Martin Mystère, Mister No, Nick Raider, (também) Ken Parker, este Nathan Never é aquele que menos conheço. Possivelmente porque, quando fiz a descoberta da produção popular Bonelli através das edições brasileiras da Mythos Editora, não havia nenhum título dedicado ao herói espacial. E, possivelmente, outra vez, porque entre todas as temáticas que aquelas séries abordam, a ficção científica – base de Nathan Never – é a que menos me atrai.

Com uma mão cheia de edições lidas – portanto sem grandes ligações à personagem nem tão pouco uma opinião sólida sobre ela – este Estación Espacial Internacional apresentava-se como uma leitura de descoberta do desconhecido, bem ajustada à sua temática. No entanto, uma vez concretizada, revelou-me uma outra realidade.

Convém começar por referir que a edição original italiana deste livro – tal como a actual – contou com o apoio da Agenzia Spaziale Italiana (ASI) e da European Space Agency (ESA), cumprindo a primeira o propósito de apoiar anualmente uma obra que contribua para unir ciência e cultura. Daí, o tom mais pedagógico deste tomo, que apresenta um improvável encontro entre o agente espacial Nathan Never (um detective futurista da agência privada Alfa) e o mais experiente astronauta italiano, o comandante Luca Parmitano.

Inevitavelmente, a forma de união entre seres – mesmo que um de papel e outro real – de épocas distintas – NN vive no século XXIII – é um salto temporal involuntário, que traz o herói criado em 1991 por Michelle Meda, Antonio Serra e Bepi Vigna, ao nosso tempo, mais exactamente ao nosso espaço. Vigna, autor do presente argumento, a par de uma base científica sustentável, enriqueceu-o com diversos aspectos próprios de uma história de ficção – o incidente tem origem numa conspiração para a realização de uma experiência não autorizada – e outros bem reais, como o facto de a presença no espaço do italiano corresponder à concretização dos seus sonhos de criança.

Se a resolução do problema surgido acaba por se revelar mais simples do que seria expectável e estão ausentes cenas de acção, é impossível desligar esses factos do tom pedagógico da obra, cujo principal mérito é tornar (mais) credível aquilo que hoje parece incrível – como pareceriam, com certeza, os factos reais aqui narrados, a quem viveu há 50 ou 60 anos atrás, quando (já) se davam os primeiros passos na exploração espacial que aqui conduziram.

Para essa credibilização contribui o traço realista competente de Sergio Giardo, sendo curioso constatar como a (real) Estação Espacial Internacional é retratada de forma mais completa e detalhada, do que a (ficcional) Estação Orbital Calíope onde Nathan Never toma conhecimento da sua missão, na qual, como referido atrás vai ser quase só um simples observador.

Esta é mais uma sólida edição da colecção dedicada às criações Bonelli pela Panini Comics do país vizinho, que encerra com um volumoso dossier que inclui uma conversa entre Beppi e Giardo, sobre as suas influências no que à ficção-científica diz respeito, uma entrevista com Luca Parmitano e uma explicação sobre a Missão Beyhond, que marcou o regresso ao espaço deste último, no segundo semestre de 2019.

Termino, destacando duas questões bastante interessantes – e que para mim sempre foram prementes – levantadas no prefácio por Francisco Rea, responsável pelas relações externas da ASI.

A primeira – partindo de Star Wars – e generalizando eu – o facto de a maioria das histórias de ficção-científica decorrerem em planetas em que as condições de vida – atmosfera, temperatura, gravidade… – são similares à terrestre, O que facilita imenso a narrativa, reconheçamos!

A segunda, relacionada com a vida em estações espaciais e/ou em ambientes sem gravidade, é o papel (narrativamente) secundário dado aos pequenos nadas quotidianos – lavar os dentes, ir à casa de banho, dormir, comer… – que os próprios leitores esquecem…

*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro.

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Tex – “O Homem das Pistolas de Ouro”, na análise de Hugo Pinto

Por Hugo Pinto [*]

Tex – “O Homem das Pistolas de Ouro“, de Pasquale Ruju e r.m. Guéra

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Depois da editora A Seita se ter iniciado na publicação de histórias do icónico cowboy Tex, com A Chicotada, que nos ofereceu uma história interessante, e que acabou por ser uma agradável surpresa para muitos, a editora portuguesa volta a lançar mais uma aventura de Tex nesta coleção de cariz muito específico já que, conforme já referido no Vinheta 2020 noutras alturas, é uma coleção que nos traz histórias de Tex auto-contidas, criadas para o formato franco-belga e a cores. Um Tex de cara lavada, portanto, em contraste com o Tex mais clássico que marcou a história dos fumetti italianos, publicados originalmente pela editora Bonelli.
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Neste segundo Tex desta coleção, que dá pelo nome de O Homem das Pistolas de Ouro, temos novamente Pasquale Ruju aos comandos do argumento. Mas, desta vez, as ilustrações são feitas por r.m. Guéra.
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A história desenrola-se poucos anos depois da guerra civil, quando o guerrilheiro Juan Gonzales – que se julgava morto – regressa para se vingar dos Texas Rangers que o perseguiram, nomeadamente Kit Carson que, há 20 anos, era um dos mais jovens rangers do Texas. Assim, um a um, todos os antigos companheiros de Carson começam a jazer, fruto dos tiros certeiros das pistolas de ouro que Gonzales carrega com vista a vingar os seus irmãos. Agora que Kit Carson é o próximo nome a abater na lista de Gonzales, é o momento certo para que o primeiro, acompanhado de Tex Willer, possa parar Gonzales e as suas malditas pistolas de ouro.
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Tal como já acontecera em A Chicotada, a personagem que assume um papel mais importante e marcante nesta aventura é, especificamente, o vilão, ou seja Juan Gonzales. Ruju é exímio em desenvolver uma personagem maléfica com carisma, que não nos deixa indiferentes e sobre a qual, gravita todo o enredo. E é assim mesmo este vilão que carrega as pistolas de ouro. Temos até um flashback na história que nos faz retroceder 20 anos no tempo, para melhor compreendermos quais os acontecimentos que alimentaram, desde então, tamanha sede de violência por parte de Gonzales. Tex Willer acaba por representar um papel bastante discreto sendo apenas necessário para os momentos de maior ação em que há o embate final.
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Isto dá à narrativa uma clareza e uma simplicidade que acabam por funcionar muito bem. Sendo a história bastante linear, parece-me que a mesma está pontuada pela existência de um vilão muito bem construído pelo autor, que acaba por nos prender ao natural desenvolvimento da história.
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E depois, temos a arte de r.m. Guéra que faz aqui um ótimo trabalho! Quer na caracterização das expressões das personagens, quer na linguagem corporal dos cavalos e das personagens humanas, Guéra brilha com o seu talento. Nem sempre as suas ilustrações são muito detalhadas mas, quando o são, cada vinheta torna-se espetacular, fazendo-nos querer observar com atenção cada uma das ilustrações. Guéra também brilha na forma como desenha as cenas de ação, conseguindo imprimir aos seus desenhos uma noção de movimento e de urgência nas ações que muito me convenceu. 
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Destaque ainda para a planificação bastante dinâmica que altera entre vinhetas de vários tamanhos e que permite incrementar, ainda mais, a tal noção de movimento e dinâmica narrativa que referi atrás. Sem dúvida um excelente trabalho visual e que ainda é sedimentado por uma boa aplicação de cores. A paleta de cores altera para tons mais sépia no flashback temporal que, mais uma vez, oferece à obra dinâmica e beleza.
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Se há alguma coisa onde, para muitos leitores, eu inclusive, este livro pode pecar, será no facto de ser uma história curta. É o “calcanhar de Aquiles” desta obra como também já o havia sido em A Chicotada. Porque, de facto, as histórias são apelativas e a arte visual – incluindo ilustrações e cores – também o é. Simplesmente, estas aventuras sabem a pouco e acabam por ser histórias algo superficiais que não vão ao âmago de si mesmas. 
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Sei, todavia, que o público-alvo desta coleção será, por ventura, um público que procura uma experiência de bd de western mais suave. E, apontando para esse pressuposto, a verdade é que este O Homem das Pistolas de Ouro funciona muito bem. Acho apenas que, desculpem a minha insistência, com mais páginas para melhor desenvolver as personagens e a trama, o resultado seria ainda mais gratificante. Seja como for, estou bastante agradado com esta incursão de Tex no formato franco-belga e a cores.
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A edição d’A Seita mantêm-se excelente tal como em A Chicotada. Capa dura (e diferente em relação à edição original italiana), bom papel, boa qualidade na encadernação e impressão e, para além disso, os extras do livro têm uma ilustração inédita e exclusiva, um texto de Pasquale Ruju e um conjunto de esboços de Guéra. Tudo muito apelativo.
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Em suma, este Tex eleva ainda mais a qualidade do anterior A Chicotada! Muito por culpa de um argumento mais bem conseguido e uma arte de Guéra que, em determinados momentos, sobressai pela sua qualidade e talento. Altamente recomendado para todos os fãs do género western. Bem, e quanto aos fãs de Tex, passa de recomendado a obrigatório!
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NOTA FINAL (1/10)
8.4
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Ficha técnica
Tex – O Homem das Pistolas de Ouro
Autores: Pasquale Ruju e r.m. Guéra
Editora: A Seita
Páginas: 56, a cores

Encadernação: Capa dura
Lançamento: Maio de 2021
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[*] (Texto publicado originalmente no blogue “Vinhetas 2020“, em 25 de Agosto de 2021)
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Vídeo: Michele Benevento a desenhar a filha de Satânia

A filha de Satânia na arte de Michele Benevento

O extraordinário desenhador Michele Benevento, autor italiano que será o responsável pela realização das capas (principal e variante) da Revista Clube Tex Portugal #15 a publicar em Dezembro próximo, passou, em 2019, pela redacção de Tex, na via Buonarroti em Milão, sentou-se numa cadeira diante de uma folha em branco e munido de lápis, borracha e canetas hidrográficas, tendo uma câmara iluminada apontada para o rosto, começou a fazer um rápido mas fantástico retrato de corpo inteiro da misteriosa filha de Satânia (protagonista à época de uma história tripla), dedicado aos leitores do nosso amado Ranger, como podemos ver no vídeo que apresentamos de seguida:

Antevisão da primeira parte da história do regresso de Mefisto, desenhada pelos irmãos Gianluca & Raul Cestaro

Num dos primeiros meses do próximo ano teremos em Itália, na série regular de Tex, a estreia de uma história que trará a primeira parte de uma aventura onde teremos um novo regresso de Mefisto, primeira parte essa composta por 330 páginas desenhadas pelos irmãos Gianluca e Raul Cestaro (a segunda parte terá 440 páginas e está a ser desenhada por Fabio Civitelli).

Mefisto na Arte dos irmãos Cestaro

Uma história escrita por Mauro Boselli que narra o ansiado retorno de Mefisto, em que veremos o némesis de Tex instalado em São Francisco onde dirige uma clínica para loucos. Entre os pacientes, para além do seu filho Yama, que perdeu a memória na aventura anterior, como o leitor certamente se recordará, está também… Tom Devlin, o chefe da polícia da cidade.

Uma aventura de grande intensidade e atmosfera gótica, em que o arqui-inimigo de Tex e o seu filho Yama unirão forças para poderem derrotar os pards que, desta vez, vão poder contar com a ajuda inesperada do monge Padma. Esta história contará então com 770 páginas e estender–se-á por 7 álbuns mensais. São então dos irmãos Gianluca e Raul Cestaro as páginas desenhadas desta história, ao lado das páginas roteirizadas pelo Mauro Boselli por altura da recente revisão final que já está a ser realizada, que damos a conhecer de seguida:

O regresso de Mefisto e Yama nas letras de Mauro Boselli e na arte dos irmãos Gianluca & Raul Cestaro

O regresso de Mefisto e Yama nas letras de Mauro Boselli e na arte dos irmãos Gianluca & Raul Cestaro

O regresso de Mefisto e Yama nas letras de Mauro Boselli e na arte dos irmãos Gianluca & Raul Cestaro

O regresso de Mefisto e Yama nas letras de Mauro Boselli e na arte dos irmãos Gianluca & Raul Cestaro

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