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SECRET ORIGINS: TEX CLASSIC 27
Por Saverio Ceri [1]
Com o 27º número Tex Classic entrou no seu segundo ano de vida editorial, e pela primeira vez apresentou na capa uma imagem não ligada directamente aos episódios contidos no volume.
Comecemos por ordem: a revista em questão reproduz a cores as ‘strisce’ números 22 a 27 da terceira série da Collana del Tex, lançados entre Outubro e Novembro de 1951; que depois reaparecerem novamente no formato ‘striscia’ nas ‘raccoltine’ em 1953, tendo depois os seis episódios sido remontados na clássica página bonelliana em Agosto de 1954 nos ‘albi d’oro‘ números 53 e 54; normalmente é a capa de um dos dois albi d’oro de referência que é escolhida pela redacção para se tornar a capa do Tex Classic, mas desta vez não foi assim: preferiram ressuscitar uma das ilustrações não usadas em ocasiões anteriores, ou seja, a capa do Albo d’Oro 50. De seguida podemos ver as duas capas em confronto.
Na capa eleita Tex não está presente, mesmo que haja um personagem vestido de amarelo, que está ligeiramente adiantado em relação à versão original da capa e que, para a ocasião, também está despojado de sua arma, baixando significativamente o nível de perigo da história.
Agora uma curiosidade: a capa do quinquagésimo albo d’oro é inspirada na capa da striscia que contém a aventura La vendetta di Gros-Jean que pode ser vista de seguida, enquanto que no vigésimo sétimo Tex Classic a capa é dedicada à reimpressão da striscia Sangue sulla neve, da qual pode-se ver a capa original logo depois.
Como podem observar, as duas cenas são muito parecidas: em ambas nos encontramos numa taberna (isso pode intuído pelas inevitáveis escadas que podem ser vistas em todas as capas mostradas anteriormente), no meio de uma luta, e em ambas o protagonista barbudo prepara-se para lançar um elemento típico das tabernas no adversário: um barril no primeiro caso, uma cadeira no segundo. As duas capas lançadas com alguns meses de diferença são quase intercambiáveis: evidentemente naquele distante ano de 1951 a luta em tabernas atraía leitores. Dada a semelhança da história, a redacção provavelmente optou por usar a capa de um episódio anterior, ao invés de uma das duas candidatas para a ocasião, provavelmente consideradas menos eficazes.
O título do volume, La banda degli orsi, retirado do terceiro episódio contido neste Tex Classic, remete-nos a uma das duas capas descartadas, a do Albo d’Oro 54, que pode ser vista abaixo:
A posição do protagonista, ainda que espelhada, é sem dúvida inspirada na da capa da 28ª striscia da Série Verde, a sexta do Ranger, de Novembro de 1953.
O Tex desta ilustração acima tornou-se familiar aos fãs do Águia da Noite, pois usado a partir desta capa foi utilizado, em Junho de 1962, para compor a capa histórica de Piutes!, número 23 da actual série. Na primeira versão, vê-se ainda entre as pernas de Tex um extracto da capa original, depois eliminado nas reedições subsequentes Tutto Tex e Tex Nuova Ristampa. As cabeças dos índios e o totem que completam a ilustração desta reedição foram desenhados por Franco Bignotti.
Como sempre, divirta-se encontrando as mínimas diferenças, neste caso, entre a capa original e as reedições posteriores.
Uma última curiosidade em termos de capas, ligada a este 27º Tex Classic: o volume abre com a reedição de L’impronta misteriosa, como dito no 22º volume da terceira série de tiras do Tex. A primeira vinheta da história, que pode ser vista a seguir, serviu de referência a Claudio Villa para a criação da sexta capa da Collezione Storica a Colori em 2007.
Saverio Ceri
Encontre todas as outras origens das capas de Tex Classic na rubrica Secret Origins: Tex Classic
[1] Material apresentado no blogue Dime Web em 06/03/2018; Tradução e adaptação (com a devida autorização): José Carlos Francisco.
Copyright: © 2018 Saverio Ceri
O inigualável Tex a lápis da autoria de Corrado Mastantuono
Programação Tex 2023: 75 anos de Tex (com divulgação de 23 páginas inéditas)
Hoje no blogue do Tex vamos lançar um olhar à programação OFICIAL* das edições de Tex em 2023 para descobrir em antestreia, através de uma viagem de várias etapas, o que Tex oferecerá aos seus leitores nos próximos doze meses, pela “voz” de Mauro Boselli!
Por Mauro Boselli*
Chegou o momento de descobrir o que este ano, que acabou de se iniciar, trará para o Ranger mais amado da Nona Arte: o implacável, é apropriado dizer, Tex!
Este ano, Tex faz setenta e cinco anos! Naturalmente, o aniversário será celebrado dignamente… Mas primeiro vamos por ordem.
Exímio jogador de póker, Tex consegue vencer em várias mesas: as suas aventuras desenrolam-se agora ao longo de duas emocionantes séries mensais, para além das várias edições especiais. Na série juvenil, Tex Willer, que superou a marca do quinquagésimo número, está em curso a guerra de Cochise dos Chiricahuas, falsamente acusado do sequestro de um menino, contra os soldados dos Estados Unidos, enquanto o jovem Tex está envolvido na caça ao misterioso caçador de escalpes que matou o pai do seu irmão de sangue apache.
A busca pelo menino sequestrado, para exonerar Cochise da falsa acusação, levará Tex a enfrentar os ferozes índios Hualpai e os comancheros do implacável Pedro Raza. Os dois Speciali Tex Willer do ano levar-nos-ão um pouco adiante no futuro, após o fim da Guerra Civil, com a luta contra os sobreviventes do bando sulista de Bloody Bill Anderson, entre os quais aparece um certo Jesse James, e com o retorno de Zagor, desta vez acompanhado por Chico, enquanto Quanah Parker prepara o grande ataque dos Comanches.
Também a série clássica estará cheia de surpresas e reviravoltas. El Morisco e Eusebio irão embrenhar-se na Sierra de la Locura para descobrir horrores inimagináveis. Tex retornará a Redrock, cenário de uma das suas antigas aventuras. Em seguida, irá rever dois dos seus velhos adversários, sobre os quais queremos manter um pouco de segredo (mas dêem já uma olhada na galeria de imagens no final deste texto!). Apenas informamos que o segundo super-inimigo obrigará Tex e os seus pards a viajar por mar e enfrentar uma perigosa viagem ao Extremo Oriente! A edição de Setembro, para comemorar o aniversário, será colorida, com desenhos de Claudio Villa, e será relacionada a um acontecimento trágico na vida do nosso herói.
Além do Magazine de Janeiro, totalmente de horror e mistérios,com uma história de Mefisto e Myriam, jovens adeptos da magia negra e outra de fantasmas e maldições sombrias, teremos também um segundo no Outono, com uma aventura bem super especial e dramática, uma homenagem a toda a saga de Tex e aos seus autores.
O Texone de Junho, desenhado por Maurizio Dotti, levar-nos-á ao Texas da Guerra Civil na companhia de Tex, Damned Dick, Kit Carson e Kate Warne. O cartonado à francesa de Laura Zuccheri oferecer-nos-á uma história singular “no feminino” com o encontro de Tex com a ladra de diligências Pearl Hart. O segundo cartonado, bom, será uma surpresa que ainda não queremos desvendar, tal como dos Maxi, dos Tex Color, do Tex épico que aparecerá nas “Grandi Storie” e de um lançamento muito especial… Não podemos contar tudo agora . Aproveite a safra de 75 anos!
*Texto apresentado no sítio da Sergio Bonelli Editore em 14 de Janeiro de 2023.
Tradução e adaptação a cargo de José Carlos Francisco.
Copyright: © 2023, Sergio Bonelli Editore S.p.A.
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100 ANOS DE GALEP
Pelo Gruppo Galep e Fernanda Martins*
Ano: 1917. A 28 de agosto, na pequena vila de Casale di Pari, no coração da Toscana, nascia aquele que daria forma, expressão e vida a um dos personagens mais famosos da Itália e mundialmente conhecido, Tex Willer. Filho de pais oriundos da Sardenha, que se haviam transferido para a Toscana em busca de uma oportunidade financeira melhor, onde o seu pai trabalharia nas minas como perito, o garoto Aurelio Galleppini divertia-se e passeava pelas ruas de Casale di Pari, conquistando o afeto e o carinho dos seus habitantes. Muito embora Galep, como era mais conhecido, tivesse deixado a pequena vila aos 9 anos de idade, para explodir com o seu talento noutros locais de Itália, ele jamais deixou de regressar ao borgo onde nasceu.
Ano: 2017. No centenário do nascimento de Galep, um grupo de pessoas, fãs apaixonados do seu personagem mais famoso, constituintes e fundadores do Gruppo Galep, decidem organizar uma mostra inédita e emocionante. Após quase um ano de trabalho intensivo e dedicado, os seis componentes principais do Grupo Galep, Andrea Marcocci, Andrea Barbieri, Fabio Nardelli, Giorgio Sonzogni, Tiziana Enrico e Paola Crespi, homenagearam Galleppini ali, onde ele nascera há um século atrás, na cidade de Casale di Pari, criando a exposição 100 Anni nel segno di Galep (100 anos nos traços de Galep), distribuída por 8 locais do centro antigo do borgo. Em cada local uma história para contar, trazendo o seu morador mais famoso à vida, recriando partes da sua vida em 8 temas:
- A sua obra de 1940 até antes da criação de Tex;
- Tex, o fumetto;
- Capas de Tex cedidas pela WOW Fumetto di Milano;
- Estudos sobre o personagem e fotogramas dos desenhos animados sobre Tex jamais terminados;
- Recordações deixadas por Galep na cidade (encontramos algumas páginas suas da escola primária, onde se pode notar a sua habilidade para o desenho);
- Reproduções das pinturas de Galep feitas durante os anos quarenta na capela das freiras Vincentinas em Cagliari, oferecidas pela escola internacional de banda desenhada de Cagliari;
- Ilustrações de Tex feitas por Fabio Civitelli e algumas pranchas inéditas do número 700 de Tex, também de Civitelli, a ser publicado em 2019;
- Mineiros e minerais da zona de Casale di Pari em memória do seu pai, Tommaso Galleppini.
E, finalmente, na bela tarde do dia 11 de agosto a Mostra foi inaugurada, com a participação de Fabio Civitelli, autor do cartaz dedicado ao evento, Tito Faraci, argumentista de Tex e de outros personagens bonellianos, e Graziano Romani, cantor, compositor e especialista em banda desenhada, tendo, entre as suas obras, alguns CDs gravados com inspiração nos personagens Tex, Zagor, Mister No e Diabolik, e também escritor de uma biografia de Galep. A abertura do evento também contou com a presença da Presidente da Comuna de Civitella Paganico, Alesssandra Biondi, do Presidente do Conselho Regional da Toscana, Eugenio Giani e o Administrador nomeado pela Sergio Bonelli Editore, Giulio Terzaghi, que agraciou o público contando algumas anedotas sobre Aurelio Galleppini. Este primeiro dia encerrou com um concerto de Graziano Romani, que cantou canções do seu álbum “My name is Tex”, bem como outras músicas dos álbuns “Zagor King of Darkwood” e “ Yes I’m Mister No”.
No sábado, 12 de agosto, o grupo organizador teve a honra e o prazer de hospedar Paolo e Daniela, filhos de Aurelio Galleppini, bem como a sua nora Paola e sua neta Valeria, a quem a Presidente da Comuna concedeu uma placa em homenagem a Galep e como testemunho do afeto de toda a pequena comunidade de Casale di Pari. Nessa mesma oportunidade, a Presidente da Comuna expressou ainda a vontade de dar nome a uma rua de Casale di Pari em honra a Galleppini. Mais tarde, nesse mesmo dia, Fabio Civitelli e Tito Faraci deram uma lição sobre “como nasce uma história em quadradinhos”, desde a ideia até à página estampada, com o auxílio de algumas projeções de imagens para ilustrar melhor as várias etapas do trabalho. A noite terminou com o espetáculo do desenhador poliédrico Alvalenti, intitulado “o poeta graficomico”.
A exposição permaneceu aberta até 15 de agosto, tendo sido visitada por muitas pessoas, muito para além das projeções mais positivas do grupo. Além do mais, a Mostra foi requisitada por expositores de outras cidades.
O sucesso da exposição ficou mais evidente com o aparecimento em diversos meios de comunicação como jornais e TV nacionais e locais. Abaixo, alguns links das principais reportagens:
Nacionais:
Rai news cultura – Ansa.it – La Stampa – Sergio Bonelli Editore
Locais:
Il Giunco – La Nazione
Mostra esteve aberta até ao dia 9 de setembro na cidade de Grosseto.
* Texto do Gruppo Galep e Fernanda Martins publicado originalmente na Revista nº 7 do Clube Tex Portugal, de Dezembro de 2017.
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