Vídeo – Pipoca & Nanquim: (Parte 1) TEX NO TOP 6 das melhores bandas desenhadas de faroeste de todos os tempos!!

Pipoca & Nanquim

Por Alexandre Callari e Bruno Zago
Edição de vídeo: Jessica Torlezi
Publicado originalmente a 12/03/2023

O vídeo de hoje é o Top 6 do Pipoca & Nanquim sobre os melhores quadrinhos de faroeste de todos os tempos!! As suas séries de western favoritas. Eles consideram essas 6 Bandas Desenhadas tão boas, mas tão boas, que certamente elas ocupam esse Top, enquanto que, para preencher um Top 10, as demais quatro obras ainda gerariam um debate entre eles, pois existem MUITOS quadrinhos excelentes dentro desse género. Mas já estas obras, não, eles as acham indubitavelmente obras-primas. O Alexandre Callari e o Bruno Zago dividiram esse seu Top em dois vídeos, para poderem falar bastante a respeito de cada um dos títulos. E, incapazes de colocar em ordem de melhores, elaboraram a lista em ordem cronológica, e aqui falam de TEX, BLUEBERRY e HISTÓRIA DO OESTE. Quais serão as histórias comentadas no segundo vídeo? Não perca! Mas para já ficamos com os três primeiros títulos apresentados no vídeo de hoje, que começa precisamente com o Tex:

TEX (1948) – de Gianluigi Bonelli (patriarca dos quadrinhos italianos) e Aurelio Galleppini (Galep). – Lançado pela primeira vez na revista Collana del Tex 01, em 30 de setembro de 1948 (editora Edizione Audace – que virou Sergio Bonelli Editore em 1988). – Estreou no Brasil como Texas Kid em 25 de fevereiro de 1951 na revista Júnior 28 (Rio Gráfica e Editora/Globo). Durou até o número 263 (1957). – Foi relançado pela editora Vecchi na revista Tex 14 anos depois, em fevereiro de 1971, que durou até edição 164 (1983). – Depois foi pra RGE/Globo e desde 1999 está na Mythos (publicado ininterruptamente, portanto, desde 1971).

BLUEBERRY (1963) – do belga Jean-Michel Charlier e do francês Jean Giraud (Moebius). – Lançado pela primeira vez na revista Pilote #210, em 31 de outubro de 1963 (editora Dargaud – sendo que, antes, Jean Giraud publicava o western Jerry Spring na mesma revista). – Estreou no Brasil com o álbum O Homem da Estrela de Prata (editora Abril, 1976), em capa dura e cartão. – Depois foi para a editora Vecchi, no álbum de volume único Seleção das Melhores Histórias de Faroeste (1979) e na revista Fort Navajo: Uma Aventura do Tenente Blueberry, em 2 números (1980). – Voltou para a editora Abril na revista Graphic Novel 21 (1990). Uma série própria em 4 números saiu de 1990 a 1991. Já a série Tenente Blueberry, em 5 números, saiu em 1992.

HISTÓRIA DO OESTE (1967) – de Gino D’Antonio – Lançado pela primeira vez na revista Collana Rodeo 01 como Storie del West, de junho de 1967 a dezembro de 1980 (editora Araldo Editore – outro nome antigo da Sergio Bonelli Editore). – Saiu uma segunda edição de 1984 a 1990 (Editora Cepim – mais um nome antigo da Sergio Bonelli Editore), que ampliou a série de 73 para 75 números (dois foram inseridos antes). – Saiu no Brasil de 1970 a 1987 na revista Epopeia Tri 01 (editora Ebal – uma nova versão da clássica revista Epopeia, de 1952). – A segunda edição saiu como A História do Oeste de 1991 a 1995, mas foi cancelada na edição 47 (editora Record). – Vai sair de novo no Brasil pela editora Saicã, na versão em cores da editora italiana Hobby & Work. – Entre os desenhadores da série estão Renzo Calegari, Renato Polese e Sergio Tarquinio.

Livro “Tex: Mais que um Herói” continua a chegar aos pards do Brasil

“TEX: MAIS QUE UM HERÓI“,  o primeiro livro temático, publicado em Portugal, dedicado à mítica personagem Tex Willer, nascida em Setembro de 1948 pela mente brilhante de Gian Luigi Bonelli e pela pena mágica de Aurelio Galleppini continua a chegar aos fãs e coleccionadores de Tex não somente de Portugal mas também do Brasil fazendo as delícias a quem o recebe, como facilmente se constata ao verificar as diversas fotos que ilustram este texto e que foram enviados pelos felizes proprietários brasileiros daquele que é sem sombra de dúvidas um dos melhores e mais completos livros dedicados a Tex a nível mundial, escrito por um dos maiores conhecedores da septuagenária saga do Ranger, o escritor e profundo especialista Mário João Marques, que levou mais de dez anos a escrever  esta completíssima obra.

Mário João Marques e a sua obra “Tex: Mais que um Herói”

Sérgio Viraque e a visível felicidade do pard brasileiro por possuir o livro “Tex: Mais que um Herói”

Dogenildo Mota no Brasil dá o seu aval a “Tex: Mais que um Herói”

Renato Alves Silva do Brasil e a confidência: ‘O livro do pard Mário João Marques “Tex: Mais que um Herói”, pelo menos até o momento, é o mais completo sobre o nosso Ranger mais longevo do Oeste.’

Renato Alves Silva para além do livro temático dedicado a Tex, também recebeu no Brasil a mais recente edição da revista do Clube Tex Portugal

“Tex: Mais que um Herói” está disponível nas principais livrarias portuguesas, mas quem quiser adquiri-lo pode também contactar directamente o autor através do email do Clube Tex Portugal (clubetexportugal@icloud.com) com identificação de nome e morada do comprador. Também quem reside no estrangeiro e deseje adquirir o livro, pode escrever para o mesmo e-mail onde lhe serão dadas todas as respostas necessárias para que possa possuir este livro que é já um verdadeiro ícone texiano a nível mundial!

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A BD DE COWBOYS E… O TEX WILLER

Por Jorge Machado-Dias*

Foi em 1962, aos 9 anos, quando vivi em Lourenço Marques com os meus pais, que descobri a banda desenhada. Nessa altura os meus pais iam ao cinema à noite e eu ficava no quarto deles com a minha irmã. Numa daquelas explorações que na generalidade os miúdos fazem, quando dão por si sem qualquer custódia de adultos, encontrei no guarda-fatos do meu pai, uma quantidade exorbitante (para mim na altura) de revistas de banda desenhada. Eram sobretudo exemplares d’O Falcão e do Mundo de Aventuras, entre outros de que não me recordo o nome. E, enquanto a minha irmã dormia, eu devorava uma série dessas revistas até ouvir a porta de entrada a abrir-se, sinal da chegada dos meus pais. Recordo-me que a maior parte das revistas era de cowboys – Cisco Kid, Cisco o Mexicano, Roque Texas, Texas Kid, mas também Tarzan, Mandrake, Tim Tyler, Fantasma, etc…

De regresso a Cascais, em 1964, fomos viver para uma das moradias do meu falecido bisavô, que tinha (na minha perspectiva de miúdo de dez anos) um grande terreno, cheio de capim – como eu lhe chamava devido à vivencia de cinco anos em África – árvores e… uma “casinha” com uma retrete, já desactivada, no meio daquilo tudo. Esse “território” foi o meu “faroeste“ de brincadeira, com os putos da vizinhança. Tive até uma pistola e cinturão, que me havia sido oferecida de prenda de anos. A casinha da retrete era o escritório do xerife, ou seja, eu próprio.

Depois, com a entrada na escola secundária, esqueci essas brincadeiras. O entretenimento virou-se, com a adolescência, para as “garinas” da escola. Reencontrei-me com a banda desenhada, com a revista Tintin, no início dos anos 1970. Mas só em 1975, quando fui em lua-de-mel passar alguns dias em Portimão, comecei a comprar livros de BD, mais propriamente os livros de Astérix.

Em 1978, quando andava a pintar logotipos e montras na Costa de Caparica, descobri a revista francesa A Suivre, numa tabacaria. Foi o reencontro com a banda desenhada, mas desta vez, com Hugo Pratt, Manara, etc… Mas onde também havia cowboys – Quatro Dedos, o Homem de Papel, de Manara, ou Verão Índio, de Pratt e Manara, El Gaucho, dos mesmos autores, Fort Weeling, de Pratt, etc… Regressou daí a apetência pelas aventuras no velho Oeste, embora as minhas temáticas preferidas fossem sempre e ainda são, múltiplas.

À esquerda: Luiz Beira, Paulo Monteiro e Clara Botelho; À direita: Geraldes Lino, José Carlos Francisco e Jorge Machado-Dias; Viseu – 2005

Só cerca de vinte e tal anos mais tarde, em 2005, no 14º Salão de BD pude Viseu, é que conheci o Zé Carlos Francisco e descobri Tex Willer. Já a saga do BDjornal estava em marcha. Mas só no número 4, de Julho de 2005 é que começa a haver matéria sobre o cowboy da Bonelli: Mythos Editora em Portugal, entrevista a Dorival Vitor Lopes, Helcio de Carvalho e José Carlos Francisco, por Nuno Pereira de Sousa e Bonelli, a Tradição do Fumetti na Modernidade, por Nuno Franco. O José Carlos começou a colaborar com o BDjornal no nº 7, de Novembro de 2005, com o artigo A Longa Cavalgada de Tex, o Ranger Sem Fronteiras. A partir daí o Ranger passou a ter morada fixa no BDjornal e, no nº 28, de Outubro de 2011, comecei eu próprio a escrever um longo historial (que ficou incompleto, dado o fim do BDj com o nº 30) sobre Os Desenhadores de Tex, que me levou a uma pesquisa quase interminável na Internet, onde obtive bastante material, muito embora quase tivesse que aprender a ler em italiano – não fosse o abençoado, mas um bocado trapalhão, tradutor do Google.

* Texto de Jorge Machado-Dias publicado originalmente na Revista nº 8 do Clube Tex Portugal, de Junho de 2018.

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