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“Clube Tex voltou a mostrar-se em Anadia” – Jornal de Anadia, 8 de Maio de 2023
Texto da secção Cultura de 08/05/2023
Clube Tex voltou a mostrar-se em Anadia
O Museu do Vinho Bairrada, em Anadia, acolheu a 8.ª Mostra do Clube Tex Portugal, evento dedicado a esta personagem do western aos quadradinhos que existe há mais tempo com publicações ininterruptas. Aconteceu nos dias 29 e 30 de abril e contou com a presença dos autores italianos Rossano Rossi e Dante Spada e do português João Amaral. Os autores criaram também um desenho para a edição de 2023 que integrará agora a exposição permanente do Museu.
Pedro Dias, diretor do Museu do Vinho, disse, durante o evento que esta Mostra é quase como que “um reencontro familiar”, realçando o impacto que tem levar as artes às escolas e aos mais jovens, sendo este um dos objetivos transversais ao Museu: “envolver os jovens e a comunidade”. O diretor fez ainda a ponte para a celebração dos 20 anos do Museu, que acontece este ano, deixando claro que a banda desenhada é uma das suas apostas.
Na ocasião, tanto Rossano Rossi como Dante Spada, enalteceram o ambiente familiar e acolhedor que sentem em Anadia e que foram recebidos em família. Ambos sentem motivo de orgulho por fazerem parte dos 75 anos do Tex.
A Mostra do Clube Tex promoveu “uma Oficina de Artes, com o apoio da Associação dos Artistas Plásticos da Bairrada, para crianças e jovens dos 6 aos 15 anos, uma oportunidade para os mais novos se iniciarem no mundo da BD e das personagens associadas a Tex”. O Museu Vinho Bairrada teve em permanência uma galeria dedicada a Tex.
O Clube Tex Portugal foi criado com o objetivo de reunir os apaixonados portugueses pela personagem. A criação deste evento anual tem o apoio da Câmara Municipal de Anadia, do Museu do Vinho Bairrada e da Sergio Bonelli Editore, tornando Anadia na “Capital Portuguesa do Tex”.
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Rossano Rossi no Jornal de Notícias de hoje, 8 de Maio de 2023: “Tex é uma escola de vida, mas acima de tudo uma paixão”
Texto da secção Cultura de 08/05/2023
F. Cleto e Pina
Rossano Rossi: “Tex é uma escola de vida, mas acima de tudo uma paixão”
* Autor italiano desenha Tex há já 20 anos e esteve na 8.ª Mostra do Clube Tex Portugal, na Anadia
Chama-se Rossano Rossi, é desenhador e foi uma das estrelas da 8.ª Mostra do Clube Tex Portugal que juntou muitos fãs na Anadia.
Natural de Arezzo, em Itália, onde nasceu em 1964, apesar de muito solicitado pelos admiradores, arranjou tempo para uma conversa exclusiva com o “Jornal de Notícias”, em que confessou que “Tex foi sempre importante” na sua vida. Lê-o “desde criança” e sempre foi um dos seus “fumetti [designação italiana para a BD] favoritos“.
Por isso, naturalmente, quando Rossi começou a desenhar “ainda miúdo, os temas preferidos eram os cowboys e os índios“. E nunca imaginou que “tantos anos depois seria um dos desenhadores da personagem que admirava desde a infância“. Se esse facto representa “uma grande satisfação profissional, é também uma grande responsabilidade e uma honra poder representar graficamente Tex e o seu universo“.
E prossegue: “Há quase 20 anos que desenho histórias do Tex, mas isso nunca cansa: há sempre algo novo para representar, há sempre algo para aprender. Tex não é apenas um trabalho, mas acima de tudo uma paixão e uma grande escola de vida“.
Mas afinal, o que torna Tex diferente dos outros westerns e de outros heróis dos quadradinhos? Rossano Rossi não hesita: “Publicado continuamente desde há 75 anos, Tex é o fumetti mais vendido em Itália, ainda goza de muita consideração. Já não é simplesmente uma banda desenhada, mas sim um ícone que entrou na memória coletiva dos italianos, e não só, já que em Portugal também é muito apreciado“. E continua com entusiasmo: “Tex é aquele que cada um de nós gostaria de ser, um campeão da justiça, um defensor dos fracos, dos oprimidos, um herói que também está disposto a ir além das regras quando é necessário. Tex é diferente de outros quadradinhos, simplesmente porque ele é muito mais do que isso“.
Quanto à Mostra do Clube Tex Portugal, que decorreu no Museu Vinho Bairrada, na Anadia, confirmou ser “um evento muito interessante e de sucesso, como tinham dito os autores que nela participaram nos anos anteriores”. E conclui, salientando um dos pontos fortes do evento, o convívio entre apaixonados pelo mesmo tema, referindo “o prazer de rever velhos amigos do Clube Tex Portugal e conhecer muitos novos“.
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F. Cleto e Pina
Jornal de Notícias, de 29 de Abril, entrevistou o autor João Amaral a propósito do lançamento de “A Oeste”, a sua mais recente obra, que foi um dos destaques da edição deste ano da Mostra do Clube Tex, em Anadia
Texto da secção Banda Desenhada de 29/04/2023
F. Cleto e Pina
João Amaral: “O western está nos meus genes”
* O lançamento de “A Oeste”, a mais recente obra de João Amaral, é um dos destaques da edição deste ano da Mostra do Clube Tex, em Anadia. O JN esteve à conversa com o autor.
Um ano depois de ter lançado “Rattlesnake”, João Amaral regressa ao Museu Vinho Bairrada para apresentar o seu mais recente livro, “A Oeste”. Embora o título não seja um western no sentido tradicional do termo, o criador português diz tratar-se de um género que o transporta para as leituras de juventude. Mais importante para Amaral é explorar a ideia de que “o fanatismo pode deturpar uma ideologia, mesmo que seja válida”.
Depois de “Rattlesnake” no ano passado, volta à Mostra do Clube Tex, em Anadia, para o lançamento de “A Oeste”. Porquê a escolha deste evento?
Em primeiro lugar, porque também eu sou um admirador de Tex que leio desde a minha juventude quando ainda chegava ao nosso país, através da editora Vecchi e, por isso, tenho acompanhado ao longo dos anos este evento. Depois, porque em Anadia, sempre senti que estou entre amigos que sempre me apoiaram e incentivaram e que têm acompanhado bastante de perto o meu percurso. Por isso, o ano passado como ia publicar um western, achei que fazia todo o sentido que ele fosse lançado lá. Este ano, apesar de a obra não pertencer propriamente ao género, é, no entanto, na forma como é narrada, uma espécie de homenagem a essa forma de contar histórias. Por isso, continuei a considerar que a Anadia era o sítio ideal para a apresentação do livro.
Que acolhimento teve lá no ano passado?
Foi fantástico. Como disse anteriormente, na Anadia estou entre amigos. E em relação ao acolhimento tenho muito a agradecer, quer ao José Carlos Francisco, quer ao Mário Marques ou ainda ao Carlos Moreira que sempre me acolheram como se fosse um deles. Para além disso, foi uma oportunidade única para conviver com admiradores do Tex, que não vejo noutros eventos. Por fim, as idas à Anadia permitem-me sempre ter dois dedos de conversa com os desenhadores convidados e podermos falar um pouco entre nós sobre os desafios que a arte nos coloca.
Qual a sua relação com o western?
Digamos que o western está quase nos meus genes. Uma das coisas que ainda recordo com muitas saudades são as brincadeiras, enquanto criança, de cowboys que tinha com um vizinho meu, onde de certa forma dávamos continuidade às histórias de filmes que víamos na altura. Por isso, pode-se dizer que este sempre foi um dos meus géneros favoritos e, desde que me tornei autor de banda desenhada, alimentava o sonho de um dia poder construir um western, sonho esse que acabou por ser concretizado apenas no ano passado. No entanto, anteriormente já tinha feito o que se pode designar como um falso western. Tratava-se de “O Fim da Linha” que publiquei nas extintas Seleções BD e que mais não era do que um remake de “O Comboio Apitou Três Vezes”, um dos filmes que muito me marcaram. Uma das poucas diferenças em relação ao original era o facto de a ação se passar na atualidade, mais concretamente na viragem do milénio.
Apesar de não ser um western, “A Oeste”, que decorre no Portugal do século XIX, tem pontos de contacto com o género. Quer falar um pouco da obra?
Tem, claro que tem e tem algumas parecenças com “Rattlesnake”, porque na verdade, apesar do livro só sair agora, eu concebi-o algum tempo antes desse livro sair. É que, na verdade, “Rattlesnake” durante muitos anos não passou de um projeto que tentei publicar no estrangeiro, mas no qual infelizmente não fui bem-sucedido e só se concretizou o ano passado quando, após publicar as pranchas que já tinha feito no blogue o Jorge Deodato me desafiou para dar vida ao livro. “A Oeste”, na sua maior parte, foi feito antes disso e como pensava que o meu projeto de construir um verdadeiro western estava morto e enterrado, transferi alguns elementos do projeto inicial para este, nomeadamente o facto de a protagonista ser uma mulher sem nome. Para além disso, esta é também uma história que reflete um pouco sobre como o fanatismo pode deturpar uma ideologia, mesmo que ela possa ser até válida. Quem ler o livro pode até pensar que eu sou monárquico, o que não é verdade. O que pretendi transmitir é que os radicalismos podem acabar por matar um ideal, por muito válido que ele seja, porque o radical acaba sempre por deturpar os textos todos a seu favor…
Como conseguiste equilibrar o lado ficcional desta obra com o seu contexto histórico?
Quando decidi começar a elaborar esta obra, decidi pesquisar um pouco sobre o que foi o século XIX em Portugal e fiquei fascinado ao ver que tem muitos elementos que dão para construir verdadeiros westerns. Basta dizer que até uma guerra civil houve em Portugal, nessa altura. No entanto, eu quis centrar-me no conflito entre os ideais republicanos e monárquicos, porque se é verdade que a implantação da república só se deu em 1910, a verdade é que já no século anterior havia várias organizações clandestinas que a defendiam e a proclamavam como o regime ideal para acabar com a miséria vigente e com o estado de coisas a que o país tinha chegado. Por isso, sim, existe uma espécie de relação entre a realidade e a ficção.
Curiosamente, a mulher na capa de “A Oeste” faz lembrar a protagonista de “Rattlesnake”. Porquê este protagonismo no feminino?
Pois, como disse anteriormente, “A Oeste” foi concebido, antes de “Rattlesnake” ver a luz do dia. Como tal, a forma de conceber as heroínas foi algo similar. Para além disso, posso afirmar que acho as personagens femininas muito mais interessantes e menos contraditórias que as masculinas e tenho um fascínio particular por mulheres guerreiras que lutam um pouco contra as injustiças que as rodeiam.
Em que está a trabalhar agora? Vamos voltar a encontrar-nos com a protagonista de “Rattlesnake”?
Vou responder a essas duas perguntas ao mesmo tempo, porque na realidade estou a trabalhar precisamente no segundo tomo de “Rattlesnake”, onde posso adiantar desde já que os leitores irão saber mais qualquer coisa sobre a protagonista.
Copyright: © 2023 Jornal de Notícias;
F. Cleto e Pina































































