Tex – Ensaio de quadriculografia portuguesa

Por José Vitor Silva (em Bedeteca Portugal)

Ficha técnica:

Western
(Itália) Sergio Bonelli Editore, 30 de Setembro de 1948
Gian Luigi Bonelli (argumento) e Aurelio Galleppini (desenhos)
Outros autores: Alessandro Bocci, Andrea Venturi, Bruno Brindisi, Carlos Gomez, Chuck Dixon, Claudio Nizzi, Corrado Mastantuono, Enrique Breccia, Gianfranco Manfredi, Giovanni Ticci, Jacopo Rauch, Leomacs, Mário Milano, Massimo Rotudo, Mauro Boselli, Michele Rubini, Moreno Burattini, Pasquale Frisenda, Pasquale Ruju, R. M. Guéra, Sergio Tisseli, Stefano Andreucci, Stefano Biglia, Tito Faraci
Estreia em Portugal: Álbum Panini Comics

Outras publicações: BD Jornal, Revista do Clube Tex Portugal, Álbum Polvo, Álbum Levoir, Álbum A Seita

O “primeiro” Tex é um cowboy involuntariamente fora da lei com um forte código de honra: matar apenas em legítima defesa. No entanto, pouco depois torna-se um ranger. Graças ao casamento com a bela jovem navaja Lilyth, torna-se o Chefe dos Navajos, conhecido como Águia da Noite, defensor dos direitos dos nativos americanos. Duro, leal, infalível com as armas, inimigo do preconceito e da discriminação, Tex é muito rápido e inteligente, e tem um desrespeito acentuado por regras rígidas; por outro lado, não tem pena dos criminosos, de todas as raças e crenças, nem respeito pelos seus direitos, se não cooperarem imediatamente com a lei.

Quadriculografia portuguesa:
  • Tex contra Mefisto, Aurelio Galleppini e Gian Luigi Bonelli, Colecção Série Ouro – Os Clássicos da Banda Desenhada #8, Álbum Panini Comics [2005]
  • Uma tarde quente, Giovanni Ticci e Guido Nolitta (Sergio Bonelli), BD Jornal #24
  • A presa, Fabio Civitelli e Mauro Boselli, BD Jornal #29, Revista do Clube Tex Portugal #4
  • Patagónia, Pasquale Frisenda e Mauro Boselli, Álbum Polvo [2015]
  • Tempestade sobre Galveston, Massimo Rotundo e Pasquale Ruju, Álbum Polvo [2016]
  • O segredo do juiz Bean, Pasquale Frisenda e Mauro Boselli, Álbum Polvo [2016]
  • Ouro negro, Leomacs e Gianfranco Manfredi, Álbum Polvo [2017]
  • Morte no deserto, Giovanni Ticci e Claudio Nizzi, Revista do Clube Tex Portugal #6
  • Capitan Jack, Enrique Breccia e Tito Faraci, Álbum Polvo [2018]
  • Maria Pilar, Alessando Bocci e Mauro Boselli, Colecção Universo Tex, Álbum Polvo [2018]
  • Terror na floresta, Michele Rubini e Chuck Dixon, Colecção Universo Tex, Álbum Polvo [2018]
  • A lenda de Tex, Colecção Bonelli #1, Álbum Levoir [2018] [1]
  • A pista dos fora-da-lei, Colecção Bonelli #6, Álbum Levoir [2018][2]
  • Os predadores do deserto, Bruno Brindisi e Claudio Nizzi, Álbum Polvo [2019]
  • A chicotada, Mário Milano e Pasquale Ruju, Álbum A Seita [2021]
  • O homem das pistolas de ouro, R. M. Guéra e Pasquale Ruju, Álbum A Seita [2021]
  • O vingador, Stefano Andreucci e Mauro Boselli, Álbum A Seita [2022]
  • Vingança em Corpus Christi, Corrado Mastantuono e Mauro Boselli, Álbum A Seita [2022]
[1]Inclui os seguintes episódios: “O último da lista”, Stefano Biglia e Gianfranco Manfredi; “O mescalero sem rosto”, Alessandro Bocci e Jacopo Rauch; “Chupa-cabras!”, Michele Rubini e Moreno Burattini; “Desafio na velha mansão”, Sergio Tisselli e Pasquale Ruju. 
[2]Inclui os seguintes episódios: “A pista dos fora-da-lei”, Carlos Gomez e Mauro Boselli; “O assassino de índios”, Andrea Venturi e Claudio Nizzi. 

A inspiração de Aurelio Galleppini para um póster de Tex

Por Afrânio Braga, criador do blogue Blueberry, Uma Lenda do Oeste:
https://blueberrybr.blogspot.com

“Tex” nº 122 “Sulle piste del Nord” e o póster italiano de Tex.

“Tex” nº 122 “Sulle piste del Nord” com um autocolante a anunciar o póster:
Contiene un manifesto gigante de Tex!
Contém um póster gigante de Tex!.

O póster italiano de Tex.

A capa de “Tex” nº 122 “Sulle piste del Nord”.

“Tex” nº 122 “Sulle piste del Nord”
Periodicidade: mensal

Lançamento: 01/12/1970
Argumento e roteiro: Gianluigi Bonelli
Desenhos: Giovanni Ticci
Capa: Aurelio Galleppini

A chegada dos quatro pards a Winnipeg, chamados ao Grande Norte por Jim Brandon, não passa despercebida: Paul Bonnet, um dos chefes do tráfico de armas e bebidas alcoólicas, colocado em alerta por um de seus homens, tenta inutilmente mandar para baixo da terra os perigosos adversários. Tex intui que atrás da suja tentativa de fomentar uma revolta indígena se escondem conspícuos interesses económicos e convence a atraente Rita Duchesne, uma sedutora que o bando usa para encantar os parvos, a passar para o seu lado e revelar aquilo que sabe, antes que seja tarde demais para salvar-se.
N. C.: Winnipeg, capital da província de Manitoba, Canadá.

A capa de “Tex” nº 50 “Flechas Pretas Assassinas”.

“Tex” nº 50 “Flechas Pretas Assassinas”.
Edição brasileira publicada em abril de 1975, pela Editora Vecchi, sem o póster.

A capa do livro “Il massacro di Goldena”.

Il massacro di Goldena
Um romance western escrito por Gianluigi Bonelli, ilustrado para a ocasião por Algo Di Gennaro. Originalmente publicadas em 1951, as páginas desse conto nos fazem conhecer o pai de Tex sob uma nova luz, aquela de narrador em prosa, à procura de uma nova linguagem literária, sobre as trilhas dos seus autores americanos predilectos, cuja escritura era caracterizada por um estilo particularmente duro e dinâmico.
N.
C.:
1) O conto “Il massacro di Goldena” foi transportado às pranchas do Ranger por Gianluigi Bonelli e Giovanni Ticci em “Tex” nº 108 “Inferno a Robber City” (01/10/1969) e “Tex” nº 109 “Massacro” (01/11/1969); a Editora Vecchi publicou essa história em “Tex” nº 16 “Território Apache”, Junho de 1972. “Il massacro di Goldena”: “O Massacre de Goldena”;
2) A editora Sergio Bonelli Editore utilizou a ilustração do póster texiano na capa do livro “Il massacro di Goldena”, de 96 páginas, presenteado aos leitores junto a “Tex” nº 575 “Sul sentiero dei ricordi”, lançado em Setembro de 2008;
3) Editora Vecchi, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil.

A capa de “Tex” nº 575 “Sul sentiero dei ricordi”.

“Tex” nº 575 “Sul sentiero dei ricordi”
Para celebrar os sessenta anos de Tex, uma aventura a cores por Águia da Noite e a sua esposa, Lilyth!

Periodicidade: mensal
Lançamento: 09/09/2008
Argumento e roteiro: Claudio Nizzi
Desenhos: Fabio Civitelli
Cores: GFB Comics
Capa: Claudio Villa

A capa de “Tex Especial 60 Anos”.

“Tex Especial 60 Anos”
Edição a cores publicada em outubro de 2008 pela Mythos Editora em São Paulo, São Paulo, Brasil.

O póster brasileiro, repintado pela Editora Vecchi, entregue aos leitores junto a “Tex” nº 78 “Espectros!” 1ª edição.

A capa de “Tex” nº 78 “Espectros!” 1ª edição, publicado em Agosto de 1977 pela Editora Vecchi.

O póster brasileiro, a medir 29,0 X 44,0 cm, foi anexado a “Tex” nº 78 1ª edição e não apresenta a assinatura do desenhador, em arte Galep, como o póster italiano. A Editora Vecchi não repetiu esse presente texiano na 2ª edição do número 78 da série mensal de Tex Willer, o Ranger mais temido do Oeste. No póster italiano, Tex está de camisa amarela enquanto naquele brasileiro ele traja camisa azul claro.

A capa de “Tex” nº 80 “Spettri”.

“Tex” nº 80 “Spettri!”
Periodicidade: mensal

Lançamento: 01/06/1967
Argumento e roteiro: Gianluigi Bonelli
Desenhos: Aurelio Galleppini, Guglielmo Lettèri
Capa: Aurelio Galleppini

Com a captura de Jack Tigre, tudo parece perdido… mas o destino reserva a Mefisto uma sorte inesperada! Tex, descoberto o antro do doutor Fiesmot (alter ego do necromante), liberta os três pards, enquanto o sábio Padma, que Mefisto acreditava haver assassinado, é salvo por poderes arcanos, graças aos quais precipita o seu diabólico pupilo em um estado de profunda loucura! Para Mefisto se abrem as portas do manicómio criminal. Meses depois, Tex e Kit Carson investigam sobre as manadas roubadas ao longo do Brazos…

Neste número: da página 5 à página 90, se conclui a aventura precedente (desenhos de Aurelio Galleppini); da página 90 à página 130, “Sulle rive del Brazos” (desenhos de Guglielmo Lettèri).

A inspiração de Aurelio Galleppini para um póster de Tex

Aurelio Galleppini se inspirou em uma pintura de Frank McCarthy, artista americano, para a ilustração de um póster de Tex Willer, o Ranger do Texas. A pintura de McCarthy foi publicada na capa do livro “Bullet Barricade”, de Leslie Ernenwein, lançado em 1 de Janeiro de 1955, pela editora Fawcett Publications, em Nova York, Estados Unidos da América.

A capa do livro “Bullet Barricade” – Póster italiano.

A capa invertida do livro “Bullet Barricade” – Póster brasileiro.

Fontes: Editora Sergio Bonelli Editore: Os textos sobre os álbuns “Tex” nº 122 “Sulle piste del Nord”, “Tex” nº 575 “Sul sentiero dei ricordi” e “Tex” nº 80 “Spettri!” e o livro “Il massacro di Goldena”.
As imagens:  Editora Sergio Bonelli Editore: o extrato da ilustração do póster italiano e as capas de “Tex” números 122, 575 e 80 e do livro “Il massacro di Goldena”; Internet: “Tex” nº 122 com um autocolante, o póster italiano e as capas do livro “Bullet Barricade” e de “Tex Especial 60 Anos”; João Marin: as capas dos álbuns “Tex” nº 50 “Flechas Pretas Assassinas” e “Tex” nº 78 “Espectros!” e do póster brasileiro.

A personagem Tex foi criada por Giovanni Luigi Bonelli e realizada graficamente por Aurelio Galleppini.
Tex © Sergio Bonelli Editore
Tex Especial 60 Anos © 2008 Mythos Editora
Bullet Barricade © 1955 Leslie Ernenwein – Fawcett Publications

Afrânio Braga

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Os bastidores da montagem da exposição “75 Anos do TEX“

A exposição “75 Anos do TEX“, como já noticiámos, fica patente na Bedeteca da Amadora até ao dia 14 de Janeiro de 2024 e tem entrada livre, mas hoje vamos dar a conhecer, através de diversas fotografias (fotos: Amadora BD), os bastidores da montagem da exposição:

Sinopse | Exposição «75 Anos do TEX»
«Tex, um dos personagens de western mais reconhecidos internacionalmente, comemorou em 2023 o seu 75º aniversário com uma exposição no Amadora BD. O personagem é protagonista de muitas histórias de ação, participando em episódios marcantes e reais da história dos Estados Unidos. Com detalhes incríveis da cultura dos índios e dos hábitos da época, o leitor é transportado para o ambiente em que se passavam as aventuras. Tex alia cultura à diversão, o que justifica o seu sucesso em tantos países do mundo.
A exposição comemorativa dos 75 anos do personagem vai estar patente na Bedeteca da Amadora até ao dia 14 de janeiro de 2024.»

Biblioteca Municipal Fernando Piteira Santos
Av. Conde Castro Guimarães, N.º 6 – Venteira
Telefone: 214 369 054
E-mail: bibliotecas@cm-amadora.pt
GPS: 38.752483, -9.2337572

Horário da Biblioteca:
De segunda a sexta-feira: das 10h00 às 19h00 | Sábados: das 10h00 às 18h00
Encerra aos domingos e feriados

Horário da Bedeteca e Fanzineteca:
Piso 2 da Biblioteca Municipal Fernando Piteira Santos
De segunda a sexta-feira: das 10h00 às 19h00 | Sábados: das 10h00 às 12h30 e das 14h30 às 18h00
Encerra aos domingos e feriados

For@ de Horas:
De segunda a sexta-feira: das 19h00 às 24h00 | Sábados: das 18h00 às 24h00
Encerra aos domingos e feriados

O reencontro de Tex Willer com Zagor e agora com as presenças de Kit Carson e Chico… [Speciale Tex Willer nº 7] – Presagi di guerra

ZAGOR TINHA PREVISTO QUE ELE E TEX AINDA IRIAM CAVALGAR JUNTOS…

Speciale Tex Willer nº 7 – Presagi di guerra; 5 de Dezembro de 2023
Argumento: Mauro Boselli; Roteiro: Mauro Boselli; Desenhos: Alessandro Piccinelli; Capa: Maurizio Dotti

Às vésperas do grande ataque Comanche que ameaça o Texas, Tex e Zagor voltam a agir em uníssono para tentar frustrar a ameaça iminente e salvar a mãe de Quanah Parker dos assassinos do pérfido Coronel Baylor…
Desta vez ao lado de ambos estarão os pards de mil aventuras: Kit Carson e Chico…

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As Leituras do Pedro: Tex #638-#644 + Júlia #9 (Sem) regras (n)e(m) princípios

As Leituras do Pedro*

Júlia #9 (nova série)
Histórias originalmente publicada em Julia #208 (SBE, Itália, 2016)
Giancarlo Berardi e Maurizio Mantero (argumento)
Antonio Marinetti (desenho)
Mythos Editora
Brasil, Julho de 2022
160 x 210 mm, 128 p., pb, capa cartão
R$ 37,90

Tex #638/#3 O Manicómio
Tex #639/#4 Os Mistérios de São Francisco
Tex #640/#5 O Hospício dos Horrores
Histórias originalmente publicadas em Tex #738 a #740 (SBE, Itália, 2022)
Mauro Boselli (argumento)
Raul Cestaro e Gianluca Cestaro (desenho)

Tex #641/#6 Sierra Nevada
Tex #642/#7 O Retorno de Padma
Tex #643/#8 No Calor do Deserto
Tex #644/#9 O Triunfo de Mefisto
Histórias originalmente publicadas em Tex #741 a #744 (SBE, Itália, 2022)
Mauro Boselli (argumento)
Fabio Civitelli (desenho)

Mythos Editora
Brasil, Dezembro de 2022 a Junho de 2023
160 x 210 mm, 112 p. (cada) 128 p. (Tex #644), pb, capa cartão
R$ 29,90 (cada); R$ 31,90 (Tex #644)

Qualquer série de banda desenhada (o que me interessa no presente caso) obedece a um determinado número de regras e princípios. São eles definem o que a série é, que lhe dão consistência e continuidade e que permitem ao leitor saber o que deve esperar quando se abeira dela – é isso que faz dele leitor fiel (ou não).

Paradoxalmente, a quebra dessas regras ou os desvios a esses princípios não são necessariamente negativos e, nalguns casos, até podem (e)levar a sua leitura a um outro nível.

Esse tipo de regras e de princípios estão presentes – de forma muito vincada – na Disney, na Marvel, na DC Comics ou na Bonelli – empresas detentoras das personagens – ou, mesmo que de modo mais diáfano, em qualquer outra série que vos possa ocorrer.

Pego num primeiro exemplo: Júlia, a criminóloga de Garden City, belíssima criação de Giancarlo Berardi e presença regular nas minhas leituras e neste blog, é um exemplo. Sabemos que se move num mundo realista e que a sua acção surge fundamentalmente no estudo psicológico das motivações pessoais como base para encontrar as razões para o crime, mais do que na simples busca de culpados. Há uma galeria de personagens fixos, com características e comportamentos próprios e determinadas situações que balizam os relatos.

Por isso, quando a protagonista se transforma demasiadamente numa heroína de acção, perdendo o seu lado humano, a leitura torna-se algo incómoda e menos credível. E quando, como no caso desta edição, regressa “o carrinho esperto”, com vontade própria e capacidade de decisão para lá da sua condição de máquina, ela fica completamente destruída e leva o leitor a pensar se não se enganou na série…

[Curiosamente, a um outro nível, a presença recorrente de Myrna – arqui-inimiga jurada, para apropriar um conceito que não tem (grande) lugar num universo vincadamente de contornos realistas – consegue conferir um aliciante diferente às narrativas, pela relação de obsessão amorosa/ódio que a assassina em série expressa para com Júlia. Mas convém realçar que isto apenas funciona porque essas aparições são esparsas e contidas…]

Num mesmo paralelismo, curiosamente, as presenças de Mefisto em Tex têm o mesmo efeito, ao introduzirem uma nota de fantástico num western, também ele realista em termos narrativos, embora tradicionalista no sentido da quase “omnipotência” do ranger que o protagoniza.

No entanto, se tenho um carinho especial pelas histórias que efectivam os confrontos improváveis entre um representante da lei no Velho Oeste e um mago com (reais) poderes mágicos – até porque é de um desses embates que são feitas as memórias mais antigas que tenho de Tex – confesso que o seu mais recente regresso – ao longo de sete longas edições(!), artisticamente entregues aos irmãos Cestaro e a Fabio Civitelli – me deixou dividido.

Se por um lado o confronto com alguém com capacidades que ultrapassam a compreensão humana torna o protagonista menos invencível e, logo, mais humano, sabia de confrontos anteriores que, no final, ultrapassadas as situações limite em que tudo parecia perdido – e em que Mefisto literalmente não quis dar o golpe final – Tex, Carson, Kit e Tigre acabarão por vencer, mesmo que apenas temporariamente, esse inimigo e os seus aliados ocasionais.

Só que, desta vez – sinal dos tempos e de leitores mais exigentes? – Mauro Boselli optou por proporcionar amplas explicações para os poderes sobrenaturais de Mefisto e Yama – e também de Padma e Narbas. Se em termos narrativos isto até torna a história mais forte e consistente, reconheço, a verdade é que exponencia o desvio da mesma em relação às ‘regras e princípios’ que geralmente norteiam Tex.

O diabo em pessoa, ressurreição e apropriação de corpos, projecções mentais e outras situações semelhantes, lógicas no contexto específico desta narrativa, no entanto fazem dela um ‘não-Tex’ e afastam-no do western tradicional que os leitores esperam.

Suponho que, estarei quase sozinho nesta apreciação de uma história – que também por isso se estende mais do que o habitual e até do que o desejável – mas a minha impressão de leitura foi esta. Arriscando que alguns leiam nestas palavras uma contradição, senti que a não explicação – ou o deixar desta em zonas sombrias a que o leitor só se acerca se quiser – patente em anteriores confrontos de Tex e dos seus pards com Mefisto as tornavam mais passíveis de aceitação no âmbito de um universo forte e solidamente construído, baseado em regras e princípios que todos entendem.

* Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro

(Imagens disponibilizadas pela Mythos Editora; clicar nelas para as apreciar em toda a sua extensão)