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SECRET ORIGINS: TEX CLASSIC 38
Por Saverio Ceri [1]
Depois de um par de posts moderados, desta vez a capa e os álbuns reimpressos no trigésimo oitavo Tex Classic oferecem-nos várias ideias para reconstituir, através de imagens, a história editorial de Tex.
Vamos prosseguir em ordem. A capa que estamos a abordar neste post é a que se vê abaixo:
Como costuma acontecer, a redacção foi em busca de uma imagem pouco conhecida entre as capas da série quinzenal Tex Albo d’Oro, que nos Anos Cinquenta do século passado repropôs pela primeira vez as aventuras do personagem em três tiras por página. A imagem escolhida desta vez é a da capa do número 15 da segunda série, de Maio de 1955.
Este volume reimprimiu o episódio Duello a Cristal City, o vigésimo primeiro da quinta série de tiras, de Novembro de 1952, cuja capa Galep se inspirou para a do álbum de ouro. Os leitores deste Tex Classic puderam apreciar essa aventura no mês anterior no número 36 desta coleção colorida…. então por que só agora ela aparece na capa?
Só podemos especular. Neste trigésimo oitavo volume da mais recente série do Ranger encontramos as tiras 31 a 36 da quinta série de Janeiro/Fevereiro de 1953, repropostas em Julho de 1955 nos números 19 e 20 da série quinzenal em formato “grande”. As duas capas em questão provavelmente não foram escolhidas por conterem elementos bem conhecidos dos leitores de Tex, que ficaram famosos ao longo dos anos pela sua reutilização nas séries de maior sucesso.
Tomemos como exemplo a primeira das duas capas elegíveis, a do número 19:
O fundo da capa vem directamente de uma das vinhetas internas: a que se pode ver de seguida:
A vinheta espelhada fornece o cenário perfeito para a aventura de Tex no Utah, como pode ser visto nesta sobreposição de imagens:
Protagonista à parte, trata-se essencialmente de uma capa completamente diferente: a maior diferença é que foram eliminados os cowboys ocupados a marcar o gado, evidentemente considerados de pouco impacto. Em seu lugar encontramos o ameaçador panfleto voador com a mão “interista” (a propósito da cor), enquanto Tex não só empunha a arma, mas também dispara. Nas reimpressões subsequentes dos Anos Oitenta e Noventa do século passado, a mão do panfleto tornou-se curiosamente “milanista”.
A capa do Albo d’oro sucessivo, o eventual segundo candidato para o Albo d’oro de que falamos desta vez, tem uma génese semelhante, mas com uma variante curiosa. A imagem pareceria originar-se das capas das edições em tiras, precisamente destas:
Trata-se do número quatro da décima quarta série datada de Dezembro de 1956, reproposta na 51ª raccoltina de Março de 1959. Se se prestar atenção nas datas, compreende-se que na realidade essas duas capas foram lançadas depois do Albo d’oro, então é a imagem que se vê abaixo que inspirou as acima, e não o contrário.
À parte a posição espelhada do protagonista, a maior diferença é que Tex na versão original, apesar de ter duas pistolas fumegantes em vez de uma, atira para desarmar e não para matar.
Após uma inspeção mais detalhada, porém, no mercado americano em Agosto de 1951, a Avon Periodicals publicava o segundo número da primeira série de Kit Carson, que tinha esta capa, desenhada por Everett Raymond Kinstler:
Ao inverter a imagem do Albo d’Oro descobrimos como as posições do Carson norte-americano e do Tex italiano são semelhantes, além disso o adversário bigodudo que enfrenta o herói também coincide. Por sua vez, esta capa parece ser inspirada na primeira capa de 1947 da revista Fifteen Western Tales da Fictioneers, Inc.
A verdadeira origem desta capa texiana é “dupla” e deve, portanto, ser procurada do lado de lá do Oceano. Abaixo vê-se o paralelo das três imagens datadas respectivamente de 1947, 1951 e 1955:
No Verão de 1961, para criar a capa do 16º Tex da série actual, foi reutilizado precisamente o ranger da capa do vigésimo Albo d’Oro. A arma que dispara neste caso também é uma só, mas, como se pode verificar pelo título, o protagonista da imagem não é o fumo das armas, mas o fogo, que devasta a aldeia atrás do protagonista. Tanto a aldeia quanto as pernas de Tex, não desenhadas na encarnação anterior da capa, vieram do pincel de Franco Bignotti.
Saverio Ceri
Encontre todas as outras origens das capas de Tex Classic na rubrica Secret Origins: Tex Classic
[1] Material apresentado no blogue Dime Web em 01/08/2018; Tradução e adaptação (com a devida autorização): José Carlos Francisco.
Copyright: © 2018 Saverio Ceri
O Pony Express e a entrega da Revista do Clube Tex Portugal #19 na Vila Texas
O Pony Express foi um histórico correio expresso colocado em funcionamento em 1860, que levava correspondências a cavalo cruzando territórios selvagens dos Estados Unidos da América. A rota ligava as cidades de St. Joseph e Sacramento.
Mas este serviço, ou melhor, um serviço similar também é usado actualmente no Brasil, sobretudo quando a diligência é assaltada, conforme se pode ver no fantástico vídeo que se segue, mas a preciosa mercadoria (dois exemplares da Revista do Clube Tex Portugal, oferecidas por João Marin e pelo Clube Português) é salva e entregue em mãos ao pard Delair Turella na Vila Texas (Estância do Texas N. S. Aparecida), uma propriedade rural pertencente a Delair Turella e sua esposa, que fica em Chopinzinho, um município brasileiro do estado do Paraná e retrata como era o Velho Oeste.
No segundo vídeo, o que se segue, podemos ver a satisfação e a alegria do pard Delair Turella ao folhear a mais recente edição publicada pelo Clube Tex Portugal:
UM COZINHEIRO NA CORTE BONELLI
Por Júlio Schneider*
Pouco antes da edição italiana de Color Tex n° 12 ir aos quiosques da Velha Bota, em novembro de 2017, o argumentista Giorgio Giusfredi participou numa cavaqueira com David Padovani e Giuseppe Lamola, do sítio Lo Spazio Bianco (O Espaço Branco), da qual transcrevemos a seguir alguns pontos. Nas fotos acima, Júlio Schneider e José Carlos Francisco (tradutores de Tex no Brasil e em Portugal, respectivamente) com Giusfredi na redação da Sergio Bonelli Editore, em 2017, quando o volume estava em preparação.
Giorgio, nascido em 1984 em Lucca, é um pouco de tudo: cozinheiro, enólogo, escritor e, há uma meia dúzia de anos, tornou-se redator da SBE e, em seguida, argumentista. Escreveu o seu primeiro argumento bonelliano em 2014, para Zagor, e dois anos depois contou uma história de Dampyr. Mais um ano e foi a vez de estrear com Tex. Mas isso tudo foi antecedido de uma mudança de vida, graças a um vizinho: “Eu era um leitor voraz, e quando a minha mãe viu que eu guardava uma quantidade enorme de papel impresso, tentou entender a minha paixão, até que se lembrou de um vizinho nosso que se tinha mudado para Milão e que trabalhava na Sergio Bonelli Editore. Era Graziano Frediani, atual diretor de muitos títulos, jornalista e editor, que me convidou para ir a Milão , onde me apresentou a Sergio Bonelli. Se não fosse o Graziano, eu estaria até hoje em cozinhas a exalar cheiro de frituras“.
As tentativas para se tornar argumentista começaram mais de dez anos antes, quando mandou um argumento de Zagor a Moreno Burattini, o editor da personagem: “era uma porcaria intragável de dezasseis páginas que ele leu e, claro, recusou, não sem antes me receber amigavelmente e me dar uns bons conselhos“. Anos e repetidas tentativas mais tarde, Giorgio foi contratado para trabalhar como redator na SBE: “Eu fui o primeiro redator contratado por Davide Bonelli – não que seja motivo de orgulho para ele, mas para mim certamente é – que contratou-me, assim como os meus mestres da redação foram contratados por Sergio Bonelli, com intuição, paixão, simpatia e afinidade. Se a intuição de quem decidiu contratar-me estava ou não certa, depois serão os leitores a dizer“. Da convivência com mestres do argumento (como Mauro Boselli e Maurizio Colombo, entre outros) que lhe deram bons ensinamentos, finalmente Giorgio teve uma ideia aprovada, e essa tornou-se a BD O Senhor da Ilha (publicada no Brasil em Zagor n° 163, em 2015). Muitas vicissitudes depois, Giorgio foi desafiado por Mauro Boselli, de quem tornou-se assistente direto, a contar uma história curta de Tex. O título sugerido pelo próprio Giusfredi, Eu Matarei Tex Willer, mostrou-se uma bela declaração de intenções para um estreante que, na primeira prova com a personagem histórica, sentia a necessidade de matar o cowboy. Questionado pelo entrevistador, o jovem autor defendeu-se: “Mas eu garanto que na minha história Tex não vai morrer… ou talvez sim?“. A entrevista completa, em italiano, encontra-se no endereço www.lospaziobianco.it/giorgio-giusfredi-cuoco-corte-bonelli.
O citado Tex colorido foi publicado no Brasil em fevereiro de 2019 e logo chegou às mãos de vários leitores do Clube Tex Portugal. Curiosidade final: a revista de Dampyr exibida na foto por José Carlos é uma história curta escrita por Giusfredi e desenhada por Marco Will Villa, filho de Claudio Villa, o capista de Tex, e jovem desenhador de futuro promissor.
* Texto de Júlio Schneider publicado originalmente na Revista nº 10 do Clube Tex Portugal, de Junho de 2019.
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