Cores da vestimenta de Tex

Por João Marin*

Arte de “Galep” colorida por Sérgio Streiechen

Quando falamos das cores dos trajes de Tex imediatamente vem à nossa mente: camisa amarela e calça azul. Essas são as cores mais utilizadas nas capas das revistas para a vestimenta, e que acabou se tornando um padrão.

A camisa amarela, entretanto, não foi a primeira a ser utilizada por Tex, assim como a calça azul. Na sua estreia na Itália, na “Collana del Tex” nº 1, de 30 de setembro de 1948, ele aparece com camisa vermelha e calça verde. Nas edições das primeiras séries dessa coleção (até 1953), as cores predominantes foram: camisa laranja e calça azul. No nº 27 da série verde, lançada em 9 de novembro de 1953, Tex é apresentado vestindo camisa amarela e calça azul.

Em 1949, na capa da “Raccolta a striscia” nº 1 – “IL FUORILEGGE” cuja imagem foi confeccionada em aquarela, Tex é retratado por “Galep” com a camisa na tonalidade amarelo escuro. Em Julho de 1952, no nº 1 do “Albo D’Oro” o personagem é mostrado vestindo aquele que seria o traje mais conhecido e utilizado: camisa amarela e calça azul.

A “Collana Tex Gigante” 2ª série, lançada em 1958, e que é a coleção normal de Tex na Itália, trouxe na capa do nº 1 o personagem vestindo camisa vermelha e calça verde (mesmas cores utilizadas na sua 1ª aparição). No nº 2 ele veste camisa vermelha e calça azul e, no nº 3, camisa amarela e calça azul. Duas cores de camisas predominaram inicialmente nessa coleção: a vermelha e a amarela.

No Brasil, a estreia de Tex, na Júnior nº 28, em 1951, foi com camisa laranja, e no logotipo da revista ele é representado vestindo camisa vermelha e calça azul.

As edições da Júnior não trouxeram nenhuma capa com Tex utilizando ao mesmo tempo camisa amarela e calça azul.

No nº 37, de 1951, o logotipo da revista apresenta Tex com camisa amarela, mas com calça preta.

As cores que mais se aproximaram das tradicionais utilizadas apareceu na nº 160, de 1953, onde ele é retratado com camisa laranja e calça azul.

A colorização e impressão das capas das revistas Júnior não eram das melhores e frequentemente ocorriam falhas, das mais diversas, ou utilizavam cores ou tonalidades de gosto duvidoso. Não havia um padrão e o personagem aparecia vestindo cores muito diversificadas, como por exemplo: camisa cinza/calça preta (Júnior nº 29); camisa azul/calça preta (Júnior nº 38); camisa vermelha/calça verde (Júnior nº 41); camisa verde/calça preta (Júnior nº 47); camisa branca (Júnior nº 169); calça amarela (Júnior nº 170); calça castanha (Júnior nº 182); calça branca (Júnior nº 200); camisa rosa (Júnior nº 208); calça laranja (Júnior nº 240); camisa e calça rosa (Júnior nº 255), etc.

Na segunda fase de Tex no Brasil, agora pela Editora Vecchi, que publicou o primeiro número em fevereiro de 1971, o personagem é apresentado com a vestimenta mais conhecida: camisa amarela e calça azul. Essa coleção, que continua sendo publicada ininterruptamente até hoje, tendo passado pelas editoras Vecchi, Rio Gráfica/Globo e Mythos, também apresentou, em muitas edições, o personagem com camisa vermelha ou com camisa azul, como por exemplo nas capas das edições nºs. 4, 5, 6, 8, 11, 13, etc. onde ele aparece com camisa vermelha; e nºs. 76, 77, 78, 79, 80, 81, 83, etc. onde usa camisa azul.

Curiosamente algumas poucas edições também trouxeram capas com variações nas cores, como por exemplo os nºs 07, 30, 61, 161 onde a camisa é apresentada na cor laranja, e os nºs. 74 e 75 em que veste camisa de tom esverdeado.

Atualmente Tex é apresentado nas publicações que são feitas em vários países sempre com camisa amarela e calça azul no seu traje tradicional, que se tornou uma espécie de marca registrada do personagem.

Tex nº 75 – 1ª edição – Editora Vecchi – Brasil

* Texto de João Marin publicado originalmente na Revista nº 11 do Clube Tex Portugal, de Dezembro de 2019.

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

A origem da deslumbrante ilustração de Tex da autoria de Aurelio Galleppini que a Editora Vecchi usou como capa de Tex nº 82, “Pat, o Irlandês”, em Dezembro de 1977

A deslumbrante e impactante ilustração de Aurelio Galleppini, o Mestre Galep, que foi usada pela Vecchi nas edições número 82 de Tex

Com a colaboração de Fabio Cenci e Marco Murineddu

Em Dezembro de 1977 a Editora Vecchi publicou a edição brasileira número 82 de Tex, intitulada “Pat, o Irlandês“, com a particularidade de o editor Otacílio D’ Assunção Barros (‘Ota’) ter usado uma capa inédita de Aurelio Galleppini (‘Galep’), que ainda hoje, quase meio século depois, muitos fãs e coleccionadores brasileiros e portugueses desconhecem a sua origem.

A deslumbrante e impactante ilustração do Mestre Galep, foi também usada pela Vecchi, no mês de Outubro do ano de 1982, em Tex – 2ª Edição número 82, embora com ligeiras diferenças, para pior, sobretudo no quesito coloração e qualidade, como podemos ver de seguida:

Tex 1ª edição nº 82 – 1977 – Editora Vecchi – Brasil & Tex 2ª edição nº 82 – 1982 – Editora Vecchi – Brasil

Motivado pela “questão” colocada recentemente pelo pard Rinaldo Pelissari aqui mesmo no Tex Willer Blog, num comentário  propósito de um texto dedicado a Pat, o Irlandês, onde o leitor escreveu “Uma curiosidade que sempre tive, de onde veio a imagem para compor a capa da edição nº 82. Pela pesquisa que fiz, não foi usada nas edições italianas.“, vamos hoje dar a conhecer a origem dessa Arte, até porque como dissemos anteriormente, é do conhecimento de muitos poucos leitores e coleccionadores.

Pois bem, com a ajuda, inclusive a nível de imagens, dos grandes coleccionadores italianos  Fabio Cenci e Marco Murineddu, informamos que nas edições italianas de Tex número 80 “Spettri!“ e Tex Tre Stelle (a primeira republicação oficial da colecção de Tex) número 40 “Il ponte tragico“, ambas as edições publicadas em Junho de 1967, constava no seu interior um anúncio onde se comunicava que Galep, o criador de Tex, quis dedicar a todos os leitores esta magnífica ilustração a cores, com o formato 16×21 e que facilmente poderia ser transformada num belo quadro.

O anúncio publicado nas edições de Tex, em Junho de 1967, referente à magnífica ilustração de Tex da autoria de Aurelio Galleppini

O anúncio publicado em Tex Tre Stelle número 40 Il ponte tragico, em Junho de 1967, referente à magnífica ilustração de Tex da autoria de Aurelio Galleppini

Perante o anúncio desta magnífica oferta por parte das Edizioni Araldo (o nome à época da actual Sergio Bonelli Editore) era de se supor que a ilustração fosse inserida numa edição de Tex, mas não o foi… foi inserida, como oferta, nas restantes edições publicadas pelas Edizioni Araldo  que foram publicadas nesse mês de Junho:
Zagor #24 “Le Jene del mare“
Il Piccolo Ranger #43; “Il sospetto!“
Storia del West #1; “Verso L’ignoto” (Collana Rodeo)
Il Comandante Mark #10; “Lo stregone bianco“

O anúncio publicado nas edições de Tex, em Junho de 1967, referente à magnífica ilustração de Tex da autoria de Aurelio Galleppini informando as edições onde sairia

O anúncio publicado em Tex Tre Stelle número 40 Il ponte tragico, em Junho de 1967, referente à magnífica ilustração de Tex da autoria de Aurelio Galleppini informando as edições onde sairia

A ilustração de Galep com as dimensões originais no número 1 da Storia del West

A deslumbrante ilustração de Galep

Esta fascinante Arte de Galep com Tex montado no seu cavalo empinado contra o fundo de uma paisagem típica do Velho Oeste, tornou-se intemporal e continua a ser apreciada (e publicada) ao longo das décadas e prova disso mesmo é ter sido usada, em Itália (e em outros países onde a colecção foi lançada), como capa do magnífico e histórico álbum de cromos lançado pela Panini, em 2015, intitulado Tex  – L’eroe del West:

A capa da caderneta de cromos Tex – L’eroe del West; Panini 2015

Mais recentemente, o ano passado, na comemoração dos 75 anos do mítico Ranger criado em 1948 por Gian Luigi Bonelli e Aurelio Galleppini, esta mesma ilustração também foi incluída numa colecção composta por cinco selos dos correios italianos pertencente à série temática “O Património artístico e cultural italiano”:

Selo sem valor postal reproduzindo uma ilustração icónica do protagonista empinado no seu fiel cavalo Dinamite numa paisagem característica do Velho Oeste

Selos comemorativos dos 75 anos; Correios de Itália

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

Porque Eu Leio Tex (Eve Lasch)

Eu leio Tex
Desde minha tenra infância,
Sempre tive ânsia de aventuras,
De viver com emoção:
Tex também me deu cultura
E amigos de coração

Com Tex ao meu lado
Nunca me faltou divertimento,
A magia povoou meus sonhos,
Deixei de ser tristonho e sem conteúdo:
Seu senso de justiça
Sempre pautou meus estudos

Dinamite não foi só um cavalo,
Seres de outros planetas,
Indígenas injustiçados,
Esses embalos me deram ousadia:
E se hoje luto por um mundo melhor
Muito devo a essa saga de Sabedoria

Saga do Velho Oeste,
Recheada de enredos e tramas,
Que retratam com drama
Esse Marco da História:
Sua tenacidade e bravura
Nunca me saem da memória

É por isso que Eu Leio Tex!
Quem curte suas aventuras
Não cede espaço pra esse mundo fútil,
Onde impera o vazio e a depressão:
Pois mais do que uma quimera
Em Tex Somos Todos Irmãos.