Raul e Gianluca Cestaro: Gémeos no Faroeste

Raul CestaroGianluca Cestaro

Os novos desenhadores texianos que vos apresentamos hoje são já vossos conhecidos: chamam-se Raul e Gianluca Cestaro, e decerto viram a sua obra nas páginas do Almanaque Tex #24 (Os Cavaleiros da Tempestade), Tex #440 (O Vale do Ódio) e Tex #441 (Golpe Sobre Golpe) da série inédita, editados respectivamente em Novembro de 2004 e em Junho e Julho de 2006 pela Mythos Editora. A julgar pelos comentários chegados à Sergio Bonelli Editore, foram de imediato “aprovados” pelos fãs do ranger. Assim, os dois irmãos estão já a trabalhar numa nova aventura de Águia da Noite, da qual vos antecipamos esta vinheta abaixo à direita, escrita por um novo “recruta” de fresquíssima nomeação, Tito Faraci, um argumentista bem conhecido do público bonelliano, de que falaremos numa das próximas rubricas.

TexPor agora, concentremo-nos nos dois gémeos nascidos em Nápoles em 26 de Fevereiro de 1975 e habituados desde sempre a trabalhar “a quatro mãos”.
Diplomados pelo Istituto d’Arte, os Cestaro (Gianluca e Raul) frequentaram também um curso de cenografia da Academia de Belas Artes da sua cidade e começaram a trabalhar no mundo da banda desenhada aos dezanove anos, com uma pequena história integrada na revista amadora “Il Fulmicotone”. O seu verdadeiro e próprio início profissional, acontece porém, em 1996, quando assinam com Giancarlo Alessandrini (o criador gráfico da personagem bonelliana, Martin Mystère), os desenhos de “Kid, una strana storia”, um álbum especial publicado pela Editora “Lo Scarabeo” por ocasião dos 100 anos dos fumetti (banda desenhada na Itália) na “Mostra” anual de Lucca.

Nesse mesmo ano, iniciam a colaboração com a Sergio Bonelli Editore, com um episódio de “Robinson Hart”, uma mini-série criada por Luigi Mignacco para a extinta série antológica “Zona X”. Em 2000, são “alistados” no staff do policial Nick Raider (ao seu trabalho se devem os números #158 e #175); em 2003, enquanto desenham para a Editora “Lo Scarabeo” as refinadas cartas coleccionáveis “Tarocchi della Nuova Visione”, levam a cabo finalmente a merecida passagem à “esquadra” do ranger, depois da editora lhes ter proposto a realização de algumas páginas de teste para Tex.

Tex a cavalo“A maior parte dos desenhadores que trabalham em par, dividem o trabalho, concentrando-se ambos na mesma página: assim, enquanto um traça o lápis, o outro passa a tinta-da-china, ou então um realiza os fundos e o outro os primeiros planos das personagens”, disse-nos Gianluca.
“Nós, pelo contrário, desenhamos separadamente, e cada um ocupa-se da própria página, que dividimos num modo muito simples: se Raul faz as pares, eu faço as ímpares e vice-versa. No final, porém, confrontamos tudo, de modo a controlar que a história esteja sem falhas. Sempre trabalhamos assim, mas devo admitir, que antes ou depois nos aprazaria trabalhar individualmente, procurando cada um o seu próprio estilo. Também aos leitores mais atentos não foge que, por exemplo, cada um de nós tem um modo ligeiramente diferente de pintar os desenhos”.

Tex e LilythPara os Cestaro, Tex representou também a descoberta de um novo género narrativo: “Com certeza, o western comporta uma atenção particular para os detalhes da época (as roupas, as armas, os cinturões, as rédeas…), para não falar dos cavalos; em compensação, porém dá-nos mais liberdade.
Nick Raider, por exemplo com a sua ambientação urbana contemporânea obrigava-nos a desenhar automóveis, prédios, estradas, usando esquadro e régua, obrigando a muita atenção nos detalhes técnicos. O mundo de Tex, com os seus cenários naturais sempre diferentes e sugestivos, permite-nos desenhar como gostamos, a mãos livres. Ficaremos felizes, também se, no futuro pudermos dar mais espaço ao lado do nosso estilo gráfico, mais grotesco e humorístico, como fizeram na Itália Giampiero Casertano e na Argentina, Enrique Breccia
“.

Texto de José Carlos Francisco, baseado na rubrica “Caro Tex…“, de Sergio Bonelli, inserida em Tex Nuova Ristampa nº 173 de 14 de Dezembro de 2006.
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Póster Tex Nuova Ristampa 21

Póster Tex Nuova Ristampa 21

Desenho da autoria de Claudio Villa, onde vemos Tex Willer agarrado por dois enormes guerreiros Zumas, uma raça de super-guerreiros criados graças a manipulações genéticas, que a mando de Vindex, um louco megalómano que pretendia criar um absurdo império, se preparam para levar Tex para trancá-lo com Carlos Herman numa cela subterrânea, onde ficariam a aguardar pelo seu destino.

Desenho usado no Brasil como capa de Tex Edição Histórica #22 e inspirado na história, “Il totem nel deserto” de G. L. Bonelli e Galleppini com a colaboração de Francesco Gamba (Tex italiano #34 e #35).
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Texto de José Carlos Francisco

Imprensa portuguesa em destaque no editorial de Tex Tre Stelle 514

Tex Tre Stelle 514Pela terceira vez e no curto espaço de menos de três anos,  o editor italiano de Tex e responsável pela editora com o seu nome, Sergio Bonelli, dedica mais um editorial de uma edição italiana de Tex, a Portugal, mais precisamente para falar do surpreendente (para ele) destaque dado pela imprensa portuguesa a Tex Willer. Desta vez, foi na edição #514 de Tex Tre Stelle, de Dezembro de 2006.

É mais uma prova inequívoca de que Sergio Bonelli,  que também no passado, usando o pseudónimo Guido Nolitta, escreveu histórias de Tex (e outras personagens) está a par do que vai acontecendo no nosso país no que diz respeito ao Tex, mesmo sendo Portugal um país onde Tex não é editado, como ele mesmo faz referência no seu texto que damos a conhecer abaixo a todos os interessados.

“Caros amigos,
para nossa grande surpresa, os jornais portugueses – não brasileiros, vejam bem – continuam a dedicar ao nosso Tex títulos com destaque como, por exemplo: “Tex continua a despertar emoções“, “Tex dá a descobrir mais um grande desenhador”. O desenhador de quem se fala é Miguel Angel Repetto, um mestre das BD argentinas que faz parte da nossa equipa desde 1993, e a quem se deve, entre outras, a história em duas partes publicada em Fevereiro e Março de 2006 na série italiana inédita. Mas o lado curioso do “caso” consiste no facto de que esse afectuoso interesse pelo nosso trabalho vem de um País no qual Tex não é publicado oficialmente: Portugal. A atenção de um certo número de leitores (cerca de mil) e da crítica é baseada nos exemplares que são enviados ao mercado português pelo editor brasileiro, contando com a semelhança da língua (como creio que já comentei anteriormente). O que também suscita esse interesse é a apaixonada obra de divulgação em terras portuguesas feita por um coleccionador excepcional que, embora trabalhe em outra área, oferece a sua preciosa consultoria à Mythos, a editora que há oito anos publica as revistas bonellianas no Brasil.
Uma recordação do amigo ZecaSeu nome é José Carlos Francisco (mas para os amigos é apenas “Zeca”), nosso activíssimo amigo que, há dois meses, veio nos visitar junto com o editor brasileiro, Dorival Vitor Lopes, e nos deixou uma foto – mostrada ao lado – que documenta sua inabalável fé texiana. E é justamente com as revistas de Tex, mas também com as de Zagor (outra personagem de quem acompanha as aventuras), que José Francisco aprendeu a falar e a escrever em italiano. Por isso, pode acontecer de se ler algumas participações suas nos fóruns de internet dedicados ao chefe branco dos navajos (www.texonline.it) e ao Rei de Darkwood (www.spiritoconlascure.it), nos quais os aficionados italianos costumam se encontrar para falar de banda desenhada. E mais: há pouco tempo um grupo de participantes desses fóruns encontrou-se bem abaixo das janelas da nossa redacção para cumprimentar o colega na sua visita a Milão. Nesse meio tempo, o incansável Zeca continua a escrever artigos centrados nos heróis e nos autores da Casa Bonelli: recentemente foram publicados no “BD Jornal” de Lisboa, com a sua assinatura, uma longa entrevista com Claudio Villa e um recordatório sobre o falecido Guglielmo Letteri. E há um mês o próprio José Francisco foi entrevistado por um jornal semanal português. O artigo que traz o resultado dessa conversa tem um título que diz tudo: “Tex é para mim um irmão mais velho e um amigo“. Obrigado, Zeca! Um abraço.
Sergio Bonelli.”

Texto traduzido por Julio Schneider, tradutor de Tex no Brasil e consultor Bonelliano da Mythos Editora.

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