Tex nº 9 – IL TRADITORE

Tex nº 9 – IL TRADITORE

Caros Texianos,
Notamos com prazer, através de alguns comentários aqui no blogue português do Tex, que não vos escapou a extraordinária iniciativa editorial recentemente lançada na Itália pela Sergio Bonelli Editore feita em colaboração com o quotidiano “Repubblica” e o semanário “L’espresso”.
A “Collezione storica a colori” (este é o seu título) apresenta – pela primeira vez inteiramente a cores – as clássicas aventuras de Tex realizadas por Gianluigi Bonelli e Aurelio Galleppini desde o longínquo ano de 1948, em elegantes volumes semanais de trezentas páginas e em grande formato. Também devido à maciça campanha promocional em redor, a colecção tem suscitado a curiosidade de muitos leitores italianos junto da casa matriz: nestes últimos meses, com efeito, a quantidade de correspondência que tem chegado à secretária de Sergio Bonelli tem notavelmente aumentado ao que conseguimos apurar.
A pergunta mais recorrente entre tantas, diz respeito ao esquema das novas capas (podem ver aqui a ilustrar este texto, duas capas correspondentes a dois volumes editados em Abril):
“Como jamais aconteceu, por exibirem a assinatura de Claudio Villa, as capas saídas até agora nesta colecção colocam em prática uma técnica totalmente diferente daquela usada nas capas da série inédita e nos “pósteres” incluídos em Tex Nuova Ristampa?
A observação, de todo exacta, não pode deixar de regozijar Sergio Bonelli pelo estilo usado para a ocasião por parte de Villa, já que corresponde a um seu preciso e particular pedido: querendo distinguir de qualquer outra precedente, nesta especialíssima proposta, Sergio Bonelli pediu a Claudio Villa, desenhador oficial das capas de Tex, para “inventar” uma técnica (mas também um tipo de enquadratura) que recordasse as primeiras vinhetas executadas por Galep nos anos cinquenta.
No imaginar do editor italiano deveria tratar-se de uma espécie de jogo entre o editor, o desenhador e os leitores, pensado para acrescentar um ulterior toque de novidade a uma colecção que, graças às cores, já se distingue de todas as outras. Mas quem pode responder melhor à pergunta se não o próprio Claudio Villa?
“A entrega deste trabalho foi precisa e fascinante … “ confessou-nos Claudio Villa. “Galep foi único e inimitável e para me achegar da sua atmosfera, tive que tirar do desenho cada traço do meu estilo, simplificar o traço, usar os esboços “quentes” que davam vida às suas rochas e limitar-me muito no quesito das vestimentas. O Galep daquele período era ágil e desembaraçado, arejado e nada estático; estudando-o, tenho por vezes uma sã inveja de como conseguia delinear com dois traços, um rosto, um gesto, uma paisagem. Para efeitos de comparação tenho debaixo de olho um outro grande nome da banda desenhada e a quem o mesmo Galep admirava: Alex Raymond. A época cultural, o gosto por um traço elegante e sintético, a pose plástica e dinâmica fazem parte do mesmo universo. É um prazer que atenua a fadiga, descobrir uma síntese gráfica do passado e reportá-la no presente. Assim, o jogo entre o editor, desenhador e leitores ao qual acenava a proposta inicial, pode tornar-se mais interessante: fazer reviver o Tex de Galep. Como se ele estivesse ainda aqui!”.
Texto de José Carlos Francisco, baseado na rubrica “Caro Tex…”, de Sergio Bonelli, inserida em Tex Nuova Ristampa nº 182 de 28 de Abril de 2007.
Argumento de Claudio Nizzi, desenhos e capa de Aldo Capitanio. Com o título original Il soldato comanche, a história foi publicada em Itália no Tex Albo Speciale nº 8 em 1995 e no Brasil pela Mythos Editora em 1999.
Apesar de estarmos em presença de um belo western, a verdade é que o argumento de O Soldado Comanche assenta em moldes de investigação policial, que bem poderia ser utilizado noutro qualquer género. O argumento de Nizzi poderia, por exemplo e sem grande dificuldade, ter sido escrito para Nick Raider, uma sua criação.
O autor italiano não pára de nos surpreender, não tanto pela originalidade imprimida a cada argumento, mas mais pelo desenvolvimento e pela riqueza de ambientes e personagens que apresenta, conseguindo, deste modo, prender sempre a atenção do leitor.
Neste Soldado Comanche porventura serão poucos a ser surpreendidos pelo desenlace final, mas Nizzi chama à trama todo um conjunto de valores humanos, como a amizade, a lealdade, a justiça e o amor, por um lado, contrapondo a características como a vingança e o racismo, por outro, que conferem ao argumento uma panóplia de situações e recursos que são dignas de realce.
Repare-se que o argumento começa por um pedido de ajuda do sargento Brickford a Tex, em nome de uma amizade e lealdade que sempre existiu entre os dois. O pedido tem por base um caso de amor protagonizado por Charlie e o que Brickford vem pedir a Tex nada mais é do que a realização de uma certa justiça. Por outro lado, o que está por trás da detenção e posterior perseguição a Charlie está intimamente ligado ao racismo (que sempre existiu no velho oeste entre brancos e índios). Ambas as partes pretendem uma certa vingança em nome do seu ideal de justiça.
O desenho de Capitanio consegue no final atrair-nos, uma vez que, confessamo-lo, não foi suficientemente sedutor na sua primeira impressão. No entanto, decorridas meia dúzia de páginas e deparamo-nos realmente com um traço pormenorizado e recheado de belíssimos detalhes.
A nossa reserva para com Capitanio advinha tão somente da figura de Tex, que continuamos a achar estar algo empobrecida, mas a riqueza da personagem, já o afirmámos bastas vezes, também tem a ver com esta capacidade de poder ser caracterizada no traço de uma variada gama de desenhadores.
Capitanio, apesar de Tex, sabe escolher cada perspectiva e cada ambiente, sabendo com isso transportar o leitor ao espírito do western, através de negros sublimes e personagens bem vincadas.
Uma nota final para a belíssima capa, na realidade e a nosso ver, uma das mais belas e conseguidas desta publicação.
Texto de Mário João Marques
Claudio Villa mostra-nos neste belo desenho, Tex Willer de Winchester numa mão e binóculos na outra, observando a vastidão do horizonte em plena paliçada de Forte Defiance, num dia com o céu nublado.
Desenho usado no Brasil como capa de Tex Edição Histórica #42 e inspirado na história, “I cacciatori di bufali” de G. L. Bonelli e Galleppini com a colaboração de Virgilio Muzzi (Tex italiano #82 e 83).
(Para aproveitar a extensão completa do póster clique no mesmo)
Texto de José Carlos Francisco