Fanzine “A Conquista do Oeste” – Maio/Novembro 2001 – Página 46 – “Heróis” do Oeste: Hopalong Cassidy

“HERÓIS” DO OESTE

“HOPALONG CASSIDY”

Fanzine “A Conquista do Oeste” – Página 46De 1930 a 1940 os filmes de “western” alcançaram um grande “boom”. Talvez devido aos artistas que interpretavam na tela, as várias figuras de “cow-boys”, mascarados, vingadores, “sheriffs”, marshalls”, etc. e que já tinham dado mostras das suas potencialidades artísticas, na época do Cinema mudo, os êxitos dessas películas estavam garantidos.

Assim, muitos actores, tais como Tom Mix, Buck Jones, Tim Mc Coy ou Ken Maynard, davam uma certa ideia da vida no Oeste, embora na altura se desconhecesse de como ela era na realidade, o que só viria a acontecer duas ou três décadas depois. Esses filmes eram realizados à média de dois ou três de cada vez, para evitar custos nas deslocações e os resultados, muitas vezes, não eram famosos. Mas a apetência dos espectadores para essa nova forma de entretenimento era tal, que todas as falhas ou deficiências eram toleradas.

Hopalong CassidyEm 1935 a Paramount lança uma nova série de filmes, com a personagem “Hopalong Cassidy”, baseada na figura criada por Clarence Edward Mulford. Rapidamente atingirá o seu apogeu no sucesso, por volta dos anos 40, mantendo-se assim, inalterável, durante essa década. Tal era devido ao carisma do actor, que interpretava a figura da personagem principal, William Boyd (um artista que já tinha trabalhado com Cecil B. De Mille, no tempo do Cinema mudo).

Um tal sucesso da série, levá-la-ia inevitavelmente à Banda Desenhada, o que acontece em Novembro de 1942, quando surgem as aventuras de “Hopalong Cassidy” na revista “Master Comics” nº 33, editada pela Fawcett. Mais tarde teria revista própria de 1943 a 1954, passando depois para as mãos da editora National Periodicals até 1959 e, posteriormente, para a Charlton Comics até 1965, terminando nessa altura. Apesar dos “comic-books” tentarem que as Histórias aos Quadradinhos da personagem fossem, da melhor qualidade (vários artistas ocuparam-se da série, entre ele, Gene Colan), seria nas páginas dos jornais que a série teria melhor apresentação.

Hopalong CassidyPara tal, William Boud, pessoalmente, contratou o jovem Dan Spiegle, saído da Escola das Artes, em 1949. No início Spiegle captou perfeitamente o espírito, a personalidade e o carácter do “herói”. “Hopalong Cassidy” não era nem “sheriff” nem “marshall” e nem sequer assumia o papel de cavaleiro errante do Oeste. Unicamente se apresentava como capataz do rancho “Bar 20”.

“Hoppy” em muitas das suas aventuras persegue os vilões e ladrões de gado. Uma vez vai do Texas, através do Colorado e Montana, até às canadian Rockies (numa viagem de 3000 quilómetros), na perseguição de 5 irmãos que tinham roubado o rancho “Bar 20”. Chega mesmo a embarcar para a Austrália, onde ajuda as autoridades locais a prender um bando, que aterrorizava o país, escapando à morte, quando é capturado por uma tribo de aborígenes.

Estes são alguns exemplos dos textos das histórias, escritos por Royal King Cole. A série atinge o seu maior êxito na sua arte, nos anos de 1952/1953, quando Spiegle desenha fabulosos cavalos e belas cenas de acção, com vinhetas concebidas de forma inteligente e onde as perspectivas não falhavam nos mínimos pormenores. A série viria a ser publicada em cerca de 200 jornais. Não há dúvida que a série se assemelhava aos filmes, ultrapassando algumas vezes aqueles em qualidade.

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Capas Aurelio Galleppini – Edições Tex “Normal” nº 21 a 25

Por José Rivaldo Ribeiro *

Capa original - Tex nº 95 – Setembro 1968Tex nº 21 – Os Renegados de Virgínia City
Publicação desta capa no Brasil: (Três vezes)
Esta capa segue a ordem original italiana!

Capa original: Tex nº 95 – Setembro 1968
História: Tex nº 95/96 – La Carovana dell’Oro

Tex nº 21 – Editora Vecchi – Novembro 19721º – Tex nº 21 – Editora Vecchi – Novembro 1972

Inicialmente peço desculpas a alguns amigos e a todos aqueles que estavam acompanhando essa maravilhosa tarefa que me foi dada pelo meu Amigo português José Carlos Francisco, pois devido a alguns assuntos pessoais estive afastado, mas estou de volta para falar de capas e curiosidades sobre Tex e sua revista no Brasil!
Só mesmo a mente brilhante de um dos Mestres da Nona Arte para nos presentear com mais de 1000 majestosas capas, uma melhor que a outra, pois como já falei anteriormente a capa é o invólucro da revista, uma boa capa chama a atenção até de alguém que não colecciona determinada revista!
Para quem acompanha as aventuras do nosso Ranger, a capa de Tex nº21 lembra-nos algumas cenas de várias aventuras vividas por Tex e seu pards; esta capa ilustraria bem a edição Tex Ouro#35 – Oklahoma recentemente publicado; outra capa de Galep que ilustraria melhor “Oklahoma”, inclusive melhor do que o original seria Tex nº 182, se bem que explosões e incêndios sempre fizeram parte das capas de Galep.
A Vecchi… Ah a Vecchi!!! Como bem diz o nosso Editor actual: – “Sem a Vecchi não estaríamos onde estamos.”; mesmo com erros, cortes, capas mal pintadas, etc, etc, as revistas dessa editora são e ainda continuarão sendo as mais raras e valiosas no mercado dos coleccionadores; existem muitos leitores que só coleccionam Tex da Vecchi, isso deixa as revistas mais escassas e consequentemente mais raras e valiosas mesmo com as suas falhas. E por falar em falhas, voltando à capa em questão, não basta ser um expert para notar que o homem caído ao fundo, tem a cor da roupa igualzinha à do Tex. Sseria uma moda da época? É claro que não passa de uma coloração equivocada, pois mesmo na capa original a cor das roupas estão iguais. Outro aparte curioso desta capa é um “borrado” de verde na roda da carroça. Reparem que preenche exatamente a cabeça da letra “L” da palavra “La” da capa original.
Apesar de o título ter sido adaptado na tradução da primeira série, a edição segue exactamente a ordem italiana capa/história. Já a Editora Globo ignorou a capa, mas traduziu o título literalmente “A Caravana do Ouro”; nas traduções adoptadas pelas Editoras, o critério usado é mesmo a “linguagem do momento”, pois no decorrer dos anos todo idioma sofre pequenas modificações ou modismos; a Globo costumava colocar em português palavras como; estábulos, armazéns, e até nomes de cidades, a Vecchi costumava deixar no original (em inglês) assim como a Mythos o faz .
Os Renegados de Virginia City/A Caravana do Ouro, pode ser lida em: TX#21; TX2E#21; TXC#140/141/142 e TXEH#54.

Tex nº 21 – Segunda Edição – Editora Vecchi – Janeiro 19792º – Tex nº 21 – Segunda Edição – Editora Vecchi – Janeiro 1979

Cores totalmente modificadas comparando-se com a 1ª edição!
Quem teve a oportunidade e o privilégio de comprar directamente nas bancas as revistas novinhas, talvez tenha deixado passar despercebidos alguns detalhes que para muitos não têm muita importância. A reedição desta capa, por exemplo, foi nitidamente redesenhada em alguns pontos, Tex perde até o traço de Galep em comparação à primeira edição, a relva é refeita e como já mencionado, a Vecchi no final da década de 70, parece que tinha adoptado por sua conta uma cor azul para a camisa de Tex.
Ainda faltam bastantes capas para que eu chegue ao nº 94 (Pacto de Sangue), mas pelo motivo de existir um anúncio da chegada de Tex#94 às bancas e tendo em mão essa edição, eu achei interessante algumas diferenças entre a capa anunciada e a que foi de facto para as bancas e para quem não sabe, essa foi também a primeira capa de Tex desenhada por um brasileiro. È isso!!

Tex Coleção nº 137 – Editora Globo – Junho 19983º – Tex Coleção nº 137 – Editora Globo – Junho 1998

Capa Tex Nuova RistampaApesar de ser fora de ordem, na capa com as nova cores adoptada no “Tex Nuova Ristampa”, deixaram a capa bem mais bonita e tirando o código de barras, está perfeita!

Capa original - Tex nº 129 – Julho 1971.

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Tex nº 22 – O Corcel Sagrado

Publicação desta capa no Brasil: (Quatro vezes)
Esta capa segue a ordem original italiana!

Capa original: Tex nº 129 – Julho 1971
História: Silver Star

Tex nº 22 – Editora Vecchi – Dezembro 19721º – Tex nº 22 – Editora Vecchi – Dezembro 1972

Uma das mais intrigantes capas de Tex, em minha modesta opinião, só mesmo o genial Galep para dar um ar tão real a uma simples cena nocturna; a imagem de alguém tocaiando Tex impressiona-nos; aliás, cada detalhe da capa é impressionante; reparem na sombra projectada pelo fogo nos galhos e na roupa de Tex. Mas afinal não passa de uma simples imagem para ilustração de capa, afinal, quem é o sujeito de tocaia? Na história em questão não existe tal cena!
Esta edição é raríssima por ser a primeira revista de Tex especial com 210 páginas, pois depois desta, a cada seis meses a Vecchi lançava edições especiais de férias ou de Natal, sempre com mais páginas. A capa desta edição é plastificada e há páginas com textos sobre livros da própria editora.

Tex nº 354Outro facto curioso que eu não poderia deixar de fora deste artigo é sobre Tex nº 354, capa com arte de Claudio Villa; reparem na impressionante semelhança das cenas (veja ao lado). Cigarros de palha com imagem de TexPara quem ainda não sabe, essa mesma capa virou assunto de Tribunal aqui no Brasil, pois foi parcialmente reproduzida por uma marca de cigarros não muito conhecida e sem a autorização da SBE; a empresa tabaqueira perdeu e teve que recolher e modificar a embalagem; o cigarro continua à venda em algumas tabacarias, contudo a cena foi modificada, mas ainda lembra bem o Tex. Este maço de cigarros vazio ou não, é hoje um valioso item de coleccionador. Mas se geralmente os maços de cigarros vêm embrulhados em pacotes, nesse caso o “embrulho” também reproduz a capa de Tex#354 e isso também o torna um item coleccionável, ou não? Se é que isso existe! Outra curiosidade, esta capa (Tex#354) foi publicada no Brasil antes da Itália!
Em tempo
:
Voltando a falar da raridade das revistas da Vecchi; que os nºs 1 a 37 são raríssimos devido à sua baixa tiragem, isso todo coleccionador já sabe, pois encontrá-las não é nada fácil; todo coleccionador também sabe que o formato desses números é um pouco maiors que o tradicional. Para ser mais directo, a Vecchi utilizou o (FP) Formato Pato (13.5×21cm) criado pela Editora Abril, em Abril de 1952, a partir do nº 22 da revista “O Pato Donald” e adoptado posteriormente por quase todas as editoras brasileiras. No disputado mercado das revistas, curiosamente os primeiros 37 números atingem valores estratosféricos; será também por causa da simples diferença de tamanho? Alguns coleccionadores afirmam que sim; não tem lógica!
O Espírito de Manitu/O Corcel sagrado, pode ser lida em: TX#22; TX2E#22; TXC#178/179 e TXEH#66.

Tex nº 22 – Segunda Edição – Editora Vecchi – Fevereiro 19792º – Tex nº 22 – Segunda Edição – Editora Vecchi – Fevereiro 1979

Cores totalmente modificadas, a primeira é inegavelmente bem melhor. A segunda edição, não teve 210 páginas, mas 192, a história não foi cortada, ocorreu que a matéria mencionada, não foi reproduzida na reedição.
Esta edição não publica o “Correio de Tex” talvez pela quantidade de páginas; afinal cartas em redacção de qualquer revista em quadradinhos, é apenas um termómetro de como anda a publicação.

Tex Coleção nº 73 – Editora Globo – Fevereiro 19933º – Tex Coleção nº 73 – Editora Globo – Fevereiro 1993

Cores bem diferentes das demais reedições desta capa.
A Editora Globo nessa época, não só na série Coleção, mas tambem na série Normal, estava ‘deturpando’ muito as cores das capas de Tex, neste caso com muito excesso de sombreamento. Reparem e comparem as diferenças entre TXC#179 e TXC#073. A edição traz a continuação da história “O Vale do Terror“ e nas últimas páginas o leitor pode ver fotos de “A galeria de Tex” – da exposição – A BALADA DE TEX que se realizou no Rio de Janeiro e em São Paulo (falarei mais tarde sobre tal exposição).

Tex Coleção nº 179 – Editora Mythos – Novembro 20014º – Tex Coleção nº 179 – Editora Mythos – Novembro 2001

Brilhantemente repintada, este número edita a segunda parte da história “O Corcel Sagrado/O Espírito de Manitu”. Sem os números impressos em cada quadradinho no final das páginas (vide 1ª ou 2ª edição), as edições originais não tinham mais o formato talão, porém os números nas páginas eram descrito no interior dos quadrinhos.

Capa original - Tex nº 84 – Outubro 1967Tex nº 23 – Tex, Vingador e Justiceiro
Publicação desta capa no Brasil: (Três vezes)
Esta capa segue a ordem original italiana!

Capa original: Tex nº 84 – Outubro 1967
História: Il Re Del Rodeo

Tex nº 23 – Editora Vecchi – Janeiro 19731º – Tex nº 23 – Editora Vecchi – Janeiro 1973

Nem precisamos prestar tentar atenção para termos a certeza de que nos primórdios da revista Tex, os títulos chamavam bem mais a atenção do que a cena de capa e este é um bom exemplo, mas, afirmo sem sombra de dúvidas que, qualquer leitor de Tex que se preze, não precisa de títulos gigantes ou capas impactantes para devorar uma historia. A propósito, o título “Vingador e Justiceiro”, não soa bem pra quem conhece o Ranger de hoje; para quem ainda não sabe ou mesmo algum veterano que esqueceu, nos primórdios de sua carreira (digamos assim), o famoso Ranger era uma mesmo uma espécie de justiceiro, era considerado um fora-da-lei. Nesse caso, o título adaptado pela Vecchi faz de fato jus ao seu passado. Esta capa mostrando Tex domando um cavalo selvagem é maravilhosa (são tantos os cavalos que aparecem nas capas e nas histórias de Tex que esta capa especial com Dinamite passa despercebida). Nesta edição, Tex narra uma história sobre o seu passado aos seus pards; como conheceu seu famoso cavalo Dinamite e claro como o ganhou num rodeio.
Portanto, esta capa tem tudo a ver com um trecho da história. A ilustração é belíssima, mas, mas por causa do espaço utilizado pela editora (SBE) pra ilustrar o preço, um pedaço da corda não aparece, (ver Tx2ª#149) o círculo cobre exatamente um pedaço da corda!
Em tempo: A aventura que abre a edição, é sem exagero, uma das mais importantes para os leitores que querem saber mais do passado do Ranger, é claro que tudo é contado pelo próprio Tex a Carson e Tigre e tudo que se irá ver são flashes do seu passado. É um pena que a Vecchi tenha cortado mais de 20 páginas desta épica história simplesmente para adaptar a quantidade de páginas e preço adequado; a melhor referência é mesmo lendo Tex Coleção e Tex Edição Histórica que trazem a história sem cortes; é claro que, se fosse às bancas conforme o original a história seria outra edição especial assim como a anterior, no caso edição de Natal e a editora quis “presentear” os seus leitores; talvez não quisesse repetir a dose em Janeiro e o jeito  mesmo, foi enganá-los!
Capa relançada curiosamente duas vezes na Segunda Edição pela Globo, o segundo lançamento sem nenhuma lógica; de qualquer forma foi o último suspiro da série.
Tex, Vingador e Justiceiro/O Passado de Tex, pode ser lida em: TX#23 TX2E#23; TXC#124/125/126 e TXEH#47.

Tex nº 23 – Segunda Edição – Editora Vecchi – Março 19792º – Tex nº 23 – Segunda Edição – Editora Vecchi – Março 1979

Cores modificadas, o resto da corda ficou de novo esquecida, mesmo numa capa redesenhada.
Em Tempo: Eu prefiro capas que façam de alguma forma referência às histórias, não necessariamente um quadro ou uma cena da aventura, mas uma cena que nos remeta àquela história lida. Na colecção Tex Edição Histórica compilada pela Globo e seguida pela Mythos, o desenhador/capista Claudio Villa abrilhanta o seu talento em capas espectaculares. A imagem desta edição é a reprodução fiel do terceiro quadradinho da página 135 (TEH) e página 145 (TX2ª). Sábia escolha, já que Galep já tinha usado Dinamite na ilustração da mesma história!

Tex nº 149 – Segunda Edição – Editora Vecchi – Março 19883º – Tex nº 149 – Segunda Edição – Editora Vecchi – Março 1988

Ultilizada em Tex Segunda edição nº 22 e 149, esta capa, curiosamente fechou, não com chave de ouro infelizmente, uma colecção que hoje é apreciada por muitos coleccionadores e desprezada por outros (eu sou um dos que aprecia), depois de reduzir o número de páginas e cortar partes das histórias a torto e a direita a  Globo resolveu findar esta colecção. Certamente não vendia mais como antes, e como poderia vender se a qualidade só caía? Pelo menos a história “O Anjo da Máscara de Ferro” foi concluída”.
Está aí algo que eu nunca entenderei mesmo. “Porque a Globo republicou esta capa?” Não faz sentido algum!! Acho que a editora, claro, já sabia que a revista seria cancelada. Até à edição nº 147 a revista mantinha 116 páginas, somente as edições 148 e 149 tiveram  84 páginas (incluindo as capas). Depois do “pulo” de Tex#135 e de ter fixado o numero de páginas, a série tornou-se uma verdadeira bagunça; o facto de ter dividido a última história em duas partes, tinha o propósito de reorganizar ou cancelar a colecção (uma vez que a série normal tem como numero 149 a história A Máscara de Ferro), sendo assim, apartir da edição 150 tudo “voltaria” ao normal. Eu fico com a segunda opção!
Em Tempo: Esta edição em si não tem muito de especial, mas é uma verdadeira raridade, bem como alguns números anteriores a este. Vale por ser muito bonita, por mostrar o pedaço da corda que ficou faltando e por finalmente utilizar cores actuais.
Capa Tutto TexSe o “Tutto Tex#84” é datado de Agosto 1990 e Tex Segunda Edição#149 é de Março de 1988,  isso significa que tivemos o privilégio de ver esta capa actualizada antes da Itália, ou estou enganado?
Mas fica aí outra questão (minha), se a SBE mandava fotolitos para a Globo porque a Vecchi redesenhava as capas da  Segunda Edição?

Capa original - Tex nº 86 – Dezembro 1967Tex nº 24 – O Misterioso Mister “P”
Publicação desta capa no Brasil: (Três vezes)
Esta capa segue a ordem original italiana!

Capa original: Tex nº 86 – Dezembro 1967
História: Rio Verde

Tex nº 24 – Editora Vecchi – Fevereiro 19731º – Tex nº 24 – Editora Vecchi – Fevereiro 1973

Quem já leu sobre Bonelli e Galleppini sabe bem que muitas cidades e lugares comentados nos quadradinhos de facto existem ou existiram, como é o caso do título (Rio Verde – Green River) citado nesta capa.
Sabemos que a Globo republicava desordenadamente as suas capas na série Tex Coleção, porém, seguindo o seu ‘padrão’, algumas capas foram publicadas duas vezes em Tex ‘normal’ mesmo, ou seja, na mesma série, e é claro, fora de ordem. É o caso de Tex #273 que reproduz a capa do nº 24. Esta e algumas outras que ainda estão por vir; não tenho certeza, mas imagino que devia ser por falta de material inédito.
Em tempo: O Misterioso Mister “P”, trata-se de uma bela caça ao bandido nos moldes Tex e Carson que já conhecemos; a Vecchi dificilmente usava os mesmo títulos das capas originais italianas, criavam ou escolhiam títulos com mais impactos para os olhos dos leitores; certamente “Rio Verde”, título original desta capa, não soasse bem e eu até concordo; também, não havia a mãe net para dar-lhes preciosas informações como estas.
O Misterioso Mister “P”, pode ser lida em: TX#24; TX2E#24; TXC#128/129 e TXEH#49.

Tex nº 24 – Segunda Edição – Editora Vecchi – Março 19792º – Tex nº 24 – Segunda Edição – Editora Vecchi – Março 1979

Cores modificadas: da camisa e fundo azul. Confesso que as cores desta capa estão melhores adaptadas do que mesmo as da primeira edição. O Misterioso Mister “P” foi uma óptima escolha da Vecchi para ilustrar a capa, e não é adaptação, é tradução literal mesmo; a SBE preferiu utilizar “Rio Verde” da aventura anterior, pois a história   Il misterioso Mister ‘P’, tem início na página 32 de TEX#86 italiano.

Tex nº 273 – Editora Globo – Junho 19923º – Tex nº 273 – Editora Globo – Junho 1992

Cores modificadas. Em minha opinião a Globo acertou em cheio nas cores desta nova versão de capa; notem que o fundo da capa original é verde e manteve-se na mesma cor nas três séries italianas; eu desconheço horizonte verde! Mas não sei o critério usado na época, hoje as capas são bem rebuscadas, alguns horizontes até parecem fotografias; maravilhas da tecnologia!
O título desta capa “Pegadas na Areia”, talvez seja pela imagem que foi escolhido, pois encaixa direitinho, afinal Tex está dentro de um rio com o seu cavalo e ao saírem deixarão as pegadas na areia. É um palpite!

Capa original - Tex nº 83 – Setembro 1967Tex nº 25 – A Lança Sagrada
Publicação desta capa no Brasil: (Duas vezes)
Esta capa segue a ordem original italiana!

Capa original: Tex nº 83 – Setembro 1967
História: L’enigma della Lancia

Tex nº 25 – Editora Vecchi – Março 19731º – Tex nº 25 – Editora Vecchi – Março 1973

Confesso que não sou muito fã de capas onde aparecem sangue, tortura, cruzes, cadáveres ou coisas do género; coisa minha! Aos 12 anos conheci o fabuloso mundo dos quadradinhos; tardiamente confesso eu; ops! Não aqui, isso fica para uma certa entrevista; para uma criança (diga-se criança alguém com menos de 12 anos), armas de fogo, ou mesmo brancas quando utilizadas, tortura, dor, guerras, tiros, sangues, sexo, devem passar longe dos quadradinhos e por esse motivo esse tipo de revistas são tidas como “infantis” (o que não é o caso de Tex). A morte é citada de forma mais informativa, eu diria, dor, só de dentes ou de barriga ou quando aparece tem um sentido mais inocente, como nas aventuras de Penadinho, Gasparzinho, Mônica, Luluzinha etc. Mas isso não quer dizer que crianças com menos de 12 anos não leiam Tex.  Eu lembro-me de uma história do Ranger que me deixou arrepiado, um sanguinário bandido torturava até à morte outro bandido que sequestrara um garoto, o torturador sentia prazer em ouvir os gritos de dor enquanto escalpelava a sua face com uma faca e, só se ouvia, ops, se lia, os gritos de dor do torturado; brilhantemente o desenhador não mostrava detalhes.
Esta capa não deixa de ser espectacular; mas vamos esclarecer um facto, seria bem mais fácil falar de capas e histórias se as editoras tivessem seguido alguma ordem correta, seja de capas ou histórias; que me perdoem os amigos, mas não seguir nenhuma ordem, enfim…
Em tempo: “A Lança Sagrada”, Tex#25, belíssima história de Letteri, aliás, utiliza a ilustração da capa do Tex #083 italiano; por incrível que pareça a imagem de Tex observando essa/e cruz/túmulo, pertence à famosa história “Tex Contra Búfalo Bill” (no Brasil Tex#28) concluída nas primeiras páginas do Tex#083 italiano. O defunto da capa é o bandido Jed, caçado por Tex , Tigre e Búfalo Bill; da página 8 à 114 começa “O Enígma da Lança / A Lança Sagrada” (que abre e fecha a edição nº 25 brasileira) e nas últimas 15 páginas dessa, dava-se início a história “O Passado de Tex”. Outro facto curioso desta capa,  é que ela nos faz lembrar aquela capa em que Tex observava o túmulo de sua amada Lilith; e mesmo pela forma como ele observa a cruz, parece que ali jaz um amigo, se bem que Tex respeita a morte e seus adversários.
A Lança Sagrada/O Enigma da Lança, pode ser lida em: TX#25; TX2E#25 TXC#123/124 e TXEH#48.

Tex nº 25 – Segunda Edição – Editora Vecchi – Abril 19792º – Tex nº 25 – Segunda Edição – Editora Vecchi – Abril 1979

Cores ‘de novo’ absolutamente diferentes da primeira série.
Este número além do Correio do Tex, trás também Classificados do Tex, uma espécie de feira para quem queria trocar, vender ou comprar revistas do personagem.

Capa Tutto TexNem roxo ou azul, muito menos cor-de-rosa; a cor definitiva de fundo desta capa é um alaranjado tipo fim de tarde, versão essa que nunca foi publicada no Brasil.


* José Rivaldo Ribeiro é um grande coleccionador brasileiro de banda desenhada, tendo participado activamente de pesquisas para edições, blogues e sites referentes a BD de diversos géneros!
Considera-se um crítico de banda desenhada e é também leitor e coleccionador de Tex.

Dylan Dog, Martin Mystère (de Tiziano Sclavi e Alfredo Castelli) e Tex em grande destaque na revista LER nº 65: Inverno 2004/2005

Texto da secção Livros do Trimestre (Banda Desenhada) nº 65, de Dezembro 2004
João Ramalho Santos


As sequências rebeldes

As sequências rebeldesOnde se pode encontrar banda desenhada? A resposta a esta pergunta é a mesma que se repete quando se referem muitas outras coisas. A BD está em toda a parte. Dos panfletos e manuais para montar móveis, ensinar línguas ou accionar complexos electrodomésticos, às livrarias, passando por paredes, ruas e passeios. Mesmo, por vezes, pendurada em molas, encaixada em estruturas caóticas de metal, sujeita às intempéries, escondida entre brindes vendidos com jamais e revistas. Nos quiosques.

Por aí se recomendam os clássicos das Obras-Primas da BD Disney (com trabalhos de Don Rosa e Carl Barks); ou o fenómeno W.I.T.C.H., boa descoberta para pré-adolescentes que talvez cheguem ao Harry Potter ou aos Cinco. Porém as propostas mais interessantes neste contexto são as que chegam de Itália, via Brasil. Fumetti da Bonelli Comics distribuídos em Portugal pela Mythos Editora, que é uma aventura descobrir no reino do efémero que são os escaparates dos quiosques. Estamos a falar de livrinhos que o leitor terá muita dificuldade em encontrar; o tempo de distribuição é curto, o trimestre longo. E talvez um leitor paciente encontre outros números, outras aventuras. Pode ser que valha a pena. Vale a pena, de certeza, agradecer a José Carlos Francisco, representante da Mythos em Portugal, que revelou antecipadamente aquilo que talvez ainda por aí espreite e espere, suspenso.

Tiziano Sclavi
Dylan Dog
Alfredo Castelli
Martin Mystère
Bonelli/Mythos, 2004

Tiziano Sclavi - Dilan Dog e Alfredo Castelli - Martin MystèreAs fundações da Bonelli, um autêntico império de BD em Itália, radicam em dois pressupostos que se repetem nas (muitas) séries da editora: a definição arquetípica de personagens e a submissão a um esquema de narratividade extrema, que enquadra uma história para contar e orquestra o desenho no sentido de o fazer de forma clara e  «legível». É interessante notar que, considerando estas características os fumetti da Bonelli se aproximam da BD franco-belga na exacta medida em que se afastam dos comics norte-americanos. E vice-versa. Se o estilo gráfico, narrativo e temático tem referências franco-belgas, a produção quase em série lembra mais o folhetim, ou o ritmo dos comics (e não serão casuais alguns pontos de partida de Umberto Eco ao discutir uns e outros). Ou seja, alguma repetitividade que se encontra nas histórias cíclicas de super-heróis surge contrabalançada pela ausência de elementos óbvios de fantasia e role play.

Por outro lado, se Charlier condensava vários westerns numa só aventura de Blueberry, basta começar a ler o Tex da Bonelli para perceber o que significa a produção em massa. Enunciado desta maneira parece estarmos em presença de uma receita inevitável para fazer artesanato sem arte. Pior, artesanato industrial. Este assunto é mais um cavalo de batalha do que uma discussão séria. Muita da pior banda desenhada que se faz é comercial, mas alguma é, também, alegremente independente e alternativa. Mesmo que se considerem as revistinhas da Bonelli/Mythos um antro de comercialismo, qual é o problema? Simplicidade arquetípica não é o mesmo que simplismo formulista. Na verdade, aquilo que surpreende na Bonelli é a qualidade média extremamente elevada das suas histórias (embora o formato disfarce, pela redução, alguns grafismos medíocres). E é sempre bom haver um mainstream para iniciar leitores e, até, para ajudar a definir a que nível se propõem as tais alternativas.
Já agora note-se que, em termos de BD portuguesa o que predomina há muitos anos (excluindo alguma BD histórica) é o «alternativo». O que é hoje o mainstream, senão José Carlos Fernandes?

Ler nº 65Mas adiante. Nos comics da Bonelli Tex é ainda a grande referência, até por ser escrito muitas vezes pelo próprio Sergio Bonelli (sob o pseudónimo Guido Nolitta). O grande problema desta personagem é ter um alcance demasiado lato, ser escrita por demasiados argumentistas, e ser protagonista de demasiadas aventuras. Dependendo das circunstâncias, Tex pode ser xerife, detective, justiceiro, cowboy, agente junto dos índios, e, até, de modo muito pouco credível, chefe índio. No campo do western a Bonelli lançou ainda outras personagens, como o índio Mágico Vento, Ken Parker ou Zagor, que, por terem um limite de acção mais definido, acabam por ser mais convincentes enquanto personagens complexas. Tex é o típico cowboy-herói sem grandes cambiantes ou lados escuros (mais Super-Homem do que Batman), logo, pouco dado a surpresas. Estas surgem, apesar do sabor formulista de muitas histórias, através do tom humanista completamente desprovido de cinismo, mas que não cede a enredos demasiado açucarados. Se o leitor nunca sente o herói em perigo, há sofrimento e crueldade realistas, e as personagens secundárias são sempre construídas com um rigor e uma complexidade que escapam muitas vezes ao próprio Tex, mesmo quando o argumento prevê uma morte rápida. Como exemplo do melhor, veja-se o Tex Anual n° 4, Em Território Selvagem, uma aventura complexa e muito bem delineada que mescla vários dos elementos característicos da série, e em que o argumento de Mauro Boselli tem a excelente fortuna de encontrar o desenho de um dos maiores autores espanhóis, Alfonso Font (Clarke & Kubrick, John Rohner).

Tiziano Sclavi - Dilan Dog e Alfredo Castelli - Martin Mystère (continuação)Apesar da dominância de Tex, as duas personagens mais interessantes da Bonelli em Portugal são, de um ponto de vista pessoal, e apesar dos nomes gongóricos, Martin Mystère e, sobretudo Dylan Dog. Ambas são reflexo da imaginação (e trabalho narrativo) de bons argumentistas (Alfredo Castelli e Tiziano Sclavi, respectivamente), que, regra geral, contam com desenhadores acima da média (mais no caso de Dylan Dog), capazes de animar dois mundos misteriosos ricos e coerentes, dentro das respectivas impossibilidades. Para gáudio de leitores que partilham as mesmas referências, ambos são também exímios na citação obscura. Martin Mystère vai beber à tradição clássica do mistério, variante ficção científica. Acompanhado pelo seu amigo Java, um homem de Neanderthal, o «detective do impossível» revisita nos últimos números (22 a 24) a Atlântida, Mu e a ilha de Páscoa, sob a sombra tutelar de Júlio Verne e do capitão Nemo.

Já o universo de Dylan Dog deriva da literatura de mistério, variante terror, com passagem por The Twilight Zone e The Outer Limits, com chegada previsível a The X-Files. O auxiliar do herói é aqui Groucho Marx em pessoa, o que trai, desde logo, o uso excelente de humor cínico com que Sclavi pontua uma narrativa de possessão maligna (número 20), ou uma excelente história tétrica de crime e castigo com estranhos contornos temporais (número 19). Note-se que, tal como em Tex (mais ainda, dada a temática), quer Dylan Dog, quer Martin Mystère fogem de finais demasiado felizes e reconfortantes, mesmo para os seus heróis; ou seja: mantêm o realismo possível dentro da irrealidade em que se movem. Uma imagem de marca que ajuda os fumetti da Bonelli a evitar os estereótipos dos piores comics. Da pior banda desenhada.

Copyright: © 2004 LER; João Ramalho Santos
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