Fanzine “A Conquista do Oeste” – Maio/Novembro 2001 – Páginas 92 a 95 – As séries de “western” na TV

AS SÉRIES DE “WESTERN” NA TV

Fanzine “A Conquista do Oeste” - Página 92Forma de espectáculo genuinamente norte-americana, as séries de TV (mais conhecidas como telefilmes), têm vindo a passar de geração para geração e o seu sucesso tem-se igualmente mantido, com altos e baixos, conforme a sua qualidade e temas abordados. Algumas destas séries chegam a durar vários anos e a ganhar, anualmente, vários prémios.
Do mesmo modo que as séries de TV, que terão o seu “boom” nos anos cinquenta, também os “comic-books” que passariam a ser editados, em paralelo com as séries e desenhadas de modo a representarem em Histórias aos Quadradinhos as aventuras vividas no pequeno ecrã, viriam a atingir grande êxito a partir dessa década. E, muitas vezes, a série acabava mas as revistas continuavam a sair regularmente, ainda durante mais alguns anos.

A seguir vamos indicar algumas das séries que surgiram na Televisão sobre o tema do “Western”, e que seriam adaptadas para os “comic-books”. Trata-se de uma pequena informação, já que ser exaustivo nestes assuntos, não é nada fácil. No entanto, será já um passo para que os leitores possam ter uma ideia do que apareceu:

– “Annie Oakley” (1952-1956). Intérpretes Gail Davis e Brad Johnson. A Dell editou um comic-book” de 1953 a 1959, num total de 18 números com textos de Phil Evan, Eric Freiwald e Robert Schaefer e desenhos de Erni Nordli e Dan Spiegle.
Cisco Kid– “Bat Masterson” (1958-1961). Intérprete Gene Barry. A Dell editou uma série de “comic-books”, num total de 9, de 1958 a 1961 com textos de Gaylord DuBois e desenhos de Jerry Robinson. Existe uma versão em tira e página dominical.
– “The Big Valley” (1965-1969). Intérpretes Barbara Stanwyck e Richard Long. A Dell editou a revista de 1966/1969, com 6 títulos. Os desenhos eram de Tom Cooke, Jose Delbo, Frank Springer e Frank Bolle.
– “Bonanza” (1959-1973). Intérpretes Lorne Greene, Pernell Roberts, Michael Landon e Dan Blocker. As Dell/Gold Key editaram 37 exemplares de 1960/1970, com textos de Gaylord DuBois, Paul S. newman e desenhos de Tom Gill e Herb Trimpe.
– “Brave Eagle” (1955-1956). Intérpretes Keit Larsen e Keena Nomkeena. A Dell editou de 1956/1958 em cinco números e com desenhos de Dan Spiegle, as suas aventuras.
– “Broken Arrow” (1956-1958). Intérpretes Michael Ausara e John Lupton. A Dell editou só dois números, de 1957/1958, com textos de Otto Binder. Desconhecemos o desenhador.
– ”Bucksin” (1958-1959). Intérpretes Tommy Nolan e Sallie Brophy. A Dell editou o seu “comic-book”, só com dois números também, em 1959/1960, com textos de Eric Freiwald e Robert Schaefer e desenhos de Sparky Moore.
Buffalo Bill– “Buffalo Bill Junior” (1955). Intérpretes Dick Jones e Nancy Gilbert. A Dell editou 13 números de 1955 a 1959, com textos de Gaylord DuBois e Paul S. Newman e desenhos de Bob Correa e Mike Sekowsky.
– “Cheyenne” (1955-1963). Intérprete Clint Walker. A Dell publicaria 25 “comic-books” de 1956/1962, com textos de Paul S. Newman e desenhos de Tom Gill.
– “Cimarron Strip” (1967-1968). Intérpretes Stuart Whitman e Randy Boone. A Dell só publicou um único número em 1968, com desenhos de Jack Sparling.
– “Circus Boy” (“O Rapaz do Circo” – Um “western” de rapazes) – (1956-1958). Intérprete Mickey Braddock. A Dell publicaria 41 números com as suas aventuras de 1950/1958. Os textos eram de Rod Reed, Bob Jenney, Paul S. Newman e os desenhos igualmente de vários autores, Bob Jenney, Alberto Giolitti e Al McWilliams. Existe uma tira diária datada de 1951 a 1968, com textos de Rod Reed e desenhos de Jose Luis Salinas.
– “Colt 45” (1957-1960). Intérprete Wayde Preston. A Dell editou de 1958 a 1961, 9 revistas apenas, com textos de Eric Freiwald e Robert Schaefer e os desenhos de Dan Spiegle e Alex Toth.
– “Cowboy In Africa” (1967-1968). Intérprete Chuck Connors. A Gol Key editou um único número em 1968, com textos de Paul S. Newman e desenhos de Alberto Giolitti.
– “Custer(The Legend of…)” – (1967). Intérprete Wayne Maunder. A Dell publicou em 1968, um único número também, com desenhos de Jack Sparling.
Daniel Boone– “Daniel Boone” (1964-1970). Intérpretes Fess Parker e Ed Ames. A Gold Key publicou 15 “comic-books”, de 1965 a 1969. Os textos eram de Paul S. Newman e os desenhos de Fred Fredericks, George Tuska e Mlke Roy.
– “Davy Crockett” (1954-1955). Intérpretes Fess Parker de novo e Buddy Ebsen. A Dell publicou 4 números com as suas aventuras em 1955. Os textos eram de Robert Turner e Paul S. Newman e os desenhos de Jess Marsh e John Ushler.
– “The Deputy” (1959-1961). Intérprete Henry Fonda. A Dell publicou as suas aventuras de 1960 a 1961, com 3 únicos números. Os textos eram de Paul S. Newman e os desenhos de Jack Sparling e John Buscema.
– “Frontier Doctor” (1958). Intérprete Rex Allen. A Dell publicou um título em 1958, com desenhos de Alex Toth.
Davi Crockett– “F. Troop” (“western” cómico) – (1965-1967). Intérpretes Forrest Tucker e larry Storch. A Dell publicou 7 “comic-books” de 1966 a 1967, com textos de Paul S. Newman (prolífero argumentista) e desenhos de Tony Tallarico.
– “Fury” (1955-1966). Intérpretes Bobby Diamond e Peter Graves. A Dell publicaria 11 números de 1957 a 1962, com textos de Paul S. newman e desenhos de Tom Gill.
– “Gene Autry” (1950-1956). Intérpretes Gene Autry e Pat Butram. A Dell editou de 1943 (já havia filmes) a 1959, 121 “comic-books” com textos de Kellog Adams, Eleanor Packer, Gaylord Du Bois, Eric Freiwald e Robert Schaefer (trabalhavam sempre juntos), Robert Ryder, Phil Evans e Paul S. Newman e os desenhos de Pete Alvarado, Tom Cooke, Nat Edson, Nicholas Firfires, Till Goodan, Jess Marsh e Doug Wildey. Existe uma série de tiras e páginas dominicais criadas de 1952 a 1955, com textos de Phil Evans e desenhos de Bert Laws, Tom Cooke, Pete Alvarado e Mel Keefer.
Gene Autry– “Gunsmoke” (1955-1975). Intérprete James Arness. As Dell/Gold Key editaram em 1955-1961/1969, 27 números da primeira série de 6 da segunda, com textos de Paul S. Newman, Leo Dorfman, Eric Freiwald e Robert Schaefer e desenhos de Alberto Giolitti, Giovanni Ticci e Mike Sekowsky.
– “Have Gun, Will Travel” (1957-1963). Intérprete Richard Boone. A Dell editou 14 revistas de 1958 a 1962, com textos de Paul S. Newman e desenhos de Alberto Giolitti e Giovanni Ticci.
– “The High Chaparral” (1967-1971). Intérpretes Leif Erickson, Linda Cristal e Cameron Mitchell. A Dell editou um único número em 1968, com as suas aventuras, com desenhos de Warren Tufts e Nat Edson.
Fanzine “A Conquista do Oeste” - Página 93– “Hopalong Cassidy” (1949-1954). Intérprete William Boyd. A Fawcett editou, de 1943 a 1953, um total de 85 “comic-books” e a DC outros 50, de 1954 a 1959. Os textos eram de John Broome e Gardner Fox e os desenhos de Gil Kane. Existe uma série de tiras e páginas dominicais, realizadas de 1949 a 1955, com desenhos de Dan Spiegle.
– “Hotel de Paree” (1959-1960). Intérprete Earl Holliman. A Dell editou em 1960 um só número, com as suas histórias, com textos de Gaylord DuBois e desenhos de Mike Sekowsky.
– “Iron Horse” (1966-1968). Intérprete Dale Robertson. A Dell editou duas revistas em 1967. Desconhecemos os autores.
– “Johnny Ringo” (1959-1960). Intérprete Don Durant. A Dell editou igualmente um único número de “comic-book” em 1960, com desenhos de Dan Spiegle.
– “Lancer” (1968-1970). Intérpretes Andrew Duggan e James Stacy. A Gold Key editou 3 “comic-books” em 1969, com desenhos de Luis Dominguez.
Hopalong Cassidy– “Laramie” (1959-1963). Intérpretes John Smith e Robert Fuller. A Dell, de 1960 a 1962, editou 3 números, com textos de Eric Freiwald e Robert Schaefer e Paul S. Newman e desenhos de Dan Spiegle e Jack Sparling.
– “Laredo” (1954-1974). Intérpretes Neville Brand e Peter Brown. A Gol Key editou um número em 1966, com desenhos de Alberto Giolitti e Giovanni Ticci.
– “Lassie” (1954-1974). Intérpretes Tommy Retting, Jon Provost e Robert Bray. Embora não seja uma verdadeira história do Oeste, alguns episódios aproximam-se do tema. As Dell/Gold Key editaram de 1959 a 1970, um total de 70 números com as suas aventuras, com textos de Gaylord DuBois, Kellog Adams, Leo Dorfman, Eric Freiwald, Kermit Schaefer e Paul S. Newman e os desenhos de Morris Gollub, John Lehti, Sam Citron, Matt Baker, Bob Forgione, Ralph Mayo, George Wodbridge, Jerry Robinson, Bob Fujitani e Warren Tufts.
Buck Jones, Cisco Kid, Tonto e The Hawk– “The Lawman” (1958-1962). Intérprete John Russell. A Dell editou de 1959 a 1962, 11 “comic-books”, com textos de Eric Freiwald e Robert Schaefer, Robert Ryder e Paul S, Newman e os desenhos de Dan Spiegle.
– “The Legend of Jesse James” (1965-1966). Intérpretes Chris Jones e Allen Case. A Gold Key editou um único “comic-book”, com desenhos de Dan Spiegle.
– “ The Lone Ranger” (1949-1957). Intérpretes Clayton Moore e Jay Silverheels. As Dell/Gold Key editaram de 1948 a 1977, 145 números da 1ª Série e 28 da segunda, com textos de Gaylord DuBois, Kellog Adams, Paul S. Newman e John Warner e os desenhos de Keats Petree, Jim Christiansen, Tom Gill, Ted Galindo, Bill Martin, Herb Trimpe, Frank Bolle e Don Heek.
– “Mackensie’s Riders” (1958). Intérprete Richard Carlson. A Dell lançou um único “comic-book” desta série em 1960, com desenhos de Jess Marsh.
– “Maverick” (1957-1962). Intérpretes James Garner, Jack Kelly e Roger Moore. A Dell lançou 19 títulos de 1958/1962, com textos de Eric Freiwald e Robert Schaefer e desenhos de Dan Spiegle, Alex Toth e Gene Colan.
– “The Monroes” (1966-1967). Intérpretes Michael Anderson Jr. e Barbara Hershey. A Dell também lançou um número em 1967, com desenhos de Jack Sparling.
Fanzine “A Conquista do Oeste” - Página 94– “The Nines Life of Elfego Baça” (1958-1960). Intérprete Robert Loggia. A Dell editou 7 números de 1959 a 1960, com textos de Eric Freiwald e Robert Schaefer e desenhos de John Ushler e Sparky Moore.
– “The Ranger Ride” (1951-1953). Intérprete Jock Mahoney. A Dell editou 24 revistas de 1952 a 1959, mas desconhecemos os autores.
– “Rango” (1967). Intérprete Tim Conway. A Dell publicou um “comic-book” de 1967, de autores desconhecidos.
– “Rawhide” (1959-1966). Intérpretes Eric Fleming e Clint Eastwood. As Dell/Gold Key editaram de 1959 a 1964, cinco números com textos de Eric Freiwald e Robert Scheafer e Paul S. Newman e desenhos de RussManning.
– “The Rebel” (1959-1961). Intérprete Nick Adams. A Dell publicaria de 1960/1961 quatro “comic-books”, com textos de Gaylord DuBois e desenhos de Mike Sekowsky.
Pawnee Bill– ”The Restless Gun” (1957-1959). Intérprete John Payne. A Dell editou cinco revistas de 1958/1960, com textos de Eric Freiwald e Robert Schaefer e desenhos de Dan Spiegle.
– “The Rifleman” (1958-1963). Intérprete Chuck Connors. As Dell/Gold Key editaram de 1959 a 1964, 20 números com textos de Eric Freiwald e Robert Schaefer (outros dois prolíferos argumentistas) e Paul S. Newman. Os desenhos eram de Alex Toth, Dan Spiegle e Warren Tufts.
– “Rin Tin Tin” (1954-1959). Intérpretes Lee Aaker, Jim L. Brown e Joe Sawyer. A Dell editou 38 títulos de 1952 a 1961, com textos de Kellog Adams, Eric Freiwald e Robert Schaefer e os desenhos de Sparky Moore.
– “Roy Rogers” (1951-1957/1962-63). Intérpretes Roy Rogers e Dale Evans. A Dell publicaria 145 “comic-books” de 1948/1961, com textos de Gaylord Du Bois, Elizabeth Beecher, Phil Evans, Kellog Adams, Eric Freiwald e Robert Schaefer, Jean Klinordinger, Robert Ryder, Paul S. Newman e os desenhos de Mike Arens, Albert Micale, Nat Edson, Harry Ramsey, John Buscema, Harry Parkhurst e Alex Toth. Existe uma série em tira e página dominical, datadas de 1948 a 1962, de Phil Evans, Al Stofiel e Carl Falberg (textos) e Pete Alvarado, John Ushler, Hy Mankin, Alex Toth e Mike Arens (quanto aos traços).
Ken Maynard– “Sargento Preston of The Yukon” (1955-1958). Intérprete Richard Simmons. A Dell publicou 29 números de 1955 a 1958, com textos de Gaylord Du Bois e desenhos de Alberto Giolitti.
– “Shotgun Slade” (1959-1960). Intérprete Scott Brady. A Dell publicou um único número em 1960. Os textos eram de Eric Freiwald e Robert Schaefer e os desenhos de Dan Spiegle (mais um prolífero desenhador, quanto a “comic-books”).
– “Stoney Burke” (1962-1963). Intérpretes Jack Lord, Bruce Dern e Bill Hart. A Dell publicou dois números em 1963, com desenhos de Jack Sparling.
– “Sugarfoot” (1957-1960). Intérprete Will Hutchins. A Dell publicou de 1958 a 1961, seis números com textos de Eric Freiwald e Robert Schaefer e desenhos de Nat Edson e Alex Toth.
Fanzine “A Conquista do Oeste” - Página 95– “Tales of Texas John Slaughter” (1958-1960). Intérpretes Tom Tyron e Betty Lynn. A Dell publicou 4 números de 1958/1959, com textos de Eric Freiwald e Robert Schaefer e desenhos de John Ushler e Sparky Moore.
– “Tales os Texas Rangers” (1955-1957). Intérpretes Wilard Parker e Harry Lanter. Saíram 19 números editados pela Dell, de 1955/1959. Os textos eram de Eric Freiwald e Robert Schaefer e os desenhos de mel Keefer, Tom Massey, Russ Manning, Warren Tufts e Dan Spiegle.
– “The Travels of Jaimie Mc Pheters” (1963-1964). Intérpretes Kurt Russell e Dan Herlily. A Gold Key editou um número em 1963, com textos de Leo Dorfman e traços de Fred Fredericks.
– “Wagon Train” (1957-1965). Desconhecemos os intérpretes. As Dell/Gold Key editaram 17 títulos de 1958 a 1964, com textos de Eric Freiwald e Robert Schaefer e Paul S. Newman e desenhos de Nat Edson, Nicholas Firfires e Warren Tufts.
– “Wanted – Dead or Alive” (1958-1961). Intérprete Steve McQueen. A Dell editou dois números de 1960/1961, com textos de Gaylord DuBois e desenhos de Albert Micale.
Wyatt Earp– “Wells Fargo (Tales of…) – (1957-1962). Intérprete Dale Robertson. A Dell publicou de 1958/1961, sete títulos com textos de gaylord DuBois e desenhos de Alberto Giolitti, Gil Kane e Russ Heath.
– “The Wild, Wild West” (1965-1969). Intérpretes Robert Conrad e Ross Martin. A Gold Key publicou 7 números de 1966/1969, com desenhos de Bob Jenney, Al McWilliams e Sal Trapani.
– “Wyatt Earp” (1955-1961). Intérprete Hugh O’Brien. A Dell editou de 1957 a 1960, 13 “comic-books” com textos de Eric Freiwald e Robert Schaefere e Paul S. Newman e os desenhos de Russ Manning.
E terminamos esta já extensa lista.

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As Leituras do Pedro: Tex Edição Histórica #73 e #74

As Leituras do Pedro*

Tex Edição Histórica #73Tex Edição Histórica #73 e #74
Giovanni Luigi Bonelli (argumento)
Erio Nicolò (desenho)
Mythos (Brasil, Setembro e Novembro de 2007)
136 x 177 mm, 260 p. + 260 p., pb, brochada


Resumo
Uma misteriosa personagem, apoiada por importantes figuras de Washington, interessada em apossar-se dos terrenos da reserva onde vivem os navajos chefiados por Tex, consegue fazer com que este seja condenado a 20 anos de cadeia por um assassínio que não cometeu. Depois, consegue a nomeação de um agente indígena de sua confiança o que obriga Kit e Jack Tigre a guiar os peles-vermelhas para o interior da reserva.

Desenvolvimento
Para além de ser uma das maiores histórias de Tex (mais de meio milhar de pranchas) esta é também uma das histórias mais apreciadas pelos fãs. Justamente, diga-se, não só pela forma como está escrita e se desenvolve (quase sempre) em bom ritmo, mas porque foge ao que é habitual na série. Porque Tex, em grande parte dela é apenas espectador ausente, porque se vê condenado por um assassinato que não cometeu, porque tem que experimentar (embora de forma breve – e a obra teria ganho se a sua estadia no presídio de Vicksburg fosse mais extensa) a vida na prisão para onde geralmente envia os seus adversários – pelo menos aquele que não despacha no imediato com uns quantos tiros certeiros… – , porque o protagonismo é entregue a Kit Carson e Kit Willer.

Tex Edição Histórica #74Todos estes aspectos estão bem interligados numa trama bem urdida, passe algum exagero na facilidade com que Tex cai na armadilha inicial, mas merece destaque em especial a forma como a situação na reserva se degrada e, fosse outra a série, a certa altura do relato quase poderíamos acreditar que “A grande intriga” narrava o fim das aventuras de Tex.
Claro está, que com o ranger isso não poderia acontecer e no final tudo se resolve a contento dele e dos seus amigos, com o esquema desvendado e os bandidos derrotados, mas, até se chegar a esse ponto, são várias as inflexões no argumento e os momentos de dúvida ou suspense introduzidos, o que faz deste western, em que a amizade desempenha um papel marcante, uma obra cuja leitura desperta e prende o leitor.

Uma referência – por ser pouco vulgar em Tex – para o papel importante desempenhado por uma mulher, no caso a bela e bem feminina Myra Solano, um dos elos principais da tramóia que se abate sobre o ranger, desenhada primorosamente por Nicolò, com a sua beleza a destacar-se ainda mais em contraste com as feições duras com que o desenhador italiano dotou a maior parte dos protagonistas masculinos. Referência ainda para o seu bom domínio da planificação e para a utilização de uma grande variedade de enquadramentos, com os quais consegue tornar dinâmicas mesmo longas sequências em que as personagens apenas conversam.

Tex Edição HistóricaA reter
– A originalidade do argumento, considerado no conjunto das histórias de Tex.
– O bom trabalho gráfico de Nicolò.

Menos conseguido
– A excessiva provocação de Tex à sua futura suposta vítima.
– A facilidade como um homem com o passado do ranger é condenado como se fosse um desconhecido.
– Alguns desajustes temporais na narrativa.

Curiosidades

– Aquando da publicação original, a história prolongou-se por cinco números do título mensal do ranger e, no caso presente, obrigou a dividi-la por dois números da colecção Tex Edição Histórica, que geralmente publica histórias completas
– Ambas as edições trazem introduções, de Júlio Schneider (no #73) e de Sergio Bonelli (#74).

Pedro Cleto.
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*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias e na revista In’ – distribuída as sábados com o JN e o DN), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro.
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Entrevista com o fã e coleccionador: Eduardo Leite Alves

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Eduardo Leite Alves e os Tex's GigantesPara começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Eduardo Leite Alves: Eduardo Leite Alves, nascido em 27/10/1959 em São Paulo, trabalho há 26 anos na área de Recursos Humanos do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo. Sou casado tendo um casal de filhos ainda pequenos. Além da banda desenhada gosto muito de seriados e filmes de desenhos antigos anos 50/60/70.

Colecção de Eduardo Leite AlvesQuando é que teve início esta paixão pela Banda Desenhada, em especial pelo Tex?
Eduardo Leite Alves: Desde que fui alfabetizado de imediato já desenvolvi uma paixão pelos quadradinhos, que começou com Disney passando para personagens como a Turma da Luluzinha, Gasparzinho, Pernalonga, mas incluindo também Marvel, DC Comics, Fantasma,  Mandrake, Brucutu e vários outros. Tex surgiu na minha vida por acaso, quando um colega esqueceu duas revistas em minha casa. Tratavam-se ambas da primeira edição: os números 60 (O homem de Denver) e o 75 (Pistoleiros de Laredo). Foi uma paixão à primeira lida, e como na época eu ainda era um garoto (corria o ano de 1976) eu não tinha recursos e tive que esperar um tempo até começar a trabalhar para poder adquirir mais revistas e começar a coleccionar. O mais pitoresco é que eu não tinha acesso a sebos (alfarrabistas, em Portugal) e tive que esperar longos anos para ler o término da primeira aventura na reedição (nº 61, O índio Branco) e o início da outra aventura (nº 74, Na fronteira do Colorado) e imaginem que a reedição ainda estava no número 3…

O herdeiro da colecção, já um Texiano!Porquê o Tex e não outra personagem?
Eduardo Leite Alves: Eu sempre apreciei o género western, e embora nos filmes os índios sempre perdessem, eu cultivava uma grade admiração pelo povo vermelho.Então Tex casou tudo que eu apreciava, o cow-boy justiceiro que tem um laço de amor e respeito ao povo vermelho.

O que Tex representa para si?
Eduardo Leite Alves: Tex representa um modelo de ombridade, honestidade, justiça, sagacidade, carácter além de um humor tudo na medida certa.

Colecção de Tex's de Eduardo Leite AlvesQual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção?
Eduardo Leite Alves: Tenho completos todos os títulos de Tex publicados no Brasil excepto Tex Edição Histórica porque já tenho Tex Coleção.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Eduardo Leite Alves: Colecciono apenas quadradinhos, pois colecciono também Júlia, Zagor e Mágico Vento e meu orçamento familiar não me permite alçar voos muito altos.

Colecção de Tex's de Eduardo Leite AlvesQual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Eduardo Leite Alves: A volta do Dragão, o nº 88 da Vecchi, pois em sua luta contra o bando de Dom Manuel e Wang (O Dragão Negro), Tex junta muita acção com uma elevada dose de bom humor, além disso gosto muito quando Tex age incógnito, camuflado de durão, sem revelar que é um Ranger. Poderia citar diversas outras histórias que me agradam como a extraordinária sequência de As Flechas Pretas Assassinas (adoro aventuras no Canadá com Jim Brandon e companhia). Como bom saudosista,embora existam excelentes desenhadores e argumentistas actualmente, sou fiel à dupla Bonelli/Galep.

Colecção de Tex's de Eduardo Leite AlvesO que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Eduardo Leite Alves: Para ser sincero só vejo pontos positivos em Tex, talvez porque a personagem me cativou desde a primeira história que li. É uma leitura que me diverte muito e gosto bastante também da citação de factos históricos reais e do conhecimento da cultura indígena que sempre me atraiu.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Eduardo Leite Alves: Em virtude de Tex ter personalidade forte como gostam os apreciadores do género western, e também por suas posições em defesa dos índios, contra a escravidão e apolíticas, detestando os esquenta-cadeiras, conta a seu favor.

Eduardo Leite Alves e os Tex's GigantesPara concluir, como vê o futuro do Ranger?
Eduardo Leite Alves: Vejo um futuro bem promissor para o Ranger, haja vista a quantidade de revistas do Tex que a Mythos consegue manter em banca aqui no Brasil, e agora creio que este lançamento colorido será também um sucesso. Creio que muitos jovens que não alcançaram os bons tempos dos westerns no Cinema e na TV nos anos 50/60 têm em Tex uma das poucas oportunidades de conhecer um pouco deste rico universo, e espero que isto ajude na preservação deste nosso querido herói de papel.

Prezado pard Eduardo Leite Alves, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
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