Civitex, o desenhador de Tex que pratica Mountain Bike

Por José Carlos Francisco

Fabio Civitelli, o consagrado desenhador de Tex que por três vezes compareceu em Portugal devido a eventos relacionados a Tex ocorridos no nosso país e que em Outubro passado esteve no Brasil para lançar dois livros aquando do 17º Fest Comix realizado em São Paulo, para além do desenho tem uma outra paixão que muitos deverão ficar estupefactos ao descobrir porque à primeira vista parece ser incompatível com a sua profissão devido a alguns riscos inerentes a essa paixão.

Estamos a falar de um desporto chamado em Portugal de BTT, que significa Bicicleta Todo o Terreno, e que internacionalmente é denominado de Mountain Bike, inclusive no Brasil onde também eventualmente é chamado de Ciclismo de Montanha ou Mountain Biking e comummente abreviado como MTB.

Mountain Bike, ou Bicicleta de Montanha, é um tipo de bicicleta usado no Mountain Biking, uma modalidade de ciclismo na qual o objectivo é transpor percursos com diversas irregularidades e obstáculos. O Mountain Bike é praticado em estradas de terra, trilhas de fazendas, trilhas em montanhas e dentro de parques e até na Cidade e debaixo de quaisquer condições climatéricas, como podemos ver no vídeo mais abaixo, onde vemos Civitex, o nome “artístico” nesta modalidade, a praticar este desporto num piso coberto de neve, próximo de Arezzo, sua terra natal.
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Mountain Bike é um desporto que envolve resistência, destreza e auto-suficiência, características em que Fabio Civitelli é tão bom como a desenhar Tex, como facilmente se prova através das diversas fotos que ilustram este texto ou mais especialmente no vídeo que o acompanha.
Falando um pouco de história, podemos dizer que a modalidade desportiva Mountain Bike nasceu na Califórnia no meio da década de 1950 através de brincadeiras de alguns ciclistas e de alguns surfistas que procuraram desafios bem diferentes das competições de estrada tradicionais e actividades para dias sem ondas.
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Os primeiros nomes que apareceram foram: James Finley Scott: “provavelmente” a primeira pessoa a modificar uma bike exclusivamente para andar na terra – em 1953; Tom Ritchey e Gary Fisher: pioneiros na prática do desporto e no desenvolvimento de componentes em série, como futuramente bicicletas próprias para o novo estilo. Fundadores das empresas Gary Fisher e Ritchey; Joe Breeze: Confeccionou a primeira bicicleta para a pratica do Mountain Bike, a Breezer # 1 em Outubro de 1977.
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Uma curiosidade ainda relacionada entre esta prática desportiva e Tex é o facto de Civitelli, que como sabemos foi quem escreveu o argumento da história “O presságio“, ter inserido na mesma, personagens com nomes relacionados ao Mountain Bike, como por exemplo Ned Overend, uma das maiores lendas deste desporto, isto porque na época de realização da história a Bonelli não creditaria a origem da história ao desenhador aretino e deste modo ele poderia sempre provar que o autor da história era ele próprio.
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Depois de tudo isto, imaginem as preocupações de Sergio Bonelli e até mesmo de todos os seus fãs e admiradores, com medo que se lesione e possa, mesmo que temporariamente, deixar de desenhar o nosso amado Ranger, mas vamos ser optimistas e mais do que palavras, convidamo-vos a assistir ao vídeo que se segue, onde podemos ver Civitex (com fato vermelho) em acção:.

As Leituras do Pedro: J. Kendall – Aventuras de uma Criminóloga #69 – Atentado no Texas e #70 – O Grande Mar de Relva

As Leituras do Pedro*

J. Kendall – Aventuras de uma criminóloga
#69 – Atentado no Texas
#70 – O Grande Mar de Relva

Giancarlo Berardi, Maurizio Montero (argumento)
Laura Zuccheri (desenho)
Mythos Editora (Brasil, Agosto e Setembro de 2010)
135 x 178 mm, 132 p., pb, brochado, mensal, 4,00 €

Resumo
Julia Kendall desloca-se à pequena cidade de Wylmeth, no Texas, por motivos que só mais tarde nos serão relatados, sendo recebida com desconfiança e pouca hospitalidade pelos habitantes locais.
Começa assim mais uma delicada investigação da criminóloga, que a levará a enfrentar situações limite que nunca viveu.

Desenvolvimento
Há bandas desenhadas (filmes, romances) que recordamos não pelo todo, mas por uma ou outra cena marcante ou que, pelo menos, nos marcou especialmente. Pela cena em si, porque evocou alguma memória pessoal ou apenas porque naquele momento estávamos mais receptivos àquele acontecimento ou àquela mensagem.
Foi o quer aconteceu comigo em relação a este díptico de Julia.

Iniciando-se com o extenso (e quase mudo) mas pacífico relato da chegada da criminóloga a Wylmeth, no Texas, que ocupa mais de uma dezena das pranchas iniciais e que serve também para nos ambientarmos e nos apercebermos de algumas particularidades locais – a desconfiança para com os estranhos, a pouca hospitalidade… – a acção dispara depois, a partir da última vinheta da página 18 – e com ela a adrenalina do leitor – com a cena da (ameaça) de violação de Julia.

É uma sequência (de novo) longa (de novo quase muda), mas não gratuita nem desnecessária, em que a (extrema) exposição e a (extrema) violência (basta a situação em si…) não vão além do bom senso ou do bom gosto – por muito estranho que isto soe… – mas são suficientes para chocar o leitor, para mexer com os seus sentimentos, pela forma como sentimos o terror puro da (involuntária) protagonista. Até pela (incapacidade de) reacção de Julia após o seu agressor se retirar.

É uma sequência longa, sim, que serve acima de tudo para credibilizar Julia, enquanto personagem forte e humana, mas com todas as fragilidades das mulheres (dos seres humanos) comuns.

Uma cena que me marcou e pela qual recordo esta história, pese embora uma outra (longa) sequência, também muito bem conseguida, aquela que faz a transição entre as duas edições, na qual Julia e o xerife local ficam presos sobre os escombros da esquadra local e na qual a criminóloga revela também sentimentos bem humanos e reais. Uma sequência em que a realidade e as angústias (in)conscientes de Julia se combinam e se confundem, de forma particularmente feliz, até pelo traço impressionista utilizado nela por Laura Zuccheri.

São duas sequências chave, marcadas pela tensão, pela angústia, pelo medo, sendo estes sentimentos transmitidos através do uso de grandes planos dos rostos e pela constante mudança de enquadramentos, o que ajuda a potenciar o seu efeito ao longo do tempo (real) que as cenas duram).

Na base da narrativa, que apresenta como curiosidade desenrolar-se numa cidadezinha quase parada no tempo, que evoca cenários (e mesmo algumas sequências) de (autêntico) western, incluindo uma perseguição a cavalo (!) completamente alheios ao que é tradicional na série, está a descoberta de um assassínio, em cuja origem teria estado – aparentemente –o ódio racial.

Como habitualmente sólida e bem construída, a história irá ter diversas inflexões, revelar outras pistas e acabar por revelar tensões não ultrapassadas e relacionamentos não resolvidos como origem de tudo.

Por tudo isto, é um policial com tudo para prender o leitor que facilmente poderá ser levado por pistas falsas que tornam (ainda) mais conseguido o desfecho final, com algumas surpresas mas uma grande consistência.

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*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias e na revista In’ – distribuída as sábados com o JN e o DN), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro.

Entrevista com a fã e coleccionadora: Adriana Couto Pereira

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Adriana Couto Pereira: Sou paulista de São Bernardo do Campo, nasci em 15 de Abril de 1976. Sou bióloga e professora de anatomia humana no Instituto Federal do Paraná (IFPR), campus Palmas.

Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
Adriana Couto Pereira: O meu interesse por quadradinhos nasceu há muitos anos, quando a minha tia, que então não tinha filhos, levava para minha casa as suas revistas já lidas de Turma da Mônica e Tio Patinhas. Eu praticamente aprendi a ler nessas revistas e tenho até hoje algumas dos anos 80 guardadas com carinho.

Quando descobriu Tex?
Adriana Couto Pereira: O meu pai coleccionava Tex desde 1977. No início, eu não me interessava muito por aquelas revistas feias e sem cor. O roteiro era muito complicado para uma criança e, durante a adolescência, tudo o que os meus pais gostavam só podia ser chato, ridículo e idiota. Aí, adolescentes são um horror. 😀
Fui redescobrir o Tex em fins de 2003, durante a minha 1ª gravidez, e aí apaixonei-me para nunca mais o largar.

Porquê esta paixão por Tex?
Adriana Couto Pereira: Acho que o Tex tem uma liberdade que todo o mundo gostaria de ter, tanto física quanto mental. Ele é um arquétipo de mocinho e ao mesmo tempo tem acções que todos gostaríamos de poder fazer algum dia, como esmurrar abertamente alguém que disse/fez algo que nos desagrada.
Olhando além da questão de comportamento, acho que as ideias de igualdade e justiça que os roteiros oferecem são muito bem aceitas e fazem acreditar-nos de novo em heróis “de carne e osso”, que mesmo sem poderes especiais estão dispostos a ajudar o outro.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Adriana Couto Pereira: Ui, essa é difícil. Acho que é um conjunto de circunstâncias que fazem dele um herói único. Posso mencionar a dualidade entre o mocinho e a pessoa durona que faz justiça a qualquer preço; o velho oeste (que por si só é algo que não me interessa quase nada, só quando relacionado ao Tex); a fraternidade entre ele e os pards (as minhas histórias favoritas são aquelas onde todos trabalham juntos); os roteiros e desenhos absolutamente bem feitos, em sua maioria bem “amarrados” e coerentes, etc. Não consegui pensar em uma única coisa que o Tex tenha que ninguém mais tenha, acho que é um conjunto de características, mesmo.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Adriana Couto Pereira: Hahaha, mais uma difícil. Deixa eu ver… Estamos no número 494 da série regular, que tenho todos. Mais 40 Almanaques, 77 Tex Ed. Histórica, 23 Gigantes (não comprei as histórias reeditadas, apenas incorporei aqueles lançados pela Globo à numeração da Mythos, porque não gosto de comprar histórias repetidas. Ainda mais quando são tão caras), 11 Tex Anuais, 5 Tex Ouro, 6 Tex e os Aventureiros, 7 Especiais (3 mini-séries e o Especial 60 anos), 2 Grandes Clássicos de Tex, 4 Especiais lançados pela Globo (foram lançados 6, ainda faltam 2, acho), um Almanaque do Faroeste e um único italiano (144 – Mohaves). Isso tudo dá um total de… 715 revistas. Ah, tenho também o livro do “Ídolo de Cristal”. Ok, 716 fechou.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Adriana Couto Pereira: Coleccionaria outras coisas, mas aqui no Brasil não lançam praticamente nada e os brindes que vinham antigamente nas revistas, acho que o meu pai perdeu. Fora revistas, só tenho um quadro autografado e os livros do G. G. Carsan e do Civitelli.

Qual o objecto Tex que mais gostava de possuir?
Adriana Couto Pereira: Eu adoraria possuir o caderno. Também o bonequinho e a camiseta.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Adriana Couto Pereira: Eu adoro “Os Assassinos”, publicada em Tex Gigante 7, acho que é minha favorita. O Nizzi é um óptimo argumentista, ele tem uma imaginação gigantesca para escrever o tanto de histórias que já escreveu. Entre tantos óptimos desenhadores, acho que meu favorito é o Fusco.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Adriana Couto Pereira: Eu gosto mais das histórias ao “ar livre”, com índios, cavalos, búfalos, etc. O que eu menos gosto é a distribuição e a falta de propaganda. Isso irrita-me profundamente…

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Adriana Couto Pereira: O seu comportamento implacável mas extremamente justo, independente da cor da pele de seu interlocutor. E ele foi sempre assim, desde a origem. Acho isso muito benéfico.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Adriana Couto Pereira: Não. A única vez que estive com mais de um coleccionador na mesma sala foi durante o recente Fest Comix…

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Adriana Couto Pereira: Não sei bem como é o mercado italiano/europeu. Aqui no Brasil, vejo que se a editora não cuidar um pouco melhor dos títulos, com propaganda, promoções, divulgação, estaremos sempre com as vendas no limite para que os títulos não sejam cancelados. Acho isso uma pena, pois o Tex pode muito bem falar para as gerações novas de leitores, mas ninguém conhece e portanto ninguém ouve o que ele tem a dizer! Espero estar enganada, mas receio que o futuro editorial seja essa estagnação que temos hoje em dia.
Quanto à trajectória do herói, acho que ele vai continuar fazendo o que vem fazendo há tantos anos. Salvando pessoas, caçando coisas, o negócio da família hehehe! Acredito que ele acompanha muito bem os tempos e os roteiros vão constantemente se modernizando, o que é positivo. Só gostaria de ver um pouco mais de participação feminina nas histórias, pois toda essa misantropia não combina com ele!

Prezado pard Adriana Couto Pereira, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.
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