Entrevista com o fã e coleccionador: Gerval Willer Sousa

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Gerval Willer Sousa: Nasci em João Pessoa, capital da Paraíba no Brasil. No ano de 1965 dei o meu primeiro grito de guerra, no dia 14 de Maio. No momento faço parte da estatística negativa do Ministério do Trabalho, estou desempregado. Ultimamente trabalhei em livrarias e bibliotecas de faculdades.

Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
Gerval Willer Sousa: Acho que nasceu comigo. Praticamente aprendi a ler e escrever lendo quadradinhos com os quais aprendi também a arte do desenho, com mestres como Ray Moore, Burne Hoggarth, Hal Foster, Joe Kubert, Jack Cole, Galep, Giovanni Ticci, Julio Shimamoto, Flavio Colin e Benicio.

Quando descobriu Tex?
Gerval Willer Sousa: Aos 7 anos. O meu pai comprara uma vez uma edição do Tex “Os Cinco Fugitivos do Inferno”, daí não parei mais. Tenho toda a colecção completa do Tex, Tex Coleção, Tex Edição Histórica, Almanaque, Edições Gigantes e Especiais, os Coloridos, os Anuais, os Especiais de Férias, as Edições em Cores, sem esquecer Tex e os Aventureiros e algumas edições italianas. Um pequeno grande tesouro.

Porquê esta paixão por Tex?
Gerval Willer Sousa: Entre tantas personagens de quadradinhos, seja de que género for, ficção científica, western, aventura, policial, terror, fantasia, super-heróis ou até mesmo os mangás e mauás (BD coreana) o Tex destaca-se pelos valores, qualidades, lições e exemplos que dá.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Gerval Willer Sousa: Tex é entre tantas outras personagens o mesmo há mais de 60 anos. Enquanto algumas personagens morrem e voltam à vida, perdem a identidade, entram em crise existencial, ou simplesmente desaparecem, em Tex dá para confiar. É mais palpável, concreto, vivo.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Gerval Willer Sousa: Bom. Calculando: Tex 507, Tex Coleção 500, Tex Edição Histórica 81, Almanaque Tex 42, Tex Ouro 58, Tex Gigante 25, Tex Especial 5, Tex Anual 13, Tex Férias 10, Tex em Cores 12, Os Clássicos Tex apenas 12 aleatoriamente, Tex Especial em Cores 6, Tex e os Aventureiros 6, algumas edições importadas, como Tex, Tex Tre Stelle, Tex Almanacco, Tex 60 Anni, Tex 600 e os livros Tex no Brasil do nosso caro G. G. Carsan, O Mocinho do Oeste de Gonçalo Junior e O Oeste Segundo Civitelli e já li as edições Al servizio dell’eroe e “Lezione di fumetto” com Giovanni Ticci, ou seja, mais de 1250 edições no total!

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Gerval Willer Sousa: Gosto muito de ler, herança paterna, meu pai é uma traça. Tenho uma queda por ficção científica e por autores como Ray Bradbury, Arthur Clarke, Robert Heinlein, Isaac Asimov, Jorge Luiz Calife. Mas o que cair em minhas mãos eu leio. Infelizmente a minha condição financeira actual não me permite ter mais edições do Tex ou mesmo livros sobre o mesmo.

Qual o objecto Tex que mais gostava de possuir?
Gerval Willer Sousa: Afora a colecção completa (a sua colecção mesmo, José Carlos ou a do Rainho, são invejáveis dignas de um sequestro) um rifle, seu cinto com os colts, seriam os meus objectos de desejo.

Qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Gerval Willer Sousa: É difícil. São muitas as histórias que mexem com a gente de um modo inesquecível. Eu poderia citar Juramento de Vingança, El Muerto, O Ouro do Colorado e O Vale do Terror. O meu artista preferido é sem dúvida o Ticci, mas não posso deixar de tirar o chapéu para Galep, Civitelli e Villa. E indiscutivelmente o velho Bonelli pai é o melhor. Nizzi é mais cerebral, Nolitta mais emotivo e Boselli é mais épico.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Gerval Willer Sousa: Seu senso de justiça, seu código de ética que falta neste mundo cada vez mais sombrio. Sua ausência de preconceitos, inclinações políticas ou teológicas. Seu inabalável optimismo. São pontos entre tantos outros que me são positivos. Negativos, eu apontaria a sua mão às vezes muito leve quando pega um vilão. Acho que quando se lida com vilania, injustiça, violência e corrupção não se pode ter meios-termos.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Gerval Willer Sousa: Além dos valores que citei anteriormente e a sua longevidade o que mais poderia ser dito? O facto de ser uma personagem de um género épico, mitológico como nenhum outro país possui e que já foi copiado por países como Brasil, Japão, Canadá, México, Itália, Espanha, Inglaterra e até mesmo em filmes de ficção cientifica. Tex é mais realista que um Homem-Aranha, Super-Homem, Batman ou Homem-Borracha. É mais crível e atinge uma larga faixa do espectro etário como nenhuma outra personagem de BD. Crianças, adultos e terceira idade (que o Carson não interprete errado), tendo ainda as mulheres que crescem cada vez mais. Tex é um exemplo a ser seguido. É de confiança. Ele é o cara.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Gerval Willer Sousa: Sim. Apesar de sermos poucos. O meu pai por exemplo, com 86 anos, ainda o lê como há 40 anos.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Gerval Willer Sousa: Com optimismo e cautela. Tex é uma personagem de um género que já teve a sua época. Mas que graças às suas histórias e sua arte ainda prossegue firme e forte. E no mundo da BD tem espaço para todos os gostos e géneros. Afinal 60 anos são 60 anos e não 6 ou 16. Por exemplo Tarzan que teve a sua vez na literatura, depois BD e cinema e TV deu uma sumidinha. O Fantasma teve um destino parecido. O mesmo acontecendo com Flash Gordon. E olhe que os três para citarmos três géneros mais difundidos, a aventura, o mistério e ficção cientifica. A minha cautela é que a chama da Mythos jamais se apague. Como diria o Sr. Spock: “Vida longa e próspera!”

Prezado pard Gerval Willer Sousa, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

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Falecimento de Francesco Gamba, desenhador de Tex

Por José Carlos Francisco

FRANCESCO GAMBA (1926-2012)

Francesco Gamba, histórico  colaborador da editora Bonelli que entre muitos outros personagens, ilustrou alguns dos mais célebres da popular editora italiana, entre os quais Tex, Zagor e Il Piccolo Ranger (O Pequeno Ranger) faleceu em Milão nesta segunda-feira, dia 13 de Fevereiro, após uma breve doença.

Francesco Gamba nasceu em La Spezia a 15 de Outubro de 1926, iniciando a sua carreira em 1947 com as Edizioni Alpe, desenhando entre outros Razzo Bill. Trabalhou depois para Casarotti, realizando vários episódios de Yorga (textos de G. L. Bonelli), e para a Mondadori (Pecos Bill, de 1950 a 1954).

Em 1956 iniciou a sua contínua e duradoura ligação com a família Bonelli nas então Edizioni Audace de Tea Bonelli; é o período de Terry, Yado, e Rocky Star, as duas primeiras, séries escritas por Gianluigi Bonelli e a última da autoria de Andrea Lavezzolo. Em 1958 foi a vez de Il Piccolo Ranger, empenho ao qual Gamba se dedicou por mais de vinte anos. Colaborou entretanto nessa altura em Zagor e, mais esporadicamente em Tex onde mesmo assim ainda desenhou mais de 1.000 páginas.

Gamba realizou também alguns episódios de River Bill (textos de Guido Nolitta e Mauro Boselli) e os especiais dedicados ao engraçado parceiro mexicano do Espírito da Machadinha, o famoso Chico, deixando deste modo uma marca indelével na história da banda desenhada popular italiana.

Segue-se numa produção da Zagor TV uma reconstrução da carreira artística de Francesco Gamba:

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Tex “E venne il giorno” (E chegou o dia): Entrevistas exclusivas com os autores Mauro BOSELLI & Bruno BRINDISI

ALERTA: As entrevistas que se seguem com Mauro BOSELLI & Bruno BRINDISI revelam algumas surpresas da história “E venne il giorno” (Color Tex italiano nº 1, de Agosto de 2011), e a sua lida antes da publicação da revista no Brasil e Portugal pode tirar toda a graça, emoção e suspense que se cria com relação à aventura..

Entrevistas conduzidas por José Carlos Francisco, com a colaboração de Giampiero Belardinelli e Roberto Pagani na formulação das perguntas, de Bira Dantas nas caricaturas e de Júlio Schneider (tradutor de Tex para o Brasil) e de Gianni Petino nas traduções e revisões.

MAURO BOSELLI

A ideia inicial de E Chegou o Dia (ou seja, a suposta morte de Kit Carson) vem da época em que você trabalhava com G. L. Bonelli nos roteiros de Tex. O que os impediu, cerca de trinta anos atrás, de concretizar a ideia e transformá-la em roteiro? Temiam que pudesse ser considerada excessivamente diferente das clássicas aventuras texianas de então?
Mauro Boselli: G. L. Bonelli gostou do argumento, mas ele é quem deveria fazer o roteiro e creio que juntos não chegamos a um final satisfatório, por isso a história acabou no esquecimento, como muitas outras.

A importância de Carson na saga é fundamental: aqui o Camelo Velho parece ter partido desta terra e o facto trágico suscitou emoções variadas nos seus companheiros. Pode-se afirmar que você administrou a morte de Carson de maneira crível, ainda que os leitores já imaginavam que, de algum modo, Cabelos de Prata havia se salvado. É difícil administrar situações desse tipo?
Mauro Boselli: Alguém disse que Tex sofreu pouco em relação à morte da esposa contada por Bonelli e pela suposta morte do filho contada por Nizzi. Acrescento que esquece-se que já no período bonelliano clássico da saga, em duas ocasiões Tex presume que Carson esteja morto mas não demonstra sofrimento. A verdade é que são homens duros, a morte os acompanha e a eventualidade de partir desta para a melhor é um facto evidente e aceito. Tex não chora pela morte de um companheiro de armas (o que aconteceu muitas vezes) mas intimamente ele sofre, só que não mostra. Ele age. E depois, na minha história ele não está de todo convencido, como se pode perceber por vários indícios.

Você afirmou várias vezes que escreve os seus roteiros no braço, a seguir o instinto e a inspiração do momento. Houve algum vacilo, alguma hesitação ou diálogo que não o agradou ao escrever a cena principal da história, aquela em que Tex e seus pards vão ao túmulo do velho Ranger dado por morto?
Mauro Boselli: Raramente eu reescrevo um diálogo. Também nesse caso eu creio que veio-me de forma espontânea.

Para muitos leitores as páginas de introdução, com os jovens Tex e Carson, representaram um mergulho no passado que os levou às atmosferas dos primeiros números da série, também graças ao facto de que a cena não é narrada com o costumeiro expediente dos quatro pards em volta de uma fogueira a contar histórias do passado, mas é escrita em gravação directa. Esse expediente narrativo poderia voltar no futuro? Seria uma novidade ver os dois Rangers agir como antigamente, imprudentes e impulsivos.
Mauro Boselli: Sobre os dois Rangers jovens é uma boa ideia. Vou pensar seriamente nisso.

Como se vê no romance que você escreveu, Tex Willer, O Livro da Minha Vida (n.t.: título provisório da edição a sair no Brasil em 2012), o Ranger é um homem de sentimentos muito profundos, muito além do que podem pensar observadores superficiais. Nesta história E Chegou o Dia Tex mostra uma sensibilidade natural mas depois o pensamento seguinte é o de fazer justiça para o amigo desaparecido. Em sua opinião, porque persistem certos lugares-comuns sobre o Tex puro e duro?
Mauro Boselli: Mas Tex é REALMENTE assim. Só que no romance, narrado em primeira pessoa, ele se deixa andar um pouquinho (bem pouquinho) além.

Nesta – como em outras suas histórias – Tex mostra saber garantir a justiça, sempre. O que você pensa sobre eventuais situações em que Tex afirmasse não poder garantir a incolumidade das pessoas a ele confiadas?
Mauro Boselli: Acontece em casos raros, mas já aconteceu. Isso deixa a história mais dramática, mas deve ser uma excepção.

Pelo que se lê na internet, você assinará muitos dos Color Tex a serem publicados. Pode nos antecipar se serão histórias ditas normais ou se é sua intenção propor aventuras particulares que, por exemplo, abordem temáticas e sugestões raramente vistas nas páginas da série mensal, como o que aconteceu em E Chegou o Dia?
Mauro Boselli: Eu não serei o único autor e a escolha dos argumentos não depende de mim.

BRUNO BRINDISI

E Chegou o Dia é a sua terceira história de Tex, depois do óptimo Gigante Os Predadores do Deserto (2002) e de Muddy Creek (Alma Envenenada), publicada na série mensal dois anos depois (n.t.: no Brasil em 2005). Foi indolor essa passagem das atmosferas modernas dos vários episódios de Dylan Dog às ardentes temáticas de Tex, caracterizadas por espaços abertos, suor e pólvora?
Bruno Brindisi: Nunca é indolor, são necessárias no mínimo umas vinte páginas para pegar o jeito, sobretudo com relação aos cavalos, fazia seis anos que eu não os desenhava!

Você trabalhou com Tex em momentos diversos: quais foram as dificuldades – se é que houve – em voltar a desenhar um aventura do Ranger, depois de anos?
Bruno Brindisi: Eu fiz três histórias de Tex com destinos diversos, o Tex Gigante exigia uma dimensão maior, a minha história para a série mensal prosseguia o trabalho muito limpo de Monti, apesar de não ter-me sido solicitado imitar o seu estilo, e o Color Tex eu havia inclusive começado em linha clara, no estilo francês. Depois eu voltei ao início e acrescentei mais tinta preta quando optou-se por uma colorização mais tradicional.

Quando lhe foi proposto desenhar esse Color Tex? Você sabia desde o início que as suas páginas seriam publicadas a cores numa nova série?
Bruno Brindisi: Eu sabia e também recebi um prazo para entrega, ao contrário das outras ocasiões.

O seu traço muito claro adapta-se muito bem às cores: para a ocasião você adoptou artifícios particulares? Quanto e como as cores influenciaram o seu trabalho? Você ficou satisfeito com a colorização?
Bruno Brindisi: Como eu dizia, pensei numa colorização mais realística que aproveitasse todas as possibilidades do meio, mas a decisão foi diferente e ficou muito bom. Quanto a ter ficado satisfeito, a conversa é outra, provavelmente não ficaria nem se tivesse eu mesmo pintado as páginas sozinho, uma a uma, com aguarelas.

Foi por vontade própria ou por solicitação precisa de Boselli que você prestou atenção especial à representação gráfica da cena principal da história (expressividade, actuação das personagens)?
Bruno Brindisi: Fazer Tex actuar não é fácil, normalmente ele tem uma expressão que Sergio Leone definiria “com o chapéu e sem o chapéu” como Clint Eastwood! Obviamente ele não chora nem mesmo diante da sepultura de Carson, quando está furioso não pode fazer uma careta; em suma, é preciso dosar com atenção. Não sei se consegui, certamente eu e Mauro demos tudo de nós para tornar o mais emocionante possível a cena de adeus ao seu pard.

A aventura vai do passado ao presente da saga, e vários cenários e situações se alternam: você baseou-se em documentação própria ou Mauro Boselli enviou-lhe material de pesquisa?
Bruno Brindisi: Por segurança Mauro enviou-me os primeiros números da série, em que Tex e Carson aparecem mais jovens e também forneceu-me algumas fotos de referências para os cenários.

Com esta edição a cores você considera encerrada a sua participação em Tex? O que está a reservar aos seus leitores para o futuro próximo?
Bruno Brindisi: Encerrada? Eu espero que não! Sim, eu faço parte da equipa de Dylan Dog, mas muitas vezes sou solicitado a fazer outras coisas; por exemplo, neste momento estou a concluir uma história ambientada na Índia colonial, com texto de De Nardo, sempre para a Bonelli. Se Tex chamar, estarei sempre pronto para pegar em armas!


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Color Tex “E venne il giorno”: Interviste esclusive con gli autori Mauro BOSELLI e Bruno BRINDISI

Interviste condotte da José Carlos Francisco, con la collaborazione di Giampiero Belardinelli e Roberto Pagani per la formulazione delle domande , di Bira Dantas per la caricatura e di Júlio Schneider (traduttore di Tex per il Brasile) e Gianni Petino per le traduzioni e le revisioni.

MAURO BOSELLI

Si dice che lo spunto iniziale di E venne il giorno (vale a dire la presunta morte di Kit Carson) risalga addirittura all’epoca in cui affiancavi G. L. Bonelli nella stesura di soggetti per Tex. Che cosa vi trattenne, trenta e più anni fa, dal concretizzare questa idea in una vera e propria sceneggiatura? Temevate che potesse essere considerata troppo “di rottura” rispetto alle classiche storie texiane del periodo?
Mauro Boselli: A G. L. Bonelli il soggetto piaceva, ma avrebbe dovuto scriverlo lui e credo che insieme non avessimo trovato un finale soddisfacente, e la storia cadde nel dimenticatoio come molte altre.

L’importanza di Carson nella saga è fondamentale: qui il Vecchio Cammello sembra aver lasciato questa terra e il tragico fatto ha suscitato emozioni diverse nei suoi compagni. A parer nostro, hai gestito la “morte” di Carson in maniera credibile, pur se i lettori avranno immaginato che in qualche modo Capelli d’Argento si sia salvato. Credi sia difficile gestire situazioni del genere?
Mauro Boselli: Qualcuno ha detto che Tex soffre poco rispetto alla morte della moglie raccontata da Bonelli e a quella presunta del figlio raccontata da Nizzi. Innanzitutto dimenticano che già nel periodo classico bonelliano della saga in un paio di casi Tex presume che Carson sia morto ma non fa una piega! La verità è che sono uomini veri, la morte li accompagna e la eventualità di lasciarci la pelle è un fatto scontato e accettato. Tex non piange per la morte di un compagno d’armi (gli è successo spesso) ma intimamente soffre, solo che non lo dà a vedere. Agisce. Poi, nella mia storia, non è davvero del tutto convinto, come si può capire da vari indizi.

Hai affermato più volte di scrivere le tue sceneggiature “a braccio”, seguendo l’istinto e l’ispirazione del momento. Hai avuto qualche tentennamento, qualche esitazione o dialogo non riuscito in prima battuta nello sceneggiare la scena culmine di questa storia, vale a dire quella in cui Tex e i suoi pards si recano sulla tomba dell’anziano ranger creduto morto?
Mauro Boselli: E’ veramente molto raro che io riscriva un dialogo. Anche in quel caso credo che mi sia venuto spontaneo.

L’incipit, che vede agire i giovani Tex e Carson, per tanti lettori ha rappresentato un tuffo nel passato che li ha riportati alle atmosfere dei primi numeri della serie, grazie anche al fatto che tale scena non è narrata con il solito escamotage dei quattro pards riuniti accanto ad un fuoco a raccontarsi vicende del passato, bensì è scritta in “presa diretta”. E’ un espediente narrativo che potrebbe tornare in futuro? Sarebbe una novità vedere i due rangers agire come un tempo, scavezzacolli ed impulsivi.
Mauro Boselli: Sui due rangers giovani mi stai dando una buona idea. Ci penserò davvero sopra.

Come dimostra il romanzo che hai scritto, Tex Willer. Il romanzo della mia vita (Mondadori, 2011), il ranger è un uomo con dei sentimenti molto profondi, al di là di quello che possono pensano degli osservatori superficiali. In questo E venne il giorno Tex mostra una naturale sensibilità ma poi il pensiero successivo è quello di fare giustizia per l’amico “scomparso”. Perché, a tuo parere, il persistere di certi luoghi comuni sul Tex puro e duro?
Mauro Boselli: Ma Tex è DAVVERO così. Solo che nel romanzo, narrato in prima persona, si lascia andare un pochino (pochissimo) di più.

In questo, come negli altri tuoi racconti, Tex mostra di saper garantire la giustizia, sempre. Cosa pensi di eventuali situazioni in cui Tex affermasse di non poter garantire l’incolumità delle persone a lui affidate?
Mauro Boselli: Capita in rari casi, ma è capitato. Questo rende la storia più drammatica, ma deve trattarsi di un’eccezione.

Da quel che si legge in rete firmerai anche molti dei Color Tex di prossima pubblicazione. Puoi anticipare se saranno storie cosiddette “normali” oppure se è tua intenzione proporre avventure “particolari”, che ad esempio trattino tematiche e suggestioni raramente viste sulle pagine della serie mensile, sulla falsariga di quel che è accaduto in E venne il giorno?
Mauro Boselli: Non sarò io l’unico autore e la scelta dei soggetti non dipende da me.

BRUNO BRINDISI

E venne il giorno è la tua terza storia di Tex, dopo le ottime prove del texone I predatori del deserto (2002) e Muddy Creek, pubblicata nella serie mensile un paio di anni dopo. A giochi conclusi, è stato indolore questo passaggio dalle atmosfere moderne di tanti episodi di Dylan Dog alle “roventi” tematiche di Tex, caratterizzate da spazi aperti, sudore, e polvere da sparo?
Bruno Brindisi: Non è mai indolore, ci vogliono almeno una ventina di tavole per “riprendere la mano”, soprattutto per quanto riguarda i cavalli, erano sei anni che non li disegnavo!

Hai lavorato a Tex in momenti diversi: quali sono state le difficoltà – ammesso ci siano state – nel ritornare a disegnare un’avventura del ranger a distanza di anni?
Bruno Brindisi: Ho fatto tre storie di Tex con destinazioni molto diverse, il Texone ovviamente richiedeva una dimensione maggiore, la mia storia per la serie regolare proseguiva il lavoro molto pulito di Monti, per quanto non mi fosse stato chiesto di imitarne lo stile, ed il Color Tex addirittura lo avevo iniziato in linea chiara, alla francese. Poi sono ritornato sui miei passi e quindi ho aggiunto qualche nero quando si è optato per una colorazione più tradizionale.

Quando ti è stato proposto di disegnare questo Color Tex? Sapevi fin dall’inizio che le tue tavole sarebbero state pubblicate a colori in una nuova collana?
Bruno Brindisi: Lo sapevo e mi è stata data anche una scadenza, a differenza delle altre volte.

Il tuo segno molto chiaro si adatta molto bene al colore: per l’occasione hai adottato accorgimenti particolari? Quanto e come il colore ha influito sul tuo lavoro? Sei soddisfatto della colorazione?
Bruno Brindisi: Come dicevo, avevo pensato ad una colorazione più realistica che sfruttasse tutte le possibilità del mezzo, ma si è deciso diversamente e va benissimo. Poi l’essere soddisfatto è un altro discorso, probabilmente non lo sarei stato neanche se mi fossi colorato le tavole da solo una per una ad acquerello.

Per tua volontà o dietro precisa richiesta di Boselli, hai dovuto prestare particolare attenzione alla rappresentazione grafica (espressività, recitazione dei personaggi) della scena clou della storia?
Bruno Brindisi: Far recitare Tex non è facile, normalmente ha un’espressione che Sergio Leone definirebbe “con il cappello-senza cappello” come Clint Eastwood! Ovviamente non piange nemmeno davanti alla tomba di Carson, quando è furioso non bisogna fargli fare smorfie, insomma bisogna dosare con attenzione. Non so se ci sono riuscito, di sicuro io e Mauro ce l’abbiamo messa tutta per rendere il più emozionante possibile la scena dell’addio al suo pard.

L’avventura passa dal passato al presente della saga e inoltre più scenari e situazioni si alternano: hai attinto a documentazione in tuo possesso oppure Mauro Boselli ti ha mandato del materiale?
Bruno Brindisi: Per sicurezza Mauro mi ha rispedito i primi numeri della serie dove Tex e Carson appaiono più giovani e mi ha anche fornito alcune foto di riferimento per le ambientazioni.

Con questo albo a colori consideri conclusa la tua esperienza su Tex? Cosa stai riservando ai tuoi lettori per il prossimo futuro?
Bruno Brindisi: Conclusa? Spero proprio di no! Io faccio parte dello staff di Dylan Dog, è vero, ma spesso mi viene chiesto di fare altro, per esempio in questo momento sto ultimando una storia ambientata nell’India coloniale su testo di De Nardo, sempre per Bonelli. Se Tex dovesse chiamare io sarei sempre pronto alle armi!

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Tex Willer – A história da minha vida, da Mythos Books

Por José Carlos Francisco

Tex Willer: A história da minha vida

É já no início de Março que chega aos quiosques brasileiros “Tex Willer – A história da minha vida”, uma publicação da Mythos Books, com mais de 200 páginas que contam as aventuras do Ranger sob um único ponto de vista: o de Tex!
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Com o único precedente constituído por “Il massacro di Goldena” (“O massacre de Goldena”), escrito por Gianluigi Bonelli, Tex abandona insolitamente a narrativa desenhada para assentar entre as páginas de um verdadeiro romance real, ainda por cima autobiográfico! Estamos a falar de “A história da minha vida“, um livro publicado pela Mythos Books e assinado por Tex Willer em pessoa (com um custo de Reais 24,90)! Como escreveu Sergio Bonelli no prefácio do livro, trata-se quase  de um retorno aos tempos ingénuos dos anos 50, quando os leitores escreviam para a redacção abordando directamente o Ranger, pensando que Tex  existisse verdadeiramente.  Com esta iniciativa, na verdade, os responsáveis por Tex quiseram voltar aos tempos “míticos”, no alvorecer do sucesso da personagem bonelliana, imaginando que o nosso herói tivesse realmente existido e tenha decidido contar nas páginas deste livro a sua vida e as suas aventuras.
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Naturalmente, um verdadeiro autor, o “intérprete”, das palavras de Tex existe e é, nesta ocasião, Mauro Boselli. Boselli, argumentista de numerosas aventuras do nosso herói, dedicou-se à escritura deste volume, tendo bem presente o estilo da prosa de G. L. Bonelli (“romancista emprestado à banda desenhada”), mas também o modo em que eram contadas as verdadeiras (ou presumíveis) autobiografias dos heróis do Oeste, como Kit Carson, Calamity Jane, John Wesley Harding e outros do mesmo calibre. Lendo “A história da minha vida“, portanto, o leitor não encontrará descrições românticas de belas paisagens e nem sequer introspectivas análises psicológicas. Como nas autobiografias acima mencionadas, os factos serão contados a galope, indo directamente ao cerne da questão com concisão e senso prático. Assim como convém a um verdadeiro homem da fronteira, que narra a sua vida diante da fogueira num improvisado acampamento, disseminando na descrição de aventuras e tiroteios e, talvez, narrando os longos anos da sua vida, em poucas palavras.

De facto, é precisamente a voz de Tex que conta a sua história de vida, ainda que, na ficção literária, e a recolher o seu testemunho e a transcrevê-lo é um repórter do Oeste, amigo do célebre Martin Floyd que os leitores mais atentos recordarão entre os protagonistas de “Sangue Navajo” (número 34 da série brasileira). O empreendedor repórter foi visitar Águia da Noite à reserva e obtém um depoimento que começa numa recordação dos velhos tempos, a partir do momento em que o jovem Willer, vingando a morte do seu pai e irmão, foi forçado a viver às margens da lei, até ao seu ingresso no Corpo dos Rangers e ao encontro com Kit Carson, passando pela Guerra da Secessão e pelo aventuroso casamento com Lilyth, sem esquecer os factos que mais influenciaram a sua vida, como a morte trágica da sua esposa índia, os encontros com Montales e Jim Brandon, o longo despique com o diabólico Mefisto, a defesa do povo Navajo e a vingança contra os assassinos da sua amada.

Estas e outras aventuras, narradas como jamais foram lidas, estão inseridas dentro de um livro de mais de 200 páginas, onde cada capítulo seria suficiente para preencher um romance inteiro. Naturalmente são todas histórias clássicas geradas da desenfreada imaginação de G. L Bonelli, mas nesta edição da Mythos as encontraremos narradas pela voz do protagonista e por isso aparecerão sob uma luz diferente. Como exemplo, a aventura contra Mitla e Diablero é contada por Tex como ele a viveu e interpretou, mantendo no obscuro muitos factos narrados nas páginas da história original em banda desenhada. Isso por si só torna ainda mais interessante esta edição, já que dá uma nova visão sobre a saga “texiana”.

Para não tornar os leitores do livro muito órfãos de imagens, cada capítulo será enriquecido por magníficas ilustrações de Fabio Civitelli. O bravíssimo desenhador aretino pôs a sua arte ao serviço da iniciativa, desenhando cada cena como se ela fosse realizada por um ilustrador dos finais do século XIX, oferecendo um conjunto de reproduções muito agradável e encantador, como se pode constatar na ilustração que mostramos de seguida.

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