De 26 de Setembro a 2 de Outubro, blogue do Tex promove Semana de Homenagem a Sergio Bonelli

Por José Carlos Francisco

O blogue português do Tex vai dedicar, de 26 de Setembro a 2 de Outubro, uma Semana de Homenagem a Sergio Bonelli, como forma de homenagear o Homem que fez sonhar gerações de leitores de fumetti um pouco por todo o mundo, por ocasião do 1º aniversário do seu falecimento.

Sergio Bonelli foi o principal artificie da passagem da banda desenhada como simples instrumento de entretenimento popular a produto de dignidade cultural, criando, ao longo da sua carreira de cinquenta anos, uma das mais importantes editoras de banda desenhada no contexto italiano e mesmo mundial e se o seu pai criou Tex Willer ele continuou a escrever as suas histórias antes de dedicar-se à faceta de editor. Com amor, paixão e respeito pelos criadores e desenhadores. Criou Zagor e Mister No, e com a sua editora publicou Dylan Dog e Nathan Never entre muitas outras personagens de sucesso.

Por tudo isto e muito mais, nada mais justo do que esta homenagem pública que o blogue português do Tex irá então promover de 26 de Setembro a 2 de Outubro, numa iniciativa que contará inclusive com a participação de vários autores da Sergio Bonelli Editore, alguns dos quais ligados a Tex e que será do conhecimento do seu filho Davide Bonelli, actual responsável máximo da editora milanesa e será também vista pela quase totalidade dos autores da Casa Bonelli.

Para além dos autores bonellianos que já confirmaram a sua participação, estão já asseguradas homenagens da autoria de Bira Dantas, Daniel Brandão, Jorge Magalhães, João Amaral, Ezequiel Guimarães, G. G. Carsan e de mim próprio, mas como queremos dar uma maior amplitude a esta nobre iniciativa, desde já convidamos todos os nossos leitores interessados em homenagear Sergio Bonelli para irem pensando em algo para participar nessa homenagem e irem enviando o material (textos, desenhos, poemas, fotos, etc.) para o meu e-mail até ao dia 15 de Setembro de modo a podermos preparar com a devida antecedência todas as homenagens recebidas.

A Semana de Homenagens a Sergio Bonelli será inaugurada à meia noite e um minuto do dia 26 de Setembro (dia em que a SBE também vai lançar uma edição especial dedicada a Sergio Bonelli, como se pode ver mais abaixo) com o texto:
“Na data do 1º aniversário do seu falecimento: SERGIO BONELLI nas palavras (e nas recordações) de José Carlos Francisco” seguindo-se depois até ao dia 2 de Outubro todas as homenagens recebidas.

Capa do novo Almanacco dell’Avventura, dedicado a Sergio Bonelli, com lançamento por parte da SBE, em 26 de Setembro de 2012

Desenho original de Claudio Villa para a capa do Almanaque Especial dedicado a Sergio Bonelli e que contém todas as personagens trabalhadas por Sergio Bonelli no decurso da longa carreira daquele que foi o principal artificie da passagem da banda desenhada como simples instrumento de entretenimento popular a produto de dignidade cultural, criando, ao longo da sua carreira de cinquenta anos, uma das mais importantes editoras de banda desenhada no contexto italiano e mesmo mundial.

SERGIO TOPPI faleceu hoje em Milão, aos 79 anos

SERGIO TOPPI

(Milão, 11 de Outubro de 1932 – Milão, 21 de Agosto de 2012).

Sergio Toppi homenageado por Bira Dantas

Por Bira Dantas, José Carlos Francisco e Júlio Schneider

Hoje, dia 21 de Agosto de 2012,  faleceu Sergio Toppi, brilhante autor de narrativas gráficas e um dos mais conceituados e apreciados autores da banda desenhada italiana.

Dorival Vitor Lopes e Sergio Toppi no 3ºFIQ – Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte em Setembro de 2003

Sergio Toppi (na foto acima ao lado do editor Dorival Vitor Lopes por ocasião do 3ºFIQ – Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte, em Setembro de 2003) que em Outubro faria 80 anos deixa um vazio enorme no mundo da banda desenhada e da própria cultura tanto na Itália como no resto do mundo. Refinado e elegante Sergio Toppi trabalhou com grandes editoras, inclusive a própria Sergio Bonelli Editore ao serviço da criminóloga Júlia Kendall, do agente Nick Raider da Esquadra de Homicídios de Nova York, do arqueólogo e investigador do impossível, Martin Mystère e ainda de Dylan Dog o detective do pesadelo (é de sua autoria a capa do terceiro Dylan Dog Color Fest, de 2009), criando inúmeras obras históricas e religiosas, não deixando também de homenagear o nosso Tex como se pode ver de seguida:

Tex desenhado por Sergio Toppi

Júlio Schneider relembrou assim o amigo: Sergio Toppi era uma pessoa fantástica. Eu o conheci em 2003, no FIQ-BH, quando ele veio recomendado por Sergio Bonelli (“Cuide bem do velhinho aí no Brasil”). Quando cheguei ao hotel, eu estava ansioso por conhecê-lo, e tive que me conter para não bater à porta do seu quarto, ansioso para apertar a sua mão. Acho que ele não ia gostar muito de receber alguém à meia-noite! Nós nos encontramos pela manhã, no café, quando tive a honra de me ver diante de um verdadeiro cavalheiro, simpático e humilde como só os grandes sabem ser. Ver os dois Sergios conversando era algo indescritível: apesar de há décadas serem amigos de trabalho e da vida, e terem a mesma idade, Bonelli e Toppi só se tratavam por “senhor”, numa espécie de reverência mútua.
Há poucos anos a vida reservou-me uma bela coincidência: Ivan, um amigo italiano que morava em Curitiba, resolveu voltar à sua Milão e, tempos depois, conheceu uma bela ragazza e casou-se. Num jantar em família ele foi apresentado ao tio da jovem: Toppi, ao saber que o novo sobrinho adorava BD e havia morado por aqui, perguntou-lhe se por acaso havia conhecido o Júlio! É mesmo verdade que o mundo é pequeno. No Natal Sergio Toppi presenteou-me um livro seu acompanhado de um cartão de Boas Festas desenhado de próprio punho. Um pequeno regalo que, de forma inesperada, agora ganhou um valor sentimental diferente.

Júlio Schneider e Sergio Toppi no 3ºFIQ – Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte em Setembro de 2003

Só para se ter uma ideia da grandeza de Sergio Toppi, eis o que Sergio Bonelli disse, durante a apresentação de trabalhos do artista numa galeria milanesa, há algum tempo:

Ele me garante uma espécie de passaporte internacional. Como sou um perfeito desconhecido – graças a Deus – fora do meu pequeno mundo dos fumetti, quando eu me apresento em alguma mostra dedicada aos comics (em Nova York, Buenos Aires, Barcelona ou Angoulême), basta-me uma simples declaração para suscitar o interesse e a estima dos interlocutores: “Meu nome é Sergio Bonelli, eu publico quadradinhos na Itália e sou o editor de Sergio Toppi”.

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Semana texiana de férias

Por José Carlos Francisco

José Carlos Francisco e Carlos Moreira na sua galeria de originais desenhados por Fabio Civitelli

Aproveitando um carinhoso e irrecusável convite da família Moreira (Carlos, Teresa e Hugo) eu, a minha esposa e as minhas filhas fomos passar uma semana de férias, neste quente mês de Agosto, com esses queridos Amigos que tanto estimamos e que residem em Agualva-Cacém, uma cidade portuguesa do concelho de Sintra, mais precisamente a quarta maior cidade da área metropolitana de Lisboa, (após Lisboa, Amadora, Almada e Setúbal) e a décima maior cidade de Portugal e seguramente uma das casas mais texianas de Portugal tendo em conta o grandíssimo acervo do Carlos Moreira.

Carlos Moreira e José Carlos Francisco na biblioTEX do Carlos

Sem dúvida alguma o Carlos é um dos maiores fãs e coleccionadores de Tex a nível mundial, tendo o Carlos Moreira ainda tido o privilégio de ter conhecido pessoalmente Sergio Bonelli, em Milão, em Março de 2010 e de já ter visitado anteriormente a casa de Tex na Itália, a Sergio Bonelli Editore, onde foi recebido pelo actual homem-forte, o Davide Bonelli, filho e herdeiro de Sergio Bonelli, e muitos dos seus autores numa visita feita por toda a família Moreira, em Setembro de 2008, como pode ser visto clicando AQUI!

Famílias Moreira e Francisco na Praia das Maçãs

Andreia, Carlos Moreira, Ana Beatriz, Fátima e Teresa com o Forte de São Julião da Barra por detrás

Passamos belos dias, com muita praia (estamos todos bem bronzeados, como certamente se poderá vislumbrar nas fotos que ilustram este texto) em Carcavelos, a primeira praia oceânica após a foz do Rio Tejo formando com outras a Costa do Estoril, demos belos passeios pelas zonas de Queluz, Sintra e Cascais, fizemos convívios com outros Amigos texianos, tendo dado ainda para descansar e ler bastante, enfim, foi apenas uma semana, mas foi uma semana bem preenchida e bem texiana graças ao planeamento do Carlos Moreira que organizou então todo o roteiro da família Francisco por terras locais.

A família Francisco (Fátima, Andreia Sofia, Ana Beatriz e José Carlos Francisco) na Praia das Maçãs

Carlos Moreira e José Manuel Cristóvão

Quarta-feira, dia 15 de Agosto, feriado de Assunção de Nossa Senhora, foi o dia privilegiado para os convívios texianos, devido ao facto de ter sido então feriado nacional e logo pela manhã eu e o Carlos Moreira deslocamo-nos até Queluz, local de nascimento de D. Pedro I, proclamador da independência brasileira e de seu irmão D. Miguel que lutou contra ele, para visitar o pard José Manuel Cristóvão que nos recebeu, acompanhado pelos seus pais, com uma simpatia extrema, mostrando-nos a sua respeitável biblioTEX e onde passamos uma hora muito agradável com Tex e as amizades que o Ranger proporciona sempre como tema central de conversa.

José Carlos Francisco e José Manuel Cristóvão

Fátima, Andreia, Beatriz, Teresa e Carlos na Baía de Cascais

Da parte da tarde, fizemos um passeio até à Vila de Sintra, Património Mundial da UNESCO, onde podemos encontrar testemunhos de praticamente todas as épocas da história portuguesa e, não raro, com uma dimensão que chegou a ultrapassar, pela sua importância, os limites deste território. Passeio esse efectuado pela família Moreira (Carlos e Teresa), família Francisco (José Carlos, Fátima, Andreia e Ana Beatriz), pela família Marques (Mário, Lurdes, João e Sofia) e ainda por Orlando Santos Silva, um jovem e conceituado advogado de Lisboa, que considera que o sentimento de justiça de Tex está sempre bem presente nas suas aventuras, mas que por vezes exagera um bocado, principalmente nos métodos que utiliza para tirar informações das pessoas, leia-se vilões…

Convívio Familiar e Texiano à mesa de uma esplanada em Sintra

Finalizo este texto confirmando que foi uma tremenda alegria para mim e para toda a minha família termos tido óptimos momentos com as nobres famílias Moreira e Marques e com os pards José Manuel Cristóvão e Orlando Santos Silva, pois com Amigos deste naipe é lógico que a nossa semana só poderia ser maravilhosa.

Vida longa a Tex, que aproximou pessoas tão especiais.

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Joe Kubert, desenhador de Tex, O Cavaleiro Solitário, faleceu no passado dia 12 de Agosto

JOE KUBERT (1926-2012)

JOE KUBERT (1926-2012)

Joe Kubert, nome mítico dos comics americanos e senhor de uma carreira muito preenchida, em que abordou os mais diversos géneros, com destaque para “Sargento Rock”, “Enemy Ace” e “Tarzan”, não esquecendo a sua participação especial em Tex, numa história (O Cavaleiro Solitário) de 224 páginas publicada originalmente na Itália, em 2001, para a série Tex Gigante,  e que levou seis anos a desenhar, faleceu no passado domingo, dia 12 de Agosto.

Dedicatória de Joe Kubert para Carlos Moreira

De seguida, num texto de Pedro Cleto, publicado originalmente no seu blogue, vamos ficar a conhecer um pouco mais da trajectória deste talentoso autor de banda desenhada:

Desenhador de traço personalizado, duro e agreste, e professor de quadradinhos, Joe Kubert faleceu no passado domingo, dia 12, à noite.

Natural de Yzeran, na Polónia, ainda bebé foi levado pelos pais para os Estados Unidos, onde viria a desenvolver uma notável carreira nos quadradinhos, iniciada logo aos 12 anos, quando apagava o lápis e passava a tinta as pranchas de outros autores.

Após frequentar o High School of Music and Art de Nova Iorque, com 16 anos regressou aos quadradinhos, trabalhando como assistente de Jack Kirby, entre outros.

Numa carreira longa e diversificada, na qual se contam passagens por super-heróis como Flash, Hawkman, Blue Beetle ou Punisher, uma experiência em BD 3D com Mighty Mouse, tiras diárias de Big Ben Bolt ou mesmo um Tex Gigante para a editora italiana Sergio Bonelli, a sua criação mais conhecida será, possivelmente, “Sargento Rock” (1959), um conjunto de histórias bélicas com um certo tom humano, ambientadas na II Guerra Mundial.

Outro dos seus projectos foi “Tales of the Green Berets” (1965) (“Boinas verdes” na versão publicada em Portugal pelo Mundo de Aventuras), uma tira diária sobre as façanhas dos comandos norte-americanos na Guerra do Vietname, mas que teve pouco sucesso por ter sido lançada na época de maior contestação àquele conflito.

Redimiu-se nos anos 1970 com uma das mais duras e selvagens versões conhecidas de Tarzan (igualmente divulgada no Mundo de Aventuras), fundando de seguida a Joe Kubert School of Cartoon and Graphic Art, em Nova Jersey, por onde passaram alguns dos maiores desenhadores da actualidade.

“Abraham Stone” (1991), com o seu filho Andy Kubert, “Fax from Sarajevo” (1995), sobre o inferno vivido pelo seu agente nos Balcãs, durante a guerra civil que se seguiu ao desmembramento da ex-Jugoslávia, ou “Yossel” (2004), ficção sobre o que teria sido a sua passagem pelo campo de concentração de Auschwitz, se os seus pais não tivessem emigrado para os EUA, foram algumas obras de cariz mais pessoal, que o afirmaram como um dos maiores desenhadores de comics de sempre.

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