Tex no Brasil – Justiça a Qualquer Preço, o novo livro de G.G.Carsan dedicado a Tex

Por José Carlos Francisco

Prezados amigos texianos, coleccionadores e leitores de histórias aos quadradinhos, é com muita satisfação, orgulho e prazer que o blogue do Tex informa que G.G. Carsan, o autor do livro Tex no Brasil – O Grande Herói do Faroeste, livro temático dedicado ao nosso Ranger e que foi publicado pela editora Sal da terra em 2009, lançará em breve o seu segundo livro sobre a personagem Tex, reportando-se à sua saga no Brasil. O título: Tex no Brasil – Justiça a Qualquer Preço. Um livro que não pode faltar na estante de nenhum coleccionador de Tex , nem nas mãos de quem é apaixonado por quadradinhos.

Capa do novo livro de Tex escrito por G.G.Carsan

O lançamento será no dia 27 de Setembro de 2012, às 20:00h, na cidade de João Pessoa – PB e a 6ª. Expo-Tex segue até o dia 30, dia do seu aniversário, Dia Nacional do Tex no Brasil.

Neste livro, G.G.Carsan realiza diversos estudos sobre o universo de Tex, com ênfase para Tex Coleção, Portal TexBr, A Justiça a Qualquer Preço do nosso herói, Coleccionadores, a Lista de Tex que esclarece como e onde as aventuras foram publicadas, Tex a Cores, Os Grandes Momentos que serviram de base para a personagem se fixar no Brasil e os Desencontros e Questionamentos ocorridos ao longo de 40 anos de publicação. De brinde, uma entrevista com Júlio Schneider. E mais alguns estudos importantes: surpresa.

G.G.Carsan mostrando a sua primeira obra texiana

Serão 230 páginas, 100 imagens, 20 páginas a cores. 10 capítulos e 4 anexos, além de imagens de Fabio Civitelli, Claudio Villa, Aurelio Galleppini, etc.

A obra terá também 7 participações especiais com belos desenhos enviados por brasileiros  e um europeu: Mike Deodato Jr., Fred Macedo, Emir Ribeiro, Jack Herbert, Bira Dantas, Carlos Brandino e Angelo France. O desenho europeu veio dos consagrados autores italianos Giancarlo Malagutti e Manlio Truscia.

Segundo G.G.Carsan, dia 3 de Setembro será iniciada a pré-venda. Os coleccionadores brasileiros interessados deverão depositar os valores na conta indicada pelo autor e os livros estarão sendo enviados tão logo saiam da gráfica, e com um diferencial: com a numeração mais baixa possível. Quem adquirir o livro 2 (Tex no Brasil – Justiça a Qualquer Preço) na pré-venda, poderá adquirir o livro 1 (Tex no Brasil – O Grande Herói do Faroeste) com desconto de 50%. O frete (R$ 5,50 por livro) é por conta do comprador.

Para quem quiser então encomendar esta obra, que já nasceu fadada ao sucesso, antes que se esgote (a tiragem é de apenas 300 exemplares), inclusive os leitores portugueses, italianos ou de outros países (para estes G.G.Carsan explicará pessoalmente como proceder para o adquirir)  deve então contactar o autor através do e-mail querolivrotex@gerafoto.com

G. G. Carsan e Fabio Civitelli

Para finalizar, G.G.Carsan informa que desde já todos os leitores do blogue do Tex estão convidados para o evento de lançamento!

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Vídeo: Fabio Civitelli desenha Tex

Por José Carlos Francisco

No vídeo – produzido por Gianluca Gulmini e realizado por Mauro Casanova (conhecidos, respectivamente nos fóruns dedicados às personagens Bonellianas na Internet por Lukas Luke e Jsteele88) para a Zagor TV – que damos a conhecer hoje no blogue do Tex, temos a oportunidade de ver Fabio Civitelli, o histórico desenhador de Tex que depois de cinco passagens por Portugal (Moura em 2007, Amadora em 2008, Beja em 2010, Viseu em 2011 e Porto em 2012) em breve estará pela terceira vez no Brasil onde será uma das estrelas mais cintilantes dos eventos brasileiros Festcomix e Gibicon, a desenhar um belíssimo Tex, durante a Mostra intitulada “Il mio Tex” que se realizou no passado dia 12 de Maio na cidade italiana de Albissola Marina:

Entrevista com o fã e coleccionador: Marino Silverio Felipetto

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Marino Silverio Felipetto: Eu nasci em 29 de Maio, de 1961, na cidade brasileira de Alecrim, Rio Grande do Sul. Morava na roça e em 1969, entrei na escola, já com oito anos de idade. Lembro que uma vez a professora colocou na parede da sala de aula, um quadro com várias gravuras e pediu que desenhássemos qualquer figura dali. Fui o mais rápido e o mais preciso da turma. A professora fez-me um grande elogio, e então tive que desenhar para os coleguinhas da turma.
A partir daí, quando surgia algo desse género, eu era requisitado, o que me deixava muito satisfeito. Foi assim no primário, e também nos anos que se seguiram. Uma vez na 6ª série, o colégio lançou um concurso para desenhar um cartão para o dia das mães, e aquele que fosse o escolhido, seria distribuído para todos os alunos para entregarem às suas respectivas mães. Como eu morava na roça, percorria uma distância de dez quilómetros da minha casa até o colégio, e ao chegar em casa, fui até o jardim e apanhei uma rosa. O meu desenho foi uma mão segurando a rosa. Grande foi a surpresa quando saiu o resultado. Tive a alegria de ficar famoso, pois fui o vencedor do concurso.
Nos anos seguinte, levei a vida normal, estudando e sempre aprontando para os vereadores, prefeitos e pessoas da minha cidade, pois tinha facilidade em desenhar os seus rostos, fazendo alguma charge que eu mesmo inventava.
Em 1995, comprei o meu primeiro computador, e então a arte de desenhar foi ficando de lado, pois a máquina já me dava os desenhos quase prontos, pois nessa data eu já tinha o meu próprio negócio, que continuo até hoje; sou Designer Gráfico, e tenho um pequeno negócio onde faço painéis de propaganda, fachadas, autocolantes, faixas e letreiros.

Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
Marino Silverio Felipetto: Em 1973, o meu irmão estudava na cidade e apareceu em casa com um exemplar de Tex. Era “O Corcel Sagrado”, editado pela Vecchi. Na cidade só tinha uma banca de revistas, e vinha um exemplar a cada mês.

Foi então aí que descobriu Tex?
Marino Silverio Felipetto: Sim, a partir daquele número, comecei a ler Tex e não parei mais.

Porquê esta paixão por Tex?
Marino Silverio Felipetto: Acho que pela apreciação que tinha pelos desenhos. Na época, não aparecia na revista o nome do desenhador, mas eu notava a diferença entre um e outro. Basicamente os desenhadores eram Galep, Nicolò e Letteri. Notei que ao ler “O Caçador de Criminosos”, vi um estilo diferente nos desenhos. Muito tempo depois fui saber que era arte de Virgílio Muzzi.  Quando li “Vingança de Índia”, também despertou o interesse em saber quem desenhara aquele exemplar. Mais tarde fui descobrir  que era arte de Ticci.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Marino Silverio Felipetto: Sempre há um que se destaca. Certamente pela sequência das histórias e a continuação nas publicações. Tex é um herói que não se perdeu no tempo como tantos outros que não tiveram êxito.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção? E qual a mais importante para si?
Marino Silverio Felipetto: Hoje comigo não tenho muitos exemplares, pois a colecção está com o meu irmão que mora no interior. Não tenho uma sequência certa das publicações. Vou na banca e escolho aquelas em que me agrada o desenhador. Dou preferência às desenhadas por Fusco e Ticci.
Não tenho uma preferência por aquela ou essa revista, mas uma que ficou na memória e foi uma das primeiras que li foi “O Caçador de Criminosos”, (Tex nº 32, Editora Vecchi) desenhada por Virgilio Muzzi.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Marino Silverio Felipetto: Compro apenas Tex. Formato normal e gigante.

Qual o objecto Tex que mais gostava de possuir?
Marino Silverio Felipetto: Espero que a revista mude o seu formato, pois acho o tamanho muito pequeno onde as letras ficam muito miúdas dificultando a leitura.

Qual a sua história favorita? E qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Marino Silverio Felipetto: Não tenho uma favorita, só acho algumas menos interessantes. Há algumas que leio várias vezes; aprecio muito o desenho.
Para mim, quem tem a precisão e o verdadeiro estilo de um faroeste é Givanni Ticci. Esse é inconfundível. Sei que ele teve o Alberto Giolitti como mestre, mas também teve seus seguidores. Imagino que Fernando Fusco também apreciava a arte de Ticci, pois teve uma grande progressão no traço, que na minha opinião, foi um óptimo desenhador. Sempre apreciei o estilo do Virgilio Muzzi, mesmo sabendo que ele não desenhava o rosto de Tex; Virgilio também não conseguia representar diferentes fisionomias, pois as personagens eram idênticas, diferenciadas somente na barba e bigode.
Quanto aos argumentistas, todos têm seus méritos, pois acredito que para escrever uma história para Tex, é necessário um vasto conhecimento e ser possuído de uma memória extraordinária.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Marino Silverio Felipetto: A arte. Aprecio muito o traço do artista. Ao comprar um exemplar, escolho pelo desenhador.
O que me agrada menos, também é a arte. Talvez os leitores não vão acreditar, mas não aprecio muito exemplares desenhados por Galep, Nicolò e Letteri. É sempre o mesmo estilo: é Tex indo, Tex vindo, Tex de pé, sentado, e sem falar da fisionomia das personagens, que são todas iguais. Se pegarmos o Carson e tirarmos o bigode e acrescentar cabelo preto, fica o Tex. Acho que todos os desenhadores tiverem três fases na carreira: no início, onde o traço era um pouco indefinido, no meio, onde tinham uma precisão no traçado, e no final, talvez devido à idade, acredito que já não tinham mais firmeza ao desenhar. Falo dos desenhadores que já se foram, e dos que estão com idade avançada.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Marino Silverio Felipetto: Pelo modo como actua; sempre justiceiro, tendo atitudes sempre correctas, no combate a malfeitores e bandidos.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Marino Silverio Felipetto: Sempre que possível, troco exemplares com outros coleccionadores.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Marino Silverio Felipetto: Acredito que não gostaria de ver um Tex sessentão, já em carreira avançada, sendo lerdo em seus movimentos e passando a maior parte do tempo sentado na reserva navajo, olhando para o horizonte, sem ter mais perspectiva de nada.

Prezado pard Marino Silverio Felipetto, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

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Tex, Carson e Jack Tigre por João Amaral

Por José Carlos Francisco

João Amaral, o consagrado autor português de banda desenhada que já conta com quatro álbuns publicados: A Voz dos Deuses, História de Manteigas – No Coração da Estrela, Bernardo Santareno – Fragmentos de uma Vida Breve e História de Fornos de Algodres – Da Memória das Pedras ao Coração dos Homens, para além de ter colaborado também no álbum Vasco Granja – Uma Vida. Mil Imagens e de ter publicado nas Selecções BD, Rua Sésamo, jornal Cruz Alta e Alentejo Popular e ilustrado o livro A Espada Desaparecida, de Fernando Bento Gomes e de ter efectuado também ilustrações para publicidade, é um grande fã e coleccionador da mítica personagem italiana Tex Willer como poderemos constatar em breve devido a uma entrevista que o autor está a conceder ao blogue do Tex, se bem que esse facto já é muito conhecido devido ao João Amaral ser uma presença constante nos eventos realizados em Portugal onde o desenhador italiano Fabio Civitelli, um seu grande ídolo, tem marcado presença.

Enquanto a entrevista não é publicada e para aguçar ainda mais a vontade de lê-la e de ficar a conhecer melhor o João Amaral, damos a conhecer de seguida uma fantástica ilustração realizada pelo autor português (com a devida dedicatória ao pard José Carlos El Francisco) e onde comparecem Tex Willer, Kit Carson e Jack Tigre, ilustração essa em duas fases: a primeira ainda como esboço e a segunda já finalizada como podemos observar de seguida:

Nesta sua estreia a desenhar algo relacionado com o ranger e os seus ambientes João Amaral optou por incluir o Jack Tigre, porque é uma personagem da qual gosta muito e, pensa que nos últimos tempos não tem aparecido muito (pelo menos nas aventuras que tem lido). Em relação ao que os três pards estão a fazer ou a pensar, bem, isso deixa à consideração dos nossos leitores. Basta usar a imaginação.

Podemos é dizer que o João Amaral optou exactamente por incluir o Tigre, como homenagem às suas brincadeiras de criança (sim, ele brincou muito aos cowboys com um seu vizinho), onde a sua personagem era sempre a de um renegado índio. Talvez por isso é que o João Amaral gosta do Tex. E também não é por acaso que, quando o Fabio Civitelli lhe fez um desenho, o autor pediu que representasse o Tex como Águia da Noite. Pronto, o João Amaral sempre teve uma simpatia pelos índios, não há nada a fazer, eh! eh! eh!

Mas para quem quiser conhecer melhor este autor que é um fã e admirador de Tex, recomendamos uma visita ao seu blogue:  http://joaocamaral.blogspot.pt/ e claro que visitas e comentários serão sempre apreciados por parte de João Amaral.

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As Leituras do Pedro: J. Kendall – Aventuras de uma Criminóloga #86 – A sangue quente

As Leituras do Pedro*

J. Kendall – Aventuras de uma criminóloga #86 – A sangue quente
Giancarlo Berardi e Maurizio Mantero (argumento)
Laura Zuccheri (desenho)
Mythos Editora (Brasil, Janeiro de 2012)
135 x 178 mm, 132 p., pb, brochado, mensal
4,00 €

  1. Se é normal na banda desenhada – nos comics de super-heróis e na maior parte das séries franco-belgas – a existência de um “vilão de serviço” recorrente, sempre pronto a opor-se aos desígnios dos heróis, de forma algo surpreendente isso é pouco habitual nos heróis Bonelli, pese todo o potencial para que tal acontecesse.
  2. E se surgem alguns inimigos que se destacam – Mefisto em Tex, Hellinger em Zagor, de forma mais evidente, Hogan em Mágico Vento – na maior parte dos casos as suas aparições são quase residuais se considerado o elevado número de histórias de cada um daqueles heróis.
  3. Por maioria de razões – desde logo pelo realismo do relato e pelo evidente privilegiar das componentes emocionais e psicológicas – isso também não acontece em Julia Kendall.
  4. O que – apesar da evidente contradição – não impede que “A sangue quente” apresente o terceiro confronto entre a criminóloga de Garden City e a serial killer Myrna, que foi, recorde-se, o centro da sua primeira investigação nos três números iniciais desta colecção.
  5. Fugida da cadeia, há longo tempo desaparecida, Myrna “ressuscita” aqui para se vingar como não podia deixar de ser, mais engenhosa e inteligente, também mais perigosa e, sem dúvida, mais desequilibrada, demonstrando uma obsessiva – e até quase incómoda para o leitor – relação de amor/ódio por Julia, na qual paixão e vingança se confundem (e atrapalham?), numa espiral de sexo e sangue apresentada num crescendo ao longo deste tomo – onde a violência e a sensualidade atingem níveis invulgares no contexto da série – mesmo que o(re)encontro final entre ambas se revele breve e defraude mesmo – mas apenas sob certo ponto de vista – as perspectivas criadas ao longo de uma centena de pranchas repletas de grande tensão emocional.
  6. Embora – por isso – deixe em aberto nova confrontação, num futuro que se adivinha mais ou menos distante, que se espera tenha (pelo menos) a mesma qualidade, força e emoção deste.
  7. Este regresso de Myrna, se evoca duas das mais fortes narrativas de Berardi nesta série – que mais uma vez confirma a elevada qualidade da sua escrita pela forma como desenvolve o relato aproximando pouco a pouco Julia e Myrna – evidencia também as mudanças que a “sósia” de Audrey Hepburn sofreu ao longo destes mais de sete anos de investigações.
  8. Porque Julia tem mudado. Mudou. Como qualquer leitor atento facilmente percebeu. Sem perder a sua feminilidade e a sua fragilidade, tem agora uma maior auto-confiança, uma forma diferente de se abrir, de se relacionar (e de se dar), uma outra capacidade de enfrentar as situações limites que as suas escolhas tantas vezes provocam, a exemplo do que acontece neste número quando – finalmente – se vê de novo frente a frente com Myrna.

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    *Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro
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