Infelizmente não posso fazer isso..
Bom dia a todos. Eu tentei adiar o mais possível a minha contribuição à louvável iniciativa do blogue português do Tex, não tanto pela minha tendência a deixar para depois de amanhã o que se podia fazer ontem, quanto porque, depois de um ano quase exacto, eu ainda não assimilei o luto pela morte de Sergio. A sua partida envolveu muitos aspectos: amizade, trabalho, filosofia de vida, hábitos que se formaram em quase meio século de companhia assídua, e não me sinto bem em resumir a coisa com um simples elogio santificador (“Era tão bom!“, como no filme O Viúvo Alegre, com Alberto Sordi, uma película muito apreciada por Bonelli e por mim) que, devo dizer, ele não apreciaria nem um pouco. Um passo após outro, eu conseguirei juntar todos os elementos e, talvez, em outra ocasião, poderei expressar algo mais que um amontoado de sensações confusas. Por ora eu quero dizer que com frequência eu me vejo a tentar imitar os lados melhores de Sergio – o seu requinte, o relacionamento verdadeiramente afectuoso e sempre com grande respeito por seus leitores, a sua capacidade de narrar. E que, com frequência ainda maior, sobretudo quando estou em algum lugar que ele gostava de modo particular – por exemplo, em Londres, há pouco menos de um mês –, eu me surpreendo a pensar “Sergio gostaria muito disto, preciso lhe contar quando voltar“. Só que, infelizmente, não posso fazer isso.
Tradução e adaptação: Júlio Schneider
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