Por José Carlos Francisco (texto) e Moreno Burattini (fotos)
Ao final do dia desta última quinta-feira, dia 18 de Outubro, Fabio Civitelli, Roberto Diso e Moreno Burattini, três dos mais consagrados autores italianos pertencentes aos quadros da Sergio Bonelli Editore, encontraram-se no aeroporto Leonardo da Vinci (o mais importante de Roma), geralmente chamado de Aeroporto Fiumicino, para juntos rumarem para São Paulo de modo a participarem todos os três em dois dos maiores eventos relacionados com a banda desenhada de toda a América Latina, o 19º Fest Comix que já está a decorrer em São Paulo e a Gibicon nº 1 em Curitiba que abrirá as suas portas a 25 de Outubro, encerrando-as a 27 deste mesmo mês.
No aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, cerca das 6 horas da manhã aguardava o conceituado trio de autores que viajaram por quase 12 horas seguidas já que o voo não teve escala, Dorival Vitor Lopes, editor da Mythos Editora e Júlio Schneider, consultor e tradutor bonelliano, para darem as boas vindas a Fabio Civitelli, Roberto Diso e Moreno Burattini.
São então as primeiras horas do trio de autores em São Paulo, Brasil, que incluem inclusive um churrasco de inauguração da nova sede da Mythos Editora, que o blogue do Tex dá a conhecer de seguida, numa sucessão de belas fotos da autoria de Moreno Burattini(para ler as legendas das fotos passe com o rato por cima da imagem)…
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Por José Carlos Francisco (texto) e Moreno Burattini (foto)
Fabio Civitelli no aeroporto de Fiumicino prestes a embarcar para São Paulo
Fabio Civitelli, o consagrado desenhador italiano que pela terceira vez se desloca ao Brasil para gáudio dos seus fãs e admiradores, comparecerá nos dias 20 e 21 de Outubro, graças a um empreendimento conjunto entre a Mythos Editora e a Livraria Comix, no Fest Comix que se realizará no Centro de Convenções São Luis, próximo à Avenida Paulista, onde serão lançadas duas edições especiais de Fabio Civitelli: O meu Tex, um livro impresso em preto e branco num papel nobre, capa dura e no inovativo formato 29×29 cm, contendo 90 ilustrações inéditas de Fabio Civitelli realizadas num período de dezassete anos e o Tex Gigante #27, A cavalgada do morto, com argumento e roteiro de Mauro Boselli.
Edições que poderão ser adquiridas com desconto, para além de serem enriquecidas com um autógrafo de Civitelli, mas também de Moreno Burattini, argumentista de Zagor que também comparecerá ao evento brasileiro (tal como Roberto Diso) e que é o autor dos textos que resumem cada uma das magníficas ilustrações da autoria de Fabio Civitelli no livro “O meu Tex“.
Como forma de agradecimentoe para assinalar esta sua nova presença no Brasil, Fabio Civitelli fez um desenho exclusivo e alusivo à efeméride, desenho esse que oblogue português do Tex tem o privilégio e a honra demostrar em antestreia mundial num rigoroso exclusivo:
TEX NA CATEDRAL DE SÃO PAULO
Fabio Civitelli elegeu a Catedral de São Paulo, um dos cinco maiores templos neogóticos do mundo, como pano de fundo para ilustrar esta nova presença de Tex na cidade de São Paulo. A catedral é a maior igreja de São Paulo, com 111 metros de comprimento, 46 de largura, duas torres com 92 metros de altura e uma enorme cúpula. Tem capacidade para abrigar 8.000 pessoas. No acabamento foram usadas 800 toneladas de mármore. Suas medidas a tornam uma das maiores igrejas do Brasil e do mundo. Em termos arquitectónicos, a igreja tem forma de cruz latina, com cinco naves e transepto com cúpula sobre o cruzeiro. A fachada, dotada de um portal principal e uma grande rosácea, é flanqueada por duas altas torres. O estilo elegido foi o neogótico, então em voga no Brasil, mas a cúpula é inspirada por estruturas renascentistas como o célebre domo da Catedral de Florença.
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O popularíssimo fã e coleccionador brasileiro G. G. Carsan lançou na Fundação Casa de José Américo, na cidade de João Pessoa, capital do Estado da Paraíba, Brasil, no passado dia 27 de Setembro, o seu novo livro ‘Tex no Brasil – Justiça a Qualquer Preço’ e hoje no blogue do Tex vamos mostrar algumas fotos desse marcante evento texiano.
“Tex no Brasil – Justiça a Qualquer Preço“, tem 230 páginas e é muito bem ilustrado com imagens da saga texiana e desenhos inéditos feitos por vários autores brasileiros. O livro faz uma viagem por Tex Coleção e Tex a Cores, define os pilares que garantiram o sucesso fenomenal de Tex no Brasil, simboliza o ‘modo Tex’ de fazer justiça, opina e aponta os questionamentos e desencontros ocorridos ao longo do tempo, com enredos, desenhos e personagens.
O livro traz ainda uma entrevista com Júlio Schneider (tradutor, consultor e coleccionador de Tex) e tem as colaborações de Gervásio Santana e Rodrigo Bratz (TexBR). O autor faz uma prestação de informações sobre o Livro “Tex no Brasil – O Grande Herói do Faroeste” lançado em 2009 e alguns causos texianos engraçados. Dentre as novidades estão as participações de três desenhadores paraibanos, de maior destaque nos cenários brasileiro e internacional, que interpretaram Tex a seu modo: Emir Ribeiro, Mike Deodato e Jack Herbert.
Quem ainda não comprou este novo livro dedicado à trajectória do Ranger no Brasil, pode fazê-lo neste próximo fim de semana no decurso da 19ª Edição do Fest Comix, o maior evento relacionado com a banda desenhada no Brasil, devido à presença do autor G. G. Carsan, que fará um novo lançamento em São Paulo e onde os fãs para além do autógrafo do autor podem conseguir facilmente os autógrafos de Fabio Civitelli e Roberto Diso, dois dos mais consagrados desenhadores italianos, já que ambos os autores, acompanhados de Moreno Burattini, argumentista de Zagor, estarão também presentes no Fest Comix, assim como também estarão os principais responsáveis do staff da Mythos Editora.
Para quem não puder comparecer ao evento, há sempre a possibilidade de comprar a obra texiana ao próprio autor e para isso há que escrever para querolivrotex@gerafoto.com.
Para o final e para aguçar ainda mais o apetite para adquirir esta verdadeira bíblia texiana deixamo-vos com o vídeo promocional, mas para saber tudo sobre este lançamento da autoria de G. G. Carsan, clique AQUI!
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Entrevista conduzida por José Carlos Francisco, com a colaboração de Giampiero Belardinelli na formulação das perguntas, de Júlio Schneider (tradutor de Tex para o Brasil) e de Gianni Petino na tradução e revisão e de Bira Dantas na caricatura.
Caro Luigi Siniscalchi, bem-vindo ao blogue português de Tex. Como nasceu sua paixão pelo desenho? Por quais BDs você se apaixonou quando criança e, depois, quando adolescente? Luigi Siniscalchi: Obrigado pelo convite! Sim, antes de tudo está a paixão pelo desenho, que eu creio que já nasceu comigo, depois o estudo de grandes artistas do passado, graças ao meu irmão Eugenio, que sensibilizou-me nesta direcção. Leonardo Da Vinci era o seu ídolo, sem falar de Michelangelo Buonarroti e Caravaggio, de quem eu copiava sem parar (sem muito jeito) figuras e anatomias. Assim que acabei o ensino médio, comecei, quase naturalmente, os estudos artísticos. No Liceu eu conheci aquele que foi o mestre com M maiúsculo: Matteo Sabino, conhecido aguarelista de paisagens da costa cilentana (da qual ele era nativo) e salernitana. Ainda hoje as suas palavras e seus ensinamentos estão presentes no meu trabalho de estudo, pesquisa e experimentações. O meu primeiro contacto com a BD foi com os comics americanos, os super-heróis de Buscema, Gil Kane, Romita, os bonellianos Galleppini, Fusco, Diso e o Magnus de Alan Ford. Eu gostava muito de ler Mickey Mouse, de quem eu apreciava as histórias desenhadas por Romano Scarpa e Giorgio Cavazzano.
Depois de se formar no liceu artístico da sua cidade (Salerno), você entrou em contacto com Giuliano Piccininno: como aconteceu de trabalharem juntos? Luigi Siniscalchi: Na verdade eu queria fazer desenhos animados, mas na minha cidade não havia muitas chances de frequentar estúdios de animação para ganhar experiência e eu era muito jovem para ir a Milão. E, naquela idade, fazer quadradinhos era o sistema mais rápido para concretizar com relativa velocidade um projecto escrito e desenhado. Antes de pensar no ganho, a minha preocupação sempre foi a de produzir algo com qualidade decente. Foi quase por acaso que conheci Giuliano Piccininno, na época desenhador de ponta de Alan Ford junto com Raffaele Della Monica (hoje desenhador de Zagor): eu fui ao seu estúdio, já que ele morava na mesma cidade, para mostrar meus trabalhos singelos e cópias de Buscema e seu Conan, o Cimério, quando ele me propôs fazer o lápis e alguns cenários de fundo em páginas que ele mesmo havia esboçado.
Como você julga, hoje, aquela experiência profissional?
Luigi Siniscalchi: Para mim não era um trabalho, eu não tinha ambições de ganho, mas só a vontade de não fazer feio com o meu mestre. E o modo de me relacionar com o meu ofício de banda desenhista não se alterou com o tempo. Eu recebi muitos ensinamentos de Giuliano Piccininno, principalmente no que diz respeito à linguagem da BD, a narração, o que colocar em cena e o que não enquadrar porque não tem serventia na história. Claro que entrar directamente em contacto com alguém que conhece de perto a técnica de arte-finalizar e os meios a usar, é o máximo para quem aspira a seguir esta profissão.
Em seguida você trabalhou para as revistas eróticas da EPP e começou a assinar suas páginas. Você a considera uma experiência de pouco valor ou, como muitos, acredita que os chamados populares eróticos são dignos de ser reconhecidos com atenção?
Luigi Siniscalchi: Eu recordo-me daquele período com muita positividade. O envolvimento com a BD hard, que até aquele momento eu considerava de mau gosto, fez-me reavaliá-la, graças à qualidade do trabalho dos meus colegas (Bruno Brindisi, Luigi Coppola e Roberto De Angelis) e dos roteiristas brilhantes, e à atenção e cuidado do editor da EPP com as nossas produções. E assim nasceu o estúdio Trumoon Inc., considerado mais um local de união e comparação (n.t.: um aprender com o trabalho do outro) do que um estúdio tradicional para trabalhar. Esclareço: até aquele momento eu conhecia estúdios de BD em que cada desenhador fazia uma parte da história (cenários, personagens, lápis ou arte-final), e ali cada um de nós fazia todo o trabalho de forma individual. Profissionalmente foi necessário. O tipo de BD que eu desenhava exigia toda uma série de elementos realísticos, e não me refiro somente à necessidade de ilustrar cenas eróticas (em que a anatomia humana está no centro da atenção do leitor), mas automóveis, ambientes, actuação das personagens, são todos elementos importantíssimos, e por isso eu considero que aquela foi uma experiência de valor altíssimo!
A ACME de Francesco Coniglio foi outra academia fundamental para muitos desenhadores e roteiristas: teria sido essa experiência a encaminhá-lo para os quadradinhos populares de autor da Sergio Bonelli Editore?
Luigi Siniscalchi: Claro! Uma verdadeira academia, se feita no jeito certo e com uma dieta alimentar adequada. Coniglio tinha uma ideia bem precisa do estilo a publicar, e ficava muito atento ao trabalho de seus colaboradores. Eu recordo-me de tardes passadas com agradáveis conversas sobre BD, na Rua Ravenna, onde ficava a sede da Editora Acme. Com certeza ele também contribuiu para me transmitir a paixão pelas produções bonellianas. Não podemos esquecer que, graças a Francesco, surgiram desenhadores do calibre de Marco Soldi, Stefano Andreucci, Mauro Laurenti, Fabio Valdambrini e os próprios Brindisi e De Angelis. Ou roteiristas como Michelangelo La Neve, Stefano Santarelli, só para citar alguns.
A passagem do terror da revista Splatter (da Editora Acme) para o de Dylan Dog foi importante: qual foi a sua reacção quando comunicaram que você faria parte da equipa dessa série?
Luigi Siniscalchi: As revistas Splatter e Mostri deram-me a possibilidade e a vantagem de fazer com que Tiziano Sclavi me conhecesse antes mesmo que eu apresentasse as minhas páginas de teste para a série. Ele deu-me novas páginas de roteiro de teste e eu fiquei sem palavras quando, na fase de finalização, ele disse “agora vamos em frente!“. Eram as primeiras páginas de Os Matadores do Escuro, de Claudio Chiaverotti.
Fale um pouco das fases que o levaram à Editora da Rua Buonarroti.
Luigi Siniscalchi: A mencionada revista da Acme estava para se encerrar, eu havia há pouco concluído o serviço militar e, por sugestão de Brindisi, decidi fazer três páginas de teste de Dylan Dog. Liguei para Sclavi e pedi um encontro para que ele visse o material. Admito que eu estava pouco convencido do meu trabalho e não esperava muita coisa. Eu era muito jovem e não acreditava muito nas minhas possibilidades, e, muito embora a qualidade da minha produção já estivesse em um nível médio alto, eu pensava que jamais conseguiria entrar na Bonelli e, confesso, assustava-me a ideia de fazer histórias de 94 páginas; eu temia que, durante o trabalho, o meu estilo mudasse. Tiziano ficou impressionado positivamente com um zumbi que eu desenhei (mais do que pelo rosto do Investigador do Pesadelo, como eu disse antes), ele notou um pequeno verme que saía da órbita que, segundo ele, era “fantástico!“.
Por quanto tempo você se ocupou da primeira história que fez para Dylan Dog? E, em nível técnico, quais foram as mudanças em relação à sua produção anterior?
Luigi Siniscalchi: Tecnicamente eu não mudei nada, eu usava os mesmos meios e trabalhava na documentação como já fazia antes. Pela primeira vez eu elaborei a página com as clássicas três tiras bonellianas (com as revistas de Splatter e Mostri, até aquele momento a diagramação era totalmente livre), e confesso que no início eu tive um pouco de dificuldade. Quanto ao tempo de elaboração, levei cerca de quatro meses.
Durante a sua carreira, quais foram as suas referências artísticas?
Luigi Siniscalchi: Bem ou mal, são sempre os mesmos, já citei Romita, Buscema, Kane… e depois, com o passar do tempo, muitos outros. Da escola argentina: Font, Mandrafina, Breccia, Bernet e outros. Os italianos Diso, Civitelli, Milazzo, Stano, Casertano, Ambrosini, Dall’Agnol e por aí vai. Por fim, não em ordem de grandeza, mas por cronologia, eu estudei artistas como Toth, Caniff, Robbins, Munoz.
Depois do terror você passou ao policial e ao noir ao desenhar Nick Raider e Júlia: para fazer Nick Raider você trabalhou sobretudo com Piani e Manfredi; para Júlia, com De Nardo, La Neve e, à distância, com Berardi. Esses autores o ajudaram ao diferenciar o seu modo de elaborar as cenas, ou o facto de trabalhar com muitos roteiristas em poucos anos criou alguma dificuldade?
Luigi Siniscalchi: Cada escritor, com seu estilo narrativo pessoal, forçou-me a mudar alguma coisa no meu modo de ilustrar histórias aos quadradinhos. Dificuldades existem e, devo dizer, são sempre bem-vindas. Esse é o único jeito para crescer e não estacionar num só estilo, o que, com o passar do tempo, pode entediar não só o leitor como também a mim mesmo.
Com Mágico Vento você voltou ao sobrenatural, embora a abordagem de Manfredi seja bem diferente da de Sclavi: quais foram as satisfações ou dificuldades nessa colaboração?
Luigi Siniscalchi: Mágico Vento foi uma bela experiência, não só porque depois de anos eu tive a chance de desenhar – como foi bem colocado na pergunta – histórias de tipo sobrenatural, mas porque eu tive que recomeçar do zero e estudar tudo o que era exigido numa história de género faroeste: a dificuldade em entender o cavalo, não só na anatomia, mas nas poses e na psicologia, para que ele actuasse de modo correcto e agisse de forma certa em circunstâncias particulares. Os ambientes do final do Século 19 e os objectos que o compõem não podem ser inventados, como não se pode usar a fantasia para as armas e seu funcionamento. Eu já havia trabalhado com Manfredi em duas histórias de Dylan Dog, mas com Mágico Vento eu apreciei o seu modo enxuto e eficaz de descrever as cenas, virtude rara entre os roteiristas.
Entre 2006 e 2011 você trabalhou nas duas mini-séries criadas por Pasquale Ruju, Demian e Cassidy. Sem desmerecer nenhuma das duas personagens, qual delas você sente mais próxima ao seu modo de narrar por meio do desenho?
Luigi Siniscalchi: Nos dois casos eu me diverti muito. No primeiro, eu mergulhei num mundo e num género que havia visto no cinema, com os filmes dirigidos ou produzidos por Luc Besson ou Zhang Yimou, e ilustrei uma Marselha – que eu nunca visitei pessoalmente – como uma Nápoles tenebrosa. E Cassidy deu-me a chance de retomar aquele cinema com o qual eu cresci, o dos anos 70, interpretado por Steve McQueen, de género on the road, e também a pescar na memória e nos seriados policiais de TV que me acompanharam desde pequeno, como Starsky & Hutch, para citar só um.
Há alguns meses você está envolvido na aventura de Saguaro: como foi o trabalho de preparação com Bruno Enna (o roteirista criador da personagem) e seus outros colegas?
Luigi Siniscalchi: Os modelos das personagens e parte dos ambientes da série foram idealizados pelo óptimo Alessandro Poli (desenhador de Dylan Dog e capista de Demian e Cassidy) e aos poucos eu e os colegas da equipa estamos a desenhar o resto dos ambientes e personagens secundárias (sempre com base nas minuciosas descrições e supervisão de Bruno).
Quantas histórias de Saguaro você já completou até agora?
Luigi Siniscalchi: Eu estou a completar a minha quarta história, a edição n° 17, intitulada O Ninho da Águia.
Poderia antecipar alguma coisa da história em que está a trabalhar?
Luigi Siniscalchi: Eu tenho poucos elementos da história, para poder contar algo concreto. O certo é que dela participa o feroz inimigo de Thorn, o matador Ray Cobra Brest, malvado e impiedoso como nunca.
Quanto tempo você leva para desenhar uma página? Você segue horários? E como você organiza o dia, entre trabalho, leituras, informações, ócio, vida familiar?
Luigi Siniscalchi: O despertador toca às 06h40, preparo o café para mim e para a minha companheira, e aí, entre levar a filha para a escola e fazer outras coisas, começo a trabalhar às 9h. Paro para o almoço e, se não tenho outros compromissos, trabalho até às 20h/21h. Durante o dia, entre as trocas de fraldas da pequena, acesso o Facebook no tempo livre, onde posso postar os desenhos e onde tenho a chance de trocar opiniões com colegas e leitores. Eu costumo levar um dia inteiro para desenhar uma página e quase sempre completa, mas isso depende muito das dificuldades da cena a ilustrar.
Como é o processo de criação? Você faz uma página completa e depois passa para outra? E quais são os seus instrumentos de trabalho?
Luigi Siniscalchi: Depois de ler o roteiro todo, eu faço o storyboard, muito útil para as sequências e para deixar claro qual o tipo de documentação de que preciso. Depois passo para o trabalho a lápis (faço 15/16) e, por fim, faço a arte-final, Para essa passagem de tinta, antigamente eu usava o pincel fino para as personagens e para alguns detalhes dos cenários, canetas hidrocor para as partes a desenhar com uso de esquadro, e o pincel para as áreas cobertas de preto. Hoje eu uso a prancheta gráfica, principalmente para a arte-final, depois de fazer os traços a lápis e digitalizar a página. Nos últimos tempos tenho usado reticulado, cheio de pontos, para os meios-tons, mas tento o mais possível não abusar disso, não gosto quando vejo o uso excessivo. Em resumo, eu tento não desnaturar o lado artesanal do meu trabalho, e só uso o computador para trabalhar com mais detalhes nas figuras pequenas e nos cenários de fundo, porque assim é possível aumentar os particulares, e não para “impressionar com efeitos especiais“, como dizia o slogan de uma velha propaganda.
Como é o seu relacionamento com os roteiristas? As instruções que eles passam são detalhadas ou o quadradinho é deixado à sua criatividade? Eles fornecem material informativo?
Luigi Siniscalchi: Cada um tem o seu método de trabalho, mas o ponto em comum é o de indicar as referências de leituras e filmes, e o de incluir nos roteiros links de blogues ou sítios Internet. Eu sou muito grato a eles por isso, eu devo entender o mais possível o que se quer que desenhe e como. Para o resto, valho-me dos meus conhecimentos e do meu estilo gráfico, a respeitar o mais possível os enquadramentos indicados e a história escrita pelo roteirista.
Há uma outra série bonelliana para a qual você ainda não trabalhou e que gostaria de desenhar? Em caso positivo, qual seria e porque?
Luigi Siniscalchi: Não quero desmerecer nenhum dos autores da Bonelli e, embora eu não leve muito jeito com diplomacia, digo que gosto de desenhar quadradinhos, seja qual for a personagem e o género (com todas as dificuldades que podem comportar). Creio que é uma boa resposta!
Passemos agora ao Ranger que dá nome a este blogue. Hoje que você é um desenhador bonelliano conhecido e experiente, gostaria de desenhar Tex? Já lhe foi proposto?
Luigi Siniscalchi: Não, nunca recebi essa proposta e, se um dia acontecesse, creio que sentiria uma grande responsabilidade ao encarar o trabalho.
O que significaria para você desenhar histórias de uma lenda da BD como Tex?
Luigi Siniscalchi: Ao encarar uma personagem como Tex Willer, a sensação seria a mesma que teria um actor de hoje ao interpretar o papel de O Mercador de Veneza depois de Laurence Olivier.
Na sua visão, quem ou o que é Tex? O que você gosta mais e o que gosta menos no Ranger?
Luigi Siniscalchi: Eu gosto da acção e do positivismo de um herói íntegro, mas sempre armado de bons sentimentos e, logo, de altruísmo. Isso é Tex, a Aventura com A maiúsculo, não há o que acrescentar ou o que tirar.
Você acha que Tex mudou nos últimos anos? Se sim, sob quais aspectos?
Luigi Siniscalchi: Admito que conheço pouco da época de Gianluigi Bonelli, mas só por questões de data de nascimento: eu comecei a ler com as histórias escritas por Nizzi que, segundo muitos leitores, seguia os passos de seu criador. Pode ser que nos últimos anos, com Boselli e Manfredi, Tex tenha maturado uma conotação mais histórica e as personagens tenham uma caracterização mais moderna, com mais aprofundamentos de natureza psicológica.
Para concluir o tema, come você vê o futuro do Ranger?
Luigi Siniscalchi: Eu espero que seja sempre ele, reconhecível nas suas qualidades e defeitos de homem.
A BD da SBE sempre foi o seu objetivo, ou você gostaria de ter feito a chamada BD de autor, como Pratt, Battaglia, Toppi, Manara?
Luigi Siniscalchi: Como se pode extrair da maior parte das minhas respostas, eu sou um consumidor de BD popular, que eu leio e amo desde sempre. Tenho a firme convicção de que os autores citados jamais se fizeram essa pergunta ao contrário, e as intenções deles não eram as de ser autores, eles simplesmente contaram histórias. E não se pode esquecer que a maior parte dos desenhadores citados vem da BD popular.
Quais são os seus projectos para o futuro? Pode nos antecipar alguma coisa?
Luigi Siniscalchi: Por agora há Saguaro e ele sozinho toma-me muito tempo. Não estou a buscar novos caminhos para expor os meus desenhos e confesso que o envolvimento com novas séries de roteiristas entusiastas e completos como os que trabalham na Bonelli, não permite-me desejar trabalhar para outros mercados que, neste momento e no que me diz respeito, têm bem pouco de mítico. É evidente que não se pode dizer jamais, eu sempre deixo uma porta aberta a novos caminhos para variar e divertir-me.
Quais quadradinhos você lê actualmente, com quais mais identifica-se?
Luigi Siniscalchi: Eu acompanho a produção Bonelli (jamais cansarei de manter sempre alta a bandeira da BD popular) e algumas aparições dos mercados francês, japonês (os mangás) e americano. Infelizmente a minha deformação profissional leva-me a ser conquistado sobretudo pelo desenhador e por vezes tenho a sorte de pescar belas histórias. A mim seria suficiente olhar e reler todas as revistas aos quadradinhos que tenho na minha BDteca para desistir de procurar outra coisa!
Além de quadradinhos, quais são as suas preferências em livros, cinema e música?
Luigi Siniscalchi: Eu adoro cinema da mesma forma que adoro o desenho. Não sou de apreciar filmes intelectuais, mas gosto de tudo o que faz parte de um filão, de um género. Eu vivo períodos de estudo e de aprofundamento por um director ou por um género, a passar do cinema de Scorsese a um filme de terror de série B, como as produções Troma dos últimos trinta anos, ou pelo cinema independente americano de Vincent Gallo e Steve Buscemi. Também já tive o período da Blaxploitation e dos filmes de artes marciais dos anos 70 e das últimas produções de Zháng Ymóu. A música é um componente necessário para o meu trabalho e para a minha vida. Eu escuto tudo o que é evocativo de um período histórico, rock (o progressivo inglês e o italiano), Frank Zappa, Heavy Metal associado aos virtuoses da guitarra eléctrica, rap e toda a música italiana. É um trabalho de busca apaixonante que me acompanha desde sempre. Quanto à literatura, eu sempre devorei os livros noir de Maigret, de Simenon (graças também à atracção pelas esplêndidas capas de Ferenc Pinter), a poesia de Benni (não toda), os romances de Peppe Lanzetta e outros que agora não me vêm à mente… que podem ser vistos na estante da minha sala 😉
Há algo mais que você gostaria de dizer aos leitores sobre Luigi Siniscalchi?
Luigi Siniscalchi: Creio que coloquei todo o meu eu nestas respostas, acho que é tudo. Para concluir, espero manter sempre viva em mim a curiosidade da criança, com a maturidade do adulto, e viver cada dia sem preocupar-me com o futuro que, às vezes, assusta-me um pouco, confesso.
Caro Luigi Siniscalchi, agradecemos muitíssimo pela entrevista que você gentilmente nos concedeu.
Luigi Siniscalchi: Obrigado a vocês por dar-me a oportunidade de analisar a minha carreira profissional e, por conseguinte, a mim mesmo. Quanto devo pela consulta? Um abraço a todos vocês, leitores do blogue português de Tex!
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Intervista condotta da José Carlos Francisco, con la collaborazione di Giampiero Belardinelli per la formulazione delle domande, di Júlio Schneider (traduttore di Tex per il Brasile) e di Gianni Petino per le traduzioni e le revisioni e di Bira Dantas per la caricatura.
Ciao carissimo Luigi Siniscalchi, e benvenuto sul blog portoghese di Tex. Com’è nata la passione per il disegno? Quali letture fumettistiche ti hanno appassionato da bambino e da adolescente? Luigi Siniscalchi: Grazie, benvenuto sul mio PC! Sono d’accordo, prima di tutto c’è la passione per il disegno, che credo sia nata con me; poi lo studio dei grandi artisti del passato, grazie a mio fratello Eugenio, che mi ha “sensibilizzato” in questa direzione. Leonardo Da Vinci era il suo idolo, per non parlare di Michelangelo Buonarroti e Caravaggio, di cui copiavo e ricopiavo (in modo maldestro), figure e anatomie. Intrapresi quasi naturalmente gli studi artistici, appena terminate le scuole medie. Al Liceo conobbi quello che fu il maestro con la emme maiuscola: Matteo Sabino, noto acquarellista di paesaggi della costiera cilentana (di cui era nativo) e salernitani. Ancora oggi le sue parole e i suoi insegnamenti sono presenti nel mio lavoro di studio, ricerca e sperimentazione. Il mio primo approccio al fumetto furono i comics americani, i super-eroi di Buscema, Gil Kane, Romita, i bonelliani Galleppini, Fusco, Diso e il Magnus di Alan Ford. Mi piaceva molto leggere Topolino, di cui apprezzavo le storie disegnate da Romano Scarpa e da Giorgio Cavazzano.
Dopo esserti diplomato nel liceo artistico della tua città (Salerno) entri in contatto con Giuliano Piccininno: come si è svolta la vostra collaborazione? Luigi Siniscalchi: Io in verità avrei voluto fare cartoni animati, ma non c’era molta possibilità nella mia città di frequentare studi di animazione per la “gavetta” ed ero troppo giovane per andare a Milano; fare fumetti era il sistema più veloce a quell’età, per concretizzare in relativa velocità un progetto scritto e disegnato. Prima di pensare al guadagno, la mia preoccupazione è sempre stata produrre qualcosa di qualitativamente decente. Fu quasi un caso se conobbi Giuliano Piccininno, all’epoca disegnatore di punta di Alan Ford insieme a Raffaele Della Monica (oggi disegnatore di Zagor); andavo a studio da GP, che abitava nella mia stessa città, a mostrare i miei pedestri lavori e scopiazzature di Buscema prese da “Conan il Cimmero”, quando mi propose di lavorare per lui nel fare matite e qualche sfondo su abbozzi di tavole impostate dallo stesso Giuliano.
Come giudichi, oggi, quell’esperienza professionale? Luigi Siniscalchi: Per me non era un lavoro, non avevo ambizioni di guadagno, ma solo la volontà di non collezionare pessime figure con il mio maestro; l’approccio con il mio mestiere di “fumettaro” è rimasto immutato nel tempo. Ho avuto tanti insegnamenti da GP, soprattutto per quanto riguarda il linguaggio del fumetto, la narrazione; cosa mettere in scena e cosa non inquadrare perché inutile ai fini della storia. Ovviamente anche l’entrare direttamente in contatto con qualcuno che conosceva da vicino la tecnica dell’inchiostrazione e i mezzi da usare, è il massimo per chi aspira a fare questo mestiere.
In seguito, lavori per i periodici erotici della EPP e inizi a firmare le tue tavole; consideri quell’esperienza di scarso valore, oppure, come molti, consideri i cosiddetti popolari erotici degni di essere riconosciuti con attenzione? Luigi Siniscalchi: Quel periodo lo ricordo con molta positività; l’approccio con il fumetto hard, che fino a quel momento consideravo di pessima fattura, fu da me rivalutato, grazie alla qualità del lavoro dei miei colleghi (Bruno Brindisi, Luigi Coppola e Roberto De Angelis) e degli sceneggiatori brillanti e dall’attenzione e cura verso le nostre produzioni da parte dell’editore dell’EPP. Così nacque lo studio Trumoon inc., da considerare più come luogo di aggregazione e confronto, che come studio tradizionale per lavorare. Mi spiego: fino a quel momento conoscevo studi di fumetti in cui ogni disegnatore si divideva, di un’unica storia, sfondi, personaggi, matite o chine, noi invece facevamo ognuno il proprio lavoro in modo individuale. E’ stato quindi necessario professionalmente; il tipo di fumetto che disegnavo, richiedeva tutta una serie di elementi realistici, e non mi riferisco solamente al dover illustrare scene erotiche (in cui l’anatomia umana è al centro dell’attenzione del lettore), ma auto, ambienti, recitazione e quindi la regia, sono elementi importantissimi, per cui credo proprio che sia stata quella un’esperienza di valore altissimo!
La Acme di Francesco Coniglio è stata un’altra palestra fondamentale per molti disegnatori e sceneggiatori: è stata forse quell’esperienza a lanciarti verso i popolare d’autore della Sergio Bonelli Editore? Luigi Siniscalchi: Giusto! Una vera e propria palestra, se fatta nel modo giusto e con una dieta alimentare adeguata. Coniglio aveva un’idea ben precisa dello stile da pubblicare, quindi attento al lavoro dei suoi collaboratori; ricordo i pomeriggi dipinti di piacevoli chiacchierate sul fumetto, in Via Ravenna, dove c’era la sede della Casa Editrice Acme; sicuramente anche lui ha contribuito a trasmettermi la passione per le produzioni bonelliane. Non dimentichiamo che, grazie a Francesco, sono venuti fuori disegnatori del calibro di Marco Soldi, Stefano Andreucci, Mauro Laurenti, Fabio Valdambrini e gli stessi Brindisi e De Angelis… o sceneggiatori come Michelangelo La Neve, Stefano Santarelli, solo per citarne alcuni.
Il passaggio dall’horror della testata Splatter (della sopracitata Acme) a quello di Dylan Dog è stato importante: qual è stata la tua reazione quando ti hanno comunicato di far parte dello staff delle serie? Luigi Siniscalchi: Le riviste Splatter e Mostri mi diedero la possibilità e il vantaggio di farmi conoscere da Tiziano Sclavi ancor prima di propormi per la serie con le mie tavole di prova. Mi diede ulteriori pagine di sceneggiatura di prova e rimasi allibito, quando in fase di ultimazione delle stesse, mi disse “ora proseguiamo!”… erano le prime de “I Killer venuti dal Buio” di Claudio Chiaverotti.
Puoi raccontarci le fasi che ti hanno condotto alla Casa editrice di Via Buonarroti? Luigi Siniscalchi: La già citata rivista della Acme era in chiusura, io avevo appena finito il servizio militare e, spinto da Brindisi, mi decisi a fare tre pagine di Dylan Dog di prova. Chiamai Sclavi e chiesi un appuntamento per fargli visionare le tavole; ammetto che ero poco convinto del mio lavoro e ci contai poco. Ero molto giovane e credevo poco nelle mie possibilità, anche se la qualità della mia produzione era già ad un livello medio alto, pensavo di non riuscire mai ad entrare in Bonelli e, lo ammetto, mi spaventava l’idea di fare storie di 94 pagine; temevo che in corso d’opera avrei cambiato il mio tratto. Tiziano rimase colpito positivamente da uno zombie da me disegnato (più che dal volto dell’Indagatore dell’Incubo, come ho già detto prima), di cui notò un vermetto che fuoriusciva dall’orbita, a detta sua “fantastico!’’.
Quanto tempo ti ha impegnato il primo episodio che hai realizzato per Dylan Dog? E a livello tecnico quali sono i stati i cambiamenti con la tua precedente produzione? Luigi Siniscalchi: Tecnicamente non ho cambiato nulla, usando stessi mezzi e lavorando sulla documentazione come avevo fatto già in precedenza; per la prima volta ho costruito la pagina con le classiche tre strisce bonelliane (fino a quel momento, con i fumetti di Splatter e Mostri, la gabbia era assolutamente libera) e, inizialmente, non nascondo che ho avuto un po’ di difficoltà. Per quanto riguarda il tempo di realizzazione, ci ho messo quattro mesi, o giù di lì.
Quali sono stati, nel corso della tua carriera, i tuoi riferimenti artistici? Luigi Siniscalchi: Bene o male sono sempre gli stessi, ho già citato Romita, Buscema, Kane… poi si sono affiancati, nel tempo, molti altri; della scuola argentina: Font, Mandrafina, Breccia, Bernet… gli italiani Diso, Civitelli, Milazzo, Stano, Casertano, Ambrosini, Dall’Agnol… e non per ultimo, in ordine di grandezza, ma per cronologia, ho studiato artisti come Toth, Caniff, Robbins, Munoz.
Dall’horror sei poi passato al giallo e al noir disegnando Nick Raider e Julia: per Nick hai collaborato soprattutto con Piani e con Manfredi; per Julia con De Nardo e La Neve e solo marginalmente con Berardi. Questi autori ti hanno aiutato nel differenziare il tuo modo di raccontare le scene, oppure lavorando con molti sceneggiatori nell’arco di pochi anni ti ha creato qualche difficoltà? Luigi Siniscalchi: Ovviamente ogni scrittore, con il suo personalissimo stile narrativo, mi ha “costretto” a cambiare qualcosa nel mio modo di illustrare storie a fumetti. Le difficoltà ci sono e, devo dire, che quelle sono sempre le benvenute. E’ questo l’unico modo per crescere e non congelarsi in uno stile, che a lungo andare può annoiare, non solo il lettore, ma anche il sottoscritto.
Con Magico Vento sei tornato a narrare il soprannaturale, anche se l’approccio di Manfredi è del tutto diverso da quello di Sclavi: quali sono state le soddisfazioni o le difficoltà di questa collaborazione? Luigi Siniscalchi: Magico Vento è stata una bella esperienza, non solo perché dopo anni ho avuto occasione di disegnare storie di tipo soprannaturale, ma perché sono dovuto ripartire da zero e studiare tutto quello che viene richiesto in un racconto di genere Western; la difficoltà di capire il cavallo, non solo nell’anatomia, ma nell’atteggiamento e nella psicologia, per donargli la giusta recitazione e, quindi, farlo reagire nell’esatto modo in particolari circostanze. Gli ambienti di fine ‘800 e gli oggetti che lo compongono, non si possono inventare, così come non si può lavorare di fantasia per le armi e il loro funzionamento. Avevo già lavorato con Manfredi su un paio di storie di Dylan Dog, ma con MV ho apprezzato il suo modo sintetico ed efficace nel descrivere le scene, virtù molto rara tra gli sceneggiatori.
Tra il 2006 e il 2011 hai lavorato alle due miniserie ideate da Pasquale Ruju: Demian e Cassidy. Quali dei due personaggi, senza far torto all’uno o all’altro, senti più vicino al tuo modo di raccontare attraverso il disegno? Luigi Siniscalchi: In entrambi i casi mi sono molto divertito; per il primo mi sono tuffato in un mondo e in un genere che avevo visto al cinema con i film diretti o prodotti da Luc Besson o Zhang Yimou e ho illustrato una Marsiglia, che invece, non avendo mai visitato fisicamente, come una Napoli tenebrosa. Cassidy mi ha dato la possibilità di riprendere quel cinema con cui sono cresciuto, quello degli anni ’70, interpretati da Steve McQueen, di genere “on the road”, o anche ripescando dalla memoria e dai telefilm polizieschi che mi hanno accompagnato da bambino, di Starsky & Hutch, per citarne solo uno.
Da qualche mese sei coinvolto nell’avventura di Saguaro: come è stato il lavoro di preparazione svolto con Bruno Enna (lo sceneggiatore creatore del personaggio) e gli altri tuoi colleghi? Luigi Siniscalchi: I “model sheets” e parte degli ambienti della serie, sono stati visualizzati dal bravo Alessandro Poli (disegnatore di Dylan Dog e copertinista di Demian e Cassidy), poi via via, con i miei colleghi dello staff, stiamo disegnando il resto di ambienti e personaggi comprimari (ovviamente supportati dalle minuziose descrizioni e supervisioni di Bruno).
Quanti episodi di Saguaro hai finora completato? Luigi Siniscalchi: Ora sto lavorando al mio quarto episodio, il numero XVII, intitolato “Il nido dell’aquila”.
Potresti anticiparci qualcosa della storia alla quale stai lavorando? Luigi Siniscalchi: Della storia ho pochi elementi, per poter raccontare qualcosa di concreto, di certo so che rientra in ballo l’acerrimo nemico di Thorn, il killer Ray “Cobra” Brest, più cattivo e spietato che mai.
Quanto tempo impieghi per disegnare una tavola? Hai degli orari? Come si articola una tua giornata tipo fra lavoro, letture, tenerti informato, ozio, vita familiare? Luigi Siniscalchi: Punto la sveglia alle 06.40, preparo il caffè per me e la mia compagna, così tra l’accompagnare la bimba a scuola e faccende varie, comincio a lavorare alle 09.00 del mattino. Stacco per il pranzo e, se non ho altri impegni, lavoro fino alle 20.00/21.00. Nell’arco della giornata, tra qualche cambio di pannolino alla piccola, mi collego al social network Facebook, dove posto disegni, che faccio nel tempo libero e dove ho la possibilità di scambiare opinioni con colleghi e lettori. Solitamente impiego una giornata per disegnare una tavola e quasi sempre la completo… dipende molto dalle difficoltà della scena da illustrare.
Come procedi nella creazione? Fai una pagina completa e dopo passi all’altra? E quali strumenti di lavoro utilizzi? Luigi Siniscalchi: Dopo aver letto l’intera sceneggiatura, passo agli story-board, utilissimi per le sequenze e per rendermi conto del tipo di documentazione di cui ho bisogno. Poi passo al lavoro di matite, ne faccio 15/16 e infine ripasso a china; una volta per l’inchiostrazione, adoperavo il pennino per i personaggi e alcuni dettagli degli sfondi, i pennarelli per quanto riguarda le parti da tirare a squadretta e il pennello per le campiture di nero. Oggi sono passato alla tavoletta grafica, che uso principalmente per inchiostrare, le matite le faccio a parte e le scansiono. Negli ultimi tempi aggiungo del retino piatto puntinato per i mezzi toni e cerco il più possibile di non farmi prendere la mano nell’inserirlo, non amo molto chi ne fa un uso smodato. Insomma cerco di non snaturare l’artigianalità del mio lavoro, avvalendomi della collaborazione del computer, ma solo per lavorare con più attenzione sulle figure piccole e sugli sfondi, avendo con esso, la possibilità di ingrandire i particolari… non per “stupirvi con effetti speciali”, come recitava lo slogan di una pubblicità tempo fa.
Quali sono i tuoi rapporti con gli sceneggiatori? Le istruzioni che ti passano sono particolareggiate o la vignetta è lasciata alla tua creatività? Ti consegnano del materiale informativo? Luigi Siniscalchi: Non tutti hanno lo stesso metodo di lavoro, ma per lo più in comune hanno tutti quello di dare dei riferimenti con letture, film e inserendo sulle sceneggiature link di blog o siti internet. Io di tutto questo non posso che essergliene grato, ho bisogno il più possibile di capire cosa si vuole che disegni e come… al resto provvede il mio background e il mio stile grafico, rispettando il più possibile l’impostazione e il racconto dello scrittore.
Esiste un’altra testata bonelliana, per la quale non hai mai lavorato, e che ti piacerebbe tantissimo disegnare? In caso positivo, puoi dirci quale sarebbe e perché? Luigi Siniscalchi: Non voglio fare torti a nessuno degli autori in Bonelli e, anche se non ho molta confidenza con la diplomazia, ti dico che a me piace disegnare fumetti, a prescindere dal personaggio e dal genere (con tutte le difficoltà che possono venire a verificarsi). Penso che come risposta può andare bene!
Passiamo adesso al Ranger che dà nome a questo blog: oggi che sei un affermato disegnatore bonelliano, ti piacerebbe disegnare per Tex, ti è mai stato proposto? Luigi Siniscalchi: No, non mi è stato mai proposto e, se mai un giorno dovessero farlo, credo che proverei un gran senso di responsabilità nell’affrontarlo.
Cosa significherebbe per te disegnare storie di una leggenda dei fumetti come Tex? Luigi Siniscalchi: La sensazione nell’affrontare un personaggio come Tex Willer, sarebbe la stessa che avrebbe un attore di oggi a dover interpretare il ruolo de “Il mercante di Venezia” dopo Laurence Olivier.
Chi o cosa è Tex secondo te? Cosa ti piace di più nel Ranger e cosa di meno? Luigi Siniscalchi: Mi piace l’azione e il positivismo di un eroe tutto di un pezzo, armato sempre e comunque di buoni sentimenti, quindi di altruismo. Questo è Tex, l’avventura con la “A” maiuscola, non si può scegliere cosa aggiungere e cosa togliere…
Ritieni che Tex sia cambiato negli ultimi anni? Sotto quali aspetti? Luigi Siniscalchi: Ammetto che l’epoca di Gianluigi Bonelli la conosco poco, ma solo per ragioni anagrafiche; ho iniziato leggendo le storie scritte da Nizzi, che a detta di molti lettori, seguiva i passi del suo creatore. Forse negli ultimi anni, con Boselli e Manfredi, Tex ha maturato una connotazione più storica e i personaggi hanno una caratterizzazione più moderna, con indagini di natura psicologica maggiore.
Per concludere il tema, come vedi il futuro del Ranger? Luigi Siniscalchi: Io spero che rimanga sempre lui, riconoscibile nei suoi pregi e nei suoi difetti di uomo.
Il fumetto della SBE è sempre stato il tuo obiettivo oppure avresti preferito fare il cosiddetto fumetto d’autore come Pratt, Battaglia, Toppi, Manara? Luigi Siniscalchi: Come avrete appreso dalla maggior parte delle mie risposte, sono un fruitore di fumetti popolari… quindi li leggo e li amo da sempre. Sono fermamente convinto che gli autori citati non si sono mai posti la stessa domanda all’inverso e le loro intenzioni non erano quelle di essere “autori”, ma hanno semplicemente raccontato storie; non dimentichiamo poi che la maggior parte dei disegnatori citati provengono dal fumetto popolare.
Che progetti ci sono nel tuo futuro? Puoi già anticiparci qualcosa? Luigi Siniscalchi: Per ora c’è Saguaro e già lui da solo mi prende tanto tempo. Non credo di cercare altre strade per esprimere il mio disegno e confesso che il coinvolgimento verso nuove testate, da parte di sceneggiatori entusiasti e completi, come quelli che lavorano in Bonelli, non mi permettono di “desiderare” di lavorare per altri mercati, che di mitico, per ora e per quanto mi riguarda, hanno ben poco. Ovviamente mai dire mai, mi lascio sempre una porticina aperta verso nuove strade per sperimentare e divertirmi.
Quali fumetti leggi attualmente, ovvero con quali ti identifichi maggiormente? Luigi Siniscalchi: Seguo la produzione Bonelli (non mi stancherò mai di portare alta la bandiera del fumetto popolare) e qualche meteora del mercato francese, giapponese (i cosiddetti manga) o americano. Purtroppo la mia deformazione professionale mi porta ad essere ammaliato soprattutto dal disegnatore e qualche volta sono fortunato nel beccare anche belle storie. Mi basterebbe guardare e rileggere tutti gli albi e libri a fumetti che ho nella mia fumettoteca, per smettere di cercare altro!
Oltre ai fumetti, quale tipo di libri leggi? E quali le tue preferenze nel campo del cinema e della musica? Luigi Siniscalchi: Amo il cinema nello stesso modo in cui amo il disegno; non sono tipo da film intellettuali, ma mi piace tutto quello che fa parte di un filone, di un genere. Vivo periodi di studio e di approfondimento per un regista o per un genere, appunto; passando dal cinema di Scorsese a film Horror di serie B, come le produzioni Troma degli ultimi trent’anni o per il cinema indipendente americano di Vincent Gallo e Steve Buscemi. Ho avuto anche il “periodo” del Blaxploitation e dei films di arti marziali degli anni ’70 e delle ultime produzioni di Zhàng Ymòu. La musica è una componente necessaria per la mia vita, oltre che per il mio lavoro. Ascolto tutto quello che è evocativo di un periodo storico; il Rock, il progressive inglese e italiano, Frank Zappa, l’Heavy Metal associata ai virtuosi della chitarra elettrica, il rap e la musica italiana tutta. Un lavoro di ricerca appassionante che mi accompagna da sempre. Per quanto riguarda la letteratura, ho da sempre “divorato” i libri noir del Maigret di Simenon (grazie anche all’attrazione per le splendide copertine di Ferenc Pinter), la poesia di Benni (non tutta), i romanzi di Peppe Lanzetta ed altri che ora non mi vengono in mente… magari vi allego la foto della mia libreria che ho in salone 😉
Bene, noi avremmo finito. C’è ancora qualcosa che vorresti dire ai lettori riguardo Luigi Siniscalchi? Luigi Siniscalchi: Credo di aver messo tutto me stesso in queste risposte, non credo ci sia altro da dire… spero di mantenere viva in me sempre la curiosità del bambino, acquisendo la maturità dell’adulto, vivendo alla giornata, quindi senza preoccuparmi del futuro, che a volte, lo confesso, un po’ mi spaventa.
Caro Luigi Siniscalchi, a nome del blog portoghese di Tex ti ringraziamo moltissimo per l’intervista che ci hai così gentilmente concesso. Luigi Siniscalchi: Grazie a voi per avermi dato l’opportunità di analizzare la mia carriera lavorativa e, quindi, me stesso. Quanto vi devo per la seduta? Un abbraccio a tutti voi lettori del blog portoghese di Tex!
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