Vídeo: Moreno Burattini em “A censura em Tex”

Nos anos cinquenta a Itália era muito diferente de agora. Persistia uma moral de visão bastante estreita. Os quadradinhos eram considerados prejudiciais aos jovens. Basta ver-se que as reimpressões de Tex que começaram a sair nos anos cinquenta foram modificadas.

Edição não censurada

Edição censurada

Começou com os álbuns de ouro, mas foi sobretudo com a edição definitiva (a actual série Gigante) no final dos anos cinquenta, início dos sessenta, que a censura (interna da editora) modificou muitas histórias. Uma saia que ficou mais comprida, decotes apagados, mas sobretudo profundas modificações na linguagem de Tex (que então era diferente, mais “grosso” que o de hoje), como podemos constatar através das palavras (e exemplos gráficos como os mostrados acima) no vídeo realizado pela Zagor TV no evento Etnacomics 2012 e que divulgamos hoje:

Entrevista com o fã e coleccionador: Waldemar Albuquerque Pinto Filho

Entrevista conduzida por José Carlos Francisco.

Para começar, fale um pouco de si. Onde e quando nasceu? O que faz profissionalmente?
Waldemar Albuquerque Pinto Filho: Nasci em 26 de Fevereiro no ano de 1964, sendo natural de Imperatriz, município brasileiro do Estado do Maranhão. Profissionalmente sou Gerente Comercial.

Quando nasceu o seu interesse pela Banda Desenhada?
Waldemar Albuquerque Pinto Filho: A primeira revista de banda desenhada que li foi 1975, tinha 11 anos de idade e foi a edição nº 48 de Tex, “O Desfiladeiro da Morte“.

Quando descobriu Tex?
Waldemar Albuquerque Pinto Filho: Foi justamente quando li a aventura “O Desfiladeiro da Morte“. Fiquei fascinado pelos os desenhos de Galleppini, mas também gosto muito de Ticci e Fusco.

Porquê esta paixão por Tex?
Waldemar Albuquerque Pinto Filho: Porque a maioria das histórias são emocionantes, quem que não gostou de “Vingança de Índia“, “El Muerto“, “Os Caçadores de Escalpos“, das histórias com Mefisto e de muitos outras. Reforçando, não tem outra banda desenhada emocionante que nem Tex.

O que tem Tex de diferente de tantos outros heróis dos quadradinhos?
Waldemar Albuquerque Pinto Filho: É que Tex é quase que perfeito, desenhos, histórias, e nunca cai de moda. Fascina desde crianças adolescentes até leitoras femininas.

Qual o total de revistas de Tex que você tem na sua colecção?
Waldemar Albuquerque Pinto Filho: 881 entre Tex normal, Tex Coleção e algumas edições especiais.

Colecciona apenas livros ou tudo o que diga respeita à personagem italiana?
Waldemar Albuquerque Pinto Filho: Tenho também o filme com Giuliano Gemma, banners e pósters.

Qual o objecto Tex que mais gostava de possuir?
Waldemar Albuquerque Pinto Filho: Bem, já tenho a colecção principal, mas em breve devo comprar as estatuetas dos 4 pards.

Qual o desenhador de Tex que mais aprecia? E o argumentista?
Waldemar Albuquerque Pinto Filho: O desenhador que mais aprecio é o Giovanni Ticci, já no quesito argumentista, Mauro Boselli e o falecido Antonio Segura.

O que lhe agrada mais em Tex? E o que lhe agrada menos?
Waldemar Albuquerque Pinto Filho: Mais, as histórias envolvendo os Navajos e as aventuras com os maiores inimigos do Tex, como por exemplo o Mefisto. O que não me agrada é justamente alguns desenhos de determinados desenhadores como por exemplo José Ortiz e Alfonso Font. Fazem perder a originalidade do Tex.

Em sua opinião o que faz de Tex o ícone que é?
Waldemar Albuquerque Pinto Filho: Pela qualidade que tem, e pela quantidades de fãs e seguidores. Também por ter grande personalidade, ser um defensor da lei, um Ranger de verdade, e também um grande chefe Navajo.

Costuma encontrar-se com outros coleccionadores?
Waldemar Albuquerque Pinto Filho: Sim, aqui na minha cidade existem três coleccionadores: um polícia, um empresário e um vendedor ambulante.

Para concluir, como vê o futuro do Ranger?
Waldemar Albuquerque Pinto Filho: Tex vai longe! Eu já estou passando esta paixão por Tex para o meu filho que tem 21 anos, para a minha filha que mora aí em Portugal, na cidade do Porto e para o esposo dela que é português e chama-se Armando. Na empresa em que trabalho, tem dois leitores que já estão pegando o gosto pelo Ranger.
Aproveito para dizer que tenho o prazer de informar que em breve vou fazer uma matéria, aqui na TV local, assim que for feita a matéria televisiva eu vos mando fotografias e vídeo.

Arte de Waldemar Albuquerque Pinto Filho

Prezado pard Waldemar Albuquerque Pinto Filho, agradecemos muitíssimo pela entrevista que gentilmente nos concedeu.

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Tex cortejando Lilyth, por AMoreira

Por José Carlos Francisco

Antonio Carlos Moreira, mais conhecido por AMoreira

O blogue do Tex tem o privilégio de apresentar em mais um rigoroso exclusivo mundial, uma deslumbrante arte desenhada por Antonio Carlos Moreira, mais conhecido por AMoreira, em mais um belo “trabalho” deste talentoso artista brasileiro.

Arte essa que pretende mostrar uma leitura do que poderia ter sido o início do “namoro” entre Lilyth e Tex, se não houvesse aquela história do Poste dos Martírios, Pacto de Sangue e etc., e onde podemos constatar um Tex cortejando uma Lilyth com verdadeiros traços indígenas.

Natural da cidade brasileira de Niterói, no Rio de Janeiro e nascido no dia 18 de Setembro do longínquo ano de 1949,  AMoreira teve como primeira formação profissional, desenhador arquitectónico, e paralelamente a isso, fez o curso de “Desenho Artístico e Publicitário” na Escola Pan-americana de Arte, tentando fazer carreira como ilustrador.

Como essa carreira não foi avante, formou-se em Ciências Contábeis, com Pós-Graduação em Engenharia Financeira, e hoje em vez de ser um desenhador profissional, trabalha na área da contabilidade, mas para nosso gáudio, não deixa de nos brindar com a sua arte, sempre que possível, mas para conhecer melhor o autor de mais esta belíssima ilustração que apresentamos de seguida, leia a entrevista que AMoreira concedeu em exclusivo, ao nosso blogue.

Tex cortejando Lilyth, por AMoreira

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As Leituras do Pedro: J. Kendall – Aventuras de uma Criminóloga #96 – Uma maleta de neve

As Leituras do Pedro*

J. Kendall – Aventuras de uma criminóloga #96 – Uma maleta de neve
Giancarlo Berardi e Maurizio Mantero
(argumento)
Antonio Marinetti
(desenho)
Mythos Editora
(Brasil, Novembro de 2012)
135 x 178 mm, 132 p., pb, brochado, mensal
R$ 8,90 / 4,00 €

Três jovens sem esperança – sem futuro? com que futuro? – decidem interceptar a venda de uma grande quantidade de droga para tentar, dessa forma, ficar bem na vida. No entanto, nem tudo corre bem durante a operação que descamba num tiroteio com várias vítimas mortais.

A monte, com a tensão a testar as relações entre eles, o trio tem no encalço os dois bandos que negociavam a droga e também a polícia de Garden City – com a habitual colaboração de Júlia – que tenta evitar que o banho de sangue atinja maiores proporções.

É mais uma bela narrativa policial escrita por Berardi de forma consistente e aliciante, com uma bem conseguida surpresa final que ata pontas que pareciam perdidas e tem por pano de fundo – como base e motivo – fracturas sociais cada vez mais comuns nos nossos dias.

É uma abordagem – que não defende, não condena, apenas expõe – de tom humano que faz repensar escolhas e desejos, (re)lembra como muitas vezes está à nossa beira o que buscamos (tão) longe e permite, talvez, acalentar alguma esperança no ser humano…
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*Pedro Cleto, Porto, Portugal, 1964; engenheiro químico de formação, leitor, crítico, divulgador (também no Jornal de Notícias), coleccionador (de figuras) de BD por vocação e também autor do blogue As Leituras do Pedro.