O TIGRE NEGRO

Por Mário João Marques*

Tex e o Tigre Negro, num desenho de Claudio Villa, autor de Un artiglio nel buio, aventura onde este inimigo do ranger surge pela primeira vez

Em artigo publicado no anterior número da nossa revista, o Rui Cunha veio aqui escrever sobre Mefisto, o seu inimigo preferido. Mas a verdade é que este arqui-inimigo saído da inesgotável imaginação de Gianluigi Bonelli, sendo o mais amado e respeitado pelos leitores, é no entanto apenas mais um da extensa galeria que Tex, ao longo de décadas, já enfrentou. Na verdade, anos e anos de aventuras trouxeram para a série inúmeros adversários do ranger, uns mais clássicos e terrenos, outros oriundos de mundos e de ambientes mais ou menos fantásticos e que muito contribuíram para o sucesso da série, já que os leitores, desde cedo, demonstraram o seu agrado por aventuras fora dos ambientes normais do velho oeste, com Tex literalmente mergulhado em lutas e confrontos com seitas, bandos, bruxos, e tantos outros.

Algumas personagens conseguem perdurar ao longo dos anos, outras acabam por desaparecer em definitivo, mas ainda haverá aquelas que, quando menos se espera, têm uma notável capacidade de ressuscitar. E não é por acaso que as personagens que acabam por estar do lado obscuro da lei são as que guardam em si caraterísticas especiais capazes de levar os seus autores a repescá-las. Esta capacidade residirá não tanto por deterem ou dominarem um qualquer superpoder, mas muitas vezes pela sua força, pelo seu carisma e na adesão que são capazes de suscitar junto dos leitores, explorando-se desta forma um filão que possa manter uma obra ou uma série nos picos da popularidade. O renascimento de um inimigo considerado morto representa um dos estratagemas narrativos mais utilizados e se na banda desenhada, como em qualquer outro género narrativo, haverá sempre um herói central que vai sendo alimentado pelos seus amigos, o mais interessante será a criação de inimigos, porque o bandido, o crápula, o fora-da-lei, traz consigo o estilo e a atmosfera para a história. Casos não faltam nos mais variados géneros como na literatura ou no cinema, mas na banda desenhada quem não se recordará do Coronel Olrik, eterno inimigo de Blake e Mortimer, do Joker de Batman, de Axel Borg que quase sempre se opõe a Lefranc, de Ming criado por Alex Raymond para contrapor a Flash Gordon, do próprio Rastapopoulos em Tintin, no Carrasco em Ric Hochet, sem esquecermos personagens da própria Sergio Bonelli Editore como Mister Jinx e Xabaras, arqui-inimigos respetivamente de Martin Mystère e Dylan Dog. São apenas alguns exemplos de uma extensa galeria, pelo que uma série como Tex, com tanta longevidade e que já viveu tantas e tantas aventuras, não poderia alhear-se deste facto. Tanto a Sergio Bonelli Editore como os autores texianos sempre tiveram este aspeto em consideração, não só evidenciando uma capacidade de constante renovação, ao inserirem novos inimigos, como sabendo interpretar os desejos do leitor, ressuscitando personagens, sobretudo as que tenham o poder de criar uma maior empatia. Porque, no fundo, a longevidade e o sucesso de uma série também se deve à grandeza e à importância das suas personagens.

Esboço de Andrea Venturi para a 3ª tira da página 191 da aventura L’artiglio della Tigre

Gianluigi Bonelli cedo compreendeu que rodear o ranger e os seus pards de um conjunto extenso de personagens tornaria a série mais credível, perfeitamente capaz de se renovar e nunca cansar o leitor, conferindo uma importância dramática às personagens que atuam fora da lei, que agem sem códigos de honra, em suma que estejam em contraponto ao ranger Tex Willer ou ao chefe dos Navajos Águia da Noite. A presença de um inimigo, personagens malvadas e cruéis, de uma inteligência capaz de enfrentar o herói, acaba por exaltar de certa forma o caráter deste, tornando-o ainda mais épico aos olhos do leitor, não surpreendendo que um inimigo como Mefisto, personagem inicialmente destinada a um final definitivo, tenha posteriormente reaparecido com tanta força e personalidade. Como também não surpreenderá que, quando tomou as rédeas da série, Claudio Nizzi tenha querido criar o seu inimigo, nascendo desta forma a personagem do Tigre Negro, outro dos arqui-rivais de Tex e que vai surgir em três aventuras.

Na sua génese esteve a vontade do autor em criar um novo grande inimigo para Tex, alguém que os leitores pudessem reter na sua memória, tal como o fizeram com Mefisto e Yama, por exemplo, e dessa forma entrar para o galarim das personagens mais marcantes da série. Se o Tex bonelliano forte e seguro de si encontrou em Mefisto um adversário perfeitamente à sua altura, nada mais natural que o Tex de Nizzi também tivesse um adversário que pudesse enfrentar a contento o ranger. O autor cedo compreendeu que muito do êxito de Mefisto, e posteriormente do seu filho Yama, residiu no fascínio misterioso exercido por ambas as personagens e no facto de, através dos seus poderes, conseguirem enfrentar Tex à distância, podendo com isso colher alguma vantagem, o que naturalmente um confronto direto tenderia a reduzir. Gianluigi Bonelli tinha no entanto morto estes seus inimigos e ressuscitá-los constituía naquela altura ainda um tabu junto dos texianos mais exigentes[i], acrescido do facto de que o próprio Sergio Bonelli não pretendia outra personagem que recorresse à magia e apresentasse as mesmas caraterísticas. Nizzi começou então a pensar em alguém capaz de enfrentar Tex, de igual modo evitando um confronto direto com o ranger, mas através de um conjunto de discípulos fanáticos e obedientes. Segundo o próprio autor, alguém que ao mesmo tempo, tal como Mefisto, fosse capaz de exercer semelhante fascínio, fosse também hábil, astuto, pleno de truques e que pudesse impressionar pela sua força mental e pela sua inteligência. E assim nasceu o Tigre Negro, na verdade o príncipe de Sumarkan, um senhor respeitado na sua ilha, a Malésia, até ser deposto do seu trono pelos brancos, tornando-se então num pirata temido, até acabar como escravo nos Estados Unidos, no meio dos muitos que contribuíram para a construção e expansão do caminho-de-ferro. Personagem misteriosa por excelência, rapidamente coloca a sua inteligência sádica ao serviço do mal. Seja em Leadville, onde começam os confrontos com Tex, em Nova Orleães, onde o Tigre Negro constituiu uma rede de delinquentes, ou em São Francisco, onde o príncipe do mal lidera um lucrativo comércio do ópio, a verdade é que os leitores desde o início adotaram este inimigo como uma das mais bem conseguidas personagens maléficas da série. Escondendo a sua verdadeira face sob uma máscara ou dissimulado em várias identidades, o Tigre Negro inicia um combate contra o governo norte-americano com o intuito de derrubar o poder do colonizador branco, qual personagem surgida das páginas de grandes clássicos da literatura de aventuras de Júlio Verne ou Emílio Salgari.

Esboço de Andrea Venturi para a 1ª tira da página 192 da aventura L’artiglio della Tigre

Tudo começa em 1992, na aventura Un artiglio nel buio, quando Tex e Carson são chamados a Leadville por Mac Parland da Pinkerton para investigarem uma série de mortes misteriosas. Ali chegados, os rangers assistem impotentes a um assassinato no teatro local durante uma representação Hamlet de Shakespeare. Uma tragédia que rapidamente é reclamada por uma misteriosa personagem que se identifica como Tigre Negro e que ambiciona fundar um império de filhos do oriente, transformando os Estados Unidos no seu império. Esta primeira aventura relata assim as origens da personagem, o que a move, o caminho percorrido até se tornar no líder de uma seita de fanáticos que clama pela conquista do poder. Se Mefisto conseguia materializar a sua imaginação, o Tigre Negro, revelando também ser um mestre do disfarce[ii], faz sentir a sua voz e enfrenta Tex no terreno, não em confronto direto, mas através dos seus fanáticos discípulos. No seu antro, Tex e Carson parecem meros peões de um jogo com níveis sucessivos de dificuldade: abismos, flechas, portas que se vão fechando, poderosos adversários, tudo conseguindo suplantar, com maior ou menor dificuldade, até ao antológico confronto final, num crescendo de dramatismo e tensão. Plena de fortes emoções, esta aventura, perfeitamente dividida entre uma primeira parte mais de ambiente policial e outra de pura ação, junta num argumento clássico vários ingredientes: o grande western, cenários urbanos, ambientes exóticos e misteriosos, onde nada parece faltar para captar a atenção do leitor. Tex e Carson são dois paladinos da lei em confronto com alguém que obedece apenas a uma lei, a da vingança, sentimento revelado aos pards apenas quando chegam à verdadeira identidade do Tigre Negro. Um príncipe que se revolta contra o poder dos brancos, os mesmos que o forçaram a abandonar o poder, roubaram o seu trono e destruíram a sua família, apenas por razões de expansionismo e de domínio territorial. De príncipe a escravo (assim se considera quando trabalhou na construção do caminho de ferro), o Tigre Negro foi urdindo e preparando a sua vingança.

Nesta aventura, Claudio Villa tem um trabalho de grande qualidade, nada que possa surpreender o leitor. Aquilo que surpreende é a capacidade do desenhador em conseguir subir sempre mais as expetativas, em colocar a fasquia sempre um degrau acima. O seu traço expressivo e realista é patente não só no tratamento das personagens, mas também no jogo de contrastes apresentado em imagens muito sugestivas. Toda a cena do teatro, a cena antológica que decorre na prisão quando Tex e Carson se deparam com tarântulas, o notável encontro dos pards com o notário Madisson, a emboscada e o final no antro do Tigre Negro, tudo fica retido na memória do leitor, revelando um Villa pujante que constrói cada desenho como um hino gráfico capaz de hipnotizar literalmente o leitor. Se Claudio Nizzi pensou e idealizou a personalidade e as caraterísticas do Tigre Negro, foi Claudio Villa a construir graficamente a personagem altiva e imponente no seu sadismo que todos conhecemos. Com liberdade total por parte de Nizzi, Villa consegue compor uma personagem vincada, forte e completamente marcante. Os traços perfeitamente definidos, a sua calvície, as suas orelhas grandes e vincadas e os seus olhos esbugalhados, conferem à personagem todos os traços maléficos que visam reforçar o medo e o terror em todos os que com ele lidam.

Esboço de Andrea Venturi para a 2ª tira da página 197 da aventura L’artiglio della Tigre

O sucesso obtido levou Nizzi a escrever em 1997 uma sequela, um novo confronto do Tigre Negro com Tex e Carson, desta vez com o palco dos acontecimentos a mudar-se para Nova Orleães, na Louisiana, onde o Tigre Negro vai fundar um novo reino de terror, sempre baseado nas mesmas premissas, vingar-se do poder branco, deixando o xerife Nat Mac Kennet impotente perante uma série de crimes que vêm ocorrendo, obrigado assim a recorrer aos rangers, que aqui vão contar também com a ajuda de Kit Willer e Jack Tigre. Servida pelos magníficos desenhos de Fabio Civitelli, Il Ritorno della Tigre Nera revela mais uma vez uma aventura plena de ação, com um início muito prometedor, cimentada nos seus ambientes e cenários muito próprios, com incursões no horror, nos zombies e no vudu. No entanto, o facto da identidade do Tigre Negro já ser conhecida de Tex e Carson, parece contribuir para que algum do mistério presente na anterior aventura agora tenda a reduzir-se, dissipando uma aura que tanto tinha contribuído para o êxito da aventura inicial. Há uma atmosfera diferente, da mesma forma fascinante e apelativa, mas sem o elemento surpresa que a identidade do Tigre Negro encerrava na aventura anterior. Nizzi poderia ter aproveitado para de alguma forma desenvolver a personagem, acabando no entanto por remetê-la para um papel menos interventivo, com menor presença na ação, resultando daqui uma trama menos densa. Se a primeira aparição do Tigre Negro tinha sido muito convincente, muito porque Nizzi soube preparar o terreno e jogar com uma certa capacidade em surpreender o leitor, desta vez essa caraterística desaparece. Por outro lado, se em Leadville a posição do Tigre Negro derivava dos seus amplos recursos e da sua habilidade, agora em Nova Orleães o seu poder parece estar ligado apenas à sua capacidade em instrumentalizar um grupo de fanáticos do vodu.[iii] 

Devendo obedecer a um caminho iniciado e já perfeitamente definido por Villa, a verdade é que mesmo assim Civitelli empresta o seu cunho pessoal à personagem, revigorando-a através do seu traço muito clássico, fino, limpo e polido. Mas o desenhador toscano é também enorme a compor as personagens que acompanham o Tigre Negro nesta aventura, com destaque para a mestiça Lohana ou o velho Omoro, assim como na construção de ambientes plenos de tensão, quer em Nova Orleães (com destaque para o bar Le Chat Noir) ou ao longo do Mississipi.[iv] Perfeitamente habilitado a compor cenas urbanas, Civitelli excede-se em todos os ambientes circundantes, através de um jogo de luzes muito caraterístico do desenhador que ilumina todas as cenas noturnas, sendo também de salientar o seu espantoso tratamento do pontilhado, obtido sem recurso a qualquer artifício que não o manual. Um trabalho meticuloso, de grande concentração e paciência e que resulta num efeito surpreendente.

Esboço de Andrea Venturi para a 1ª tira da página 211 da aventura L’artiglio della Tigre

Se no final da primeira aventura o destino do Tigre Negro parecia perfeitamente traçado, na segunda aventura, pelo contrário, Nizzi deixa em aberto a perspetiva de novo confronto[v], o que acaba, na verdade, por vir a acontecer numa terceira aventura, L’artiglio della Tigre, publicada em 2009, e que decorre no ambiente clássico de uma grande cidade como São Francisco, aqui se juntando o ambiente sempre misterioso da sua Chinatown, palcos onde o Tigre Negro consegue mais uma vez estender o seu controlo tentacular. Tex e Carson, após uma massacrante viagem de comboio, mas que não inibiu o velho resmungão de vir sempre a dormir, “mas só com um olho”, vão em ajuda do seu velho amigo Tom Devlin, que não tem tido êxito na sua luta contra uma onda de recentes crimes. O Tigre Negro começa a estender o seu poder às casas de jogo, não com o intuito da riqueza, mas com o firme objetivo da vingança contra “os cães brancos que lhe usurparam o poder”. E para isso vai utilizar uma arma mais dissimulada para atingir os seus fins, o ópio. Inundar a cidade e propagar esta droga entre os brancos, debilitando os seus cérebros e com isso a sua vontade própria, conduzindo-os à ruína. É o regresso deste inimigo em toda a sua plenitude, com toda a força, com todo o poder, com toda a sua loucura[vi]. É nesta última aventura que a luta entre Tex e o Tigre Negro chega ao confronto físico, em páginas finais de autêntico dramatismo. Qual luta entre inimigos fidalgais, o Tigre Negro não deixa de sublinhar perante Tex a sua admiração pelo ranger e o quanto bem-vindo seria a sua presença ao seu lado, sustentado no facto de que foi sempre um homem que lutou pelas causas dos peles vermelhas contra os brancos quando estes se tentaram apoderar das suas terras através da força ou de artimanhas[vii]. Mas isto demonstra que o Tigre Negro não sabe quem é na realidade Tex, porque um herói nunca se torna cúmplice de um feroz e cruel assassino, já que, apesar de ter sido deposto pelo poder dos brancos, a verdade é que o Tigre Negro matou muita gente, não olhando a meios e não hesitando em abater sem piedade quem não tinha a mínima culpa daquilo que lhe aconteceu, desde que fosse branco. E este confronto final vem também evidenciar um Tex muito nizziano, um herói que por vezes apresenta debilidades e que se apresenta em maus lençóis na cena final, suspenso e prestes a ser derrotado, sendo salvo pelo amigo Tom Devlin, uma cena que para muitos leitores representou a suprema humilhação do herói bonelliano.   

Dando seguimento aos trabalhos anteriores de dois verdadeiros mestres do desenho como Villa e Civitelli, Venturi nunca se “atemoriza”. O autor apresenta um traço muito expressivo e dinâmico, recriando notavelmente toda a panóplia de ambientes da aventura, com realce para todas as cenas em Chinatown e no covil do Tigre Negro. De igual modo, a recriação de personagens é magnífica e o seu Tigre Negro em nada fica a dever aos modelos anteriores, sendo ainda de sublinhar a amplitude e a profundidade dos seus enquadramentos, principalmente bem patentes nas cenas finais do combate entre os dois inimigos.

“Uma vez que a raça dos delinquentes é como a erva daninha, sempre pronta a voltar a crescer, por vezes eu e o meu pard temos que regressar e recomeçar de novo a luta”, afirmação do ranger que espelha em pleno a eterna luta contra o mal e nomeadamente contra um inimigo como o Tigre Negro, capaz de reaparecer num qualquer local, por trás de um qualquer negócio ilícito, um inimigo de primeira grandeza, uma personagem fascinante pelo seu passado e pela aura misteriosa que vai criando e cimentando. Um adversário sem grandes pontos fracos e sem qualquer sentimento de humanidade, movendo-se por um projeto bem concreto, utilizando para o efeito as suas caraterísticas poderosas, como a astúcia, a habilidade e a inteligência, um maniqueísmo latente que o possa conduzir à vingança que tanto anseia. Um inimigo perfeitamente habilitado a enfrentar Tex, mas perante o qual o ranger permanece sempre seguro de si, ciente que mais tarde ou mais cedo vai acabar por derrotar este adversário, como afinal sempre derrotou todos os outros. Com o Tigre Negro, Tex mergulha em temáticas pouco clássicas do género, demonstrando ser um herói adaptado a enfrentar qualquer situação, entre o real e o fantástico, entre as dúvidas e as certezas, com maior ou menor fanatismo.  

Esboço de Andrea Venturi para a 2ª tira da página 213 da aventura L’artiglio della Tigre

[i] Mefisto será ressuscitado mais tarde pelo próprio Nizzi na aventura Mefisto (publicada no Tex italiano 501), enquanto que Boselli prepara o regresso de Yama para o próximo ano, numa aventura atualmente a ser desenhada por Fabio Civitelli.

[ii] Neste aspeto, o Tigre Negro assume as mesmas caraterísticas de outros inimigos que também recorreram à dissimulação da sua identidade, não só Mefisto, mas também Proteus, conhecido como o mestre do disfarce. O Tigre Negro assume a identidade do notário Madison na sua primeira aventura, a do banqueiro Anderson em Il ritorno della Tigre Nera e a do empresário Harry Scott em L’artiglio della Tigre.

[iii] Interessante a comparação que Claudio Paglieri faz em Non so degno di Tex entre o papel aqui desempenhado pelo Tigre Negro e aquele que Mefisto protagonizou em Terrore sulla savana, tal como as personagens de Lohana e Omoro em Il ritorno della Tigre Nera parecem ser decalcadas de Loa e Otami que contracenaram com Mefisto.

[iv] O trabalho de Civitelli nesta aventura encerra uma curiosidade, já que o desenhador compôs uma prancha, rapidamente censurada pela Editora, e que apresentava Tex a atingir Lohana, depois desta se intrometer no meio de um disparo do ranger contra o Tigre Negro. Sergio Bonelli não aceitou esta via, porque sempre defendeu a velha regra do seu pai, a de que Tex não dispara contra mulheres.

[v] O Tigre Negro deixa as páginas da aventura a formular o solene desejo de que doravante a sua vida será dedicada a vingar-se de Tex e dos seus pards.

[vi] A temática das substâncias alucinogénias, capazes de retirar qualquer vontade a quem delas depende, já tinha sido tratada por Claudio Nizzi em duas aventuras, Ópio desenhada também por Andrea Venturi e La Nave Perduta por Claudio Villa.

[vii] O projeto inicial de Nizzi passava por ser mais ambicioso, uma vez que, juntamente com Ticci, pretendia escrever várias histórias ligadas entre si e desenhadas por autores diferentes, onde Tex perseguiria o Tigre Negro até ao Bornéu, acabando por, após múltiplas vicissitudes, combater ao lado do Tigre Negro contra os usurpadores do seu trono.

 

Prancha de Civitelli da aventura Il Ritorno della Tigre Nera, censurada pela editora, porque, em obediência à regra sagrada de Gianluigi Bonelli, Tex nunca dispara contra as mulheres

* Texto de Mário João Marques publicado originalmente na Revista nº 4 do Clube Tex Portugal, de Junho de 2016.

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