O nascimento (na Itália) da capa (brasileira) de Tex Ouro #84

Por José Carlos Francisco

Quando muitos de nós vemos uma capa de Tex Edição Histórica ou mais recentemente de Tex Ouro nas bancas de todo o Brasil ou até mesmo nos quiosques portugueses, não imaginamos por vezes o quão difícil e quantas horas de trabalho foram necessárias até se chegar ao resultado final…

Antes do falecimento de Sergio Bonelli tudo começava com um esboço da imagem pretendida, determinado pelo próprio editor, já que ao contrário do que muitos pensavam, o desenhador não tinha liberdade para fazer a capa que bem entendesse para a história, até porque na grande maioria das vezes, Claudio Villa não ia reler a história antiga.

 

Vinheta de Fernando Fusco que serviu de base para a capa de Tex Ouro 84

Por motivos vários, desde vetos do editor que não as considerava apropriadas ou por decisão do próprio desenhador que não ficava agradado com o seu trabalho, algumas capas chega(va)m a ter várias versões conforme já mostramos por diversas vezes aqui mesmo no blogue do Tex, mas damos a Claudio Villa a palavra para nos explicar o processo de criação ACTUAL de uma capa brasileira de Tex Edição Histórica e/ou de Tex Ouro:

Esboço inicial de Claudio Villa inspirado na vinheta de Fernando Fusco

Se no passado tudo nascia na editora, onde Sergio Bonelli examinava pessoalmente a história em questão para procurar uma cena “de capa” entre as vinhetas desenhadas e depois elaborava um esboço veloz que me era enviado por fax, junto às cópias das páginas correspondentes (em geral, duas ou três), hoje em dia cabe-me a mim seleccionar a cena a eleger.
A partir daí, começo a trabalhar, preparando a cena “de capa”.
Em síntese, é preciso cuidar do enquadramento, da luz e do movimento das personagens: a capa deve contar sem revelar, deve ser legível e imediata, deve interessar e ser suficientemente dinâmica.
Às vezes, falta uma cena significativa e então ela é “construída” com os elementos extraídos da história.
Algumas vezes, para conseguir o melhor, cheguei a seis, sete esboços. É incrível de quantas maneiras se pode contar, em igualdade de situação, uma cena. E cada vez descobrir uma “temperatura” diferente, só deslocando o ponto de vista, a luz ou a disposição das personagens.

Inclusive as cores da capa, são da responsabilidade de Claudio Villa:
Eu dou uma “indicação” de cor: faço uma fotocópia em A4 a preto e branco e passo a colori-la com tintas líquidas, pintando-a como gostaria de vê-la impressa. Depois é o impressor que deve, com os seus instrumentos, aproximar-se daquilo que fiz…

Ilustração final já com as cores de Claudio Villa

Mas falando desta “capa” (publicada a 15 de Novembro de 2013 na edição nº 339 de Tex Nuova Ristampa) em específico  e que se tornou a capa brasileira de Tex Ouro #84, Claudio Villa confidencia-nos: A ilustração que elegi para a capa de Tex Ouro #84 foi inspirada numa vinheta original, de Fernando Fusco, publicada na página nº 11 da edição (italiana) nº 509 da série principal de Tex.
No Brasil ela foi reduzida, já que o formato das capas brasileiras têm uma estrutura concepcional numa forma quadrangular o que me faz ter esse facto em conta e por isso a enquadratura principal dos mini-pósteres deve conter tudo aquilo que se deve ver no Brasil. Somente após é que alongo a ilustração para uma forma rectangular para que possa então ser publicado no formato bonelliano. Deste modo a capa no Brasil não sai prejudicada já que o seu alongamento para Itália apenas acresce para cima, para baixo e para os lados pormenores irrelevantes já que a enquadratura correcta é a inicial, a quadrada!

Póster Tex Nuova Ristampa 339

Realce-se ainda que as capas que, de início, eram para ser uma exclusividade de Tex Edição Histórica, ficaram então tão boas que a Sergio Bonelli Editore passou a publicá-las também na Itália, como mini-pósteres encartados em Tex Nuova Ristampa, tendo a Mythos Editora também as adoptado para outras séries brasileiras de Tex como é então o caso de Tex Ouro.

A capa brasileira de Tex Ouro 84

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

4 Comentários

  1. Villa é um monstro de magnífico. Eu não consigo nem tecer elogios a ele de tão perfeito que o trabalho dele é. Agora verdade seja dita: eu deixaria a parte de quem trata da impressão de lado e colocaria a original pintada por ele, porque é simplesmente sublime apreciar a delicadeza das cores pelas mãos dele. Traduzindo, sou apaixonada pela arte dele.

  2. Uma capa tão linda onde aparece os pards juntos, dai vem o sr. Dorival e pah esconde os pards. É uma pena tê-los escondido nessa ilustração.

  3. Depois de tudo isso, os artefinalistas vão lá e colocam uma bola sobre o desenho acabando como visual original imaginado pelo desenhista.
    Vejam na capa publicada que sumiram com Tigre e Carson.
    Deveriam fazer artes (símbolos e logos) menores para que isso não acontecesse mais.

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