Brasil e o livro “O Mocinho do Brasil. História de um Fenômeno Editorial Chamado Tex” em destaque no editorial de Tex Nuova Ristampa 256

Tex Nuova Ristampa nº 256Sergio Bonelli, o mítico editor italiano, dedicou um novo editorial de uma edição italiana de Tex ao Brasil, mais precisamente para falar do livro “O Mocinho do Brasil. História de um Fenômeno Editorial Chamado Tex” da autoria de Gonçalo Júnior. Tal aconteceu na edição #256 de Tex Nuova Ristampa, datada de Maio de 2010.

Devido à tradução de Júlio Schneider, tradutor e consultor Bonelliano da Mythos Editora, podemos ver o texto escrito pelo responsável-mor de Tex na Itália, na nossa língua:.

Editorial Tex Nuova Ristampa 256Caros amigos,
quando falo do lento e inexorável desaparecimento do mercado europeu dos quadradinhos bonellianos, caracterizados por longas histórias em série no tradicional preto e branco, sempre indico o Brasil como uma das mais inexpugnáveis fortalezas dos comics da rua Buonarroti. Na verdade, nesse País enorme, habitado por mais de cento e noventa milhões de pessoas, a BD nunca pôde contar com um número particularmente elevado de leitores. Apenas para dar um exemplo, o nosso Tex, apesar de ser indicado como um dos líderes de mercado, sempre teve de contentar-se com cifras bem distantes daquelas atingidas na pátria-mãe. Mesmo outras publicações, dos clássicos americanos dos anos de ouro (Fantasma, Mickey Mouse, Mandrake, Flash Gordon e outros) aos mais modernos super-heróis (é claro que refiro-me às famosas personagens de Editoras como Marvel e DC), jamais se constituíram em preocupante concorrência ao verdadeiro Rei nacional, aquele Maurício de Sousa que – graças a aventuras simples e locais de personagens como Mônica ou Cebolinha – conquistou o título de Walt Disney sul-americano. Os primeiros motivos que me vêm à mente para justificar a pouca difusão dos balões falantes naquela enorme nação devem ser buscados não apenas na elevada taxa de analfabetismo que, até há pouco tempo, afligiu a sua população, mas também no atraso e na precariedade da rede de estradas que tornou problemática a distribuição de todo tipo de publicação. Não é de se espantar, então, se à pouca presença dos quadradinhos nas bancas (como lá são chamados os quiosques) corresponde uma quase total ausência de manifestações análogas à nossa Lucca Comics & Games, e uma raríssima presença de articulistas, críticos e historiadores de BD. Por isso, é com grande admiração que vi chegar às minhas mãos o volume cuja capa se vê abaixo.
O Mocinho do Brasil chamado TEXIlustradíssimo e muito bem documentado, tem um título simpático e lisonjeiro que, em português, é O Mocinho do Brasil. História de um Fenômeno Editorial Chamado Tex. O autor, Gonçalo Júnior, é o mesmo aficionado a quem se deve uma poderosa obra de alguns anos atrás, A Guerra dos Gibis, dedicada ao nascimento e crescimento do mercado brasileiro de quadrinhos entre os anos 1933 e 1964. Entre as muitas curiosidades que emergem do livro em questão, apresento abaixo a primeira capa de um Tex de 1951 ainda privado de sua verdadeira identidade e – porque não? – até da sua dignidade, visto que havia sido rebaptizado como Texas Kid pelos editores de uma série intitulada Júnior. A história de Águia da Noite no Brasil é tão apaixonante (até para mim, que a vivi) que merece a frase ritual: “Continua no próximo número…

Sergio Bonelli

(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

3 Comentários

  1. Sem dúvida, um belo livro do Gonçalo Júnior, com muitas curiosidades e todas as capas da fase Junior no final do livro e coloridas. Tenho ele na minha Bibliotex, junto com o do GG. Carsan, que é com certeza, outra brilhante obra sobre o nosso querido Tex.

  2. Maravilhoso texto do genial editor, o livro do Gonçalo é excelente, muito bem elaborado. Quanto á venda de gibis no Brasil se deve à falta de constância dos editores com inúmeras mudanças editoriais, falta de padrão e excesso de republicações. Quanto ao Tex basta comparar o Almanaque número 1 reeditado pela Mythos, quanta diferença do formatinho vigente nas bancas, faltou ousadia editorial, porque se Tex seguisse o mesmo formato italiano, com poucas republicações angariaria número gigantesco de colecionadores. Por falar no Almanaque é evidente que deveria seguir a cronologia italiana, assim também deveria ser o Anual, mas, ávidos por rendas saíram essas coleções bagunçadas com misturas de inéditos com republicações sem padrão algum.
    Não há uma coleção que preste de todas as publicadas no Brasil, com cortes, capas repetidas, etc…

  3. Este texto prova que Sergio Bonelli realmente conhece as mazelas da nossa realidade de país subdesenvolvido…

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