Making of de uma capa (por Stefano Biglia)

Stefano Biglia

Fase 1 “O esboço”.
A primeira fase é para mim a mais divertida, é o momento em que imagino o que eu quero representar, a mensagem que quero dar, colocando-a no papel. Rapidamente e sem novos pensares, antes que a imagem e as sensações desapareçam. Mas não há apenas sensações, também há programação. Por exemplo, o pedido do cliente, neste caso os autores do livro, era de uma capa que se estendesse da frente até ao verso. Por isso tentei dar sentido aos dois lados, estando o foco na capa mas onde a contra-capa tivesse também uma vida própria. Com o estratagema do cavaleiro que vira as costas, o leitor é convidado a virar o livro e descobrir o que está atrás. Rapidamente esboço também as cores, que ajudarão a dar a atmosfera.
Os elementos na cena, os colonos, a natureza imensa e hostil, os nativos americanos (os pele-vermelhas), representam o que para mim é a alma do Far West.

Fase 2 “O lápis”.
O lápis, ou melhor, o desenho definitivo. Somente quando o lay out me convence é que avanço para o desenho. Nesta fase já tudo tem que ser proporcional, ajustado e enriquecido. Obviamente que se perde um pouco de frescura, mas a atenção é a palavra da ordem. Naturalmente que quando se faz um desenho realista é fundamental a documentação. O cavalo, por exemplo, é uma homenagem à estátua equestre de Giuseppe Garibaldi na Praça de Ferrari em Génova. Mas apenas na forma altiva e elegante, útil ao meu propósito. Há anos que eu desejava desenhá-lo em alguma ilustração.

Fase 3 “A cor”.
Ao contrário do que costumo fazer habitualmente, colori primeiro a figura mais importante, sem preparar o papel, nem com água nem com as cores de fundo.

Fase 4 “O fundo”.
Sucessivamente colori o fundo.  Eu queria dar luz à parte posterior por isso usei cores mais vivas do que habitualmente: Terra de Siena queimada e amarelo ocre (uma variação do castanho. É uma cor muito utilizada em mapas, para representar densidade populacional e mapas demográficos), quase puras. Eu queria comunicar que nos encontrávamos defronte de uma natureza hostil, mas ao mesmo tempo maravilhosa na sua gama cromática. O céu é um momento delicado, ao contrário do rascunho,eu quis carregar nas nuvens e acabei por usar uma cor mais pastosa (não queria que se perdessem os tons mais leves, especialmente ao digitalizar). Quatro ou cinco pinceladas rápidas e instintivas, com um pincel nº 30 que retém e liberta muita cor. A intenção era a de tornar o céu claro e com nuvens ligeiras levadas pelo vento fresco de um dia de Outono.
Fase 5 “A gráfica”.
Esta parte não me compete a mim, mas acho muito bem conseguido o resultado final. Muito western. Todo aquele branco, pensado na fase do lay out, foi pensado para o título e créditos.
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(Para aproveitar a extensão completa das imagens acima, clique nas mesmas)

3 Comentários

    • Obrigado pelo alerta, Emanuel. Já procedi à correcção porque efectivamente é “making of” 😉

  1. Ficou realmente lindo, podia deixar como compartilhar no Face. Ajudaria a conhecerem mais pessoas seu blog.

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