Jornal de Notícias, de 24 de Setembro exalta Dylan Dog: Detetive do impossível surgiu há 35 anos

Texto da secção Banda Desenhada de 24/09/2021
F. Cleto e Pina

Dylan Dog: Detective do impossível surgiu há 35 anos

* Criação dos italianos Tiziano Sclavi e Angelo Stano tornou-se objeto de culto. Aniversário assinalado com reedição da primeira aventura, agora a cores.

Corria o mês de setembro de 1986 quando a Sergio Bonelli Editore estreava um novo título nas bancas italianas: “Dylan Dog”. No seu habitual formato (15 x 21 cm), impresso em papel de jornal e com preço acessível de 1300 liras, reforçava a imagem de editora de banda desenhada popular, juntando um detetive particular aos dois grandes sucessos da época: “Tex”, um western duro e tradicional, criado em 1948 e ainda em publicação hoje em dia; e “Zagor”, um western menos convencional, que convive bem com a ficção científica.

Dylan Dog era um ex-investigador da Scotland Yard caído em desgraça por razões desconhecidas na época, com problemas de alcoolismo e que sofria de vertigens e claustrofobia. Graficamente inspirado no ator britânico Rupert Everett, como era norma na Bonelli, além da sua atividade profissional tinha duas paixões: o modelismo e o clarinete, sendo ainda geralmente bem-sucedido com belas mulheres, muitas delas sua clientes. Residente em Londres, no n.º 7 de Craven Road, numa casa repleta de recordações cuja campainha imita um grito de terror, tem como empregado e colaborador próximo Groucho, inspirado no mais célebre dos irmãos Marx, que contrapõe ao caráter introvertido e pessimista de Dylan um sentido de humor absurdo.

Dylan Dog #1 – “L’alba dei morti viventi”

A história de estreia intitulava-se “L’alba dei morti viventi” (“O despertar dos mortos vivos”) e a capa, com mortos a sair da terra em redor do protagonista, vincava já que Dylan não seria um detetive como os outros, dedicando-se principalmente ao sobrenatural e ao paranormal, o que lhe valeu a alcunha de Detetive do Impossível.

Os seus criadores foram o escritor Tiziano Sclavi, que teria nele o seu primeiro sucesso, e o desenhador Angelo Stano. Tendo estado perto do cancelamento devido às baixas vendas, aos poucos Dylan Dog foi-se afirmando, tendo acabado por se tornar uma banda desenhada de culto, com uma larga base de apreciadores, desde os habituais leitores de BD até aos amantes de cinema, arte e literatura, devido às diversas referências que Sclavi foi inserindo nos seus relatos. Hoje em dia, conta com mais de 500 histórias originais publicadas em diversas séries, com vendas superiores a 50 milhões de exemplares em todo o mundo.

Edição nº 421, de aniversário

Para assinalar este aniversário, a Sergio Bonelli Editore, com a edição deste mês de “Dylan Dog”, a número 421, que inclui a história “La variabile“, de Paola Barbato e Fabio Celoni, oferece uma versão a cores da aventura de estreia. A data será também assinalada pela mudança de capista da série, com os irmãos Raul e Gianluca Cestaro a sucederem a Angelo Stano (que as desenhou entre 1986 e 2016) e a Gigi Cavenago (2016-2021).

Dylan Dog – “O velho que lê”; Portugal

Em Portugal, Dylan Dog teve estreia tardia, embora durante anos tivessem sido distribuídas em Portugal as edições brasileiras do detetive. Foi em 2017, quando a Levoir publicou “Mater morbi“, uma angustiante abordagem ao momento em que o ser humano está a meio caminho entre a vida e a morte. Depois, disponibilizou “A saga de Johnny Freak“, um dos mais marcantes títulos da série. Mais tarde, em 2019, seria A Seita a adicionar Dylan Dog ao seu catálogo, onde já se contam sete títulos, com momentos marcantes do percurso desta banda desenhada, entre os quais “O velho que lê“, uma sublime divagação sobre os problemas da velhice e o prazer da leitura.

Agora, esta editora anuncia para o próximo mês de outubro o lançamento de uma nova história de Dylan Dog, “O número duzentos“, da autoria de Paola Barbato e Bruno Brindisi, que esclarece a origem do galeão cuja construção Dylan nunca termina, e como contratou Groucho.

Devido ao seu sucesso, Dylan Dog já foi levado por duas vezes ao cinema. Em 1994, Michele Soavi realizou “Dellamorte dellamore“, protagonizado pelo próprio Rupert Everett e por Anna Falchi. Já em 2011 surgiu “Dead of night“, com realização de Kevin Munroe e Brandon Routh no papel principal.

“O número duzentos”, a editar em Outubro (capa da edição italiana)

Há dois anos, foi anunciado que James Wan estaria a preparar uma série televisiva de dez episódios, numa colaboração entre a sua empresa, a Atomic Monster, e a Bonelli Entertainment, mas com a pandemia não houve mais notícias sobre o projeto.

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F. Cleto e Pina

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