Claudio Villa:
“Objetivamente, o ‘trabalho’ da IA torna um desenho real.
Paradoxalmente, é isso que procuro pessoalmente sempre que desenho.
O resultado que obtenho é fruto da destilação de anos de estudo, de experiência, do “armazém de imagens” que tenho na cabeça, do desenvolvimento de uma linha estilística.
O que a IA faz é recalibrar a luz, as sombras, as dobras das roupas segundo esquemas de cálculo codificados para que sejam o mais reais possível, quem sabe quantas fotografias do seu imenso “armazém” retirou para encontrar “a cena” com a imagem de referência proposta.
No fundo partimos de uma imagem fruto da imaginação (sem referências, quando há digo sem problemas) de um desenhador “normalizado”, tornado realista, portanto adeus ao estilo, tipo e característica do sinal utilizado, dos “dispositivos gráficos” para comunicar um conceito através de uma imagem.
Noto que hoje atravessamos esse emaranhado de floresta, que torna “fácil” a vida de quem não sabe desenhar e torna “inútil” a habilidade de quem sabe desenhar, colocando-os no mesmo patamar de diversão, onde o fator discriminador está apenas nos olhos de quem observa e, quem sabe, percebe as diferenças.
Vários níveis de cultura estão em jogo.
Para quem fez da sua vida um serviço de comunicação (contar histórias através do desenho), é o feito mais difícil alguma vez alcançado.
Sublinho que sem imagens de referência a IA é uma marioneta imóvel no chão, enquanto a poesia de um artista se expressa através de traços, sinais talvez pouco convencionais, mas que derivam de um sonho.
A diferença está entre quem sabe sonhar e quem não sabe.
Nisso, a IA está derrotada desde o início, por enquanto.”
IA (Inteligência Artificial) redesenha capas de Tex da autoria de Claudio Villa
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